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Mortality and health-related quality of life in prevalent dialysis patients: Comparison between

Como já afirmamos, acreditamos que a escolha das formas verbais de passado também está condicionada por fatores discursivos, sendo assim, para verificar tal hipótese, decidimos analisar dois gêneros textuais diferentes: a) entrevistas sociolingüística, como amostra oral e b) notícias internacionais, como amostra escrita.

Segundo Back et al (2007), a seqüência discursiva tem se mostrado relevante em diversos trabalhos que tratam da variação e mudança, especialmente no âmbito mais discursivo e que tomam como amostra entrevistas sociolingüísticas14.

Sabendo que o controle dos gêneros textuais (e evidentemente das seqüências discursivas) é um fator importante para o estudo da variação e mudança lingüística, neste tópico, fazemos uma breve explanação sobre os dois gêneros que selecionamos para a análise.

2.2.4.1 Entrevistas sociolingüísticas

De acordo com Back et al (2007), a constituição de uma amostra oral para a análise da variação requer o uso de uma estratégia de coleta conhecida como entrevista sociolingüística. Entrevistas sociolingüísticas são caracterizadas pela peculiaridade do método, que visa a analisar a fala de uma comunidade, o uso lingüístico “espontâneo”.

Vimos nos tópicos anteriores que as seqüências discursivas compõem os mais variados gêneros (notícia, crônica, cartas, memorandos, etc), perpassando-os e organizando o discurso, o que pode inclusive caracterizar o próprio gênero. É o que

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Para Charaudeau (2008), como vimos, tais seqüências são denominadas de modo de organização do discurso.

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parece ocorrer com as entrevistas sociolingüísticas, muitas vezes chamadas de narrativas sociolingüísticas, por pressuporem um fio condutor estrutural de orações narrativas (Back et al, 2007).

Segundo Schiffrin (apud: Back et al, 2007), as narrativas orais são o ambiente ideal para o estudo da variação, principalmente no plano discursivo, visto que são unidades naturalmente delimitadas do discurso, com uma estrutura interna regular, propiciando uma análise controlada e sistematizada dos aspectos formais e funcionais da variação. Constitui-se, assim, em um instrumento metodológico para coletar dados de fala em situações comunicativas naturais e espontâneas visando a pesquisar fenômenos que caracterizam a língua.

As entrevistas sociolingüísticas estão assentadas na seqüencialidade, temporalidade e iconicidade, com relação aos fatos vividos, a partir da experiência pessoal do entrevistado, evidenciando assim, o seu caráter cotidiano (Labov, apud: Back et al, 2007). Além disso, estão constituídas por diferentes seqüências com as mais variadas funções, e, entre elas, garantindo a seqüencialidade temporal.

Normalmente, em entrevistas, somente são validados os textos do informante para descrições de fenômenos lingüísticos em variação. No entanto, consideramos na nossa pesquisa, tanto a fala do informante quanto do entrevistador como objeto de descrição e análise, uma vez que nos interessa, principalmente, o encadeamento do turno de fala. Acreditamos que a fala do entrevistador possa influenciar na fala do informante e na seleção do pretérito. Objetivamos verificar que seqüências textuais condicionam a escolha da forma verbal de passado tanto pelos entrevistadores ao direcionarem a entrevista quanto pelos informantes ao responderem o tópico desenvolvido pelo entrevistador. Além disso, interessa-nos investigar que forma verbal de passado (pretérito simples ou pretérito composto) tende ou não a se apresentar mais sensível às seqüências discursivas, levando em conta o gênero textual selecionado.

2.2.4.2 Notícias internacionais

Com o avanço tecnológico, novos gêneros textuais surgiram, entre eles, a notícia de jornais eletrônicos, tornando-se também uma amostra de corpus escrito atual e relevante em diversos trabalhos que tratam da variação e mudança lingüística.

Um fator que nos interessa bastante nas notícias é a sua organização textual e informacional, uma vez que ela está determinada pela novidade e relevância.

De acordo com Fuentes Rodríguez (1999), a própria organização do texto já supõe uma hierarquia informativa. A estrutura do texto depende da sua macroestrutura e da sua superestrutura, ou seja, da divisão em parágrafos segundo os aspectos do tema geral ou sub-tópicos (macroestrutura) e também do tipo de texto (superestrutura). No entanto, isso supõe também uma organização determinada da informação, assim, cada tipo ou gênero tem um modelo de apresentação da informação e nem todos os parágrafos tem o mesmo peso informativo.

No caso das notícias jornalísticas, a ordem dos parágrafos é piramidal, em outras palavras, a informação aparece de maior a menor importância. O título (também chamado de manchete) expressa as notícias de maior peso. Utilizando a tipografia como um modo de focalizar, chama a atenção dos leitores para o que se quer destacar. Conforme o texto avança, aparece o subtítulo (conhecido também por lead), que apresenta os dados que se consideram um pouco menos relevantes daqueles que aparecem no título, funcionando, na verdade, como uma informação complementar sobre o fato noticiado. Em seguida, temos o corpo do texto, ou seja, todo o desenrolar do fato noticiado.

Segundo Fuentes Rodríguez (1999), uma característica do título é a sua brevidade, a maneira objetiva com que aborda a notícia e geralmente os verbos aparecem no tempo presente. No subtítulo, por outro lado, os verbos costumam aparecer no tempo passado, de modo a indicar um fato que se concluiu (se o noticiado já ocorreu) ou no futuro (se a notícia anuncia um fato que irá acontecer), assim como ocorre no corpo do texto. Esse seria um dos traços marcantes dos tempos verbais no gênero textual analisado, isso devido à forma incisiva com que os processos se repetem e se impõem ao longo dos textos.

No entanto, acreditamos que a organização informativa do texto e a focalização, assim como a seqüência discursiva, condicionam a escolha da forma verbal, independentemente se esta aparece no título, no subtítulo ou no corpo do texto. Assim, queremos investigar o uso dos pretéritos e o seu valor em cada uma das partes que compõem a notícia.

Outro fator que acreditamos influenciar na seleção do pretérito simples ou do composto nas notícias diz respeito ao papel das tradições discursivas, ponto que será abordado no tópico que segue.