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New Ideas, presented by the author of this report

11 Method Summary, Challenges and Ideas

11.4 New Ideas, presented by the author of this report

O recreio escolar é um momento/tempo reservado para o lazer, relaxar a mente. É um momento de diversão e aprendizagem ao mesmo tempo. Entendemos o recreio escolar como parte da identidade cultural de uma sociedade escolarizada. Por meio dele, realizam-se jogos e brincadeiras que são transmitidas de uma geração a outra. Esta prática se torna uma tradição em quase todas as escolas do mundo.

Ao recordar minhas próprias vivências na escola, nos anos de 1980, ainda quando menino, no período da primeira República, sempre existia o tempo reservado para o recreio escolar. A professora Ana da 3ª classe nos colocava  em  roda,  brincando  do  “Lencinho”,  “Rato   e  Gato”,  “Stop”,  entre  outras  brincadeiras.  Por  vezes,  nos  juntavam  com  os  alunos  das  outras   turmas, porém do mesmo nível de escolaridade para podermos brincar. Esta prática fazia com que nos familiarizássemos com os demais colegas da escola e fortificava a nossa amizade.

Havia dias em que não era preciso a presença da professora nos jogos. Ficávamos livres, mas sempre sobre o olhar dela, que podia intervir, caso houvesse uma briga ou um confronto entre nós. A professora era uma grande autoridade e tínhamos um respeito absoluto por ela que nos supervisionava e impedia maus tratos de um colega sobre o outro.

O mesmo acontecia no segundo nível, nas 5ª e 6ª classes, já na faixa dos 12 a 15 anos de idade. Existia o tempo  livre  para  recreio  e  recebia  o  nome  de  “tempo  de  borla”.  Fazíamos   jogos   diversos   tais   como:   “Amalha”,   “Tocada”,   “Salto   de   corda”,   jogávamos   futebol   e   posteriormente assistíamos os dois últimos tempos de aulas já bem animados e com muita disposição.

As aulas de educação física eram dadas no horário normal de aulas, e posteriormente podíamos continuar com outras disciplinas do dia até o final do horário. O tempo era respeitado na íntegra. As escolas tinham banheiros que eram usados depois de uma boa aula de educação física que favorecia um relaxamento mental e uma boa higiene. Existiam, também, cantinas escolares e espaços próprios para a realização de jogos e atividades físicas.

Na Segunda Reforma Educativa, o Ensino Secundário é compreendido por alunos de 12 a 16 anos de idade. Do ponto de vista sócio-afetivo, esta é a faixa de idade em que se estabelecem relações com adolescentes da mesma idade e trocam experiências, produzindo um grande mundo de conhecimentos. Macedo (2009), apoiando-se nos trabalhos de Piaget (1994), apresenta um paralelismo entre o desenvolvimento afetivo e a evolução do pensamento. O autor explica que esses aspectos não constituem duas realidades independentes, mas se complementam em todas as atividades psíquicas. Entendemos que nessa idade os adolescentes jovens encontram-se em constante movimento sendo que a atividade motora ganha lugar no seu ambiente de lazer e aprendizagem. Segundo o que está estabelecido no currículo de Angola, a função social deste ciclo é proporcionar aos alunos os conhecimentos necessários e com qualidade requerida para os levarem a desenvolver as suas capacidades, aptidões e promover uma cultura de valores para a vida social e produtiva que o país exige (OCTÁVIO, 2011).

Partindo deste pressuposto os tempos escolares foram preenchidos com as disciplinas cujos conteúdos visam atingir os objetivos preconizados. Os horários escolares são totalmente preenchidos com as disciplinas teóricas e práticas como a disciplina de educação laboral2. A exceção é a disciplina de educação física, que passou a ser administrada no horário oposto (quer dizer, se os alunos estudam no período matinal, fazem educação física no período vespertino) ou mesmo nos finais de semana. Dá-nos a entender que o tempo de estudo formal ficou mais extenso com aumento das disciplinas práticas, o contrário da Primeira República, onde havia um tempo maior para uma formação mais global dos estudantes com a incorporação de momentos de lazer.

Na segunda Reforma Educativa, a questão do recreio, nosso objeto de estudo, não figura no currículo, assim como nos horários escolares. O que existe é um intervalo de cinco minutos entre as aulas, momento em que os alunos, levando em consideração a carga horária, aproveitam para satisfazer as suas necessidades do lazer em todas as vertentes em detrimento das condições que a escola oferece. Esta análise foi feita pela constatação da planificação/planejamento dos tempos escolares (horário escolar) da escola pesquisada3.

Corroborando a análise feita ao plano curricular da Segunda Reforma Educativa para o 1º ciclo do ensino secundário, a Lei de Base do Sistema de Educação nº 13/01, no artigo 49º diz   o   seguinte:   “a   educação   extraescolar   realiza-se no período inverso ao das aulas e tem como objetivo permitir ao aluno o aumento dos seus conhecimentos e do desenvolvimento harmonioso   das   suas   potencialidades   em   complemento   da   sua   formação   escolar”.   Mais   adiante, ainda no mesmo artigo, no seu parágrafo 2odiz  o  seguinte:  “a  educação  extraescolar   realiza-se através de atividades de formação vocacional, da orientação escolar e profissional, da   utilização   racional   dos   tempos   livres,   da   atividade   recreativa   e   do   desporto   escolar”.   Partindo destes pressupostos, chegamos ao entendimento de que o recreio escolar, que foi suprimido na Segunda Reforma, foi substituído pelas atividades extraescolares. Estas se constituem de jogos nos finais de semana organizados fundamentalmente pelos professores de educação física e outros por meio de projetos dos Ministérios de Educação, Juventude e Desporto. Os jogos são organizados anualmente, a cada fim do ano letivo, albergado em um acampamento ou condomínios gemino-desportivos em que alguns alunos representam as escolas das províncias de Angola.

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Disciplina de Educação Laboral: é uma disciplina de educação visual plástica, onde o aluno aprende a arte manual, desenhos e pintura para o desenvolvimento artístico.

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Schmidt (1969), no seu livro sobre educar pela recreação, leva-nos a refletir que as atividades extraescolares são oportunidades por excelência de educação do senso social, pelo fato de desenvolverem a responsabilidade e o sentido do senso da ação social para a vida comunitária. Concordamos com esse ponto. No entanto, acreditamos que o recreio escolar difere das atividades extraescolares.

O recreio escolar é um momento em que os alunos, de forma livre, procuram uma realização própria; momento de socialização em que os sujeitos escolhem o que fazer deliberadamente. É um momento lúdico em que o aluno entra em contato com a natureza e o ambiente escolar, exercitando sua autonomia. De certa forma, ao fazê-lo, revela o aluno quem ele é. As atividades extracurriculares, por sua vez, possuem um caráter organizacional, monitoradas pelos professores que trazem orientações explícitas para os alunos. As atividades extracurriculares possuem outro olhar do ponto de vista das entidades organizadoras e procuram responsabilizar o aluno sobre os seus atos durante essa prática, uma vez que são atividades realizadas no coletivo, diferenciando-as do recreio, que pode ser realizado por pequenos grupos em rodas de conversas ou de forma individual escolhendo o que fazer para a sua própria satisfação.

Essas diferenças nos fazem voltar novamente para nosso ponto de discussão. Formalmente, o recreio inexiste atualmente nas escolas angolanas. Se ele existe, acontece de forma despercebida, principalmente para os professores, dentro do horário normal de aulas. Partindo destes pressupostos começamos o próximo capítulo com questionamentos que vão buscar, de certo modo, a nossa reflexão sobre o assunto.