7.2 Diskusjon og implikasjoner av funn
7.2.5 Modererende effekter av interaksjon mellom turistbakgrunn og varighet på tur82
Diante das inúmeras prescrições de cunho normativista (observadas em diversos âmbitos) que se centram no que é “certo” e “errado” na língua, da conseqüente avaliação social que atribui prestígio ou estigma às diferentes falas, e também das discussões travadas em torno da linguagem “politicamente correta”, é facilmente constatável o caráter polêmico da questão do preconceito lingüístico, questão essa que envolve a discussão entre o uso em oposição à norma (já tratada na subseção anterior). Ao mesmo tempo, a atualidade do assunto é visível na recorrência com que ele tem sido estudado sob diferentes ângulos12.
A intervenção dos lingüistas na discussão sobre o que deve ou não ser aceito em uma língua desencadeou uma espécie de “conflito”, como já exposto na Introdução, com os gramáticos normativos, já que estes postulam o que se deve e o que não se deve usar e
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Alguns exemplos são os trabalhos de Bagno (1999); o documento sobre Definição da Política Lingüística
no Brasil resultante de ampla discussão entre os lingüistas e publicado no Boletim da ABRALIN, 23; o Boletim da ALAB 4-4 (2000) sobre o Projeto de Lei contra os Estrangeirismos; matérias em jornais a
normalmente querem “impor” uma língua única13, enquanto aqueles procuram estudar a língua como uma entidade indiscutivelmente variável e heterogênea.
Assim, levando-se em consideração essas duas características intrínsecas à língua, não se deve simplesmente classificar algo como “certo” ou “errado”, condenando autoritariamente determinadas construções que estão, simplesmente, bem inseridas em determinada situação social, já que, obviamente, pouquíssimas pessoas empregam a mesma linguagem em situações com diferentes níveis de formalidade. Assim, o falante tem a opção de deixar de usar uma variante recomendada pela prescrição normativa tradicional para empregar outra, estigmatizada por ela, mas que efetivamente expresse o que ele quer dizer naquele momento.
Em Silva e Moura (2000), encontra-se uma coletânea de artigos, em que fica clara uma crítica à idéia de unidade nacional alicerçada numa língua idealizada pura e única, a qual nunca existiu e nunca existirá, mas que alguns gramáticos normativos continuam difundindo e defendendo. Nessa obra faz-se, por exemplo, uma oposição de Lima Barreto a Machado de Assis e Cruz e Sousa (Cruz, 2000), em razão do uso peculiar que aquele faz da língua portuguesa, considerado à época como incorreto, e só mais tarde visto como inserido, com estilo, no contexto cultural, por buscar falar a língua do povo e não retratar a linguagem dominante do período14. Um outro exemplo, do mesmo livro, é a visão da língua como resultado de um processo histórico (Fiorin, 2000), que serve de pano de fundo para a caracterização do preconceito lingüístico como fruto da “intolerância em relação à variação e à mudança” (p. 27), preconceito que a própria escola e os gramáticos, como já dito, tratam de difundir. Fiorin focaliza fatos da mídia em que a diversidade
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Usa-se o termo “normalmente” porque, apesar de essa ser uma realidade entre os manuais normativos, há algumas exceções. É o caso, por exemplo, de Luft (2002), que, ao apresentar a prescrição normativa para determinados verbos (como pagar e perdoar), tece considerações importantes sobre o uso real desses verbos, mostrando que certas lições normativas tradicionais estão sendo substituídas por outras, mais adequadas à realidade lingüística atual.
14 Esse fato particulariza a obra do romancista, caracterizando-a como de “militância literária” lingüística, daí
lingüística é ridicularizada e, com bastante pertinência, examina trechos de uma entrevista de Pasquale Cipro Neto dada à revista VEJA (setembro de 1997), nos quais ele confirma muitos preconceitos lingüísticos partindo da concepção equivocada de que a língua é homogênea e estática. Aproveitando “deixas” de Pasquale na matéria, o autor discorre sobre diferenças entre a fala e a escrita e entre o português brasileiro e o europeu, e discute comentários equivocados como os seguintes: do ponto de vista da norma “culta”, a melhor fala é a do Rio de Janeiro e a pior é a de São Paulo; é idiota quem usa palavras em inglês no lugar de palavras equivalentes em português; em termos lingüísticos “estamos nivelados por baixo” (p. 34); e a “pérola” final, o comentário do referido professor, por ocasião de um conhecido comercial da cadeia McDonalds, de que não teria feito publicidade dos lanches, mas sim divulgado a língua portuguesa. Por fim, considerando amplamente a diversidade lingüística, Fiorin desqualifica com veemência a opinião dos “guardiões da língua”, de que “os lingüistas estão destruindo o idioma, porque para eles vale tudo” (p. 35).
Bagno (1999), ao discutir o que ele chama de “mitologia do preconceito lingüístico” – um conjunto de crenças equivocadas, responsável pela má qualidade e ineficiência do ensino do português nas escolas e pela dificuldade que muitos brasileiros têm no trato com a língua materna –, considera que o “erro de português”, que amedronta, intimida e humilha tanta gente, simplesmente não existe. Haveria, na realidade, diferentes variedades do português, cada uma perfeitamente válida em seu contexto e todas merecedoras de respeito.
Teixeira (2003) é outro lingüista trabalha com a questão do “desvio (=erro)”, questionando se este é um problema realmente lingüístico, ou se é social. Mencionando o mote de Vergílio Ferreira “a verdade é um erro à espera de vez” (p. 125), o autor afirma que, na generalidade da vida, a verdade pode ser um erro à espera de vez, mas “na língua
um erro é sempre uma verdade à espera de vez” (p. 125), ou seja, um “erro” de hoje pode vir a tornar-se uma forma adotada na língua, e passar a ser uma “verdade”. Para ele, se se partir da perspectiva de que alguém altera a língua, está-se dizendo que a língua sofre ataques, distorções e pode até ser levada ao “assassinato”, como afirmam alguns. Além disso, o autor diz que colocar essa questão como o faz a tradição normativa clássica, em termos de “norma/desvio”, é claramente tender para a questão comportamental: a “norma coincide com o bom: ‘anormal’ implica ‘defeituoso, mau’. Um desvio é um comportamento e, como tal, passível de valoração social” (Teixeira, 2003, p. 127).
As opiniões acima expostas reforçam a afirmação de que as prescrições normativas não são de base propriamente lingüística, mas primordialmente de base sociocultural. Desse modo, retomando os questionamentos propostos na Introdução deste trabalho a respeito da propagação da prescrição normativa e do papel do lingüista nessa questão, conclui-se, seguindo Neves (2001a e 1997, entre outros), que a avaliação das prescrições da norma não é, definitivamente, questão menor para o lingüista. Por outro lado, diz a autora, este não se dedicaria a tal avaliação para, simplesmente, legitimar a postura gramatical prescritivista. O trabalho do estudioso é, pois, examinar os casos em que há, no uso real, distanciamento da norma e avaliá-los de acordo com o seu conhecimento do funcionamento lingüístico.
Além disso, no estágio em que se encontram as investigações lingüísticas no meio acadêmico, são de fundamental importância projetos que explicitem uma gramática do português observada diretamente nos usos reais da língua (Neves, 2001a), procurando verificar como os enunciados utilizados pelos usuários no seu cotidiano esbarram em pressões (como já visto, geralmente de natureza não-lingüística) que acabam gerando dificuldade na escolha entre o apropriado para determinada situação e o prestigiado pela sociedade.