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Modellspesifikasjon

In document Eierskap i barnehagesektoren (sider 20-25)

4. Empirisk analyse

4.2. Modellspesifikasjon

Este estudo procurou realizar a sua proposta, que é a formação profissional docente para a educação voltada para a sexualidade de crianças, de adolescentes, de uma escola pública do município de Diadema, São Paulo. No decorrer da pesquisa nos ocupamos com o entendimento de que a sexualidade é um tema que, embora difícil de ser tratado na escola e um conteúdo educativo, deve ir sendo construído, porque a pessoa bem informada e segura da sua sexualidade, sobretudo crianças e adolescentes em formação, podem se tornar pessoas mais saudáveis e felizes. Essa educação deve ser voltada para o cuidado com o próprio corpo e o do outro. Implica um dever ético e um saber estético sobre: a higiene, o trato das pessoas e das coisas, o respeito e a dignidade humana, a educação de crianças e adolescentes.

O olhar sensível e a articulação do saber docente sobre os sujeitos em processo de escolarização podem favorecer a transformação de uma prática pedagógica , às vezes, do medo e da insegurança, para um espaço de cultivo da vida. Numa função educativa, que orienta, ensina, dialoga, por vezes, corrige. Isso diz respeito a um saber-poder que realiza uma espécie de educação, que poderemos denominar de educação para a sexualidade.

Essa situação posta, incluindo o registro que apresentamos daqueles (as) que tiveram algum tipo de formação na graduação, ou no exercício da docência, nos faz compreender que os professores carecem de uma formação adequada a respeito do tema em questão. Acreditamos que a inclusão dessa temática na graduação tornaria o processo de educação sexual das crianças e adolescentes menos problemática.

Discorremos que a sexualidade é elemento constitutivo da pessoa. Diz respeito a uma questão, incluindo as concepções construídas e discursos especulativos. Envolve práticas cotidianas, pensadas, elaboradas ou privadas de elaborações, planejadas ou não planejadas, nas quais diferentes personagens atuam, põem-se e se constituem como subjetividades. No entanto, essa educação dos educadores para trabalhar a questão da sexualidade é carente, nas escolas públicas, principalmente, de política educacinal e tratamento mais apropriados.

Entendemos, portanto, que o conceito acerca da sexualidade precisa ser ampliado, como é desejável, e pode ser aprendido, de modo a superar seu tratamento somente sob à ótica das DSTs ou somente tratada por algumas áreas de conhecimento, que possuem certa afinidade com o conteúdo, como tem se apresentado em algumas disciplinas específicas, cujas ações tomamos conhecimento durante esse estudo.

Os PCNS vêm apontado para a importância do tratamento dessa temática nas salas de aulas, no seu cotidiano escolar. Sabemos que as orientações desse documento são válidas e importantes porque contribuem com o conhecimento e a prevenção de problemas advindo pela falta de informação e esclarecimento. No entanto, tais ações não são suficientes para atender às demandas ligadas à sexualidade e que se manifestam de diferentes modos nos espaços escolares, como insistimos nesta pesquisa.

O currículo escolar tem deixado fora de sua atenção a questão da sexualidade. A forma encontrada para abordá-la foi incluí-la entre os temas transversais, cujos aspectos encontram pontos de contato com os conteúdos dispostos nos planos de ensino. Ainda que haja essa previsão e incentivo para que se desenvolvam esses temas na escola, dentre eles a sexualidade, nota-se que ele fica sob o interesse da direção e seus professores.

Entendemos que o descuido com as questões que envolvem os (as) alunos (as), incluindo a educação para a sexualidade, pode criar uma escola descolada da realidade, que pouco contribui com o desenvolvimento das crianças e adolescentes de hoje que a frequentam.

No desenvolvimento de alguma ação e na construção de um projeto voltado para a educação que tenha como tema a sexualidade de crianças e adolescentes, por um grupo de professores, notamos que a temática envolve os(as) alunos (as). Porque interessa a eles (as) falar sobre o próprio desenvolvimento e suas relações afetivas. Isso também foi recorrente nas discussões durante os encontros de formação continuada sobre sexualidade com os professores.

Por essa razão, postulamos para que o currículo da educação básica trate da sexualidade não somente como um tema transversal, mas constituindo aspectos dos diferentes componentes curriculares, visando ao pleno desenvolvimento de crianças

e adolescentes

Temos apresentado no decorrer da pesquisa que o processo educativo inscreve a pessoalidade e a profissionalidade do educador, isso pode levar à compreensão de que o modo de lidar com a própria sexualidade poderá pôr em risco a prática educativa de algum educador. Consideramos importante à prática educativa o entendimento e a tranqüilidade em face da própria sexualidade, uma vez que envolve a pessoa do educador, não mais que isso.

O comprometimento dessa prática educativa pode, em alguma medida, estar associada ao desconforto que certa compreensão da própria sexualidade traz, quanto à insatisfação, por exemplo, da sua orientação sexual ou de alguma característica que se pode julgar inaceitável, podendo acarretar um desequilíbrio emocional que compromete o próprio fazer pedagógico do professor com relação ao trato da educação sexual com seus alunos.

Parece-nos oportuno o entendimento de que a sexualidade é inerente e singular em relação a cada pessoa, uma vez que ela se produz no plano da subjetividade. Ainda, as nomeações sobre a orientação sexual – ser heterossexual, ser não-heterossexual -, ou a respeito de certa valoração de determinada característica, operam-se no território da cultura hegemônica. Daí os embates que ocorrem nos discursos da mídia, reflexos da sociedade como um todo, portanto de aceitação processual.

Ao nosso ver, determinada prática educativa, para que tenha bons resultados, dependerá da capacidade de problematizá-la no seu contexto e no implemento de ações e recursos para que prática educativa na escola seja transformadora. Nesse sentido, pode-se postular que a prática do professor decorre da compreensão que ele tem de sua função, em certa medida da sua pessoalidade, dos esforços que pode realizar com outros educadores e daquilo que lhe é solicitado no exercício da docência.

A formação profissional continuada dos professores deve ser recorrente e aperfeiçoada, por exemplo, por meio de cursos, palestras, estimulando o enfrentamento de situações que envolvem a inclusão da diversidade no currículo. Compete aos gestores assumirem as ações escolares de orientação ao

planejamento e seu devido monitoramento, bem como acolher e encorajar os educadores nesses desafios.

Feitas essas considerações, nossas recomendações se apoiam em três pontos:

1) O saber e o saber-fazer competentes a serem ensinados na formação dos professores, principalmente nos cursos de licenciatura, no sentido de garantir à formação de competências e habilidades necessárias para acompanhar o processo de crescimento dos estudantes não só quanto aos diversos saberes, mas também sem excluir os relativos à sexualidade, seus aspectos psíquicos, sociais e culturais. Entendemos que essa formação deve integrar várias áreas de conhecimento no sentido de ampliar a compreensão do desenvolvimento humano para além de uma perspectiva restrita ao campo do psiquico-biológico, para uma perspectiva do vir a ser dos sujeitos.

2) Atenção à formação continuada dos professores, entendendo que tal formação precisa ser atualizada e contextualizada à realidade da escola e dos estudantes, no seu tempoespaço. As competências e habilidades devem considerar o desenvolvimento pessoal e acadêmico das crianças e adolescentes em processo de escolarização, o qual é atravessado pela descontinuidade e pela intersubjetividade, produzindo subjetividades.

3) A construção de um projeto pedagógico que inclua no currículo a preocupação com o disciplinamento dos corpos de crianças e adolescentes, produzirá, em certa medida, as subjetividades que sofrem os processos de subjetivação e assujeitamento. Esse projeto deve ser construído pela comunidade educativa, como garantia de que haja o comprometimento de todos os envolvidos, em especial os educadores, no processo de educação escolar.

Portanto, esses três itens confirmam a nossa tese de que os professores devem a curto, médio e longo prazo procurar ampliar e aprofundar seus conhecimentos gerais e específicos, buscando a integração dos saberes e, entre estes, também entender a questão da sexualidade, uma das dimensões fundamentais da vida humana e, sobretudo, que a política pública educacional assuma a formação profissional docente voltada para a educação sobre sexualidade como um item de indispensável presença nos documentos oficiais.

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