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Forklaringsfaktorer brukt i estimeringen

In document Eierskap i barnehagesektoren (sider 13-18)

3. Teoretisk tilnærming

3.2. Forklaringsfaktorer brukt i estimeringen

Dentre as inquietações e perplexidades acerca do vir-a-ser professor na atualidade, Feldmann (2008) informa que esse educador compreende alguém que “professa valores, saberes e atitudes na perspectiva de transformação, ao compartilhar relações, projetos [...], ao interpretar e reinterpretar os sentidos e significados do conhecimento e da existência humana”. No que complementa Pereira (1996) a respeito da pessoalidade e da professoralidade, que se entrelaçam na formação dos professores, essas constituições “andam juntas, isto é, ser professor é uma alternativa, uma saída que o sujeito constrói a fim de realizar um projeto emergente em sua subjetividade” (PEREIRA, 1996, p 51 - 52). Numa descrição de sua constituição subjetiva, entende o professor como “um modo de ser de um sujeito que, tendo vivido um dado quadro existencial, se põe como sujeito educante, que educa, que forma outros sujeitos. É uma diferença de si que ele acolhe” (Ibid., p. 51).

Ao pensar esse devir do professor, Nóvoa insiste na sua profissionalidade. Entende o autor que esse está “inserido num corpo profissional e numa organização escolar” (NÓVOA, 2002, p.37-38). Para Tardif (2003, p. 68), “o desenvolvimento do saber profissional é associado tanto às suas fontes e lugares de aquisição quanto aos seus momentos e fases de construção”.

É necessária a redefinição do papel do professor como “críticos e intelectuais engajados tanto nas salas de aula quanto como parte de um movimento mais amplo em favor da mudança social” (GIROUX, 1993, p. 23). Exige-se ainda a superação do tratamento dado a esses professores como “funcionários ao invés de serem incluídos como agentes autodeterminados da mudança política e pedagógica” (Ibid., 1993, p. 23).

O papel do professor ou gestor é pertinente na orientação sobre o desenvolvimento da pessoa, pressupondo que isso marca um dos aspectos do currículo. Esse é o lugar da escola que, em certos momentos, poderá se deparar com outros modos de se pensar o desenvolvimento da criança e do adolescente. A gestora Ane fornece significativa contribuição com esta sua orientação:

- Oriento sobre a fase que elas realmente vão passar da infância para a adolescência, que elas estão se tornando mocinhas. Eu

sempre falo que elas estão virando quase mulheres e elas vão começar a namorar, beijar, elas vão ficar. Toda aquela conversa. O que eu notei nisso tudo? Na realidade é assim: algumas mães falaram: “Está me chamando só para isso?”. A outra mãe falou

assim: “É um absurdo, eu não sei mais o que vou fazer”. Então, a

gente tem no mesmo local o oito e oitenta. O que para uma pessoa é muito normal, uma criança de 10 anos beijar - o que para mim não é, não é a fase ainda, por mais que eles beijem, eles beijavam escondido da gente. Agora eles estão beijando na frente da gente. Então, o que a gente tem feito? Eu tenho pedido sempre, todas as vezes, eu nunca mostro que é uma coisa absurda. Porque eu acho que o beijo não é absurdo, o ficar não é absurdo.

Nota-se que a educação escolar se amplia quando o educador está comprometido com o desenvolvimento sócio-afetivo de seus alunos. Esses espaços podem ser reveladores do modo de agir, as concepções que os alunos carregam, seus mecanismos de comunicação e interação com seus pares, bem como a possibilidade de intervenção daquele que organiza o espaço dessas crianças e adolescentes. Nesse sentido relata Ane, a gestora,

- Participamos de um passeio no Play Center. Eles distribuíam uns

selinhos verdes no qual estava escrito “eu vou”. Eu não sabia o que

era aquele selo e aí outro dia me explicaram. Coloquei o selo, eles me explicaram que “eu vou” queria dizer eu vou ficar com alguém, eu vou dar um beijo em alguém. Os meus alunos me viram com o selo e riam, aí eu entendi que eles instituíram até o dia do eu vou ficar e no eu vou. Eu achava que eu vou era ir ao Play Center, brincar. Depois os alunos me contaram, e disseram “a senhora foi?”. E para explicar que eu não tinha ido, que eu nem sabia o que era aquilo, só porque eu achava o selinho bonitinho, verdinho, eu vou? Então eu procuro sempre, eu converso com eles como não acho um absurdo, mas eles não podem fazer. “Cada coisa tem a sua hora”, eu falo sempre para eles não pularem etapas, entendeu? Eles devem brincar, o menino jogar bola. Ainda acredito nisso: jogar bolinha de gude, paquerar, ir aos poucos, porque senão daqui a pouco tem a gravidez precoce.

Esse relato evidencia que, ainda que o educador não tenha domínio sobre as relações, a linguagem, os códigos que estão presentes nas relações entre os estudantes, uma vez que a preocupação não é o controle, sua presença cria oportunidades para entender a cultura que esses produzem. Permite construir canais de comunicação, onde nem sempre se ensina, mas aprende-se. Inscrevem-se, assim, modos de se constituir como educador no interior das culturas juvenis, as quais exigem um modo de olhar, de interagir, de disponibilizar mecanismos realizadores de diálogos – entenda-se no seu sentido refinado. O professor Gaúcho prossegue com sua prática educativa participante, interessada, envolvido com o seu trabalho:

- [...] eu tento aprender a cada dia, ler bastante, me atualizar, escutar muito sobre as atividades, então, o meu tipo de aula é no olhar, é no olhar do aluno. É uma aula que o pessoal também presencia: o que é uma interatividade hoje. [...]. Você vai numa peça de teatro interativo, vai intervir, e a escola não é, [...] nunca foi ou será, depende do professor. Ela é o professor que fala e os outros escutam. Quando eles ficam calados a gente não tem um termômetro e graças à minha bagagem, a minha aula é interativa. É, há muitos anos. Então, eles opinam a partir de outras opiniões, às vezes em cima [do que diz] de um coleguinha. Você já puxa outro assunto e eles têm muito assunto nesse tema. Agora essa orientação depende muito de duas aulinhas de Educação Física. Às vezes depende muito deles confiarem na instituição, em outros professores da instituição, serem um pouco mais abertos [...] sabe, não acho a palavra correta.

As expressões do professor confirmam um entendimento presente nas pesquisas e nas práticas educativas de vanguarda, que diz respeito à autoria e ao protagonismo dos estudantes. Esses conceitos colocam a criança e o adolescente na centralidade do processo educativo, não como objetos de realização da educação, mas como construtores, partícipes do seu vir-a-ser. Num fazer-se sujeito, menos num assujeitamento.

A autoria e o protagonismo dos estudantes constituem, assim, forças realizadoras das culturas juvenis que se esquivam – no sentido de não permitirem o domínio - em alguma medida, da submissão à cultura instituída pelos adultos. Mas são capazes de promover a desconstrução de uma cultura escolar cristalizada, reguladora. Há, portanto, uma perspectiva de cocriação que se nutre da curiosidade, que muitas vezes se encontra escondida nos espaços das escolas ou amordaçada pelo currículo prescritivo.

A criança e o adolescente podem ser as representações dessa possibilidade de desconstrução, dessa potencialidade de vir-a-ser. Constituem-se em corpos num movimento de produzir-se e ser produzido, de ver-se e ser visto, desejar-se e ser desejado. Há um constante fluir também do outro, da relação, da sociabilidade e do que nisso se impõe. A cultura juvenil se realiza num cultivar nem sempre consciente desse fazer-se e ser constituído. Contribui o professor Gaúcho quando assim se expressa:

- É uma questão de curiosidade, pois a gente está ali praticando esporte, o corpo está florescendo, a atração vem. Eu vejo meu amigo se destacando. Eu vejo a minha amiga se destacando. Há uma proximidade física entre essas pessoas, entre esses atletas. Naquele momento são atletas, eles vão trocar de roupa no vestiário. Estão ali juntos e isso vai organicamente, vai estimulando [...] e [...] tudo

começa a acontecer, algumas mudanças sociais [...] nesses estudantes que estão praticando essas modalidades.

A sexualidade vai se constituindo e sendo construída nesse devir das subjetividades juvenis, enquanto também realiza o cultivo de outros modos de se apresentar e representar as sexualidades. O modo de operar isso, quando se faz na proximidade com o diferente não causa estranhamento, exclusão. Sobre isso prossegue o professor Gaúcho.

- [...] as que não fazem parte do convívio elas não estranham muito. É uma porcentagem muito alta que acham natural, já como opção. Isso me deixa muito feliz porque essa linha que eu quero trabalhar, que é o que eu penso, que é uma opção, que a pessoa está querendo naquele momento e como ele entende agora e ele pode mudar ou não.

O fluxo dessas sexualidades não é um processo continuo e fixo. Ao contrário é marcado pelo movimento irregular, descontínuo, nômade. Portanto, descreve trajetórias nem sempre desejadas, pensadas, contrapondo-se ao regulamentado. Para Menezes (In: MOREIRA; CARVALHO, 2007, p.29) “em termos psicológicos, não se pode mais negar uma definição do ser humano como sujeito-de-desejo, novo imperativo estabelecido pelo Homo psicanaliticus”. Ainda, do professor Gaúcho, considerações sobre fatos atuais;

- Não há definição mesmo. Hoje é comum você pegar uma pessoa que separa de um casamento, uma pessoa adulta, de repente ela vai ter uma relação [...] da esposa [...] com uma amiga dela, com uma colega dela. É fruto de que isso? 30 anos casada, 40 anos casada, com filho, de uma hora para outra começa sentir uma atração pelo mesmo sexo. Pode ser o quê? Fatores específicos, emocionais, que a gente tem uma sociedade extremamente machista. Isso fica muito claro, todo mundo fala, mas poucas pessoas querem trabalhar nessa linha. A gente tem que trabalhar a escola machista. A instituição escola é machista. A instituição igreja é machista. Isto tem que ser falado e as pessoas que chegam nessas instituições, com um novo pensar, com um pensar diferente. Nós seremos a mosca na sopa deles. Nós vamos ser combatentes dos pré-conceitos. Dizer que sem-vergonhice, safado, nada disso é uma questão física, uma questão social, é uma questão psíquica, uma questão cultural, filosófica, ideológica. Essas palavras têm que estar no meio desse bolo todo, tem que estar.

2.10. A formação do docente, a partir das entrevistas de professores (as) e

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