8. Simulering og optimalisering
8.2 Modell 1 – Driftssimulering for et helt år
A proposta inicial de Schwartz e Bilsky (1987, 1990) oferece uma tipologia de valores humanos, no sentido de que o conjunto de valores e os tipos motivacionais possam emergir e ser reconhecidos em todas as culturas. Reiterando os conceitos Rokeach (1973), Schwartz e Bilsky (1987) também confirmam essa classificação dos valores em terminais e intrumentais, mas esclarecem que ambos interagem entre si, e que sua manifestação depende inclusive das influências interculturais. Essas influências, na visão de Schwartz (1992), podem lhes impor alterações e valores, valores esses que representam três categorias de necessidades básicas
universais: necessidades biológicas do organismo, necessidades de coordenação e interação social, e necessidades de bem-estar e sobrevivência dos grupos. Essas características são preexistentes a qualquer pessoa e para que sejam satisfeitas é imprescindível haver a comunicação sobre elas.
Em função da necessidade de se obter maior apoio empírico na distinção entre terminais e instrumentais, Schwartz e Bilsky, em seu estudo transcultural de 1990, questionam a necessidade de se manter essa diferenciação atendendo às seguintes razões:
a) a distinção entre fins e meios nem sempre é clara, e um fim pode facilmente transmutar-se em meio ou vice-versa. Tem-se comprovado que muitos dos entrevistados com escalas divididas em terminais e instrumentais não distinguem bem essas categorias;
b) a diferenciação pode ser em função de um artefato metodológico e relacionada com os seguintes aspectos: por um lado, os dois tipos de valores se mostram em listas separadas e em páginas diferentes, produzindo-se a distinção como um resultadode sua própria localização diferenciada; por outro lado, a formulação dos valores terminais como substantivos e os valores instrumentais como adjetivos podem estabelecer confusões entre a distinção conceitual e gramatical.
Assim, Schwartz (1992), por meio de revisão teórica e empírica de seus estudos, propôs uma estrutura de valores humanos apontada na literatura como muito próxima de ser universal. O autor desenvolveu o Schwartz Values Survey (SVS) ou Inventário de Valores de Schwartz (IVS). Trata-se de um instrumento para avaliar valores, composto por 61 itens e adequado para utilização com sujeitos de nível de escolaridade a partir do segundo grau. Schwartz realizou testes empíricos em 67 países de todos os continentes e identificou dez motivações presentes em praticamente todos os países participantes (sugerindo a quase universalidade dessa teoria).
Schwartz (1992, 1994) chegou à conclusão de que as motivações pelas quais os indivíduos utilizam os valores, para atingir suas metas, associam-se às necessidades biológicas, de interação social e de funcionamento grupal. Sendo assim, o autor chegou à definição de 10 tipos diferentes de valores motivacionais apresentados no Quadro 16 juntamente com suas metas específicas.
Quadro 16.Tipos Motivacionais de Schwartz
Motivações Metas Motivacionais Exemplos
Autodeterminação Independência de pensamento, ação eopção. Liberdade, criatividade, curiosidade, independência. Estimulação Excitação, novidade, mudança e desafio. Vida variada, ousado. Hedonismo Prazer e gratificação para si mesmo. Prazer, autoindulgência. Realização Sucesso pessoal obtido por meio de
demonstração de competência. Bem-sucedido, ambicioso. Poder Controle sobre pessoas e recursos, prestígio. Poder, riqueza, autoridade. Benevolência Promoção do bem-estar das pessoasíntimas. Prestativo, leal, que perdoa. Conformidade Controle de impulsos e ações que podem
violar normas sociais ou prejudicar outros. Obediência, autodisciplina. polidez, Segurança Integridade pessoal, estabilidade da sociedade,
do relacionamento e de simesmo.
Ordem social, segurança familiar, limpeza.
Tradição Respeito e aceitação dos ideais e costumes da
sociedade. Respeito moderação, devoção. à tradição, Universalismo Tolerância, compreensão e promoçãodo bem-
estar de todos e da natureza.
Igualdade, justiça social, sabedoria, respeito à natureza.
Fonte. Adaptado de Schwartz (1992, p. 5).
Esses tipos motivacionais podem ser considerados universais e, portanto, válidos em qualquer cultura, por estarem baseados em um ou mais dos três requisitos básicos à existência humana: necessidade dos indivíduos como organismos biológicos da busca pelo equilíbrio; requisitos de ação social coordenada, ou seja, congruência de objetivos e motivações, necessidade de sobrevivência e bem-estar do grupo (Schwartz, 1992).
O modelo de Schwartz foi elaborado por meio de um diálogo entre teoria e observação, propondo a existência de 10 grandes tipos de valores básicos. Tais tipos apresentam ainda uma estrutura relacional específica, refletindo a dinâmica das relações de congruência e de conflito entre os tipos motivacionais.
De acordo com Schwartz (1992), o sistema de valores humanos é estruturado em duas dimensões motivacionais antagônicas. A primeira dimensão é constituída pela oposição entre a autopromoção (em que se incluem os valores do poder e da realização – enfoque nos interesses individuais) com a auto-transcendência (universalismo, benevolência – cujo foco é nos resultados do contexto social) (Schwartz, 1992; Rohan, 2000; Schwartz et al., 2001).
A segunda dimensão é caracterizada pela abertura à mudança (representa as motivações intelectuais e emocionais orientadas para os interesses individuais, na qual se compreendem os valores autodeterminação e estimulação) versus a conservação (inclui os
valores de segurança, conformidade e tradição e diz respeito à manutenção do status quo e das certezas que isso representa ao nível das relações, das instituições e tradições) (Schwartz et al., 2001; Rohan, 2000). O valor hedonismo partilha elementos com a abertura à mudança e à autopromoção (Schwartz et al., 2001). Outro aspecto salientado na teoria dos valores é a existência de uma hierarquia e que é determinada pelas prioridades motivacionais de cada indivíduo, influenciado pelo seu passado, e evidenciando-se nas suas atitudes e comportamentos (Schwartz, 1992). A contribuição de Schwartz foi criar uma estrutura circular, seguindo relações de oposições e adjacências entre valores, em conformidade com dimensões bipolares, conforme a figura 4.
Figura 4.Estruturateórica das relações entre os tipos de valores de ordem superior e dimensões de valores bipolares
Fonte: Adaptado de Schwartz (1992, p. 14).
A teoria de valores de Schwartz foi desenvolvida com uma abordagem teoricamente sólida e empiricamente comprovada, como afirmou Bilsky (2009) ao testar a estabilidade da estrutura dos valores, comparando com outros estudos na perspectiva dos instrumentos aplicados, das abordagens teóricas utilizadas, das idades das populações pesquisadas e dos resultados apresentados em estudos interculturais.
Embora o SVS venha sendo o instrumento mais comumente empregado por Schwartz e colaboradores (Schwartz, 1992, 1994; Schwartz e Sagiv, 1995), diversos autores questionaram as suas propriedades psicométricas, apontando problemas de erros na medida e
de multicolinearidade (Cable e Edwards, 2004; Burroughs e Rindfleisch, 2002; Oliver e Mooradian, 2003).
Em pesquisa posterior, Schwartz (2005) busca consolidar a teoria dos valores pessoais por meio da elaboração de um novo instrumento de pesquisa, em razão das dificuldades de abstração para os respondentes refletirem sobre as assertivas do SVS e também devido ao impedimento para a aplicação desse instrumento de pesquisa às crianças. Para o pesquisador, o período da infância à adolescência é, provavelmente, o período mais crítico para a formação de valores.Além disso, o SVS é um instrumento que demanda alto nível de pensamento abstrato e apresenta os conceitos de valor fora de qualquer contexto específico, e é bastante extenso (56 itens), o que pode dificultar a aplicação em determinados contextos.
Em função de diversas dificuldades, Schwartz et al. (2001) propuseram uma nova medida, o Portrait Values Questionnaire (PVQ). Ao construir o PVQ os autores tinham como objetivo superar o caráter abstrato dos itens do SVS, contando uma medida que pudesse ser utilizada com pessoas de baixo nível de escolaridade e com crianças e adolescentes. Bilsky (2009) explica a respeito do SVS, que existe desvantagem no nível de abstração que, pressupõe-se, tenha o participante. Por isso, não se pode empregar o SVS em amostras intelectualmente muito variadas.
Campos e Porto (2010) apontam que o PVQ foi criado com o intuito de verificar valores em culturas diferentes, ressaltando sua funcionalidade em respondentes com nível de escolaridade baixo, devido à sua simplicidade.
Schwartz et al. (2012) propõem um refinamento da teoria dos valores humanos argumentando que os dez tipos motivacionais apresentados na teoria original emergiram de uma estrutura básica presente em todas as sociedades, derivada de três características universais de todos os seres humanos, as necessidades biológicas do ser humano como organismo vivo, a necessidade de interação e coordenação social e bem-estar e sobrevivência de grupos. Os autores propuseram a subdivisão dos dez tipos motivacionais apresentados por Schwartz (1992) em dezenove subtipos compostos pelas definições dos dez tipos motivacionais originais. O principal argumento para tais adequações foi que a subdivisão em mais tipos motivacionais poderia melhorar o caráter preditivo dos valores humanos no comportamento (Schwartz et al.,2012).
Quadro 17. Os 19 valores da teoria refinada, definidos em termos de metas motivacionais.
Valor Definições Conceituais em Metas Motivacionais
Autodeterminação de pensamento Liberdade para cultivar suas próprias ideias e habilidades
Autodeterminação de ação Liberdade para determinar suas próprias ações Estimulação
Hedonismo
Excitação, novidade e mudança
Prazer e gratificação sensual para si mesmo
Realização Sucesso de acordo com os padrões sociais
Poder de domínio Poder pelo exercício de controle sobre outras pessoas Poder sobre recursos Poder pelo controle sobre materiais e recursos sociais
Enfrentamento Manutenção da sua imagem pública e evitar
humilhações
Segurança pessoal Segurança em seu ambiente imediato
Segurança social Segurança e estabilidade da sociedade (mais ampla)
Tradição Manutenção e preservação da cultura, família ou
religião
Conformidade com regras Conformar-se com regras, leis e obrigações formais Conformidade interpessoal Evitar chatear ou machucar outras pessoas
Humildade Reconhecimento da própria insignificância em um
contexto amplo
Benevolência Dependência Ser um membro confiável e fidedigno do endogrupo
Benevolência cuidado Devoção ao bem-estar dos membros do endogrupo
Universalismo compromisso Comprometimento com igualdade, justiça e proteção de todas as pessoas
Universalismo natureza Preservação do ambiente natural
Universalismo tolerância Aceitação e entendimento dos outros que são diferentes de si
Fonte: Adaptadode Schwartz et al. (2012).
Os dados para a nova teoria foram coletados durante o ano de 2010, em 10 países: Finlândia, Alemanha, Israel, Itália, Nova Zelândia, Polônia, Portugal, Suíça, Turquia e Estados Unidos. Os participantes do estudo foram 2150 adultos e 3909 estudantes universitáriosque responderam ao questionário em suas respectivas línguas de origem (Schwartz et al., 2012).
Pode-se observar que os 19 tipos motivacionais abrangem o mesmo continuum motivacional circular que os 10 originais; a diferença é que a teoria refinada aponta com mais detalhe as dinâmicas motivacionais que apoiam e organizam o círculo de valores.Com base na
combinação de valores adjacentes no círculo, seria possível recapturar os 10 valores originais (Schwartz et al., 2012).
Figura 05: Continuum Motivacional Circular dos Valores de Schwartz Fonte: Schwartz et al.( 2012, p. 7)
Em suas pesquisas Schwartz et al. (2012) organizaram os 19 tipos motivacionais em uma escala com 57 itens e cada um dos tipos motivacionais tem como base 3 itens, totalizando os 57. Para completar a subdivisão, Schwartz et al. (2012) utilizaram 344 amostras de 83 países, compararando as associações com os itens da escala SVS (Schwartz, 1992) e PVQ (Schwartz, 2005), utilizando escalonamento multidimensional, coletando evidências visuais dos subtipos teorizados. Quando existiam evidências visuais do conceito teorizado, ele foi testado por análise confirmatória dos dados e um novo subtipo foi criado; essas etapas foram realizadas para todos os subtipos.
Em 2014, Schwartz e Butenko pesquisaram evidências da validade da teoria refinada, Portrait Values Questionnaire – Refined (PVQ-R), na Rússia, em uma amostra de 266 respondentes, entre estudantes de vários departamentos de universidades em Moscou, conhecidos ou familiares destes alunos. Cieciuch, Davidov, Vecchione, Beierlein e Schwartz (2014) testaram o PVQ-R, cuja amostra foi de 3.011 respondentes na Finlândia, Alemanha, Israel, Itália, Nova Zelândia, Polonia, Portugal e Suíça. Estudos de Lilleoja et al. (2016) pesquisaram novas evidências da teoria refinada de valores na Estónia, Finlândia e Etiópia com uma amostra de 3.766respondentes, em sua maioria, estudantes universitários. McQuilkin et al. (2016) aplicou o PVQ-R em uma amostra de 931 estudantes de duas maiores universidades da Islândia. Também a teoria refinada de valores foi validada por Li (2016), no contexto chinês, com uma amostra de 250 estudantes de uma universidade em Jiangsu. Aavik e Dobewall (2016) aplicaram uma versão do PVQ-R, a fim de investigar a dimensionalidade dos valores humanos na área de saúde na Estônia, mediante uma amostra de 1.808 respondentes.
No Brasil, estudos de Torres, Schwartz e Nascimento (2016) apresentam uma versão do instrumento desenvolvido por Schwartz et al. (2012) para medir os 19 valores, modificado e adaptado para amostras brasileiras. O PVQ-R tem sua aplicabilidade discutida para o contexto brasileiro e suas amostras foram compostas por estudantes e policiais militares do Distrito Federal. Os resultados obtidos sugerem que o instrumento é adequado para o uso com amostras brasileiras.
Portanto, esta tese considera valores humanos, na concepção de Schwartz (2005a), como estrutura abstrata que envolve crenças que o indivíduo tem acerca de maneiras desejáveis de comportamento, apresentam características comuns, sendo que a distinção entre os valores está na motivação expressa por cada um deles.