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2. Teori

2.4 Modell av teori

Ao longo de todos os registros feitos desse comércio no espaço público, acontecendo nas mais diversas cidades, percebemos os mais variados tipos de estruturas que dão suporte para essa atividade. Das mais simples às mais elaboradas, em diferentes cantos das cidades. Em todos os casos, contudo, a essência sempre permanece: a relação intrínseca que esse comércio tem com a cidade.

Os panos estendidos no chão são uma das maneiras mais simples, mas recorrentes, de expor os produtos. Os comerciantes de artesanatos são os casos mais comum encontrados. Normalmente ocupam toda a extensão de uma rua comercial ou uma ponte movimentada e expõem seus produtos enquanto confeccionam outros, no local. Em nosso trabalho de campo, encontramos famílias inteiras trabalhando, na maioria imigrantes. No caso dos panos, estes podem possuir cordas elásticas nas extremidades para que, a partir de um puxão, se transformem na própria sacola para o transporte da mercadoria. Essa facilidade na montagem/desmontagem é explorada principalmente pelos comerciantes que vendem produtos ilegais, já que a qualquer sinal de fiscalização precisam rapidamente recolhê-los. (Figuras 37 a 42)

Figura 37 – Comerciantes de artesanatos nas calçadas da Rua 25 de Março – São Paulo. (Fonte: autor / Ano: 2014)

Figura 38 – Bolsas falsificadas expostas em lonas que se transformam em sacolas de transporte – Veneza, Itália. (Fonte: autor / Ano: 2013)

Uma vez que os produtos encontram-se no chão, os vendedores normalmente ficam em pé, segurando algumas amostras para chamar a atenção dos transeuntes. Outra maneira pouco mais elaborada, mas bastante comum, são as caixas de papelão. Utilizando a caixa como suporte, realiza-se um corte na diagonal para a colocação de um tampo, que também pode ser de papelão, onde se expõe os produtos, de modo a ficarem mais próximos do campo de visão do pedestre. (Figura 43)

As demais estruturas possuem um caráter mais permanente no local em que se fixam. Fáceis de serem transportadas, temos as mesas dobráveis. Normalmente feitas de madeiras, são leves e podem ser facilmente carregadas. Permitem que os produtos sejam expostos de maneira mais organizada, em uma altura adequada, na qual o comerciante pode ainda se sentar. No entanto, devido muitas vezes a falta de cobertura, o comerciante e seus produtos ficam expostos às adversidades climáticas, como o forte calor e chuvas. (Figuras 44 e 45)

Já as barracas são os exemplos mais comuns desse comércio no espaço público e apresentam uma imensa variedade. Usualmente são utilizadas barras de alumínio, um material leve,

Figura 43 – Comerciantes se alinham com seus expositores de papelão – Vaticano. (Fonte: autor / Ano: 2013)

Figura 44 – Barraca de livros feita de madeira com cobertura improvisada – Madri, Espanha. (Fonte: autor / Ano: 2014)

soldadas e articuláveis, mas também podem ser de madeira. O balcão expositor dos produtos normalmente é feito com um tampo de madeira. Na lateral da barraca, no caso de artigos diversos, utiliza-se uma tela para prender e expor mais produtos. As coberturas frequentemente são de lona ou tecido. O transporte precisa ser feito através de veículos grandes, como pequenas carretas, kombis ou furgões, devido o comprimento dos perfis da estrutura.

Por serem um pouco mais complexas, exigem que o comerciante despenda um bom tempo para sua montagem. As barracas podem ser fixas, permanecendo no local por um determinado período de tempo ou desmontadas diariamente. O transporte, portanto, é um fator essencial a ser considerado.

Em Dublin (Irlanda), por exemplo, as barracas que diariamente ocupam as ruas do centro da cidade, na feira durante o dia, não são desmontadas ao final do expediente. Devido à dificuldade de transportá-las, os comerciantes retiram seus produtos mas deixam as estruturas montadas no local. (Figuras 46 e 47).

Figura 46 – Barracas ocupando as ruas do centro da capital irlandesa – Dublin, Irlanda. (Fonte: autor / Ano: 2014)

Figura 47 – As estruturas das barracas permanecem montadas durante à noite, inclusive com as lonas – Dublin, Irlanda. (Fonte: autor / Ano: 2014)

Em Presidente Prudente (SP), uma vez que a Prefeitura estabelece apenas uma hora para a montagem e desmontagem das barracas, elas necessitam ser simples. Essa simplicidade, por sua vez, traduz-se em precariedade. A cobertura pode ajudar na proteção contra o sol, mas é muito pouco eficaz quando se trata da chuva e do vento. Na feira da Avenida Manoel Goulart, por exemplo, num dia de chuva, os feirantes optam por retirar a lona da cobertura para cobrir e proteger seus produtos, enquanto passam a trabalhar sem proteção. (Figuras 48 e 49)

Práticas e baratas, as barracas compartilham uma característica em comum: simplicidade (Figura 50) e a busca dos comerciantes em explorarem ao máximo a capacidade de exposição das mercadorias, ainda que isso signifique reduzir as suas condições de trabalho. Nesses pequenos espaços, a linguagem em comum é o excesso. (Figuras 51 e 52)

Outra forma bastante comum desse comércio no espaço público acontecer é através de carrinhos transportáveis. Vendedores de pipoca, algodão doce, sorvetes, espalham-se por

Figura 48 – Desmontagem de uma barraca na Feira da Avenida Manoel Goulart – Presidente Prudente (SP). (Fonte: autor / Ano: 2014)

Figura 49 – Feirante trabalhando debaixo de chuva e utilizando a lona para proteger os produtos – Presidente Prudente (SP). (Fonte: autor/ Ano: 2014)

A

toda a cidade, principalmente nas praças e parques. Por serem estruturas móveis, podem atingir um público maior, comercializando em diferentes áreas da cidade ao longo de um mesmo dia. No entanto, os comerciantes sofrem com o desgaste físico, não possuem proteção contra as adversidades climáticas e enfrentam dificuldades de locomoção em partes da cidade pouco acessíveis.

Existem ainda os veículos automotores cuja carroceria é adaptada em uma cozinha que permite que os alimentos sejam preparados em seu interior. Temos, assim, as mais diversas possibilidades: carrinhos de cachorro-quente, lanche, tapioca, churros, etc. Uma vez que trata-se de um veículo, a locomoção é facilitada, além de oferecer uma infraestrutura um pouco mais adequada. Atualmente esse tipo de estrutura tem se popularizado nos chamados food trucks. Além de chamarem a atenção graças ao seu formato diferenciado, muitas vezes personalizados, em geral diferenciam-se dos carrinhos tradicionais por oferecerem uma culinária gourmet. (Figuras 53, 54 e 55)

Figura 53 – Os carrinhos podem ter os mais variados formatos – Lisboa, Portugal. (Fonte: autor / Ano: 2014)

Figura 54 – Food Trucks no Butantan Food Park são personalizados e apostam na culinária gourmet – São Paulo. (Fonte: autor / Ano: 2014)

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Por outro lado, dado seu formato, esses veículos limitam-se apenas a venda de alimentos. Uma outra opção são estruturas pré- fabricadas, na qual se destacam os containers, que apesar de possuírem uma dimensão padrão, oferecem possibilidades diversas quando são utilizados como estrutura para a atividade comercial. O preço, a facilidade de instalação e, atualmente, a possibilidade de personalização, têm as popularizado cada vez mais.

A rede multinacional Container, que tem se instalado em diversas cidades brasileiras, principalmente em estacionamentos de shopping centers, atende grandes marcas de roupas. Utilizando- se de uma articulação e sobreposição de containers, oferecem espaços que vão de 15m², com apenas um container, até 120m², com oito containers.

Também é possível encontrar containers para a venda de alimentos, como a rede canadense Muvbox, que oferece uma série de modelos com design personalizável para restaurantes, bares e cafés, com todo o aparato necessário. A proposta é que, durante seu funcionamento, as laterais da estrutura sejam abertas, servindo como uma plataforma para mesas e cadeiras. Ao final, o container é fechado e tudo é guardado em seu interior. (Figuras 56, 57 e 58)

Figura 56 – Estruturas metálicas pré-fabricadas instaladas na margem do Rio Sena – Paris, França. (Fonte: autor / Ano: 2014)

Figura 57 – Articulação entre quatro containers formando o espaço da loja – Sorocaba (SP). (Fonte: lojascontainer.com.br / Ano: 2012)