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Assim como a Simulação Histórica, a Simulação de Monte Carlo (MC) é um método não-paramétrico. Dowd (1998) coloca que é a abordagem mais popular quando se precisa de um sistema de VaR robusto e sofisticado, mas também de longe a mais desafiadora de se implementar.

Segundo Alexander (2008, b), a grande vantagem de MC é que esse método usa os dados históricos mais inteligentemente que a Simulação Histórica padrão. Após escolher um modelo de comportamento paramétrico (preferivelmente com distribuição não-normal dos retornos condicionais) para os dados históricos, simulam-se alguns milhares de cenários possíveis que podem ocorrer com o modelo, não ficando restrito ao comportamento passado dos dados.

O número de simulações, entretanto, é um dos problemas do modelo. MC converge para o verdadeiro valor de VaR à taxa , onde N é o número de simulações. De modo a aumentar a acurácia do modelo em 10 vezes, deve-se rodar 100 vezes mais simulações (WIENER, 1999). Portanto, MC é sujeito à variância amostral, a qual é causada por um número limitado de simulações.

Jorion (2003) dá o exemplo de que o VaR para uma carteira de instrumentos lineares é facilmente calculado usando a abordagem variância-covariância. MC baseado na mesma matriz de variância-covariância gera somente uma aproximação sendo, desse modo, enviesado. A acurácia aumenta somente quando o número de simulações é incrementado.

A geração de números aleatórios é o primeiro passo na simulação de Monte Carlo, seu propósito é gerar uma sequência de números entre zero e um que são uniformemente distribuídos, independentes e não-periódicos.

Segundo Alexander (2008, a), o único modo de gerar números aleatórios é medir, sem erros, um fenômeno físico verdadeiramente aleatório, sendo que, na prática, os computadores

geram números pseudo-aleatórios4, produzidos, por exemplo, no Excel pela função ALEATÓRIO().

Cada simulação exige a geração de um número aleatório U.I.D. (uniforme e independentemente distribuído) para cada ativo. Neste trabalho foram utilizadas 5000 simulações.

O passo seguinte para se calcular o VaR é transformar a amostra de variáveis aleatórias U.I.D. em uma amostra aleatória de variáveis correlacionadas e que seguem uma distribuição normal multivariada com média e correlação apropriadas.

Supondo que os fatores de risco/vértices tenham matriz de correlação V, que por sua vez tem matriz de Cholesky, C, gerando uma matriz Z com simulações normais padrão independentes, então ZC’ será uma matriz com colunas que representam variáveis normais correlacionadas e com média zero. Para o cálculo da matriz de correlação, foi utilizada janela de 252 dias úteis.

Conforme Alexander (2008, a), uma matriz quadrada (número de linhas igual a número de colunas) é chamada triangular inferior se ela possui somente zeros acima da diagonal principal. Se uma matriz simétrica A é positiva definida então existe uma matriz quadrada triangular inferior Q da mesma dimensão de A, tal que A = QQ’. Essa matriz Q é chamada de matriz de Cholesky de A.

A partir dos números pseudo-aleatórios gerados, para transformá-los em uma amostragem aleatória de uma variável X com uma função de distribuição contínua F, deve-se calcular x = F-1(u), onde F é a função inversa da distribuição normal padrão.

Ou seja, dado um número aleatório u, a simulação correspondente para X é o quantil u da distribuição normal padrão.

A partir das matrizes anteriormente calculadas, basta multiplicar a matriz Z pela transposta da matriz de Cholesky, C. Cada linha da matriz ZC’ representa uma simulação de variáveis correlacionadas, seguindo uma distribuição normal padrão – N(0,1).

Foi utilizada a equação de movimento browniano, frequentemente utilizada na precificação de carteiras, para estimar o preço dos ativos ao final do período (MUN, 2006):

4 Em http://support.microsoft.com/kb/828795 pode-se obter detalhes da geração de números aleatórios no Excel

                  P t t z Pt    2 exp 2 0 Onde: 0

P = preço do ativo i na data do cálculo;

= média dos log-retornos;

2

 = variância dos log-retornos, calculada pelo processo de otimização descrito a seguir;

t = defasagem do cálculo do VaR em dias;

z = número aleatório que segue uma N(0,1). É um elemento da matriz ZC’.

Idealmente, um VaR acurado deve ter desempenho nos testes de aderência consistente com o nível de probabilidade. Isso significa que as perdas da carteira irão exceder o VaR na porcentagem de casos próxima ao α escolhido.

Tradicionalmente, as técnicas de backtesting são aplicadas para avaliar os modelos de VaR e, nenhum método de estimação garante um VaR com perfeita performance fora-da- amostra. Entretanto, Huang (2010) propõe aplicar-se um conceito similar para ajustes dentro- da-amostra durante o processo de estimação. Considere a seguinte razão:

Onde:

= número de vezes em que o VaR previsto é excedido (unicaudal); = número de vezes em que o VaR não é excedido (unicaudal).

Então o desempenho do VaR pode ser medido anteriormente à estimação, usando a expressão:

Um método que produz estimativas de VaR que minimizem a equação acima tenderão a apresentar resultados ótimos de backtesting.

Para iniciar o processo de otimização, são produzidas estimativas de VaR por MC para cada um dos 252 dias anteriores à data de cálculo utilizando-se a variância dos log-retornos

nos últimos 252 dias. As estimativas são comparadas com os respectivos valores de P/L calculados, estimando-se ˆ

t tk, 1

.

Se for igual a α, então a variância amostral pode ser utilizada para estimar o VaR para a data. No caso de 99%, o modelo com 2 ou 3 violações estaria consistente com o nível de acurácia.

De outro modo, se for diferente de α, aplica-se um multiplicador à variância, calculada por:

Onde é o inverso da distribuição normal padrão no ponto x, conforme proposto por Wichura (1988).

As estimativas de VaR são novamente geradas utilizando o mesmo multiplicador para cada dia dentro da janela. Ao final, calcula-se novamente . O processo continua até que .

Apesar do modelo utilizado considerar assunções fortes, como a normalidade, o processo de otimização irá alterar o multiplicador no tempo, desde que . De fato, uma vez que , onde o modelo subjacente do VaR subestima o risco, o multiplicador pode ser aplicado para aumentar a variância e por sua vez o VaR. Consequentemente, os resultados finais de VaR são livres de qualquer assunção distribucional implícita ao modelo subjacente (HUANG, 2010).

A partir dos cenários gerados para os preços, calcula-se a variação da carteira em cada cenário somando-se os retornos dos n ativos da carteira:

Calcula-se o percentil (α = 0,01) correspondente na série de 5000 P/L da carteira. Esse percentil é o valor de VaR para o horizonte de tempo definido.

O Valor em Risco Estressado é definido como o pior VaR dentre a série de valores de VaR gerados tomando-se a carteira do dia e utilizando as correlações e a variância (ajustada pelo processo de otimização) calculadas em cada dia da janela, utilizando dados desde 2004.

Devido ao tempo necessário para o processamento da definição do período histórico de estresse, este foi revisado somente a cada 30 dias corridos, tempo máximo permitido pelo BACEN.