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1.3 Model and Treatments

1.3.1 Model

Os novos meios de comunicação de massa baseados na Internet, alteraram o processo de produção e recepção das mídias em geral, incluindo novas possibilidades de interação entre os produtores e o público consumidor.

Neste contexto, a Web 2.0 surge como um conceito que define a Internet como plataforma, onde a regra mais importante é desenvolver aplicações que se beneficiam dos efeitos da rede, para se tornarem tanto melhores, quanto mais usadas pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva [1]. O termo ganhou popularidade numa conferência sobre Internet realizada em 2004 nos Estados Unidos, organizada por Tim O’Reilly.

Recentemente, O'Reilly [48] criou a expressão Web Squared (Web²), ou seja, Web elevada à segunda potência, que resulta da intensa evolução da dita Web 2.0, após 5 anos de sua existência. Com o crescente desenvolvimento das aplicações Web, surgiu à expressão “Internet de coisas”, potencializando o que se chamava Web 2.0, a novas possibilidades, o que deixa o tema ainda mais aberto para novas soluções. O nascimento da Web 2.0 potencializou o que é conhecido como

18 http://en-us.nielsen.com/content/nielsen/en_us/industries/media/television.html 19 http://www.google.com/tv/

35 socialização da rede [49], ou seja, quando os indivíduos começaram a interagir e a participar ativamente da gestão do conteúdo, compartilhando informações de seu interesse em plataformas na Internet.

As redes sociais são exemplos da concretização deste conceito, e permitem aos usuários estarem mais conectados. Isso significa que há um aumento da visibilidade social destes usuários, causando uma maior popularidade e audiência dos conteúdos disseminados na rede. Outro valor proporcionado pelas redes sociais está relacionado ao gerenciamento de grupos sociais. A interação dos usuários com as redes sociais através da formação de comunidade virtuais construídas sobre suas afinidades e interesses, abriu as portas para a colaboração, e teve repercussões sociais importantes, com o aumento dos processos de trabalho coletivo, de produção, e de construção social do conhecimento apoiada pela tecnologia [50].

Nas redes sociais, o indivíduo escolhe qual comunidade quer fazer parte, e encontra pessoas com quem possa compartilhar idéias e promover discussões públicas, sendo a principal motivação o seu interesse particular em um ou mais assuntos que configuram a pauta da comunidade em questão [51].

A Internet possibilita, desta forma, um novo padrão de relações sociais, trata-se de um “individualismo em rede” [52]. A ideia de Castells e Wellman do individualismo em rede parece contraditória, à idéia das comunidades. Mas o individualismo em rede é um padrão social, e não um acúmulo de indivíduos isolados. O que é ocorre é que os indivíduos montam suas redes e comunidades, com base em seus interesses, valores, afinidades e projetos.

O modelo de interação associado à utilização da Internet é fortemente lean-forward, no sentido em que o papel do usuário é trabalhar em direção à informação, contrapondo com o modelo lean-back, no qual o usuário é alimentado pela mesma informação, não tendo qualquer papel proativo na escolha da mesma [53]. Esta característica da Internet tem facilitado a disseminação das redes sociais. A partir daí várias mudanças ocorreram na forma como o conteúdo é produzido, gerado e consumido.

Se a primeira geração da Internet, a Web 1.0, foi baseada na geração de conteúdos estáticos com poucas possibilidades de relações interpessoais, a Web 2.0 centrou-se na disponibilização de ambientes que proporcionassem a iniciativa, atitude, interesse e participação por parte dos usuários. Conforme Levy [50], a existência de uma Internet colaborativa possibilita a disseminação da inteligência coletiva, como uma nova forma de construção do conhecimento (ver Figura 4).

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Figura 4 - Características da Web 1.0 e Web 2.0

Com o avanço e massificação das ferramentas de mídias sociais surgiu o termo Web 2.0, que se constituem em sistemas projetados para permitir a interação social, a partir do compartilhamento e da criação colaborativa da informação nos mais diversos formatos.

Segundo o estudo [35], entre 2006 e 2009 houve aumento crescente de praticamente todas as atividades envolvendo mídias sociais. As cinco atividades que mais cresceram foram: assistir vídeos pela Internet; escutar músicas e rádios online ao vivo; criar perfil em alguma rede social; criar, ler e comentar em blogs e microblogs; e fazer upload de fotos pessoais em algum site de compartilhamento.

A cada dia, novas ferramentas de mídia social vêm surgindo, se estabelecendo, e passando por mutações evolutivas naturais - vide os blogs, que nasceram apenas como diários virtuais e tiveram sua natureza diversificada com o tempo, como exemplo desta evolução podemos citar o surgimento dos microbloggings. Outro exemplo dessa evolução são os Videoblogs, que consistem em uma variante dos blogs cujo conteúdo principal são vídeos. Em 2009 os Vlogs – indivíduos que produzem vídeos para os VideoBlogs – experimentaram um novo processo de popularização com grandes quantidades de acessos de seus vídeos.

Atualmente, é possível observar uma tendência crescente do uso dos microblogs, com a função de preencher uma necessidade de comunicação mais rápida que a dos blogs tradicionais. Segundo Reichel [54], o microblog serve para divulgar informações, idéias e a própria marca. Neste contexto, surgem os termos lifestream e lifesharing, que denotam o interesse dos usuários em tornar público aquilo que acontece em suas vidas, suas preferências, além da divulgação de notícias e informações de seu interesse, estes dados fluem em tempo real e estão tendo grande impacto inclusive em outros meios de comunicação.

37 A pergunta “What’s happening?”, ou seja, “O que está acontecendo?”, popularizada pelo microblog Twitter20, enfatiza este tipo de comunicação, e incentiva os usuários a comunicação. Estas características e possibilidades incorporam o conceito de Ambient Intimacy [55], ou seja, possibilita que pessoas mantenham contato umas com as outras, com grau de regularidade e intimidade que provavelmente não teriam por fatores de tempo e espaço.

No início de 2009 o programa "Roda Viva", da TV Cultura, experimentou o uso do Twitter em sua programação, onde alguns usuários do microblog – serviço até então conhecido por uma pequena parcela dos usuários da Internet – faziam comentários, sobre a entrevista com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Era a primeira vez que um programa de televisão no Brasil integrava o Twitter à sua programação [56]. A experiência do programa Roda Viva é um exemplo de algo que virou regra na televisão brasileira: aumentar a participação do público, cada vez mais conectado à Internet. A apropriação de ferramentas deste tipo provê formas de usá-las para o beneficio próprio, inclusive comercialmente, fazendo integrações com outros ambientes, como a televisão.

No contexto atual da Internet, as redes sociais, aplicações e serviços que tiverem como objetivo a aquisição da audiência, e de massa consumidora de informação, não podem agir de forma isolada, ou seja, precisam essencialmente manter relações com outras plataformas. Neste contexto surgem os mashups, aplicações online resultantes da soma de dois ou mais conteúdos ou serviços, que juntos, oferecem um novo serviço para o usuário. A proliferação dos mashups apoiada pela numerosa quantidade de interfaces de comunicação de plataformas na Internet, fez com que várias aplicações possam ser construídas combinando-se dados de várias fontes, criando uma experiência integrada [57].

O Twitter disponibiliza um serviço que possibilita a interação com todos os recursos que o mesmo oferece, e assim como muitas ferramentas de mídias sociais (Facebook21, YouTube22, Mypace23, entre outras), permite agregar aplicações de terceiros, através de sua interface de acesso. A partir daí, o intercâmbio e divulgação de informações entre as plataformas e redes sociais se torna mais evidente, e as mesmas terão também como foco o trabalho em conjunto, aproveitando o conteúdo proposto em cada uma. Este tipo de funcionalidade possibilita a Internet de forma auto- suficiente, a divulgação e fácil disseminação do conteúdo inserido e produzido em seu

20 Uma rede social e servidor para microblogging que permite aos usuários enviar e receber atualizações pessoais de outros contatos

(em textos de até 140 caracteres, conhecidos como "tweets").

21 http://www.facebook.com.br 22 http://www.youtube.com.br 23 http://www.myspace.com.br

38 “ecossistema”, esta característica traz para a televisão benefícios importantes na sua convergência com a Internet. De forma que a criação de aplicações interligadas com as diversas redes sociais abre a possibilidade para novos modelos de negócio, e novas formas de cativar a audiência e público- alvo, objetivo importante tanto na Internet, quanto na televisão.

In document Experimental Markets with Frictions (sider 27-30)