No capítulo 3, foram destacados os conteúdos relacionados à Astronomia que compõem os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2002b) e a Proposta Curricular Estadual para o Ensino Fundamental e Médio (SÃO PAULO, 2008a e 2008b). Os documentos serviram como referência para identificar quais são os conteúdos relacionados à Astronomia que o Ministério da Educação e a Secretaria Estadual de Educação propõem como orientação aos professores. Além do estudo dos conteúdos relacionados à Astronomia que compuseram o Caderno de Textos apresentado no capítulo quatro, acredito que outros temas possam ser desenvolvidos durante um curso de formação continuada:
1. Construção de Telescópios Refratores em Oficinas de Lunetas: a dinâmica realizada durante o curso despertou o interesse dos professores e de seus alunos. Variadas formas de como utilizar os conhecimentos teóricos (óptica geométrica e fenômenos da luz) e práticos (montagem do equipamento) obtidos durante a oficina foram apresentados pelos participantes, como mostrado durante a Dimensão de Análise 6 (seção 6.1.6).
2. Reconhecimento e Observação do Céu: alguns professores sugeriram atividades de observação astronômica (Capítulo 6, Dimensão 5, tema 5A, índice 6). Essa atividade pode ser mais organizada e produtiva quando utilizados guias de campo (como o apresentado no apêndice J) e cartas celestes impressas (anexo A) ou visualizadas em computadores (como, por exemplo, através do software gratuito Stellarium). Os conteúdos específicos estudados, neste momento, são aqueles presentes no 4º ciclo do Ensino Fundamental, conforme os PCN, além de tratar-se de um conteúdo geral denominado “Elementos Astronômicos Visíveis”, presente na Proposta Curricular Estadual para a 6ª Série.
3. Uso da Internet e Materiais Multimídia: tendo em vista que a internet passou, há algum tempo, a ser uma fonte de consulta dos professores, sugiro uma atividade que possa ser realizada pelos participantes de um curso de formação continuada para o ensino de Astronomia, que consista na busca semanal por materiais multimídia ou sites com conteúdo relacionado a esta ciência, disponíveis na Internet, para que, ao final das atividades, todos possuam e possam compartilhar uma lista de endereços eletrônicos e um banco de imagens, vídeos, documentários, que os auxiliarão a ilustrar os fenômenos astronômicos durante o ensino desses conteúdos. A coordenação poderia também divulgar aos participantes uma lista de sites com conteúdos relacionados à Astronomia, dentre os quais posso citar alguns exemplos:
Tabela 7.1. Lista de sites com conteúdos relacionados à Astronomia (Acessados em outubro de 2008).
Site Endereço Eletrônico Descrição
Agência Espacial Brasileira – AEB
http://www.aeb.gov.br Site com as principais informações e pesquisas realizadas pela Agência Espacial Brasileira.
Astronomy Education Review
http://aer.noao.edu Revista internacional que aborda a educação em Astronomia.
Departamento de Astronomia do IAG – USP/SP
http://www.astro.iag.usp.br As principais informações sobre cursos e atividades realizadas pelo departamento de Astronomia da USP.
European Space Agency – ESA
http://www.esa.int Site da agência espacial européia, com informações sobre suas pesquisas e atividades.
Heavens above www.heavens-above.com Site que divulga efemérides de cometas, satélites, de telescópios espaciais, da Estação Espacial Internacional, dentre outros, com data e hora de acordo com a posição geográfica do observador.
Hubble Space Telescope Site
http://hubblesite.org O site oficial do telescópio espacial Hubble, com magníficas imagens do Universo.
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE
http://www.inpe.br São encontradas informações sobre as principais pesquisas espaciais realizadas pelo no Brasil.
International
Astronomical Union – IAU
http://www.iau.org União Internacional Astronômica, que tem o objetivo de “salvaguardar a ciência Astronomia através da cooperação internacional”.
National Aeronautics and Space Agency – NASA
http://www.nasa.gov Site com as principais informações e pesquisas realizadas pela NASA.
Rede de Astronomia Observacional, REA- BRASIL
http://www.rea-brasil.org A Rede de Astronomia Observacional conta com uma série de astrônomos, amadores e profissionais espalhados pelo país, com o objetivo de realizar observações sistemáticas dos fenômenos celestes.
Revista Latino- Americana de Educação em Astronomia http://www.astro.iag.usp.br/ ~foton/relea
Revista que publica artigos sobre a Astronomia e seu ensino.
Sky maps www.skymaps.com Site que distribui gratuitamente cartas celestes para o hemisfério Norte e Sul.
Sociedade Astronômica Brasileira - SAB
http://www.sab-astro.org.br Sociedade que congrega os astrônomos brasileiros que realiza reuniões anuais e emite boletins, dentre outras atividades.
Stellarium www.stellarium.org Site com as informações sobre o software gratuito Stellarium, que mostra cartas celestes atualizadas, de acordo com a posição geográfica do observador.
The Nine Planets Solar System Tour
http://www.nineplanets.org Site com as principais características do Sistema Solar.
Não obstante, entendo que algumas ações possam ser tomadas pelos formadores, quando da realização de cursos desse caráter, para contribuir com a formação continuada dos professores participantes:
1. Elaborar e utilizar um Caderno de Textos de divulgação científica: o Caderno de Textos foi elaborado com intuito de fornecer materiais para a discussão e acompanhar os professores durante os seus estudos. Os participantes puderam colaborar de forma efetiva nas discussões, pois elaboraram dúvidas e pontos de vista devido à leitura prévia dos artigos selecionados. Portanto, a seleção de material deve ser uma fase que antecede o início do curso, pois é necessário tempo para encontrar e organizar os textos. Entendo que também seja possível que os professores possam participar da estruturação de um Caderno de Textos, sugerindo temáticas ou textos, o que não ocorreu durante o curso ministrado. O capítulo 3 apresenta sugestões de textos e pode ser consultado como um “catálogo”, auxiliando coordenadores de cursos de Astronomia na localização de artigos para a organização de seu caderno. Além desses fatores, é mais prático que os participantes possuam os textos impressos em mãos, do que tê-los em meio digital, como por exemplo, em mídia de CD, ou mesmo quando enviados por e-mail ou disponibilizados em sites. Como já mencionado, entendo que o uso desses textos durante as atividades propostas foi um dos principais diferenciais que esta pesquisa apresenta em relação às pesquisas anteriores que abordaram o ensino de Astronomia. 2. Enfatizar o Trabalho Coletivo: os participantes do curso experimental afirmaram sobre a importância de reunir pessoas de formações diferentes para o aprendizado coletivo. Esse fator colabora com a formação continuada desses docentes, pois vivenciam formas variadas de observar e analisar um mesmo fenômeno. A dinâmica de Grupo Focal é uma sugestão de atividade que envolve a participação de todos e contribui para o desenvolvimento da capacidade que os professores possuem de participarem de trabalhos colaborativos. Entendo que os Grupos Focais se diferenciem das dinâmicas de discussão em grupo por apresentarem pressupostos metodológicos bem definidos, principalmente no que tange o papel do moderador. Além disso, as discussões em grupo ocorrem de forma mais “solta”, o que pode acarretar num afastamento das principais questões de pesquisa, o que não acontece em uma dinâmica de Grupo Focal, conforme apresentadas no capítulo 5.
3. Considerar as Concepções Alternativas dos Participantes: o processo de apresentar aos professores as concepções alternativas do grupo antes das discussões mostrou- se produtivo, pois, desta forma, além de conhecer e discutir sobre suas próprias ideias em relação à Astronomia, eles puderam ser incentivados a:
i. Tomar conhecimento de outras pesquisas na área de ensino de Astronomia; ii. Conhecer e poder aplicar entre seus estudantes técnicas de levantamento de concepções alternativas, pois os docentes reconhecem que essas ideias interferem em seu ensino, como mostrado na análise do tema 4B.
iii. Comparar as concepções alternativas presentes na literatura com a de seus alunos, ou com suas próprias concepções.
Acredito que uma coleta de concepções alternativas antes do início do curso possa contribuir com a coordenação durante o planejamento do curso, indicando quais são as principais dificuldades dos participantes em relação a cada conteúdo.
Não obstante, é válido salientar que questões burocráticas geralmente surgem quando cursos de formação continuada são elaborados. Estas questões podem prejudicar o andamento do curso e, com isso, a formação continuada dos envolvidos, quando não são resolvidas em tempo, como foi mostrado na seção 4.1. Por essa razão, sugiro que os formadores deem devida atenção aos aspectos burocráticos que envolvem o planejamento de um curso de formação continuada.
Enfatizo que essas características, bem como toda a atividade de formação continuada apresentada, não devam ser aceitas como prontas e acabadas, ou então, usadas como uma “receita”, mas possam auxiliar na formulação de cursos com esse propósito, sendo sempre necessária a sua adaptação aos interesses e necessidades dos participantes envolvidos.