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8 Cost-Benefit Model

8.1 LCC Model

Com o crescente debate sobre a reintegração do conhecimento, tem havido uma proliferação de terminologias que buscam definir o processo da (re)conexão das ciências. Além das já conhecidas, pluridisciplinaridade, multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. Uma pesquisa mais aprofundada encontra diversas outras denominações como: não-disciplinaridade, adisciplinaridade, metadisciplinaridade, supradisciplinaridade, omnidisciplinaridade, crossdisciplinaridade, polidisciplinaridade, trans-especialização e muitas outras.

Todos estes termos têm sido utilizados com o intuito de descrever uma variedade de conceitos e atividades que subordinam disciplinas em campos de maior amplitude. A proliferação de nomeações acerca da necessidade de uma reunificação do conhecimento reflete uma tendência e uma mobilização em torno de uma ciência mais abrangente e includente. Entretanto, a propagação da ideia e da necessidade de uma nova forma de se perceber a ciência vai além dos tantos termos disseminados, que não se excluem, ao contrário, um complementa o outro.

As palavras importam muito e, ao mesmo tempo, pouco. No caso de multi, inter e transdisciplinaridade, cada um desses termos tem uma contribuição a dar, mas nenhum se basta. O importante mesmo é a atitude epistemológica.

(Edgar Morin, trecho de entrevista, in AUDY & MOROSINI, 2007, p.33) Os desafios de uma nova abordagem passam pela integração do conhecimento entre e além das disciplinas. Foi especificamente em resposta a este requisito que emergiram os conceitos de pluri, multi, inter e transdisciplinaridade. Nicolescu (1997) destaca que a imprescindível necessidade de liames entre as diferentes disciplinas traduziu-se na emergência – em meados do século 20 – da pluridisciplinaridade, da interdisciplinaridade e da transdisciplinaridade. O autor distingue-as da seguinte forma:

A pluridisciplinaridade “diz respeito ao estudo de um objeto de uma única e mesma disciplina efetuado por diversas disciplinas ao mesmo tempo”. Por exemplo, a filosofia marxista pode ser estudada sob a visão cruzada da Filosofia e da Física, da Economia, da Psicanálise ou da Literatura. O objeto sairá assim enriquecido pelo cruzamento de várias disciplinas. Em outras palavras, “o procedimento pluridisciplinar ultrapassa os limites de uma disciplina, mas sua finalidade permanece restrita ao quadro da pesquisa disciplinar em questão” (NICOLESCU, s/d).

três graus de interdisciplinaridade: a) um grau de aplicação: a transferência dos métodos da Física Nuclear para a Medicina, por exemplo, leva à descoberta de novas formas de tratamento do câncer; b) um grau epistemológico: a transferência dos métodos da lógica formal para o domínio do Direito, por exemplo, dá origem a interessantes análises na epistemologia do Direito; c) um grau de criação de novas disciplinas: a transferência dos métodos da Matemática para o estudo dos fenômenos meteorológicos ou da bolsa, por exemplo, gerou a teoria do caos. Assim como a pluridisciplinaridade, a interdisciplinaridade ultrapassa igualmente os limites das disciplinas, porém “sua finalidade também continua inscrita na pesquisa disciplinar” (NICOLESCU, s/d).

Já a transdisciplinaridade, conforme indica o prefixo “trans”, envolve aquilo que está ao mesmo tempo entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de toda e qualquer disciplina. Sua finalidade é “a compreensão do mundo atual”, para a qual um dos imperativos é a unidade do conhecimento. Nicolescu define a ideia da transdisciplinaridade, como uma maneira de se transgredir as fronteiras entre as disciplinas, distinguindo-se da pluridisciplinaridade e da interdisciplinaridade (NICOLESCU, s/d).

Apesar de as definições de Nicolescu serem bastante válidas para esta tese, adotaremos também as definições de Jantsch (1972a e 1972b), que foram seguidas por Max-Neef (2005) e que estabeleceram com maior pragmatismo uma escala conceitual entre essas diferentes formas de atuar na integração do conhecimento, todas elas válidas, dependendo do tipo de ação, projeto ou pesquisa que se pretende empregar. Janstch apresentou a figura a seguir como meio de se compreender os conceitos relacionados. É importante destacar que a Figura 3 foi “modernizada”, com o objetivo de colocá-la em uma linguagem mais contemporânea. A imagem de Janstch encontra-se no Apêndice 1 (Figura Original Janstch).

Figura 3. Adaptação do modelo proposto por Janstch.

Para Max-Neef (2005) a disciplinaridade refere-se à monodisciplina e representa a especialização em isolamento, tais como a Biologia, a Química, a História ou a Psicologia. Já a multidisciplinaridade refere-se à sequência de disciplinas, sem que haja uma ligação entre elas, como é o caso de equipes multidisciplinares técnicas ou científicas que fornecem seus resultados, sem que haja ligação entre eles. Na abordagem ou solução de problemas complexos, os profissionais/especialistas envolvidos atuam de forma multidisciplinar, oferecendo a solução para os problemas abordados a partir da sua especialidade. Chega-se a um conjunto de resultados em que cada componente de uma equipe, por exemplo, dá a sua

coordenação de ações para que o resultado seja apresentado como um todo. Ao final, tem-se um produto / conjunto de "capítulos" com pouco ou sem diálogo entre si (MAX-NEEF, 2005).

A pluridisciplinaridade implica cooperação entre as disciplinas, mas sem uma coordenação. Normalmente isto acontece entre áreas de conhecimento compatíveis: o estudo de cada uma delas reforça o entendimento da outra. Por exemplo, Química e Física; História e Sociologia. A interdisciplinaridade é organizada em dois níveis hierárquicos e conota coordenação de um nível mais alto para o mais baixo.

A transdisciplinaridade é o resultado de uma coordenação entre todos os níveis hierárquicos.

A Tabela 1 resume as ideias de Janstch e Max-Neef e foi elaborado com o objetivo de descrever os diferentes conceitos, demonstrando como se dão as relações estabelecidas, como cooperação e coordenação, entre as disciplinas em cada um dos tipos de conhecimento: disciplinar, multidisciplinar, pluridisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar.

Tabela 1. Tipos de conhecimento. Com base em Janstch e Max-Neef. Conhecimento Disciplinar (CD) Conhecimento Multidisciplinar (CM) Conhecimento Pluridisciplinar (CP) Conhecimento Interdisciplinar (CI) Conhecimento Transdisciplinar (CT) Diagrama

Descrição Especialização isolada. Variedade de disciplinas, oferecidas simultaneamente

Justaposição de várias disciplinas

Síntese de duas ou mais disciplinas estabelecendo um novo meta-nível de discurso, tendo um conjunto de axiomas comum para o grupo de disciplinas relacionadas.

Interconectividade de todos os aspectos da realidade, transcendendo a dinâmica da síntese dialética para entender a realidade como um todo.

Cooperação e Coordenação

Sem cooperação e

coordenação Sem cooperação e sem coordenação de qualquer nível.

Sem coordenação, mas com cooperação, usualmente em um mesmo nível hierárquico (empírico ou pragmático),

Com cooperação e coordenação definida em um nível hierárquico mais elevado, para introduzir um senso de propósito. Coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas em um sistema de educação/ inovação. Relações Estabelecidas Não há relações estabelecidas entre disciplinas

Não há explicitação sobre as possíveis relações entre elas.

Disciplinas agrupadas de maneira a haver relações entre elas

É possível distinguir relações entre teleológica interdisciplinaridade no e entre os níveis empírico e pragmático

Relações estabelecidas com base em um conjunto de axiomas generalizado (criado a partir do nível do propósito) e de um emergente padrão epistemológico Exemplos Disciplinas isoladas, como: Biologia, Química, Equipes multidisciplinares técnicas ou científicas que fornecem seus resultados,

Química e Física: Físico- química; História da Sociologia.

Gerontologia. O Saber, a Ciência como um todo.