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Gil (1999) define a operacionalização das variáveis como um processo de conceituação, a fim de se encontrar os correlatos empíricos que possibilitem sua mensuração ou classificação, ou seja, é necessário que haja uma tradução das variáveis em conceitos que possam ser medidos em escalas mensuráveis (CARVALHO, 2009).

Diversos autores corroboram o uso de três ou mais indicadores para medir um construto, especialmente quando se for usar uma técnica de análise estatística multivariada

(HAIR et al. 2009; CORRAR; PAULO; DIAS, 2007; MAROCO, 2010). De acordo com tais recomendações, todos os construtos da presente pesquisa são mensurados por no mínimo três variáveis observáveis.

A exceção existe no caso particular do uso da técnica multivariada com uso de um ou mais construtos de 2º ordem, não definido por variáveis manifestas, como os de 1º ordem. Nesse caso, Maroco (2010) explica que o construto de 2º ordem é aquele que apresenta uma relação de dependência linear com pelo menos um construto de 1º ordem (definido por variáveis observáveis). Dessa forma, atuam na presente pesquisa como construtos de 2º ordem a Prontidão Tecnológica (definida pelos construtos Otimismo, Inovatividade, Desconforto e Insegurança) e o Desempenho Percebido (definido pelos construtos Qualidade, Usabilidade e Valor).

Os construtos preditores do modelo TRI dispostos em uma escala desenvolvida por Parasuraman (2000) determinam a prontidão ou pré-disposição para uso de tecnologia, sendo este um construto de 2º ordem. Aplicações e adaptações da escala de prontidão tecnológica em serviços de e-learning demonstram contribuir para o planejamento, desenvolvimento e continuidade de tais serviços (HU; KUO; LIN, 2010; ISMAIL; AZIZAN; AZMAN, 2011; ERDOGMUS; ESEN, 2011).

Já os construtos preditores do modelo EDT são subdivididos em construtos confirmatórios e desconfirmatórios, como especificado por Oliver (1980), refletindo a relação de expectativa e percepção após o uso. Sob a luz do EDT, novos modelos, como o EDT decomposto e demais adaptações aplicadas ao e-learning demonstram que a relação entre expectativa e experiência é influente no desempenho percebido dos usuários (CHIU et al. 2005; LIAO et al. 2011; KIM et al. 2012).

Tanto no TRI como no EDT, as variáveis manifestas são adaptadas para se adequarem aos objetivos e objeto de estudo quando aplicados em determinados temas. Na presente pesquisa, os itens formadores da prontidão tecnológica foram baseados nos itens originais de Parasuraman (2000), em pesquisas aplicadas a serviços com uso de recursos tecnológicos Souza e Luce (2004), Fontes (2006) e em pesquisas aplicadas em serviços de e-learning, como o de Erdogmus e Esen (2011), Rhee et al. (2007), Ismail, Azizan e Azman (2011) e Huo, Kuo e Lin (2010). Os itens formadores do desempenho percebido utilizados nesta pesquisa foram baseados na publicação que originou o EDT (OLIVER, 1980), no DEDT, sendo uma decomposição do EDT voltada para serviços de e-learning (CHIU et al. 2005) e em pesquisas aplicadas ao e-learning com uso dos construtos desconfirmatórios como preconizados por Oliver (1980), tais como os de Kim et al. (2012) e Liao et al. (2011).

A satisfação e a intenção de continuidade de uso são formadas por três variáveis dependentes cada, sendo adaptadas pelos estudos que abordam o TRI e EDT. O Quadro 12 apresenta os sete construtos, seus respectivos indicadores de mensuração e as 45 variáveis observáveis que os compõem.

Quadro 12: Construtos, indicadores e variáveis da pesquisa

Construto Indicador Descrição da variável

Otimismo

(TROT)

TROT1 – Controle sobre a

tecnologia A realização do curso dá mais controle no trabalho TROT2 - Conveniência As novas tecnologias oferecidas pelo serviço são

convenientes de usar

TROT3 - Prazer Gostar de estudar pelo computador

TROT4 – Estimulo Realizar cursos a distância é mentalmente estimulante

Inovatividade

(TRIN)

TRIN1 - Atualização No ambiente de trabalho, é o que se mantém mais atualizado em relação às tecnologias utilizadas nos cursos.

TRIN2 – Iniciativa Em geral, é um dos primeiros no ambiente de trabalho a querer participar dos cursos oferecidos.

TRIN3 - Curiosidade Pode geralmente descobrir novas funcionalidades nas tecnologias utilizadas durante os cursos.

TRIN4 - Desafio Aprecia o desafio de descobrir novos meios de aprender utilizando a tecnologia

TRIN5 - Familiaridade Tem menos problemas do que os colegas de trabalho para aprender utilizando a tecnologia

Desconforto

(TRDE)

TRDE1 - Vergonha É embaraçoso ter algum problema no uso do AVA na frente dos colegas de trabalho

TRDE2 - Avaria Se houver modificação em alguma funcionalidade do AVA durante o curso, poderá haver perda de rendimento.

TRDE3 – Desconfiança Parece que o AVA sempre falha no pior momento possível.

Insegurança

(TRSE)

TRSE1 – Receio de 100% à distância

Receio de realizar curso totalmente à distância TRSE2 – Necessidade de

confirmação Qualquer transação realizada no sistema deve ser confirmada posteriormente. TRSE3 – Falta de contato

humano Faz falta a ausência de contato humano no processo de aprendizagem

Qualidade

(EDTQ)

EDTQ1 – Layout do AVA Avaliação do layout e interface do usuário do AVA EDTQ2 – Navegação no

AVA

Facilidade de navegar pelo ambiente virtual de ensino EDTQ3 - Conforto Se o usuário se sente confortável em utilizar o serviço

de e-learning

EDTQ4 – Completude Se o AVA oferece informações completas

Usabilidade

(EDTU)

EDTU1 - Facilidade Facilidade de aprendizado ao trabalhar com o AVA EDTU2 - Habilidade Facilidade para tornar-se habilidoso no uso do AVA EDTU3 – Recursos e

atividades Avaliação dos recursos e atividades oferecidos no AVA durante os cursos EDTU4 - Ferramentas Avaliação das ferramentas do AVA

Valor

(EDTV)

EDTV1 - Realização Sensação de realização EDTV2 – Supre

necessidades Sensação de suprir necessidades

EDTV3 – Seguir tendência Sensação de estar seguindo uma tendência EDTV4 – Senso de

inteligência

Satisfação

(SAT)

SAT1 – Satisfação no uso Satisfação com o próprio desempenho no curso

SAT2 – Experiência atrativa Satisfação com a experiência em um serviço de e- learning

SAT3 – Aprecia o uso Sente que tomou uma decisão sábia ao escolher realizar o serviço de e-learning

Intenção de Continuidade

de Uso

(COS)

COSO1 - Pretensão Pretende continuar realizando cursos à distância com uso de plataformas virtuais

CUSO2 – Intenção de uso Vai continuar realizando cursos à distância com uso de plataformas virtuais

CUSO3 – Regularidade no

uso Vai realizar regularmente cursos à distância com uso de plataformas virtuais

Fonte: Adaptado de Parasuraman (2000), Souza e Luce (2004), Fontes (2006), Hu; Kuo e Lin (2010), Ismail,

Azizan e Azman (2011), Erdogmus e Esen (2011), Chiu et al. (2005), Liao et al. (2011), Kim et al. (2012) e Oliver (1980).

Dessa forma, o modelo de pesquisa é formado por 15 variáveis manifestas presentes no TRI, 24 variáveis manifestas presentes no modelo DEDT (12 confirmatórias e 12 desconfirmatórias), além de 6 variáveis dependentes, 3 definindo a satisfação e 3 definindo a intenção de continuidade de uso.