A Escala de Prontidão Tecnológica (Technology Readiness Index – TRI) teve inicio devido a evidências de frustrações constantes de consumidores de sistemas de base tecnológica. Parasuraman (2000) então refina uma escala de mensuração com múltiplos itens que buscam compreender os sentimentos positivos e negativos que definem a propensão do consumidor em utilizar uma tecnologia.
“Embora sentimentos positivos e negativos sobre a tecnologia possam coexistir, a dominância relativa dos dois tipos de sentimentos é provável que variem entre os indivíduos. Como tal, as pessoas podem ser dispostas ao longo de crença hipotéticas em um continuum ancorado por sentimentos fortemente positivos em uma extremidade e fortemente negativos na outra. Além disso, pode-se esperar que as posições das pessoas neste continuum se correlacionem com a propensão para abraçar e empregar a tecnologia” (PARASURAMAN, 2000, p. 309).
A partir desse contexto, Parasuraman (2000) definiu o construto Prontidão para Tecnologia (Technology Readiness – TR) como “o estado resultante de condutores e inibidores mentais que, em conjunto, determinam a predisposição dos consumidores para interagir com produtos e serviços de tecnologia digital” (FONTES, 2006, p. 55). O construto é apresentado na Figura 7.
Figura 7: Esquema de prontidão para tecnologia
Assim, o TR dispõe os indivíduos em um continuo ciclo de sentimentos negativos e positivos em relação à determinada tecnologia, sendo relacionados à propensão individual em adotar a tecnologia. Os indivíduos podem ser divididos em vários grupos, de acordo com níveis de propensão que possam obter.
O TRI desde o seu surgimento tem sido utilizado como medida de Escala de Prontidão Tecnológica, inclusive em estudos de e-learning (LAI, 2008; LING; MOI, 2007; SUMMAK; BAGLIBEL; SAMANCIOGLU, 2010). No entanto, o modelo possui potencial de não apenas apresentar um indicador de propensão à tecnologia, mas pode ser ampliado no contexto da gestão de tecnologias da informação.
Diversos estudos buscam auferir a capacidade preditiva do TRI na busca pela satisfação e pelo aumento do uso de novas tecnologias em diversos contextos educativos (RHEE et al. 2007). Na Malásia, Ismail, Azizan e Azman (2011) mediram a escala de prontidão tecnológica de estudantes universitários na utilização de uma AVA. Entre os achados do estudo, destaca-se o construto inovatividade, principal responsável por “mostrar o potencial da utilização do TRI como uma ferramenta eficaz no acesso as habilidades inovadoras entre os usuários a distância de AVAs” (ISMAIL; AZIZAN; AZMAN, 2011, p. 12773).
No contexto brasileiro, há um estudo realizado com servidores públicos. Nele o TRI foi aplicado para avaliar se a prontidão tecnológica dos servidores influenciava a satisfação em um curso de capacitação à distância (NASCIMENTO; RAMOS; OLIVEIRA, 2011). O estudo contribuiu para ampliar o leque de aplicação do TRI, não se limitando a medir o nível de propensão tecnológica dos indivíduos, mas fornecendo estratégias gerenciais no contexto do e-learning. Outra pesquisa nacional é a de Fontes (2006), que verificou a aplicabilidade do TRI com consumidores brasileiros de serviços de tecnologia digital, avaliando formação de grupos incorporando estudos de gênero. Os resultados apontaram que os homens apresentam uma propensão maior em adotar produtos e serviços tecnológicos. Porém, em uma análise segmentada por faixa etária, nem sempre esse resultado foi confirmado.
Em um estudo realizado por Erdogmus e Esen (2011) com gestores de recursos humanos que utilizam serviços de e-learning na Turquia, os autores investigaram os efeitos da prontidão tecnológica na aceitação da tecnologia utilizada pelos profissionais. No modelo proposto, foi testado se os construtos formadores do modelo TRI influenciavam os construtos do modelo TAM e se tais construtos eram determinantes da intenção de uso da tecnologia, própria do modelo TAM. Erdogmus e Esen (2011) defendem que usuários propensos ao uso da tecnologia, ficam mais satisfeitos em relação ao uso, o que caracteriza a intenção. O modelo é apresentado na Figura 8.
Figura 8: Modelo em conjunto TRI e TAM
Fonte: Erdogmus e Esen (2011).
A escala original desenvolvida por Parasuraman consiste no total de 36 itens divididos em quatro construtos, que foram aplicados na pesquisa de Erdogmus e Esen (2011), assim como foi aplicado na totalidade os 13 itens destacados por Davis (1989) ao desenvolver o TAM. Os resultados mostraram que os construtos negativos do TRI não tiveram suas hipóteses alternativas suportadas, da mesma forma, o construto facilidade de uso também não se mostrou determinante da intenção de uso como preconiza o modelo TAM. Já os construtos otimismo e inovatividade se mostraram fortes determinantes da intenção de uso, se adequando ao modelo adaptado.
Na pesquisa de Lin (2007) também foi testada a influência da prontidão tecnológica na satisfação e nas intenções comportamentais no uso de tecnologias que envolvem autosserviço (Self-Service Technologies – SST), incluindo determinadas tecnologias utilizadas em serviços de e-learning. As relações entre os construtos e as hipóteses testadas no estudo são mostradas na Figura 9.
Figura 9: TRI como determinante da satisfação e intenções comportamentais
Fonte: Lin (2007).
Os resultados de Lin (2007) relacionados ao otimismo e inovatividade assemelham-se aos encontrados por Erdogmus e Esen (2011). No entanto, o desconforto e insegurança encontraram suporte na pesquisa de Lin (2007), diferente do que foi encontrado por Erdogmus e Esen (2011). Lin (2007) conclui que esforços voltados nessa área devem ser mais voltados para os direcionadores positivos da prontidão tecnológica e reduzidos para os construtos inibidores.
No estudo de Yi, Tung e Wu (2003), os autores tentaram responder ao questionamento sobre o modelo TAM, em relação à capacidade de medir características individuais do consumidor de tecnologia. Para tentar responder essa questão, os construtos do TRI agiram como moderadores nas relações entre os construtos do modelo TAM. Fontes (2006, p. 54) ao analisar tal estudo afirma que “enquanto o modelo TAM analisa o comportamento do consumidor pela ótica do uso do computador, o construto TRI analisa as características individuais do consumidor para com a tecnologia digital”. Yi, Tung e Wu (2003) concluíram em seu estudo que o construto do TAM Utilidade (U) não é um determinante significativo da intenção comportamental, como é afirmado na literatura do TAM.