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3. Assessment

3.1.4. Mode of action

As porcentagens de parasitismo foram obtidas nas liberações com opção de escolha e sem opção de escolha dos hospedeiros pelos parasitoides das diferentes linhagens. No entanto, de acordo com os resultados da análise, onde o modelo de melhor ajuste aos dados foi escolhido pelo menor AIC, não houve diferença para a porcentagem de parasitismo quando as linhagens do parasitoide tiveram ou não tiveram opção de escolha pelo hospedeiro, uma vez que ficam no modelo apenas os fatores significativos que apresentaram p<0,05 (Tabela 5). Desta forma, os resultados dos testes realizados com e sem a opção de escolha pelo hospedeiro foram analisados conjuntamente, ou seja, foram analisados como repetições.

Tabela 5 - Análise de variância do melhor modelo selecionado pelo menor AIC para testar a porcentagem de parasitismo das linhagens de Diachasmimorpha longicaudata em larvas de Anastrepha fraterculus e de Ceratitis capitata. Foram mantidos os fatores significativos que apresentaram p<0,05 e demais fatores que estavam em interação significativa Modelo espacial AIC= 12908,7 GL SQ QM F Hospedeiro 1 402,62 402,62 402,6167 Linhagem 1 0,57 0,57 0,5744 Log (raio) 1 166,87 166,87 166,8703 Hospedeiro:Linhagem 1 71,02 71,02 71,0181 Modelo temporal AIC= 3772,9 Hospedeiro 1 645,18 645,18 645,1802 Linhagem 1 1,22 1,22 1,2195 Log(tempo) 1 226,90 226,90 226,9010 Hospedeiro:Linhagem 1 94,11 94,11 94,1089 Hospedeiro:log(tempo) 1 63,93 63,93 63,9329

As maiores porcentagens de parasitismo foram observadas em larvas que estavam até o 10º raio de liberação (133 metros). No entanto, o parasitoide das duas Linhagens atingiu as larvas de A. fraterculus e de C. capitata no último raio de dispersão, a uma distância média de 220 metros do ponto de liberação (Figura 5, Tabela 5).

Não houve diferença significativa entre as linhagens do parasitoide liberadas em relação à porcentagem de parasitismo nas diferentes distâncias de liberação. Entretanto, houve interação da linhagem com o hospedeiro. Quando comparados os hospedeiros, C. capitata foi o hospedeiro mais parasitado. A linhagem LA foi a que manteve as mais altas taxas de parasitismo em pontos mais distantes neste hospedeiro quando comparado ao hospedeiro A. fraterculus (Figura 5, Tabela 5). A porcentagem de parasitismo variou significativamente com a distância do ponto de liberação, diminuindo à medida que se distanciou do ponto de liberação. No entanto, a velocidade com que a porcentagem de parasitismo diminuiu ao longo dos raios foi a mesma para as duas linhagens liberadas (Figura 5, Tabela 6).

Figura 5 - Porcentagem de parasitismo por duas linhagens de Diachasmimorpha longicaudata em “unidades de parasitismo” contendo larvas de Anastrepha fraterculus e de Ceratitis capitata dispostas em diferentes distâncias do ponto de liberação em pomar de goiaba, Jaíba, Minas Gerais. LA= Linhagem Anastrepha, LC= Linhagem Ceratitis

Tabela 6 - Parâmetros para as regressões do modelo teórico de raio de parasitismo (Figura 4) realizado pelas linhagens de Diachasmimorpha longicaudata em larvas de Anastrepha fraterculus e Ceratitis capitata. AIC=12908,7. LA = Linhagem Anastrepha, LC = Linhagem Ceratitis

Efeito Intercepto Coeficiente de Inclinação

Parasitismo (Anastrepha+LA) 2,02259 -1,36117

Parasitismo (Ceratitis+LA) 2,93627 -1,36117

Parasitismo (Anastrepha+LC) -0,03857 -1,36117

Tanto LA quanto LC parasitaram mais nas primeiras 48 horas as duas espécies hospedeiras (Figura 6). As duas linhagens liberadas mantiveram-se ativas até sete dias (168 h) após a liberação, entretanto, 44 espécimes foram recuperados após 15 dias de liberação. Destes, 35 (79%) eram da linhagem LA, recuperados em larvas de C. capitata, 8 (18%) de LA recuperados em A. fraterculus e apenas 1 parasitoide de LC recuperado em larvas de C. capitata (Figura 6).

As maiores porcentagens de parasitismo ocorreram quando foi liberada LA, nas primeiras horas após a liberação do parasitoide. Independente da linhagem liberada, C. capitata foi o hospedeiro que apresentou os maiores índices de parasitismo durante o tempo decorrido após a liberação. Houve interação entre a linhagem e o hospedeiro para o tempo de atividade do parasitoide. Tanto a linhagem LC quanto a LA parasitaram por mais tempo o hospedeiro C. capitata. Quanto ao hospedeiro, tanto C capitata quanto A. fraterculus foram parasitadas por mais tempo pela linhagem LA (Tabela 5, Figura 6).

Figura 6 – Porcentagem de parasitismo em larvas de Anastrepha fraterculus e de Ceratitis capitata após 24, 48, 168 e 360 horas da liberação de duas linhagens de Diachasmimorpha longicaudata em pomar de goiaba, Jaíba, Minas Gerais.

4.2.2 Distância atingida e tempo decorrido para o parasitismo de 50% e 90% das larvas hospedeiras disponibilizadas às linhagens de D. longicaudata

A distância em que D. longicaudata parasitou de 50% até 90% das larvas hospedeiras das “unidades de parasitismo” foi maior quando liberada a linhagem LA. As fêmeas de D. longicaudata LA parasitaram 90% das larvas de C. capitata que foram disponibilizadas em até 43,44 metros do ponto de liberação e 90% das larvas de A. fraterculus disponíveis em até 22,20 metros de distância (Tabela 7). A partir desses pontos a porcentagem de parasitismo foi drasticamente reduzida à medida que se aumentou a distância do ponto de liberação (Figura 5). Independente da linhagem do parasitoide, a capacidade de parasitar até 90% das larvas de A. fraterculus nas “unidades de parasitismo” ficou restrita a pontos mais próximos do local de liberação, quando comparadas às larvas de C. capitata (Figura 5, Tabela 7).

Tabela 7 - Distância e tempo decorrido até duas linhagens do parasitoide Diachasmimorpha longicaudata atingir 50% e 90% de sua capacidade de parasitismo em larvas de Anastrepha fraterculus e Ceratitis capitata em pomar de goiaba. RP= Raio de parasitismo em metros, TP= Tempo de parasitismo em horas, LA=Linhagem Anastrepha, LC=Linhagem Ceratitis.

Modelo espacial AIC= 12908,7

Distância percorrida (m)

Anastrepha+LA Anastrepha+LC Ceratitis+LA Ceratitis+LC

RP50% 4,41903 0,9720618 8,646601 8,316703

RP90% 22,20101 4,883595 43,44014 41,78275

Modelo temporal

AIC= 3772,9 Tempo decorrido (h)

TP50% 1,012529 0,06141036 10,90638 10,2173

TP90% 17,86445 1,083487 64,38836 60,32025

*p<0,05.

Da mesma forma, o tempo decorrido após a liberação em que D. longicaudata atingiu 50% e 90% da sua capacidade de parasitismo em “unidades de parasitismo” foi menor quando os parasitoides LC parasitaram as larvas de A. fraterculus. Em apenas uma hora as fêmeas LC já haviam conseguido atingir 90% da capacidade de parasitismo nas larvas deste hospedeiro nos primeiros metros de dispersão (Tabela 7). Entretanto, essa mesma porcentagem de parasitismo em larvas de C. capitata, no percurso de dispersão pelas fêmeas da linhagem LC, só foi alcançada após cerca de 60 horas da liberação (Tabela 7, Figura 6). A partir de uma

hora após a liberação a capacidade de parasitismo das fêmeas LC em A. fraterculus foi reduzido com o tempo decorrido após a liberação dos parasitoides. No caso das larvas de C. capitata, somente após decorridas 60 h da liberação as fêmeas LC começaram a reduzir o parasitismo. Da mesma forma, as fêmeas LA levaram menos tempo para parasitar 90% das larvas disponíveis de A. fraterculus que de C. capitata no percurso de dispersão no pomar de goiaba (Tabela 7).

4.3 Razão sexual de Diachasmimorpha longicaudata em dois hospedeiros após liberação em