Leonard (2003) indica que o homem deve muito de sua evolução às mudanças ocorridas na alimentação. O autor mostra que de um ser que ingeria somente vegetais crus, a mudança para um ser que apresenta, em geral, poucas restrições alimentares, foi fundamental nesse processo. Em seu artigo, a agricultura apresenta um papel de destaque, pois segundo o autor “com o advento da agricultura, os humanos começaram a manipular espécies de plantas marginais, visando maior produtividade, digestibilidade e conteúdo nutricional”.
Navarro (2006) mostra que desde o Neolítico – expressão de origem grega que significa nova pedra, ou, em termos atuais, pedra polida; para alguns historiadores seria o período compreendido entre 18.000 A.C. até 5000 A.C – o homem já produzia alguns instrumentos para fins agrícolas. Pela leitura do artigo infere-se que, após a chamada Idade do Ferro – 7.000 A.C até 1.000 B.C. duas foram as principais conquistas humanas: ferramentas para os mais diversos fins e armas para fins militares. Algo que pode causar estranheza são os anos considerados. É interessante lembrar que em Arqueologia, conforme as palavras de Navarro (2006) “o real início da Era dos Metais, e por assim dizer, da metalurgia tem sido motivo de controvérsias, o que parece ser comum na Arqueologia”.
Dando um salto evolutivo de alguns milhares de anos, para não fugir do foco da pesquisa, já nos tempos atuais, a crescente mecanização agrícola tem apresentado papel fundamental para o crescimento da produção e melhoria dos índices operacionais. Nogueira (2001) acrescenta que a mecanização agrícola que vem ocorrendo nos últimos anos apresenta como conseqüência direta a modernização da agricultura. Em seu artigo, Nogueira (2001) correlaciona as variáveis a seguir, referentes ao ano de 1999, de 136 países diferentes:
Dependente:
48 Explicativas:
PIB: Produto Interno Bruto, em US$ bilhões, conforme a metodologia do Atlas do Banco Mundial;
RENDACAP: renda per capita em US$;
CEREALAREA: área total colhida de cereais, em hectares; CEREALPRO: produção total de cereais em toneladas; POPURB: população urbana;
POPRU: população rural;
POPECAG: população economicamente ativa na agropecuária.
Os resultados conseguidos pelo autor indicam que existe correlação positiva entre a quantidade de tratores e os indicadores de PIB, renda per capita, produção e área colhida de cereais e população urbana, com coeficientes de correlação que variam entre 0,48 e 0,77. A partir de tais dados, é coerente inferir que o minério de ferro apresenta influência na agricultura, pois a maioria dos equipamentos agrícolas, como tratores e implementos diversos é fabricadacom aço, o principal subproduto do minério de ferro e um dos alicerces do mundo atual.
Dados do IBGE mostram que está aumentando a proporção de tratores nos estabelecimentos agrícolas brasileiros. Conforme a Figura 12 a seguir, observa-se claramente que a mecanização está fazendo diminuir a área média (em ha) por trator. A relação partiu de aproximadamente 4.000 ha por trator em 1920 para cerca de 73 ha por trator em 2006.
Figura 12:Quantidade de tratores nos estabelecimentos brasileiros e área média de lavouras por trator. Fonte: IBGE (2006). 0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000 6.000 7.000 8.000 9.000 1920 1940 1950 1960 1970 1975 1980 1985 1995 2006
Área média de lavouras por trator (ha)
49 Um exemplo de uma possível influência da mecanização na agricultura é a comparação entre dois grandes produtores mundiais: Brasil e EUA. Ao menos em relação a quantidade de tratores, a agricultura estadunidense apresenta um valor consideravelmente maior do que aquele apresentado pela agricultura brasileira. Apesar dos anos de comparação serem diferentes, 2006 para o Brasil e 2007 para os EUA, os valores ainda assim mostram que a mecanização da agricultura brasileira ainda está longe dos resultados divulgados pelo censo estadunidense de agricultura em 2007 (Figura 13).
Figura 13:Comparação quantidade de tratores por estabelecimento Brasil 2006 x EUA 2007.
Fonte: IBGE e Census of Agriculture USA (2007).
A principal utilização do minério de ferro é na fabricação de laminados de aço, que são, por sua vez, a principal matéria prima para construção de automóveis, navios, maquinário agrícola e máquinas diversas. Sua produção acontece por meio da extração de minério de ferro cru em minas espalhadas por diversas regiões mundiais.
Dados do USGS referentes à produção mundial de minério de ferro mostram que o Brasil está entre os quatro principais países produtores, respondendo por cerca de 13% da produção mundial. A Figura 14 indica que a China é o maior produtor mundial, porém, segundo o USGS, a China divulga a produção de minério de ferro cru, com teor de ferro a partir de 33%, ao passo que os demais países divulgam apenas o minério de ferro utilizável. Tal fato não inviabiliza o gráfico, pois a produção chinesa é mais que o dobro da produção do segundo colocado, sendo que é razoável supor que, caso a
0,05
2,38
50 produção fosse divulgada como nos demais países, ainda assim a China estaria entre os principais produtores (ver Figura 15).
Figura 14:Principais países produtores de Minério de ferrobruto. Fonte: USGS (2011).
Figura 15:Principais países produtores de minério de ferro - por teor de ferro. Fonte: USGS (2011).
A Figura 16 indica que o Brasil continua entre os principais produtores, ao se levar em conta o teor de ferro (peso real em ferro do minério de ferro extraído). A verificação da participação de cada país em relação à produção mundial mostra que, no ano de 2009, o Brasil sai de uma participação de 13% na produção de minério bruto para 17% na produção de minério utilizável, ao passo que o principal produtor, a China,
- 100.000 200.000 300.000 400.000 500.000 600.000 700.000 800.000 900.000 1.000.000 2004 2005 2006 2007 2008 2009
China Brasil Austrália Índia
1. 00 0 T on elad as - 50.000 100.000 150.000 200.000 250.000 300.000 350.000 2004 2005 2006 2007 2008 2009
China Brasil Austrália Índia
1. 00 0 T on elad as
51 sai de 37% de participação para 24%, corroborando o fato de que seu minério apresenta menor teor de ferro utilizável. As Figuras 14 e 15 mostram também, que com exceção da Austrália, os demais países produtores são considerados países emergentes e concentraram juntos, em 2009, o equivalente a 53% da produção mundial de minério de ferro utilizável.