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Segundo Rigotto (1999), as técnicas de relatos orais, como um todo, colocam o sujeito num lugar de destaque, valorizando as suas experiências e o que tem a dizer sobre elas. Por isso, utilizamos outra técnica de pesquisa para complementar as já mencionadas, no caso, a entrevista.

O uso de entrevistas, como afirmam Aguilar e Ander-Egg (1995), serve para abordar a realidade em seu dinamismo e trazer informações sobre componentes subjetivos - atitudes, motivações, condutas - bem como, captar das respostas dos entrevistados aspectos não evidentes. Os dados qualitativos baseiam-se numa amostra reduzida e não-probabilística.

O tipo de técnica utilizado para o propósito deste trabalho foi a entrevista aberta, que:

[...] atende principalmente finalidades exploratórias, é bastante utilizada para o detalhamento de questões e formulação mais precisas dos conceitos relacionados. Em relação a sua estruturação o entrevistador introduz o tema e o entrevistado tem liberdade para discorrer sobre o tema sugerido. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão. As perguntas são respondidas dentro de uma conversação informal. A interferência do entrevistador deve ser a mínima possível, este deve assumir uma postura de ouvinte e apenas em caso de extrema necessidade, ou para evitar o término precoce da entrevista, pode interromper a fala do informante. (BONI e QUARESMA, 2005, p.74).

A entrevista aberta é utilizada quando o pesquisador deseja obter o maior número possível de informações sobre determinado tema, segundo a visão do entrevistado, e também para obter um maior detalhamento do assunto em questão. Ela é utilizada geralmente na descrição de casos individuais, na compreensão de especificidades culturais para determinados grupos e para comparabilidade de diversos casos (MINAYO, 1993 apud BONI e QUARESMA, 2005, p.74).

A idéia foi evitar perguntas fechadas e pré-estabelecidas visando amenizar a violência do exercício do poder que se estabelece sobre o entrevistado. O uso de entrevistas abertas permite uma relação de troca e aprendizagem, ou seja, tanto o pesquisador quanto o entrevistado descobrem, aprendem e refletem sobre o objeto da investigação. (CALDEIRA, 1981).

Dessa forma, a partir da aplicação dos questionários, foi feita uma compilação dos dados obtidos para comparar os resultados de cada escola. Em seguida, selecionei aquela com o melhor resultado diante do funcionamento do seu laboratório de informática em relação às demais, para realização das entrevistas com a comunidade escolar. O critério de escolha dos sujeitos para essa fase foi o de conveniência e de intencionalidade.7

Assim, foram selecionadas duas professoras do LIE, a diretora e um representante do conselho escolar do segmento pais de alunos da escola selecionada para a pesquisa mais qualitativa. O diálogo entre esses usuários contribui para melhorar a compreensão das suas necessidades e prioridades, e ainda, perceber como o programa tem impactado na vida dos alunos no contexto pessoal e educacional.

Nessa etapa, também selecionamos gestores e ex-gestores que participaram da implementação do programa a nível estadual e municipal. O corpo técnico ajudou a responder as questões referentes à política adotada para implementação do PROINFO/Fortaleza, bem como, entender como vem acontecendo à gestão do mencionado programa.

O objetivo foi conduzir uma avaliação com uma perspectiva metodológica que considerasse a participação dos atores do Programa de modo a obter a opinião deles sob o ponto de vista de seus interesses, seus problemas e aspirações.

Para Duarte (2004): 7

Entrevistas são fundamentais quando se precisa/deseja mapear práticas, crenças, valores e sistemas classificatórios de universos sociais específicos, mais ou menos bem delimitados, em que os conflitos e contradições não estejam claramente explicitados. Nesse caso, se forem bem realizadas, elas permitirão ao pesquisador fazer uma espécie de mergulho em profundidade, coletando indícios dos modos como cada um daqueles sujeitos percebe e significa sua realidade e levantando informações consistentes que lhe permitam descrever e compreender a lógica que preside as relações que se estabelecem no interior daquele grupo, o que, em geral, é mais difícil obter com outros instrumentos de coleta de dados. (DUARTE, 2004, p.215).

As quatro entrevistas realizadas com os membros da comunidade escolar foram feitas na própria escola, agendadas previamente. Nesta etapa, foi utilizado um roteiro guia (Apêndice B) e busquei assumir uma postura mais de ouvinte. Foram priorizados relatos sobre a infraestrutura e manutenção do LIE, o nível de participação dos professores e alunos no LIE, a contribuição do LIE para a aprendizagem digital, as contribuições trazidas pela aprendizagem digital na vida dos alunos e como o LIE colabora efetivamente para a inclusão digital e social dos alunos.

As entrevistas foram gravadas com o consentimento dos atores envolvidos e, posteriormente, transcritas cuidadosamente.

Entendendo ser importante descrever todos os percalços passados durante a realização deste trabalho, posto que nessa fase da pesquisa tive algumas dificuldades para realizá-la. Isto porque, após a aplicação dos questionários, realizei a tabulação dos dados e, com isso, fiz a seleção da escola a ser aprofundado o estudo de avaliação.

Logo em seguida, providenciei o tópico guia para dar início às entrevistas. No entanto, no final de março de 2011, as escolas da rede municipal de ensino estavam em seu período de recesso escolar para, em seguida, iniciar o ano letivo na segunda quinzena de abril. Pois bem, terminado o recesso, os professores já iniciaram uma greve, que somente terminou final de junho e, em julho, foi período de férias escolar.

Então, durante esse período não foi possível dar continuidade no andamento do trabalho de campo. Mas, ao chegar o mês de agosto, já expus minha situação aos sujeitos da pesquisa e todos foram bem receptivos e consegui agendar e realizar todas as entrevistas, em agosto, em um esforço extremo para cumprir o cronograma previsto.