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Na tabela 7 estão dispostos os dados da temperatura média geral coletados nos ambientes de cultivo durante o primeiro e segundo ciclos experimentais.

Tabela 7- Valores médios mensais da temperatura do ar (ºC) observados durante a condução do

experimento nos diferentes ambientes de cultivo estudados, Fortaleza, CE, 2013 e 2014

*A1, Ambiente protegido do tipo telado, com nebulização com água gelada e sobre piso branco; A2, a pleno sol, com nebulização com água gelada e sobre piso branco; A3, a pleno sol sem nebulização e sobre piso concretado sem pintura.

No primeiro ciclo, o ambiente que foi verificado a menor média de temperatura (28,22ºC) foi o ambiente A1, com a maior média tendo sido observada no ambiente A3 (30,09 ºC). No segundo ciclo de produção, do mesmo modo, o ambiente A1 obteve a menor média de temperatura (27,76 ºC) e o A3 a maior média (29,43 ºC).

Foi observada no segundo ciclo uma redução na diferença entre as temperaturas médias dos ambientes A1 e A3 (de 1,87 ºC, no primeiro, para 1,67ºC). Como o segundo ciclo ocorreu no final da estação chuvosa, provavelmente, a maior nebulosidade ocorrente reduziu a disponibilidade de energia calorífica para o aquecimento do ar. Fato este que reduz, dentre outras variáveis, a temperatura do ar (VIANA, 2001).

Apesar das reduções de temperaturas no segundo ciclo, os valores observados durante a condução do experimento foram superiores aos indicados como ideais para o cultivo do morangueiro, que segundo Santos e Medeiros (2003) é de 15 a 25°C. No

Temperatura (ºC)

Meses (Ano 2013) / Ambiente A1* A2* A3*

Setembro 27,95 29,87 30,21 Outubro 27,81 29,57 29,83 Novembro 28,82 30,12 30,51 Dezembro 28,30 29,86 29,81 Média geral 28,22 29,86 30,09 Temperatura (ºC)

Meses (Ano 2014) / Ambiente A1 A2 A3

Maio 27,23 27,94 28,43

Junho 27,57 28,28 29,75

Julho 28,71 28,01 29,66

Agosto 27,54 27,94 29,86

entanto, segundo os mesmos autores, o morangueiro (Fragaria x ananassa Duch. ) permite uma maior amplitude de adaptação das cultivares comerciais, como a cultivar Oso grande, pois sua base genética é composta por uma grande variabilidade entre as espécies.

As variações horárias dos valores médios mensais da temperatura do ar coletados no primeiro e no segundo ciclos experimentais encontram-se destacados na figura 10.

Figura 10- Variações horárias dos valores médios mensais da temperatura do ar coletados durante

o primeiro (FIG 10 A, C e E) e segundo ciclos (FIG 10 B, D e F) nos ambientes A1, A2 e A3*, respectivamente, Fortaleza, CE, 2013-2014

(10A) (10B)

(10D) (10C)

(10F) (10E)

As temperaturas médias observadas durante os dois ciclos experimentais apresentaram valores elevados ao longo dia, principalmente no período de 12 às 16 horas. Nesse período, durante o primeiro ciclo as maiores temperaturas foram observadas durante o mês de novembro, enquanto que no segundo ciclo o mês com temperaturas mais elevadas foi agosto. Mas, vale ressaltar que em todas as quantificações realizadas, as temperaturas observadas no ambiente A1 tenderam a serem inferiores as observadas nos ambientes A2 e A3.

Entretanto, na maior parte do dia as temperaturas nos três ambientes não se observaram dentro da faixa ótima para a cultura, que é 24 a 26 °C, conforme LI et al. (2009). E, altas temperaturas reduzem o crescimento e o desenvolvimento do morangueiro (NISHIYAM; KANAHAMA, 2002; KADIR et al., 2006). Do mesmo modo, a produção de frutos é reduzida pela diminuição da viabilidade do pólen e a inibição do crescimento do tubo polínico (LEDESMA; SUGIYAMA, 2005).

O aumento da temperatura do ar influência também o potencial de florescimento, diminuindo o número de dias para o início da floração. Estudo realizado por Calvete et al. (2003) mostra que isso ocorre devido ao seu efeito nos processos metabólicos internos da planta. Mas, apesar destas alterações fisiológicas em regiões tropicais, implicando em uma menor produtividade, a cultura pode ser viável dependendo do preço pago ao produtor na região de cultivo (LI et al., 2009).

E para comprovar estatisticamente a intensidade com que a variável foi influenciada pelos ambientes de cultivo, elaborou-se a Figura 11 que apresenta correlações entre valores de temperaturas máximas coletadas nos três ambientes de cultivo nos dois ciclos experimentais.

Pode-se observar que a temperatura máxima no ambiente A1 foi inferior em média 5,74% em relação à registrada no ambiente A2 no primeiro ciclo; já no segundo ciclo, a diferença foi de 6,62 %. A diferença entre o ambiente A1 e o Ambiente A3 foi de 10,28% no primeiro e de 15,04% para o segundo ciclo. E entre os ambientes A2 e A3 a diferença foi de 4,29% e 7,89% para o primeiro e o segundo ciclos, respectivamente. Estes resultados confirmam a influência das técnicas de resfriamento adotadas nos ambientes de cultivo A1 (telado + nebulização + pintura do piso em branco) e A2 (nebulização e pintura

do piso em branco) sobre a temperatura, em comparação com o ambiente A3, que foi em campo aberto e sem nenhuma técnica de resfriamento.

Figura 11 – Correlações entre valores máximos de temperaturas do ar coletados durante o primeiro

(FIG 11 A, C e E) e segundo ciclos (FIG 11 B, D e F) nos ambientes A1, A2 e A3*, respectivamente, Fortaleza, CE, 2013-2014

(11 E) (11 A) (11 C) (11 F) (11 D) (11 B)

Apesar da diferença no primeiro ciclo ser menor do que a quantificada no segundo, as correlações mantêm-se muito semelhantes, o que mostra que estas independem do período, também observado por Silva (2012).

Outro fator que também contribuiu para a maior redução das temperaturas no ambiente A1 foi a tela aluminet, que funcionou como dispositivo de proteção solar, conferindo maior oposição à passagem de radiação solar. Brito (2000), avaliando coberturas de casa de vegetação, observou redução de 4ºC na temperatura quando comparou casas de vegetação com telas de sombreamento e casas de vegetação não sombreadas. Filgueira (2012) acrescenta que o uso de sombreamento diminui a temperatura interna criando assim um microclima mais favorável, mesmo sob temperatura e luminosidade elevadas, tendo efeitos positivos na fisiologia da planta elevando-se a produtividade e a qualidade dos frutos.

Mas, pode-se também afirmar que a nebulização, presentes nos ambientes A1 e A2, bem como a pintura em branco do piso foram fatores significativos para esta redução. Do mesmo modo, Montero et al. (1990), estudando o efeito do sistema de resfriamento evaporativo por nebulização, verificaram que a temperatura no ambiente protegido foi menor cerca de 3ºC na média, quando comparado com o ambiente controle sem nebulização. Segundo Furlan (2001), a principal vantagem do sistema de resfriamento por nebulização é a uniformidade de resfriamento em todo o ambiente, resultando em resfriamento mais efetivo e de fácil adaptação em ambiente protegido.

Esses resultados corroboram com Silva (2012), que obteve diferença nas temperaturas máximas entre os ambientes estudados de 7,1 ºC e 10,7 ºC em relação ao ambiente protegido nebulizado e o ambiente externo. Entretanto, sem nebulização esses efeitos são menores, conforme Dias (2014) que, avaliando dois ambientes de cultivo com morangueiro, obteve uma redução de 2,5% na temperatura máxima do telado quando comparada a verificada em campo aberto.

Estão dispostos na tabela 8 os dados da umidade relativa média e geral coletados nos ambientes durante o primeiro (setembro a dezembro de 2013) e segundo ciclos (maio a agosto de 2014).

As maiores médias mensais da umidade relativa do ar no primeiro ciclo experimental foram obtidas no ambiente A1 (69,66%), sendo decrescente nos outros ambientes, A2 (68,65%) e A3 (66,27%). Esta tendência já era esperada visto que no

ambiente A1 ocorreram os menores valores de temperatura do ar, consequentemente, haveria uma maior probabilidade de registro dos menores valores de umidade relativa do ar neste ambiente.

Tabela 8 - Valores médios mensais da umidade relativa do ar (%) durante a condução do

experimento nos diferentes ambientes de cultivo estudados, Fortaleza, CE, 2013 e 2014

*Ambiente protegido do tipo telado, com nebulização com água gelada e sobre piso branco, (A1); a pleno sol, com nebulização com água gelada e sobre piso branco, (A2); e a pleno sol sem nebulização e sobre piso concretado sem pintura, (A3).

No segundo ciclo, o ambiente A1 também apresentou a maior média (71,39%) em relação aos ambientes A2 (70,83%) e A3 (69,90%), sendo porém em todos os ambientes superiores as observadas no primeiro ciclo de cultivo. O aumento da umidade de um ciclo para outro, pode ser explicado pelo fato de que o primeiro ciclo ocorreu no segundo semestre onde são verificadas as maiores temperaturas e o segundo no primeiro semestre, onde as temperaturas são menores. Outro fato que possa ter influenciado esse aumento é que o segundo ciclo de cultivo ocorreu no final da estação chuvosa, quando ainda há uma maior presença de vapor d'água na área experimental.

Entretanto, nos dois ciclos a umidade relativa não se mostrou um fator restritivo, pois segundo Carmenõ (1994), a umidade relativa ótima para a cultura do morango está em torno de 70-80 %. E, para o autor, a umidade relativa influência a transpiração, o crescimento e a fecundação das flores, sendo que altos valores de umidade relativa do ar afetam a evapotranspiração da cultura.

Umidade relativa (%)

Meses (Ano 2013) / Ambiente A1* A2* A3*

Setembro 71,98 68,00 64,27 Outubro 70,53 68,34 68,75 Novembro 68,08 70,36 66,61 Dezembro 68,05 67,93 65,47 Média geral 69,66 68,65 66,27 Umidade relativa (%)

Meses (Ano 2014) / Ambiente A1 A2 A3

Maio 71,67 71,59 70,94

Junho 71,29 70,80 69,24

Julho 71,80 70,55 70,33

Agosto 70,82 70,40 69,09

Na figura 12, podem ser observadas as variações horárias dos valores médios mensais da umidade relativa do ar coletados no primeiro e no segundo ciclos experimentais.

Figura 12 - Variações horárias dos valores médios mensais da umidade relativa do ar coletados

durante o primeiro (FIG 12 A, C e E) e segundo ciclos (FIG 12 B, D e F) nos ambientes A1, A2 e A3*, respectivamente, Fortaleza, CE, 2013-2014

(12 A)

(12 C) (12 D)

(12 E)

(12 B)

Com tendências inversas as da temperatura do ar, as médias horárias da umidade relativa do ar (UR), nos dois ciclos experimentais, apresentaram variações mensais mínimas no período diurno, principalmente no período das 10 às 16 horas. E, durante o primeiro ciclo, os menores valores médios de umidades foram verificadas no mês de dezembro, próximos a 50%, e no segundo nos meses maio e junho, em torno de 60%.

O comportamento inverso temperatura e umidade do ar é habitual. Segundo Seemann (1979), os valores de umidade relativa do ar são inversamente proporcionais à temperatura do ar e muito variáveis no interior do ambiente protegido. Entretanto, como já afirmado, a maioria dos valores observados estão dentro da faixa recomendada para a cultura do morango, não tendo sido frequentes valores superiores a 80% e nem inferiores a 50%, não sendo por este critério os ambientes de cultivo analisados desfavoráveis à condução da cultura.

Pois, de acordo com Furlan (2001), altos valores de umidade relativa do ar reduzem a taxa de evapotranspiração da cultura, que quando associado a altas temperaturas do ar geram também condições muito favoráveis à ocorrência de doenças. Já valores muito baixos de umidade relativa também podem provocar altas taxas de evapotranspiração, o que pode reduzir a taxa fotossintética e a produtividade da cultura. E conforme Varejão- Silva (2006), a umidade relativa do ar ainda pode influenciar no desenvolvimento das plantas por interferir diretamente no processo de evapotranspiração, de forma que quanto menor a umidade relativa maior o déficit de vapor de água na atmosfera e consequentemente maior será a evapotranspiração.

Na Figura 14 pode-se observar a correlação entre as médias mensais das umidades relativas máximas registradas nos três ambientes de cultivo, durante os dois ciclos experimentais. No ambiente A2, campo aberto com nebulização, a umidade relativa máxima foi inferior a observada no ambiente A1, telado com nebulização. Os valores médios em A2 corresponderam a 96,06% e 94,64% dos valores observados em A1, no primeiro e no segundo ciclos, respectivamente. Já no ambiente A3, campo aberto sem nebulização, os valores observados corresponderam a 91,17 e 91,08 % dos valores obtidos em A1.

Já se comparando os dados dos ambientes A2 e A3, figuras 13 (E) e 13 (F), a umidade relativa em A3 foi em média 94,81% e 96,24% da registrada no ambiente A2,

para o primeiro e segundo ciclos, respectivamente. Por conseguinte, pode-se afirmar que os maiores valores de umidade relativa nos ambientes foram obtidos na seguinte sequencia: A1 > A2 > A3.

Figura 13 – Correlações entre valores máximos de umidade relativa do ar coletados durante o primeiro (FIG 11 A, C e E) e segundo ciclos (FIG 11 B, D e F) nos ambientes A1, A2 e A3*, respectivamente, Fortaleza, CE, 2013-2014

(13F) (13B) (13C) (13D) (13E) (13A)

Provavelmente, os maiores valores de UR no ambiente A1, resultado parecido ao de Silva (2012), decorrem da presença do telado, da tela aluminet, da nebulização e do piso branco. Já os menores no ambiente A3, são decorrentes da ausência destes quatro fatores. Do mesmo modo, os valores intermediários em A2 devem ser oriundos da presença de 2 dos 4 fatores citados.