tropa, e depois de vir de lá é que viu a falta que a escola lhe fazia, e foi estudar à noite aprendeu a ler e a escrever, arranjou um trabalho eu gostava dele ele gostava de mim, casámos.”
M2
“Depois, quando casei, foi o melhor tempo da minha vida, era feliz, pobre, mas feliz, sempre gostei de andar bem arranjada e de cuidar do meu marido que era um anjo.Olhe que em tantos anos de casados nunca ouvi uma má palavra, nunca me levantou a voz.”
M3
“O meu primeiro marido não queria que eu trabalhasse com três filhos o melhor era ficar em casa e criá-los, mas foi um erro muito grande.O meu marido também era muito ciumento, eu não podei falar com ninguém nem demorar-me muito tempo nas compras, na rua. Nunca me tratou mal mas os ciúmes eram demais, eram uma doença. Eu tinha que estar sempre ali ao pé dele e a cuidar dos filhos.”
M4
“ (…) sempre nos demos bem.”M5
“O meu marido era alfaiate, trabalhávamos muito os dois. Sempre nos demos muito bem. Viajávamos muito, fomos a França, à Bélgica, a Espanha, era uma alegria. Fizemos muitos amigos, vivíamos um para o outro. Em casa, ajudava-me muito não era como os outros maridos, fazia o comer ajudava-me na casa, passava a ferro, um bom marido e grande amigo. Trabalhava muito, mas sentia- me muito bem. As viagens que fazíamos… Que saudades… O meu marido queria- me muito, e sentia-me tão bem (…) Tinha o marido ideal… (…) não encontrava um homem como o meu.Se amava? Era uma loucura! Um Santo António que eu tinha, eu julgava que ninguém tinha homem senão eu, ele julgava que ninguém tinha mulher senão ele, e era a mesma loucura com a filha. Eu para ele era uma santa, éramos muito felizes e muito bons amigos… Só a morte matou tudo…”
M6
“O meu marido era muito doente e pouco trabalhava, eu tinha que trabalhar por dois, para criar os meus filhos.O meu marido era uma jóia e eu uma mulher de armas.
Muito. Era tão bom para mim, nunca lhe ouvi uma má palavra. Quando ficava cheia… tinha sempre estas palavras: [deixa lá, ó mulher o Nosso Senhor dá-te um filho e dá-te uma fatia de pão no açafate].”
M7
“(…) dávamo-nos muito bem, nunca me bateu, nem nunca me tratou mal, mas tenho um desgosto muito grande… Sabe… O meu marido teve um filho de outra mulher… As mulheres eram muito amigas dele… Ele não tinha culpa! As malucas que andavam com ele é que tinham a culpa, ele não! … Elas é que se metiam com ele, entende? (…) ele chegou a pedir-me para levar o filho lá a casa… Mas eu não deixei… Não, isso é que não… ele era muito bom homem… mas as mulheres não o deixavam em paz… a culpa não era dele… (…)Eu perguntei-lhe: ò homem, como é que foste capaz? Mas coitado… ele nem tinha palavras… tive de o desculpar e seguir com a nossa vida… Ele era assim… Olhe, se eu fosse leviana, tinha tido muitos namorados, tive dois, um faleceu quando estávamos para casar… depois, namorei o meu marido… Agora, sou viúva… Era a minha sina… Tinha sina de ficar viúva. (…) gostava dele.”90
M8
O meu marido era muito amigo de mulheres, não podia ver uma burra com um lenço na cabeça, mas perdoei-lhe tudo. A verdade é que ele já lá esta há oito anos e eu ainda cá estou…Fiquei farta dele. (…) Foi um casamento sem pensar, habituei-me a ele, mas amor não.
É o que tem de ser… morreu, morreu… temos de aceitar e depois de tudo o que lhe contei é normal. Não desejo a morte a ninguém e sempre o respeitei, mas para a morte não há remédio… Olhe, menina, antes ele que eu. (…) não morria de amores pelo meu marido, foi mais fácil, mas respeitei-o sempre Uma morte custa sempre! Às vezes, custa mais a passar, outras custa menos… A mim custou- me menos.”
M9
“O meu marido era um Santo eu tinha um feitio, mais de escorpiona.Sempre fui muito trabalhadora, não parava, fazia cortes em casa, e ainda andava a dias, criei os filhos, tratava muito bem da minha casa e do meu marido, não era pêra doce, mas com a Graça de Deus e com amor tudo se faz. (…) só fui pobre depois de casar, mas nunca me importei.
Pobre, só fui depois de casada, fez falta o dinheiro, porque o meu marido sempre me tratou muito bem.
Amava-o do coração. Os meus pais não me deram ordem para casar e eu fui ter com ele. Isto já diz tudo…”
M10
“Sempre trabalhei muito, tive que me reformar cedo, porque tinha uma filha que tinha uma doença de coração e tive de ficar em casa a tratar delaEu trabalhava para ajudar o meu marido, fazia cortes em casa e se tinha tempo ainda, andava a dias. (…) eu gostava muito do meu primeiro marido, não há amor como o primeiro, o segundo também gostava dele.
Os dois eram muito boas pessoas e muito bons para mim e para os filhos, e, quando são bons, deve custar mais.
Claro que sim, mas o primeiro é o primeiro, o segundo foi mais por necessidade, mas era muito bom para mim, deu-me uma boa vida éramos muito amigos e isso também conta.”
H1
“Era feliz. Sempre tivemos uma boa relação. Problemas, vão-se tendo e vão-se ultrapassando. Era feliz. Tinha uma família, tinha mulher, como já não há, era bondosa, honesta, fiel, amorosa, era tudo o que um homem pode desejar, e trabalho. Não podia pedir mais.Mas hoje sei que mulher como a que tinha não volto a arranjar, porque já não existe.”
H2
“ (…) era feliz, tinha um trabalho, uma mulher e dois filhos. Dificuldades, sempre existiram, mas tudo se ultrapassava.A minha mulher é que sabia, era mais esperta que eu, disse-me assim antes de morrer: [não fiques sozinho, arranja alguém, olha que eu sei o que estou a dizer].Ela é que sabia… Claro … muito.”
H3
“ (…) os pagamentos, as contas era a minha mulher que tratava … em tantos anos que estivemos casados, nunca ninguém lá foi a casa bater à porta pedir dinheiro. A minha mulher tomava conta da casa, das contas, ela é que mandava. Eu parecia maluco, nunca tinha feito nada daquilo, mas ela nunca se esquecia mas eu já me tenho esquecido. Ela era uma boa dona de casa, em todos os sentidos.Era muito bonita e estimava-me muito. Olhe que cheguei a andar perdido, ela soube e perdoou-me isto. Não é para toda a gente.”