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The MIPs are not limited to individual dumping margins

Article 9.4 of the Anti-Dumping Agreement

B. The MIPs are not limited to individual dumping margins

Schechner vê a performance de uma perspectiva abrangente e radical quando afirma que todo objeto pode ser compreendido como performance. Sua perspectiva, neste caso, é a de quem observa o fenômeno procurando identificar uma estrutura suficientemente aberta para abarcar a vasta gama de possibilidades do que seria uma performance, abarcando situações muito diferentes, desde atos cotidianos até representações teatrais, passando pela música, pelos esportes, finanças etc.

Tratar qualquer objeto, obra ou produto como performance, uma pintura, um romance, um sapato, ou qualquer outra coisa significa investigar o que esta coisa faz, como interage com outros objetos e seres, e como se relaciona com outros objetos e seres. Performances existem apenas como ações, interações e relacionamentos66.

Schechner relaciona a performance a quatro instâncias, “o ser, o fazer, o mostrar-se fazendo e explicar as ações demonstradas67”. São quatro camadas do

fenômeno. “Ser é a existência em si mesma68”. Ele enumera diversas dualidades que

apontam para as diversas possibilidades do ser.

“Ser pode ser ativo ou estático, linear ou circular, expandido ou contraído, material ou espiritual. Ser é uma categoria filosófica apontando para qualquer coisa que as pessoas teorizem como realidade última69“.

“Fazer é a atividade de tudo que existe70”, equivale a colocar o ser em ação. O ser nesta asseveração de Schechner é uma categoria. Para o ser entrar em ação é

66 SCHECNER: 2003. 67 Ibidem 68 Ibidem. 69 Ibidem 70 SCHECNER: 2003

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necessário que ele, como entidade, seja mais que um conceito. Fazer coloca o ser em ação, do virtual ao atual, de conceito a metafísico71, em relação com o meio, o contexto

onde se dá a ação. Então, fazer é ação e nela o ser revela-se. “Mostrar-se fazendo é performar: apontar, sublinhar e demonstrar a ação72”. Sublinhar a ação implica conhecê- la muito bem em seu processo, estar preparado para ela. Se na ação o performer exibe sua performance, tal situação envolve uma preparação, como a que ocorre em um ensaio ou no estudo, onde o trabalho com a repetição e imitação são fundamentais. Fazer e mostrar estão sempre num continuum. Mostrar implica alguém que presencia a ação. Estar presente a uma ação é algo que pode ser tomado externamente, em relação ao espaço, à presença de outros, pode ser uma audiência, mas também o companheiro de trabalho (partner), assim como estar presente a si mesmo, permitindo que a própria performance também seja uma impressão recebida, contingente à ação. “Explicar ações demonstradas é o trabalho dos Estudos da Performance73. Esse é para Schechner, o

papel da academia (nesse campo, tal papel é uma fronteira vazada entre arte e ciência), “explicar ações demonstradas é um esforço reflexivo para compreender o mundo da performance e o mundo como performance74”. As explicações de maneira geral (e especialmente na academia) passam pelos critérios de validação de uma determinada comunidade. São, portanto válidas para aquela comunidade específica, ainda que em alguns casos as explicações, pareçam tornar-se a verdade.

Na linha das explicações, Schechner propõe o conceito de comportamentos restaurados, “ações performadas que as pessoas treinam para desempenhar, que têm que repetir e ensaiar75”. Os comportamentos restaurados abrangem todas as ações que o

homem pode realizar e que estão baseadas na repetição e combinações de padrões. Um comportamento restaurado é um padrão que permite o fluxo da vida. As pessoas em geral, e os músicos em particular, estão todo tempo lidando com o treinamento destes padrões que lhes permita uma ação. Para os músicos, a composição e performance, incluindo a ação de improvisar, está permeada de comportamentos restaurados. As

71 Segundo Mora, “as respostas dadas ao problema da essência dependeram em grande parte do aspecto

que se tenha sublinhado e, em especial, se foi sublinhado o aspecto lógico (conceitual), ou o aspecto metafísico (real), ou porventura uma combinação deles” (MORA, 2001: 227). “Ser” é uma categoria que está intimamente ligada à essência e que aqui passa pela mesma dualidade, entre o aspecto conceitual e o real, que nesse caso torna-se também metafísico.

72 SCHECNER: 2003 73 Ibidem

74 Ibidem. 75 Ibidem.

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pessoas, por exemplo, quando falam, improvisam a maior parte do tempo, a fala é essencialmente improvisação e está ela também permeada de comportamentos restaurados.

Entendo que os comportamentos restaurados são processos que determinam uma fluência contida por uma estrutura. Entre a estrutura e a fluência pode ser que ocorra uma emergência, uma presença, e isto é apenas uma possibilidade. Como na metáfora do rio, tendo as margens como estrutura e a água como fluência, o rio, assim como a presença, é uma emergência. O desafio é ser o rio, sentir sua vida além das margens e da água, é como sentir uma presença, além da estrutura e da fluência (margens e água, estrutura e fluência pertencem a “tipos lógicos” distintos do rio e da presença).

A interação do performer está constituída por padrões que não são outra coisa que comportamentos restaurados, ou combinações de pedaços de comportamento. Reconhecemos um padrão pela sua repetição. O padrão implica memória, um determinado circuito que é recorrente. A memória, para Bergson, está constituída de imagens que, a todo o momento, vêm participar da percepção atual, entornando camadas de passado no presente.

Digamos inicialmente que, se colocarmos a memória, isto é, uma sobrevivência das imagens passadas, estas imagens irão misturar-se constantemente à nossa percepção do presente e poderão inclusive substituí- la. Pois elas só se conservam para tornarem-se úteis: a todo instante completam a experiência presente enriquecendo-a com a experiência adquirida76

Estes padrões, os comportamentos restaurados, são como os circuitos de recategorização. Tais circuitos, mobilizados por uma sensação transformam-se em percepção, que a esta se ligam como respostas motoras. Os próprios circuitos podem ser categorizados e emergir como descrições e mais além como descrições das descrições, como recategorizações. A memória implica estruturas de recursão (categorizações e recategorizações) que se conservam (até como estruturas quimicamente estáveis). Sua conservação é, no entanto, aberta pela interação do momento. As imagens da memória de Bergson e os comportamentos restaurados de Schechner referem-se, talvez de maneiras diferentes, aos mesmos eventos. Estes sobrevivem ao momento, e ao mesmo tempo em que nele são criados, também interferem como estruturas conservadas, nas

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palavras de Bergson, “a todo instante completam a experiência presente enriquecendo- a com a experiência adquirida”.

Quais descrições seriam estas que gerariam o aspecto da linguagem que chamamos música? Assumo que na raiz destas descrições estão as categorias com que uma comunidade organiza, alinha, percebe os eventos. No indivíduo, segundo o modelo de Edelman77, o processo de categorização é ainda anterior à percepção. Neste modelo,

quando os nervos aferentes são excitados, eles levam este impulso que é uma sensação. A percepção desta sensação implica um circuito circular de mapas neuronais que categoriza recursivamente. Uma comunidade compartilha categorizações na medida em que a interação dos indivíduos é recorrente. Estas categorias correspondem às descrições de que fala Maturana. As categorias e descrições são compartilhadas e validadas na cultura – sociedade – comunidade. Assim em um determinado contexto música corresponde a um determinado universo de descrições e categorizações que podem ser diversas pelo seu uso. Portanto existem tantas manifestações que se poderia chamar de música quanto o uso que delas se faz.

O que Maturana chama de descrições das descrições, Edelman denomina recategorização. Implica um sistema circular e complexo. Maturana sintetiza o fenômeno uma vez que uma descrição da descrição é também uma descrição, e desta maneira o processo não tem fim. Para Edelman recategorização é um processo recursivo, ocorre todo o tempo e segue ocorrendo. Piaget78 tem uma intuição similar

quando argumenta que as estruturas cognitivas não nascem com o indivíduo, a não ser a habilidade de construir relações, uma característica que ele considera inata, de maneira que a cada nova informação ou conhecimento, esse atualiza não só o que se aprende, mas também as formas como isto se dá.

Essa perspectiva sugere que a memória seria algo em constante construção. Não haveria portanto, um local onde a memória pudesse ser armazenada, mas um circuito de interações que mantem-se ativo todo o tempo em uma espécie de equilíbrio dinâmico entre o domínio de sua composição, onde a autopoiese existe e opera como uma rede fechada de produções moleculares e o domínio no qual a existência se dá como totalidades em interações recursivas.

77 EDELMAN, 1989: 110-118 78 PIAGET, 2007

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