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Imports of salmon from the United States and Canada

Article 9.4 of the Anti-Dumping Agreement

B. Imports of salmon from the United States and Canada

Grotowski e Richards referem-se à possibilidade de uma interação entre o performer e a(s) testemunha(s) (assistência), na qual a testemunha, no momento em que o performer atinge determinada qualidade (vibratória no caso dos cantos), poderia desenvolver em si processos parecidos (no extremo, idênticos) com os que estão ocorrendo no performer. Isto se daria, por “indução”, em um processo que seria similar à indução elétrica, quando um fio por onde passa uma corrente elétrica é colocado (em contato) próximo fisicamente a um outro sem nenhuma carga, este é induzido pela carga do primeiro e por ele também passa a fluir uma carga. Outro exemplo, também usado, é o da ressonância sonora. Um som de uma determinada altura, quando emitido é capaz de fazer vibrar um outro objeto, que, sensível a esta vibração, passa do estado de repouso ao de vibração (movimento). Isto ocorre se tal objeto está afinado, e aí reside sua sensibilidade, na mesma frequência ou em qualquer outra que seja harmônica ao do som emitido, ou seja, que corresponda à série harmônica da qual a primeira faz parte.

Em ambos os casos os objetos a serem excitados estão em repouso. Ainda que seja uma bonita imagem para um processo que efetivamente pode ocorrer, não corresponde ao tipo de interação que ocorre entre performer e testemunha. A testemunha não é um objeto em repouso. Poderíamos considerá-los, performer e testemunha, como unidades autopoiéticas56 em interação, onde uma seria mais ativa e

elevador rústico a ação do ator de ir ao encontro de energias mais finas e sutis e trazer algo delas de volta ao corpo instintual (GROTOWSKI, 2007: 234).

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outra mais passiva. Elas têm, digamos assim, polaridades diferentes. Do ponto de vista da física e da matemática poderíamos considerá-los, performer e testemunha, como dois (ou mais) sistemas complexos em interação, como osciladores complexos57.

Dois osciladores independentes, ou seja, cada um tem um ciclo de frequência próprio (e não estando em contato continuam oscilando cada qual em sua frequência), quando colocados em contato, tendem a entrar em acoplamento. O fenômeno foi identificado por primeira vez pelo físico holandês Christian Huygens em 1665, que era construtor de relógios de pêndulo, sua invenção. Ele observou que dois relógios colocados em um suporte comum entravam em um tipo de sincronia. Desde então muitos outros fenômenos similares foram observados, mas só recentemente pesquisadores se debruçaram efetivamente sobre a questão, conduzindo pesquisas relevantes sobre o fenômeno, também conhecido como entrainment. Uma síntese das pesquisas conduzidas aparece no artigo de Clayton, Sager e Will, In Time With The Music58. Entrainment é um fenômeno que ocorre todo o tempo entre os seres vivos, mas não só. Ocorre entre todos os tipos de osciladores que encontramos na natureza. O referido estudo tem foco especial nos seres humanos e nas interações musicais, especialmente vistas como sociais, e da sua aplicação em etnomusicologia.

Há o ritmo circadiano. São aqueles grandes ciclos rítmicos que a natureza impõe aos organismos, como a alternância entre dias e noites, marés, estações etc. Neste caso um ritmo, que é determinado pelo movimento dos astros no céu, impõe-se aos seres vivos e revela a capacidade destes de adaptarem-se a tais condições. Estes ritmos controlam (entrain) alguns ciclos fisiológicos como a variação diária de temperatura, assim como o sistema endócrino. Há, por outro lado, o ritmo ultracardiano. São ciclos rítmicos menores de vinte e quatro horas, que podem ter a duração de milissegundos até algumas horas, como o sono REM59, por exemplo.

57 Entrainment de ritmos biológicos é uma matéria complexa. Como visto, com o objetivo de moldar o

comportamento destes sistemas matematicamente, nós precisaremos considerar o acoplamento de osciladores cuja interação é não linear e potencialmente caótica. (CLATON, SAGER, WILL, 2004: 5)

58 CLAYTON, SAGER, WILL, 2004.

59 Rapid eye movement. There are, of course, numerous examples of ultradian biological rhythms, so it is

not possible here to do more than cite a couple of examples and draw out some features of ultradian rhythm research that are of interest to ethnomusicologists. One of the important findings of chronobiology was the discovery of cycles of rapid eye movement (REM) in sleep, with a period in the order of 90 minutes. Slightly more controversial is the hypothesis that this 90-minute cycle continues throughout the day – in wakefulness as well as in sleep - a pattern known as the Basic Rest-Activity Cycle. (CLAYTON, SAGER E WILL, 2004: 7).

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Entrainment pode ocorrer entre indivíduos, de formas muito variadas, como entre músicos que interagem, entre performers a testemunhas (audiência), mas pode ocorrer do indivíduo consigo mesmo (self-entrainment), ou seja, “o caso em que dois ou mais sistemas oscilatórios do corpo, como respiração e padrões de ritmo cardíaco, tornam-se sincronizados60”. Este fenômeno foi observado na relação entre as ondas cerebrais medidas em EEGs (eletroencephalograms), na possibilidade de acoplamento entre as diversas bandas de frequência como a delta, a theta, a beta e a alfa. Nestes casos foi observada uma gama variada de estados alterados de consciência61.

No entrainment, os osciladores apesar de estarem acoplados, mantêm sua individualidade como tal. A sincronia não é total e nem automática. Alguns fatores são determinantes na possibilidade de entrainment.

Primeiro, nem todos os osciladores serão acoplados (arrastados): geralmente observa-se que, por exemplo, os períodos dos osciladores autônomos precisam estar bastante próximos para que o acoplamento (arrastamento) possa ocorrer.

Segundo, osciladores podem acoplar (entrain ) de forma mais ou menos forte e mais ou menos rápida (ritmos transitórios ocorrem durante o processo). [...] Terceiro, podemos distinguir dois aspectos que não precisam necessariamente ocorrer simultaneamente. Um é a frequência ou tempo do entrainment, [...] O outro é o acoplamento de fase, [...].

Quarto, O fenômeno de entrainment pode ficar ainda mais complexo pelo fato de que os osciladores podem acoplar-se em estados outros do que o de exata sincronia62.

A grande maioria de trabalhos desenvolvidos sobre entrainment em música diz respeito ao aspecto rítmico. Temos uma capacidade única, apenas observada na espécie humana, de sincronizar (entrain) com um pulso externo. Os animais exibem diversas formas de acoplamento (entrainment) rítmico, mas este tipo, a sincronia com um pulso externo, é unicamente observada na espécie humana. Esta talvez seja uma das

60 Ibiden: 7.

61 CLAYTON, SAGER, WILL, 2004: 9. 62 Ibidem.

First, not all oscillators will entrain: it is generally observed that, for instance, the periodicities of autonomous oscillators need to be fairly close to each other for Entrainment to happen

Second, oscillators may entrain more or less strongly and more or less quickly (partiallyentrained or transient rhythms are exhibited during the Entrainment process). […]

Third, we can distinguish two aspects of Entrainment that need not necessarily co-occur. One is frequency or tempo Entrainment, […] The other is phase Entrainment, or phase-locking. […]

Fourth, the phenomenon of Entrainment is further complicated by the fact that oscillators may entrain in states other than exact synchrony.

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habilidades fundamentais para a sociabilidade na espécie humana, uma vez que a grande maioria, senão todas as atividades humanas envolvem ritmo (categorização de tempo e espaço).

Voltando à questão da indução em Grotowski e Richards, encontro que é bastante pertinente pensar como uma espécie de entrainment, pela complexidade do fenômeno. Não se trata de ritmo, no sentido de um pulso externo como entre músicos ou dançarinos, que já seria suficiente para caracterizar o fenômeno. Deve haver essa sincronia que do corpo, mas parece haver também, uma sincronia mais profunda envolvendo, para usar palavras de Grotowski, o coração e a cabeça. Os osciladores envolvidos são centros de energia ligados à potência física (corpo), ao pensar (cabeça) e ao emocionar (coração). Richards faz também uma descrição instigante de “inner action” (ação interior) em Heart of Practice63. Trata-se de uma transformação

energética que envolve a cabeça, o coração e a vitalidade em um processo de interação entre estas partes. Estes centros energéticos têm qualidades específicas e sua interação pode ser compreendida como se eles fossem osciladores em entrainment.

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