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Segundo ELLIS (2000), procedimentos laboratoriais oferecem estimativas muito precisas sobre os componentes de gordura e de outros constituintes relacionados à massa isenta de gordura; portanto, se tornam a primeira opção para a análise da composição corporal. Entretanto, em razão do alto custo de seus equipamentos, da sofisticação metodológica e das dificuldades em envolver os sujeitos nos protocolos de medida, sua utilização em levantamentos epidemiológicos ou na prática clínica tem sido limitada, (BRODIE, 1988; PETERSON et al., 2003).

Uma das técnicas mais utilizadas por vários investigadores é a avaliação da gordura corporal através da medição das pregas cutâneas (ABOUL-SEOUD et al., 2001). As informações obtidas através da espessura das pregas cutâneas estão alicerçadas na observação que a maior proporção de gordura corporal está localizada no tecido subcutâneo, dessa forma, as dimensões de sua espessura são utilizadas como um indicador da quantidade de gordura localizada em determinada região do corpo. Como a disposição da gordura localizada no tecido subcutâneo não é uniforme por toda a superfície corporal, as medidas de espessura das pregas cutâneas devem ser realizadas em várias regiões a fim de obter uma visão mais clara sobre sua disposição (GUEDES, 2006).

O método de pregas cutâneas vem sendo utilizada para avaliação do tecido adiposo subcutâneo em vários estudos populacionais, principalmente para identificar excesso de gordura corporal (HEYMARD et al., 2000, ZAMBON et al., 2003).

Segundo GUEDES (2006), a grande vantagem da utilização das medidas de espessura das pregas cutâneas reside no fato de que, além de se obterem informações com relação às estimativas da quantidade de gordura corporal, torna-se possível conhecer o padrão de distribuição do tecido adiposo subcutâneo pelas diferentes regiões anatômicas. A exatidão e precisão da técnica dependem do tipo de compasso utilizado, da familiarização dos avaliadores com as técnicas de medida e da perfeita identificação do ponto anatômico a ser medido.

Os instrumentos normalmente utilizados por muitos investigadores são o compasso

Harpenden (Holtain, Bryberian, Crymmych, Pembrokeshire) ou o compasso Lange (Cambridge Scientific Industries, Cambridge, MD), pois ambos não apresentaram diferenças

significativas nos resultados obtidos entre as duas pinças, ou seja, exercem pressão constante (~10g/mm2) durante todo o alcance de sua escala de medida (HEYMARD et al., 2000,

ABOUL-SEOUD et al., 2001).

Em relação às estratégias de interpretação, as medidas de espessura das pregas cutâneas podem ser analisadas de duas formas. Uma delas é o seu envolvimento em equações de regressão, com intenção de predizer valores associados à densidade corporal e, posteriormente, aos de gordura em relação ao peso corporal. A segunda maneira é considerar as medidas de espessura das pregas cutâneas de diferentes regiões anatômicas separadamente, procurando oferecer informações sobre a distribuição relativa da gordura subcutânea de região para região do corpo (GUEDES, 2006). Para estes fins, existem equações validadas para estimar a composição corporal através das medições das pregas cutâneas em crianças, a partir dos 3 meses, mas não existem para recém-nascidos, não devendo as anteriores ser usadas nesta população (REILLY, 1998; SCHMELZLE et al., 2002).

De acordo com SANT’ANNA et al. (2009a), as equações mais utilizadas para cálculo do percentual de gordura corporal por meio das pregas cutâneas são as propostas por DEURENBERG et al. (1990) em que são considerados no cálculo sexo, etnia, idade e estágio de maturação sexual (prépúbere ou pós-púbere) e a equação proposta por SLAUGHTER et al. (1988) na qual são considerados gênero e etnia.

EISENMAN et al. (2004), avaliaram 75 crianças de 3 a 8 anos, sendo 84% brancas e 16% hispânicas, estudando as interrelações entre as variáveis de composição corporal por método antropométrico simples (IMC e pregas cutânea) com BIA e DXA. Neste estudo os autores utilizaram a equação proposta por SLAUGHTER et al. (1988) para avaliação da percentual de gordura corporal, sendo utilizadas a pregas cutâneas tricipital e panturrilha. Quando avaliadas as correlações entre as estimativas do percentual de gordura corporal por pregas cutâneas e DXA, os valores de correlação encontrados foram altos (r= 0,87 a 0,96, p<0,05). Em contrapartida, as estimativas gordura corporal preditos por BIA mostraram baixas correlações com percentual de gordura por pregas cutâneas e DEXA (r=0,30 e 0,38), respectivamente.

PECORARO et al.(2003), encontraram alta correlação (r=0,79) entre a medida da prega cutânea do tríceps braquial e a massa gorda em quilos por BIA, para um grupo de 228 crianças com idade 6 anos. Apesar do alto valor de correlação encontrado nesse estudo, os autores correlacionaram somente às medidas das pregas cutâneas em milímetros e a massa gorda em quilogramas por BIA. Sendo assim, não foram utilizadas equações para estimativa da gordura corporal, além disso, os autores não relataram o uso de um protocolo específico pré-coleta de dados da BIA. Desta forma, os resultados obtidos neste estudo devem ser avaliados cautelosamente.

Em estudo conduzido por ROSA et al. (2001), foram encontradas altas correlações entre o percentual de massa gorda através das equações propostas por LOHMAN (1984) e SLAUGHTER et al. (1988). Para um grupo de 567 meninos o valor de correlação encontrado foi (r=0,94) e para 762 meninas o valor de correlação foi (r=0,90).

GIUGLIANO et al. (2004), avaliaram 528 escolares de ambos sexos com idades entre 6 e 10 anos na cidade de Brasília-DF e observaram correlações significativas (p<0.02) entre IMC e a estimativa do percentual gordura corporal através da equação proposta por SLAUGHTER

et al. (1998b). Nesse estudo, maiores valores de correlação foram encontrados para meninos

(r= 0,84) quando comparado com meninas (r=0,77).

DANIELS et al. (2000), avaliaram 201 crianças e adolescentes entre 7 e 17 anos e compararam a distribuição da gordura corporal por DXA e pelas pregas cutâneas tricipital, subescapular e suprailiaca, tendo encontrado correlações de (r=0,68, r=0,80 e r=0,77), respectivamente. Em ambos os sexos, a prega subescapular foi a que apresentou a maior correlação com a distribuição da gordura corporal por DXA.

Devido à grande utilização do método de pregas cutâneas em estudos populacionais, vale ressaltar que alguns cuidados devem ser tomados a fim de aprimorar a qualidade das medidas de pregas cutâneas. A realização de uma série de três medidas no mesmo local, tomadas de forma alternada em relação às demais, é um procedimento interessante para minimizar os erros de medida. Na eventualidade de ocorrerem discrepâncias superiores a 5% entre uma das medidas e as demais no mesmo local, nova série de três medidas deverá ser realizada. Além disso, não se aconselha realizar as medidas de espessura das pregas cutâneas imediatamente após a realização de exercícios físicos, pois nestes casos, o deslocamento de fluidos corporais em direção à pele, tendem a aumentar as espessuras das dobras cutâneas (GUEDES, 2006).