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2. LESEGUIDE

2.2. Min reise inn i geriatrien

O perfil do professor e da turma observada

João é professor do Curso Técnico em Metalurgia, nas modalidades Integrada e Subsequente, e no momento das observações, era o coordenador do curso. Ministra as disciplinas Metalurgia Geral e Ensaios de Materiais. É ex-aluno do curso de Metalurgia na

Instituição, quando essa ainda se chamava ETFOP. Tem 46 anos de idade e é formado em Engenharia Metalúrgica, com Mestrado e Doutorado concluídos nessa área.

O professor indicou para que fossem feitas as observações uma turma de 1ª série do curso integrado, na disciplina Metalurgia geral. A turma é composta por 30 alunos (as), todos adolescentes, com idade entre 14 e 16 anos. São alunos que estudam em horário integral, realizando o curso técnico integrado ao ensino médio. As aulas da disciplina são organizadas em dois horários seguidos de cinquenta minutos, de 13:00 às 14:40, ministradas uma vez por semana.

A dinâmica das aulas

Quando o professor chega ao Pavilhão Central, local de realização das aulas, os alunos já se encontram no corredor aguardando-o. Entram para a sala, o professor faz a chamada e inicia a aula. Por esse horário ser logo após o almoço, que geralmente acontece no restaurante da própria escola, não é comum os alunos se atrasarem, isso aconteceu poucas vezes durante o período da observação. Essa é a primeira disciplina técnica do curso de Metalurgia, portanto introdutória, e de acordo com o professor, os alunos têm pouca maturidade para o seu estudo. Foi possível observar no decorrer das aulas, em várias ocasiões, o esforço do professor para manter os alunos atentos às explicações, pois era perceptível o desinteresse de grande parte deles pela disciplina. A maioria das aulas foi organizada a partir da exposição dos conteúdos pelo professor. A seguir são apresentados os relatos da prática docente do Professor João.

Aulas 1 e 2

O professor fez a chamada e iniciou relembrando a aula anterior, cujo tema foi alto forno. Mostrou o material concreto utilizado no alto forno que havia trazido para os alunos verem: ferro gusa, sinter e carvão. Sempre fazendo perguntas para os alunos, explicou o funcionamento do alto forno, mostrando um vídeo de animação. Relacionou com o funcionamento do alto forno em empresas. Mostrou de forma detalhada cada componente e explicou dizendo que este sistema é o da Empresa X e que não são todas as empresas que são organizadas dessa forma. Os alunos perguntaram sobre algum outro aspecto da animação e o professor explicou detalhadamente cada etapa do processo: (1) sistema de funcionamento do alto forno; (2) sistema de carregamento do alto forno. Relembrou um conteúdo da aula anterior, questionando os alunos sobre o porquê de não se poder ter tamanhos diferentes das partículas de minério no alto forno. Lembrou os exemplos dados na aula anterior e concluiu com os alunos que para evitar que isso aconteça, existe o sistema de carregamento para peneirar o material e tirar só as partículas finas, para garantir o tamanho da carga e permitir a passagem de gás entre a carga. Perguntou aos alunos o nome desse processo e eles participaram. Até conseguir a resposta correta, o professor aguardou questionando. Relembrou o desenho da aula passada, desenhou de novo no quadro, explicando detalhadamente enquanto desenhava. Pediu os alunos para ficarem atentos e depois anotarem. Passou novamente os vídeos para explicar, sempre chamando a atenção para os processos

que estavam ocorrendo. Explicou e mostrou como ocorriam as medidas computadorizadas e informou que todo o processo é feito em um sistema hermeticamente fechado para não ter saída nem entrada de ar para evitar explosão. Mostrou outro vídeo de animação, com a relação do alto forno com os demais componentes do processo. O vídeo apresentava o áudio explicando todo o funcionamento do alto forno, retomando o que foi explicado pelo professor. Após passar duas vezes o vídeo, ele foi fazendo pausas no vídeo para explicar novamente o processo passo a passo. Os alunos ficaram bem atentos e fizeram perguntas. Após a exibição desse vídeo, o professor passou imagens reais de alto forno funcionando em uma empresa e os alunos perguntam sobre o alto forno das empresas da região. Ao mostrar a situação real nas empresas por meio do vídeo, o professor disse aos

alunos em tom de brincadeira: “o futuro de vocês está aí”. Mais a frente o professor disse: “agora vou mostrar um local que vocês vão gostar de trabalhar”: a imagem

mostrava uma sala de controle de operações por meio de computadores. Alguns alunos fizeram comentários demonstrando gostar dessa parte, mas não do trabalho no pátio da empresa. Uma aluna perguntou se só tem homens trabalhando lá e se o técnico trabalha também lá fora, no campo. Outro aluno perguntou se faz mal trabalhar perto do alto forno. O professor foi explicando pacientemente, falando sobre o trabalho do técnico em metalurgia. Deu vários exemplos de situações de trabalho em empresas. Ao dar as explicações durante o vídeo, o professor fez relações com outras disciplinas, como, por exemplo, a siderurgia, mostrando aos alunos que durante o curso eles terão outras disciplinas nas quais aprofundarão os conhecimentos adquiridos nessa. Ao final da aula o professor informou que iria disponibilizar os vídeos no sistema acadêmico para os alunos poderem rever em casa. Fez a chamada e encerrou a aula.

(Diário de Campo, 25/07/2011)

Aulas 3 e 4

A aula teve início com a chamada feita pelo professor. Em seguida ele disse que iria entregar a prova e fazer a última revisão no assunto de alto forno. Entregou a prova aos alunos e foi discutindo cada questão, comentando a resposta correta. Explicou algumas questões por meio de desenhos no quadro. O professor comentou que deu uma prova substitutiva e mesmo assim o resultado não foi dos melhores. Informou que a recuperação seria no final do semestre. Disse que iria iniciar o capítulo 8 da

apostila da disciplina, cujo tema era “Processos de conformação mecânica” e

informou que quem não tinha a apostila deveria copiar no caderno. Explicou aos alunos que ao longo do curso, no 3º ano, eles teriam uma disciplina com esse nome, e que no primeiro ano era dada só uma introdução, sem muito detalhe. Foi explicando e escrevendo no quadro, pediu para anotarem no caderno, foi fazendo perguntas aos alunos para se chegar ao conceito de conformação. Apenas uma aluna respondeu e o professor explicou o sentido dessa palavra dentro da metalurgia. Deu vários exemplos após escrever o conceito no quadro. Deformação plástica. Exemplo: massa de modelar, massa de pastel, etc. Trazendo esses exemplos para a metalurgia, explicou que os metais também se deformam.

“Na disciplina ensaios mecânicos vocês vão aprender isso mais a fundo: deformação elástica (mola, elástico) e deformação plástica (massa de modelar)”. Enfatizou que

era preciso saber os conceitos: deformação plástica é permanente; deformação elástica não é permanente. O professor reclamou que poucos alunos estavam prestando atenção à matéria. Prosseguindo, deu cinco exemplos de processos de conformação mecânica, escrevendo no quadro. Informou que iria trazer os vídeos desses processos para mostrar de forma concreta como eles ocorrem. Explicou para que serve cada tipo de processo de conformação e quais os produtos poderiam ser feitos por meio desses processos. Antes de dar detalhes dos processos informou os alunos sobre a necessidade de saber o que era conformação ou trabalho a quente e conformação ou trabalho a frio. Colocou os conceitos no quadro e explicou. Durante a aula, o professor fez várias referências às outras disciplinas que os alunos irão estudar mais adiante durante o curso. Exemplo: metalografia, ensaios mecânicos, siderurgia, etc. Para explicar melhor os conceitos, o professor foi desenhando no quadro, usando giz colorido para destacar determinada parte do material. Continuou a explicação levantando questões para os alunos: “quando o

material é deformado, o que acontece com essas estruturas internas?” Ilustrou o processo de laminação, desenhando no quadro um material passando entre dois cilindros. Explicou através do desenho o conceito de conformação a quente. Escreveu o conceito de conformação a frio e usou o mesmo desenho, fazendo as mudanças necessárias para mostrar no desenho esse processo. Continuou

questionando: “As características do material permanecem as mesmas? Dá para

entender que, em termos de características, o material ao final da conformação é

diferente”? Ao observar as reações dos alunos, o professor falou: “Eu olho pra vocês

e não consigo ver se estão entendendo ou não, não consigo ver interesse e isso me

deixa desanimado”. Explicou novamente, detalhadamente, as diferenças entre os

processos de conformação. Informou que na próxima aula traria um vídeo explicativo sobre esses processos. Usando termos técnicos da metalurgia, ele explicou o significado, relacionando com a deformação a frio. As perguntas eram constantes para incentivar a participação dos alunos. Informou aos alunos que nas próximas aulas eles iriam estudar ainda as vantagens e desvantagens de cada processo. Fez a chamada novamente e encerrou a aula.

(Diário de Campo, 05/12/2011)

Aulas 5 e 6

O professor fez a chamada. Perguntou aos alunos o que estudaram na aula passada e ao ouvir as respostas foi revendo o conceito de Conformação Mecânica. Perguntou o que é deformação plástica. A partir das respostas dos alunos foi relembrando as definições, explicando novamente e dando mais exemplos. Passou em seguida a explicar esses tipos de deformação nos metais, fazendo referências a outras disciplinas a serem estudadas. Para explicar os processos de deformação dos metais, o professor relacionava os termos técnicos da metalurgia, como, por exemplo, ductilidade e maleabilidade, à mesma palavra em outras situações. Fez um desenho no quadro para explicar o processo de deformação a quente e outro para deformação a frio, mostrando a recuperação ou não da estrutura interna do metal. Usou giz colorido para explicar, realçando as mudanças. Em seguida questionou os alunos sobre as características ou propriedades mecânicas dos metais: resistência, dureza, ductilidade. Informou que ao longo do curso esses termos serão mais usados. Deteve-se no termo “ductilidade”, que seria o mais usado nessa disciplina, explicando que os demais seriam estudados no 2º ano. Perguntou aos alunos se estavam entendendo os conceitos de resistência e ductilidade e mostrou a relação entre eles. Informou que é importante conhecer esses conceitos, alertando que eles eram matéria de prova. Uma aluna pediu ao professor para explicar mais uma vez. Ele reiniciou a explicação pacientemente, de forma detalhada, fazendo perguntas aos alunos. Disse que daria meio ponto para quem respondesse a algumas questões feitas durante a aula. Deu alguns exemplos de conformação mecânica, usando o tablado da sala de aula para exemplificar o tamanho das chapas de aço. Perguntou se já haviam visto caminhões carregados de bobinas de aço passando na estrada, para explicar que tais placas que formavam as bobinas já haviam passado por vários processos de conformação para serem usadas na fabricação de automóveis. Referindo-se às chapas de aço que vão para a indústria automobilística, explicou que no início do processo de conformação ocorre a deformação a quente e posteriormente a deformação a frio, para que o material fique mais resistente. Voltou aos desenhos no quadro para sintetizar o assunto. O professor informou que na aula seguinte traria vídeos para exemplificar o que estava sendo explicado, perguntando aos alunos o nome do processo utilizado. Fez mais perguntas para retomar o assunto. Pediu para pegar a apostila, informando que ele tinha resumido quatro páginas em 2 desenhos no quadro para que eles entendessem melhor. Exemplificou: “vejam na página 50,

onde fala do encruamento do metal. O que é encruamento? Está no quadro”. Fez

perguntas finais para verificarem posteriormente na apostila:“quais as vantagens do trabalho a quente? Quais as desvantagens do trabalho a quente?Espero que vocês saibam mostrar as diferenças entre o trabalho a quente e o que é trabalho a frio, as

vantagens e desvantagens”. Pediu aos alunos para se separarem em 5 grupos de 6

pessoas porque ele iria sortear os temas para que eles fizessem trabalhos sobre processos de conformação. Pediu para os alunos prepararem o trabalho e explicou

que na 2ª semana de aula após o recesso de Natal iriam começar as apresentações em sala de aula. Explicou o cronograma de apresentação de trabalhos e deu as explicações detalhadas sobre a avaliação do trabalho na parte escrita e na apresentação oral. Fez a chamada e encerrou a aula.

(Diário de Campo, 12/12/2011)

Aulas 7 e 8

O professor escreveu no quadro um cronograma de avaliação para o 4º bimestre: trabalhos: 15 pontos; Prova: 15 pontos. Definiu o tema do trabalho – processos de conformação mecânica – cada grupo ficou responsável por um dos processos. Fez a chamada e pediu aos alunos que formassem os grupos e entregassem os nomes para sortear os temas. Após o sorteio, o professor marcou a data de apresentação de cada grupo e explicou detalhadamente como deveria ser feito e como seria avaliado o trabalho. Falou também sobre a prova bimestral. Em seguida, iniciou a exibição de um vídeo sobre o processo de laminação, de uma empresa pertencente a um grupo que comprou várias siderúrgicas. Foi parando o vídeo para as explicações necessárias e relacionando com outra disciplina que estudarão mais adiante no curso. À medida que explicava, o professor ia ao quadro e fazia desenhos e anotações para complementar o vídeo, retomava os conceitos anteriormente estudados, questionando sempre os alunos antes de explicar. A partir da pergunta de uma aluna sobre a utilidade das placas de aço, o professor retomou vários conceitos das aulas anteriores, aproveitando para revê-los com os alunos antes de chegar à resposta para a aluna sobre a utilidade das placas: fabricação de eletrodomésticos, como fogão, geladeira, máquina de lavar, etc. Mostrou como nas grandes empresas os processos são todos automatizados e controlados por técnicos nas salas de controle. Continuou a exibição do vídeo e as explicações até a conclusão do processo e o encaminhamento das bobinas de aço para o transporte, explicando que esse é feito por caminhão, navio ou trem. Em seguida passou o vídeo todo sem pausa (5minutos) para os alunos verem o processo como um todo. Encerrou a aula fazendo a chamada. (Diário de Campo, 19/12/2011)

4.2.3.1 A prática docente: as estratégias de didatização

Durante o período de observação, foi possível constatar que o professor utilizava seguintes estratégias de didatização: exemplificação, inclusive de situações práticas das empresas, ilustrações com desenhos, material concreto e exibição de vídeos curtos, questões e sequência na organização dos conteúdos.

Exemplificação e ilustrações

A estratégia de ensino utilizada pelo professor João foi a aula expositiva dialogada, na qual as suas explicações sobre os conteúdos foram constantes. Após apresentar o tema da aula, ele explicava fazendo anotações e ilustrava com desenhos no quadro, levantando questões para que os alunos participassem da aula. Ao descrever termos técnicos, o professor tinha o cuidado de mostrar o significado do termo na área da metalurgia, relacionando com o seu uso em outras situações, para que os alunos pudessem compreender. Observou-se que o professor utilizou repetições constantes de explicações, sempre retomando

o que havia sido estudado, considerando a característica da disciplina (bem teórica, segundo o professor), o perfil dos alunos (adolescentes) e o primeiro contato dos mesmos com a disciplina técnica.

As ilustrações através de desenhos no quadro eram uma das estratégias de João para despertar o interesse dos alunos para a disciplina e para o curso técnico em Metalurgia. Para exemplificar ele se referia a objetos comuns como massa de modelar, elástico, mola, cilindro de fazer massa de pastel, para se referir a processos que integram o setor de metalurgia. Utilizou o tablado da sala de aula para demonstrar a dimensão das chapas de aço obtidas mediante os processos explicados. Essa analogia para aproximação com objetos ou situações da vivência dos alunos era uma das formas de tornar um conteúdo complexo mais simples para possibilitar a compreensão pelos alunos.

Os vídeos eram outra ferramenta bastante usada pelo professor para ilustrar as aulas, visto que despertavam a atenção e o interesse dos alunos, principalmente por mostrarem o funcionamento dos processos nas empresas e a operação dos equipamentos. A forma como o professor utilizava essa estratégia, parando o vídeo para dar explicações complementares, passando mais vezes para que os alunos pudessem rever os processos, também foi importante para possibilitar a compreensão. Entretanto, ao mostrar situações reais de trabalho de técnicos de metalurgia nas empresas, os comentários dos alunos revelavam ser esse um ambiente muito distante de sua realidade, visto que ainda estavam no início do curso e não tinham ideia do que era esse trabalho. O professor assim expressa a importância atribuída ao vídeo no processo de ensino dessa disciplina:

O efeito visual chama mais atenção, porque ele vê aquilo ali acontecendo no vídeo. Se fosse possível levar os alunos na indústria mesmo, sentindo ali seria melhor ainda, mas como não tem condições, principalmente no primeiro ano116, o vídeo já mostra, já ilustra bem.

Outra forma de ampliar o interesse dos alunos pelas aulas era o estabelecimento de relação do conteúdo da sua disciplina com as demais disciplinas da matriz curricular do curso que ainda seriam estudadas pelos alunos. A menção às disciplinas da segunda e terceira séries do curso mostrava aos alunos o caráter introdutório da disciplina metalurgia geral e ao mesmo tempo buscava despertar o interesse pelo curso. A relação teoria e prática também foi uma forma de ilustrar os conteúdos trabalhados durante as aulas, através de exemplos e dos vídeos apresentados. Pelo fato da disciplina ser bastante teórica, conforme explicou João, ele buscava estabelecer relações com a prática sempre que possível.

Os próprios vídeos que a gente usa mostram na prática o que está acontecendo. É possível trazer os alunos aqui nos laboratórios, os poucos que funcionam ainda, pra que eles tenham alguma noção. Dá pra fazer uma ligação com outras disciplinas, mostrando pra eles que vão rever aquilo lá na frente de forma mais aprofundada.

As visitas técnicas, segundo o professor, são importantes, mas para os alunos de primeira série podem não ser tão relevantes assim. No seu entendimento, é necessário que os alunos tenham uma base mais sólida de conhecimento técnico para aproveitar os conhecimentos advindos desse tipo de atividade, além da maturidade para se comportar no ambiente de uma empresa:

Melhor deixar pra mais pra frente, eles vão estar mais maduros, vão ter mais conhecimentos para aproveitar mais da visita, ou seja, vão chegar à empresa e vão entender melhor o que vai estar se passando, já terão conhecimento, uma base para observar lá. Os alunos [na primeira série] estão sem maturidade para entrar na área de uma indústria, que requer segurança, que requer uma certa maturidade mesmo, porque tem que saber como se portar lá dentro.

Um aspecto que se destacou na prática do professor João foi o seu esforço em buscar formas de despertar o interesse dos alunos e motivá-los para a aprendizagem da disciplina. De acordo com o professor, mesmo utilizando exemplos, ilustrações, explicando detalhadamente, relacionando termos técnicos com palavras ou situações do cotidiano, questionando os alunos para que participassem, perguntando se tinham dúvidas, o trabalho não tem sido fácil. Durante o período das observações, o professor relatou diversas vezes a falta de maturidade dos alunos da primeira série para o curso técnico. Segundo ele, o interesse maior pelo ensino médio se revela no reduzido número de alunos que ao terminar o curso integrado continua seus estudos no curso superior na mesma área do curso técnico e no número mais reduzido ainda dos alunos do curso integrado que vão para o mercado de trabalho117. Esse é um dos fatores que, segundo o professor João, dificulta o trabalho com eles.

Em sua entrevista o professor reforçou que os processos explicados no decorrer das aulas eram bem complexos e os alunos tinham pouca maturidade para entendê-los. O fato de ser uma disciplina nova e teórica apresentava dificuldades para os alunos. A aula expositiva não atraía muito a atenção dos alunos, uns ficavam sempre calados, outros conversavam em alguns momentos e o professor chamava a atenção. Quando o professor usava os desenhos ou vídeos em suas explicações os alunos ficavam um pouco mais atentos. Esse é um dos aspectos que preocupava o professor:

117 As percepções dos professores sobre a inserção dos alunos, principalmente os do curso integrado, no mercado

de trabalho, são fruto de sua experiência e vivência na instituição, pois conforme dito anteriormente, a escola não