As alterações do pólo relacionado à expressão da linguagem , ainda hoje, estão vinculadas a Broca e à afasia que leva o seu nome. Devem os nos lem brar que a descoberta de Broca é produto de um a efervescência cultural sobre a teoria das localizações cerebrais preconizadas, em prim eiro lugar, por Gall que, no início do século XIX, criou a frenologia, e que tentou, pela palpação dos crânios, localizar as eventuais protusões que refletiriam o desenvolvi m ento das faculdades mentais, que ele localizou no cérebro. Entre as 27 fa culdades mentais isoladas por Gall (em particular o sentido dos números e da m atem ática, o sentido da mecânica, da prudência, da am izade...) o “sentido da linguagem e da palavra” foi localizado nos lobos anteriores do cérebro. Houve, então, um a grande briga entre os localizacionistas e os antilocali- zacionistas: Bouillaud, seduzido pela teoria de Gall, afirmou, no prim eiro
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quarto do século XIX, que “os m ovim entos da palavra são regidos por um centro cerebral especial... (que) ocupa os lóbulos anteriores” , seja no nível da substância branca ou no nível da substância cinzenta. Dax, m édico em Som m ières, no departam ento do Gard, fez, em 1836, um a com unicação intitu lad aL eíão da metade esquerda do encéfalo coincidente com o esqueci
mento dos sinais do pensamento. Mas, foi Broca, cirurgião e antropólogo,
que, em 1861, fez á necropsia de um doente cham ado Leborgne, acom etido de hem iplegia direita com um a “afem ia” que o prendia a um a estereotipia verbal (ele só podia dizer “Tan Por esse fato, ele pôde estabelecer, numa série de com unicações sucessivas (até 1868), que a perda da palavra estava ligada à lesão do terceiro giro frontal e, mais precisam ente, do seu terço posterior (pé de F3), considerado, assim, com o a sede da faculdade da lin guagem articulada. Ele acabou por adm itir a especificidade da lateralização da lesão no hem isfério esquerdo.
Hoje em dia, podem os afirm ar a existência de um pólo anterior relacionado à expressão da linguagem , que inclui a parte opercular (terço posterior ou pé) e tam bém a parte triangular que, juntas form am o opérculo frontal (áreas 44 e 45) do terceiro giro frontal (ou giro frontal inferior) que, vinculado à ínsula e aos núcleos cinzas centrais, perm ite a realização dos program as fonéticos
I lç). 2.3 . “ Á r e a s ” d a lin g u a g e m .
O g iro fro n ta l in fe rio r (F 3) c o m p o rta trê s p a rte s q u e sã o , d a fre n te p a ra trás, a c a b e ç a (ou p a rte o rb ita l - T ), o c o m p le m e n to (ou p a rte tria n g u la r C), o p é (ou p a rte p e rc u la r - P). O pé (á re a 44 ) e o c o m p le m e n to (á re a 45 ) c o n s titu e m a á re a de B roca . À á re a de W e rn ic k e , no s e n tid o re s trito do te rm o , e s tá s itu a d a na p a rte p o s te rio r d e T1 ou g iro te m p o ra l s u p e ri or, no n ív e l d a á re a 22. A á re a de W e rn ic k e ta m b é m p o d e d e s ig n a r a n s s o c ia ç ã o d a p a rte p o s te rio r d e T1 c o m o g iro a n g u la r (á re a 39 ).
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cuja im plem entação necessitava, para Pierre M arie, da integridade de um a vasto “quadrilátero” (Fig. 2.4), O lobo pré-frontal garante a incitação e a estratégia da com unicação verbal, assim como a adequação dessa com unica ção ao contexto am biental. O program a motor, um a vez elaborado, será exe cutado a partir da parte baixa da frontal ascendente pelo feixe piram idal (ver
supra: disartrias). O pé de F2 (“centro” da escrita) seria para a linguagem
escrita, o que a área de Broca é para a linguagem falada.
O pó lo receptivo da linguagem
T reze anos depois de Broca, W ernicke isolou um a outra afasia, caracterizada pela incapacidade de com preender a linguagem falada, em bora a linguagem articulada se m antivesse e os doentes fossem até m esm o “loquazes” . Ele atri buiu esse distúrbio à lesão do centro sensorial da linguagem , no prim eiro giro tem poral esquerdo. A área de W ernicke designa, atualm ente, um a área associativa auditiva, situada na parte posterior da face externa de T l (giro tem poral superior), no nível da área 22, abaixo das áreas auditivas prim árias e secundárias (áreas 41 e 42: giro de Heschl). Essa área possibilita a com preen são da linguagem falada, cujas m ensagens, ouvidas em prim eiro lugar, devem ser analisadas no plano fonológico para perm itir, em seguida, que se extraia o
F ig . 2.4. O q u a d r ilá te r o d e P ie r re M a rie , lim ita d o n a fr e n te p o r u m p la n o v é rtic o -fro n ta l q u e v a i d e F 3 a o n ú c le o c a u d a d o , a trá s p o r u m p la n o v é rtic o - fr o n ta l q u e v a i d a p a r t e p o s te r io r d a ín s u la à p a r te p o s te r io r d o n ú c le o le n tifo r m e (s e g u n d o J. B a rb iz e t e Ph. D u iz a d o . A b r é g é d e N e u r o p s y - c h o lo g ie . M a s s o n , P aris, 1985).
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sentido, ou seja, um tratam ento semântico. O lóbulo parietal inferior (e, em particular, a parte inferior constituída pelo giro supram arginal - área 4 0 - e pelo giro an g u lar- área 39), que não pode ser separado da área de Werriicke, vincula do ao córtex auditivo associativo e, também, aos córtex visual e somestésico, tem um papel essencial na compreensão da linguagem falada, na codificação da linguagem escrita, bem como na sua com preensão (leitura), depois que as m en sagens são decodificadas como sinais gráficos no córtex visual associativo (áreas 18 e 19).
Os pólos posteriores (percepção) e anterior (expressão) da linguagem estão unidos por numerosas fibras associativas e, em particular, pelo feixe arqueado. Os núcleos cinzentos centrais, especialm ente o tálam o, tam bém influenciam nas redes associativas dos dois pólos da linguagem .
AS A F A S IA S ____________________________________
M o d a lid a d e s d e e x a m eO exam e de um paciente com distúrbios de linguagem deve sem pre levar em conta o fato de que as tarefas cognitivas são com plexas, que os desem penhos dos sujeitos podem variar a todo o m om ento e que os distúrbios afásicos podem ser agravados pela fadiga. No entanto, o exam e precisa ser metódico, a fim de explorar as diversas facetas da linguagem , adotando ou um procedi mento qualitativo ou um procedim ento estruturado pelas etapas de um a das baterias de exam e da afasia, com o o teste para exam e da afasia de B. Ducarne, as escala de G oodglass e Kaplan, a bateria de afasia de K ertesz (Western
Aphasiu-Rattery), o protocolo M ontreal-Toulouse de exam e lingüístico da
afasia. Essas baterias padronizadas dão os escores de afasia, propõem uma classificação num dos grandes tipos de afasia e podem servir de base para um acom panham ento da evolução.
O prim eiro contato com o doente já perm ite observar alguns traços dos dis túrbios: ele fala com facilidade ou com dificuldade? E quieto? C om preende o 1 que se diz?