T ra ç o s
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Terceira articulação (convenções fonéticas) F o n e m a s/
- Parafasias fonéti cas - Neologismos - Parafasias verbais - morfológicas/
• Parafasias semânticas - Neologismos ■ Assintaxia\
Segunda articulação (convenções fonológicas) M o n e m a s\
Primeira articulação (convenções m orfossintáticas) S inta gm asFig. 2.1. A lin g u a g e m e s u a s trê s a rtic u la ç õ e s (extraido de R. G i l . N e u ro lo g ie p o u r le p ra tic ie n . Simep, Paris, 1989).
“A linguagem é uma entidade multiarticulada e econômica.’’(Martinet) Algumas dezenas de fonemas permitem construir milhares de palavras e uma infinidade de frases.
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língua portuguesa, sem as variações), cuja com binação resulta nos m onem as (a palavra chapéu é constituída de 5 fonemas: ch; a; p; é; u).
A s unidades da terceira articulação, que cham am os de traços, são os m ovi
m entos elementares do aparelho bucofonador que perm ite, de acordo com as convenções fonéticas, a realização dos fonemas.
Podem os distinguir dois m odos de disposição das unidades lingüísticas (Fig. 2.2): o modo (ou eixo) da escolha (ou da seleção) e o modo (ou eixo) da com binação. O ato de falar necessita, então, em term os de segunda articula ção da linguagem (ou plano fonológico), de um a seleção e um a com binação dos fonem as que perm itam criar os monemas. E na prim eira articulação da linguagem (ou plano sem iológico) existe um a seleção e um a com binação de m onem as, que permite criar os sintagmas e as frases.
Eixo da seleção ou paradigmático
Fonema Eixo da combinação
ou sintagmático Segunda articulação (Martinet) Plano do significante ou plano fonológico (Sabouraud)
Eixo da seleção ou paradigmático
Monemas Eixo da combinação
ou sintagmático Primeira articulação (Martinet) Plano do significado ou plano semiológico (Sabouraud)
F ig . 2.2 . A d u p la a r tic u la ç ã o d a lin g u a g e m e o s d o is m o d o s d e d is p o s iç ã o (s e le ç ã o e c o m b in a ç ã o d a s u n id a d e s lin g ü ís tic a s ) .
O e n u n c ia d o de u m a p a la v ra ou d e u m a fra s e s u p õ e d o is m o d o s de d isp o siçã o " da s u n id a d e s lin g ü ís tic a s : a s e le ç ã o ou e s c o lh a de fo n e m a s (s e g u n d a a rtic u la ç ã o ) e de p a la v ra s (p rim e ira a rtic u la ç ã o ), a c o m b in a ç ã o ou e n c a d e a m e n to d o s fo n e m a s e da s p a la v ra s , re la c io n a d o s e n tre si (J a k o b s o n , 1963; S a b o u ra u d , 1995). A a fa s ia d e W e rn ic k e p o de , e n tã o , s e r c o n c e b id a c o m o um d é fic it da s e le ç ã o d o s fo n e m a s (p a ra fa s ia s fo n ê m ic a s e v e rb a is m o rfo ló g ic a s ) e d a s p a la v ra s (p a ra fa s ia s s e m â n ti c a s , a s s in ta x ia ). A a fa s ia d e c o n d u ç ã o c o rre s p o n d e a um p re ju íz o is o la d o d a s e le ç ã o no p la n o fo n o ló g ic o . A a fa s ia d e B ro c a c o rre s p o n d e a um d é fic it d a c o m b in a ç ã o d o s fo n e m a s (s im p lific a ç ã o d a s p a la v ra s a s s o c ia d a s à d e s in te g ra ç ã o fo n é tic a ) e d a s p a la v ra s (re d u ç ã o d o v o lu m e v e rb a l, e s te re o tip ia s , a g ra m a tis m o s ).
/Is a fa s ia s 2 5 L in g u a g e m e h u m a n id a d e
Ao dizer que a linguagem é especificam ente humana, é preciso explicar de que linguagem se quer falar. As experiências feitas com m acacos, e em parti cular os trabalhos de G ardner com a fêm ea chipanzé W ashoe, a quem eles ensinaram a linguagem am ericana dos sinais, m ostraram que esse animal conseguiu aprender um vocabulário com uns 130 sinais (ou palavras), que W ashoe com binava em seqüências de até 4 palavras. Entretanto, esse voca bulário era utilizado para necessidades instintivas (a com ida) ou afetivas. As seqüências eram feitas de palavras justapostas, sem regras sintáticas, cuja ordem podia variar de um enunciado para outro (a seqüência “ Você me faz
cócegas” podia ser dita em qualquer ordem). W ashoe não ensinou e nunca
utilizou esse modo de com unicação com seus filhotes: essa língua rudim en tar que ela havia aprendido, não passava de um a aprendizagem acidental, que não pedia para ser partilhada. D iante disso, Popper e Eccles foram leva dos a distinguir 4 funções, ou níveis, da linguagem .
A função expressiva m anifesta as em oções (um grito, um gem ido). A função
de sinal perm ite em itir sinais destinados a gerar um a reação naquele ou na
queles a quem os sinais são dirigidos: por exem plo, o hom em que assobia ou fala para cham ar seu cachorro; tam bém os sinais transm itidos pelos animais a outros animais. Essas duas prim eiras funções são, então, funções prim árias, com uns ao H om em e aos animais.
A função de descrição diz respeito a enunciados factuais (por exem plo, con tar o que acabam os de fazer). A função de discussão argumentada permite pôr em ação o pensam ento racional e a discussão crítica. Essas duas funções são exclusivam ente humanas. Elas coexistem com um vocabulário desenvol vido, mas, além disso, procedem da aptidão com binatória segundo as regras gram aticais, que contribuem com as palavras para dar sentido ao discurso. A linguagem acrescenta, assim , à sua função pragm ática (essen-cialm ente feita da expressão das em oções e dos desejos, com um ao Hom em e aos anim ais, e a única presente nestes últim os) um a função de conhecim ento especifica m ente hum ana e que surge m uito cedo no desenvolvim ento da linguagem infantil.
O n t o g ê n e s e d a lin g u a g e m
A linguagem está estritam ente ligada à m aturação cerebral (m ielinogênese) e ao meio am biente sócio-familiar. E preciso acrescentar que é necessário um a audição satisfatória (porque a criança constrói seus desem penhos fonológicos e fonéticos a partir de percepções audioverbais provenientes das pessoas a sua volta).
A aquisição da linguagem infantil com eça com um período pré-lingüístico: prim eiro o bebê em ite gritos, depois, por volta do segundo mês, em ite sons, sobretudo gulturais que, por volta dos três meses, se organizam num a “ex tensa gam a de expressões sonoras” sem ligação com a língua falada, as lalaçõcs, que correspondem a conexões córtico-subcorticais ainda im aturas. Em seguida, em cim a desse balbucio ou chilreio, vai emergir, a partir do
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oitavo mês, um com portam ento ecolálico, depois, alguns “ segm entos articu lados” com o “mamãe... papai... ”. Pela ecolalia, a criança entra na fase lin güística, que vai levá-la das “palavras-frases” (prim eira m etade do segundo ano), ligadas à ação ou a um estado afetivo, em geral polissêm icos, para as prim eiras frases gram aticais. A com preensão da linguagem precede a execu ção, e já é eficaz entre oito e treze meses. A linguagem continua a se estruturar (vocabulário, form as gram aticais) nos anos seguintes, e com pleta sua organi zação básica por volta dos cinco ou seis anos. Para a criança, ainda faltará elaborar o domínio das técnicas da linguagem escrita, o aperfeiçoam ento da com unicação social e o desenvolvim ento do pensam ento conceituai. A lateralização das funções lingüísticas num hem isfério (no que com anda a m ão com m aior habilidade e que, na maioria das vezes, é o esquerdo) se organiza entre quatorze meses e dois anos e se consolida progressivam ente até o período pubertário, sobretudo entre três e dez anos. As lesões hem isféricas dos prim eiros anos de vida resultam , regra geral, em distúr-bios de lingua gem regressiva, devido ao fato de o hem isfério oposto se encarregar da fun ção lingüística. No entanto, m esm o nos adultos, o hem isfério não dom inante (em geral, o direito) conserva algumas capacidades lingüísticas elem entares.
O r g a n iz a ç ã o n e u r o a n a tô m ic a d a lin g u a g e m
U m a zona lim itada do hem isfério dom inante (Fig. 2.3) é o suporte da organi zação da linguagem: essa assimetria hem isférica é genética, mas também pode ser adquirida durante a vida intra-uterina, e pode, ao menos parcialm ente, repousar num a grande superfície do planun temporale do hem isfério dom i nante (consultar capítulo 1).
A organização da linguagem se distribui em torno de dois pólos:
- um pólo receptivo, porta de entrada que com porta não só a audição e a com preensão da linguagem falada, com o, tam bém , a visão e a com preensão da linguagem escrita.
- um pólo expressivo, porta de saída que com porta, não só a fonação ou articulação verbal, com o, também , a escrita.