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Midlertidig særtilfelle (T2) for Irland og Det forente kongerike

7. GJENNOMFØRING

7.3. Særtilfeller

7.3.2. Liste over særtilfeller

7.3.2.2. Midlertidig særtilfelle (T2) for Irland og Det forente kongerike

Nesta fase do procedimento experimental, a pesquisadora apresentou verbalmente a cada um dos sujeitos, os termos matemáticos figuras, plano,

simetria e reflexão, aos quais os sujeitos deveriam atribuir um significado

conectado a um contexto matemático ou não matemático, ou seja, deveriam explicitar as conexões que estabelecem entre esses termos matemáticos e seus conceitos cotidianos antes de vivenciarem a situação instrucional que se seguiria.

4.2.1. O TERMO FIGURA

Antes do início das entrevistas, a pesquisadora esclareceu, a cada um dos sujeitos que se tratava de um estudo referente a objetos matemáticos e que o seu papel não era apontar erros ou acertos, mas sim estabelecer um diálogo produtivo que posteriormente seria analisado. Lucas procurou em suas respostas manter conexões com a Matemática, mas não especificamente com a Geometria. Edson mostrou-se menos preocupado com essas conexões.

Ao falar sobre figura, Lucas confirmou a declaração de Gil (2000, p.24) de que as informações chegam aos deficientes visuais mediadas por dois canais principais: a linguagem e a exploração tátil. E corroborou com duas elucidações de Vygotsky apontadas no Capítulo 1. A primeira delas em relação à formação de imagem mental de uma forma, captada e processada a partir do sistema háptico ou tato ativo, o que nos remete a idéia de Vygotsky sobre a substituição do olho por outro instrumento, nesse caso, as mãos. Outra, a importância da linguagem, como um dos principais sistemas mediadores da informação para os portadores de necessidades especiais, que os permitem, no caso de não terem acesso a algum outro tipo de informação, formular uma imagem mental de um objeto a partir das informações verbais recebidas de outros indivíduos.

Lucas: ... Para o deficiente visual que nunca enxergou figura é uma coisa complicada. A gente tem uma idéia da figura depois que a gente tocou essa figura. Sem o toque fica difícil definir uma figura.

Lucas: É. Se eu já tive algum acesso tátil sim, se não, não. A gente tenta fazer uma idéia de acordo com que as pessoas falam.

Trecho 4.1: O termo figura30.

Edson respondeu prontamente: “Figuras são formas, desenhos”. Para nós a lembrança das formas e desenhos estudados quando ele tinha visão – elementos do passado - o permitiu estabelecer conexões com termo matemático empregado no presente. Edson, a exemplo do que foi dito por Lucas, afirma que uma nova figura só pode ser conhecida através do tato.

4.2.2. O TERMO PLANO

Lucas e Edson não indicaram dificuldades para falar sobre o termo plano, mas nenhum dos dois conectou este termo a um contexto matemático explicitamente, como pode ser visto nas transcrições abaixo.

Edson: Meu braço está sobre a mesa que é um plano. O chão é plano... É reto.

Lucas: Um plano é uma coisa mais fácil de reconhecer. É uma coisa para nossa memória mais simples. Se você tocar, quase tudo você pode considerar um plano.

Tanto para Edson como para Lucas, o termo plano foi associado a superfícies, mas não a superfícies ligadas diretamente a um contexto geométrico, e sim a sensações percebidas a partir de suas experiências cotidianas. Edson teve a preocupação de destacar que “plano é reto” e de estabelecer comparações entre planos e os objetos que faziam parte do nosso cenário, como mesa e chão (conceitos cotidianos).

4.2.3. O TERMO SIMETRIA

Para Lucas, simetria é o resultado de uma comparação entre duas “figuras ou

dois planos com formas diferentes”.

Lucas: ... É simples desde que você tenha uma idéia fixa, uma idéia concreta na cabeça. Concreta no sentido de bem definida. É possível se fazer uma simetria sim, com garantia bastante boa de acerto.

Pes: Por exemplo?

Lucas: É! Duas figuras, por exemplo, dois planos com formas diferentes é uma coisa que você consegue fazer uma diferenciação, uma comparação, digo assim.

Pes: Ai, você espera um resultado dessa comparação?

Lucas: Isso. Acaba gerando um resultado na minha maneira de entender satisfatório.

Trecho 4.2: O termo simetria31

Para exemplificar Lucas usou alguns termos introduzidos no diálogo pela pesquisadora, como figuras e planos, mas nesse ponto da entrevista parece que Lucas está “ventriculando” a voz da pesquisadora, ou seja, estes termos foram usados de forma sintaticamente correta, sem que o sujeito tenha atribuído ao termo simetria o significado convencional do conceito científico envolvido.

Edson afirma ter ouvido falar do termo simetria na escola, mas não se lembra se na aula de Geometria, Física, Química ou Biologia. Edson diz não saber o que é simetria e não tenta estabelecer nenhuma relação entre este termo e seu repertório de experiências pessoais.

4.2.4. O TERMO REFLEXÃO

Edson associa ao termo reflexão a idéia de “refletir sobre”, como podemos verificar no texto abaixo:

Edson: É quando você pensa no que vai fazer. É ficar sozinho com você mesmo.

Trecho 4.3: Reflexão para Edson32.

Lucas, num primeiro momento, estabelece uma relação bastante próxima a de Edson para o termo reflexão, posteriormente tenta associar o termo reflexão a um contexto matemático ligado a análise de resultados estatísticos, talvez por ter ciência que a pesquisa envolvia um estudo matemático.

Lucas: Reflexão é uma coisa que dá para conceituar também. Eu consigo muito bem conviver com o fato da reflexão.

Pes: Dá um exemplo.

Lucas: É!. . .Estatística, por exemplo. Estatística sobre alguns dados, alguns números, por exemplo. Comparação a uma situação diretamente ligada aquela estatística. Dá para fazer uma reflexão bastante segura.

Trecho 4.4: Reflexão para Lucas33.

De qualquer forma, Edson e Lucas não associam reflexão ao contexto geométrico, nem nos dão indícios de associá-lo a conceitos cotidianos como imagens produzidas sobre superfícies polidas ou espelhos a exemplo das associações estabelecidas por aprendizes videntes (ver Seção 2.4).

32 Fala 20 da primeira sessão, enumeradas de 1 a 148.

4.2.5. EXPLORAÇÃO DA FERRAMENTA DE DESENHO

Antes de iniciarmos as tarefas oferecemos aos sujeitos a ferramenta material 2 (ferramenta de desenho) para que, através da exploração tátil, eles pudessem nos dar indicadores sobre sua funcionalidade. Além do reconhecimento da ferramenta, interessava-nos as sensações táteis, de conforto ou desconforto, que ela provocaria, mas Lucas vai, além disso. Ele diz que a ferramenta parecia ser uma ferramenta para cálculos e a compara a uma planilha eletrônica. A pesquisadora solicita que ele destaque regularidades que puderam ser percebidas, e com facilidade ele destaca que os pinos estão alinhados e que à “distância entre esses pinos era sempre a mesma”.

Os dois sujeitos declararam ser a ferramenta de desenho confortável ao tato, e Edson não aponta nenhuma regularidade importante que pode ser percebida.

4.2.6. CONSIDERAÇÕES SOBRE A FASE EXPLORATÓRIA

Algumas considerações sobre os resultados da fase exploratória devem ser destacadas por corroborarem com a base teórica deste estudo ou por serem importantes para o andamento da pesquisa.

Os dois sujeitos evidenciam não ter conhecimento prévio sobre transformações geométricas, pois esses termos (figuras, planos, simetria e reflexão) foram escolhidos por conectarem-se diretamente com este objeto matemático. Lucas, apesar de indicar ter um conhecimento ao menos intuitivo sobre simetria, não consegue explicitar nenhuma das propriedades de figuras simétricas, a partir da comparação entre elas. A princípio, os sujeitos não explicitam conceitos

cotidianos que possam ser utilizados pela pesquisadora como ponto de partida

conectá-los a concepções alternativas que possibilitem aos sujeitos aproximar-se de um conhecimento matemático “oficial”, ou seja, conceitos científicos.