A abordagem foi quanti e qualitativa, haja vista que a investigação recaiu sobre como e por que os efeitos foram produzidos. A pesquisa qualitativa constitui um termo genérico utilizado nas ciências sociais para abranger estratégias diversas de pesquisa. Bogdan e Biklen (1994) Antropólogos e sociólogos referem-se a ela como “pesquisa de campo”, os educadores como “etnografia”, já pesquisadores de outras áreas referem-se à fenomenologia, etnometodologia, estudo de caso e outros. Existem literaturas independentes e detalhadas sobre o grande número de métodos e abordagens classificados com pesquisa qualitativa, tais como o estudo de caso, a política e a ética, a investigação participativa, a entrevista, a observação participante, os métodos visuais e a análise interpretativa. A pesquisa qualitativa é uma atividade situada que localiza o observador no mundo. Consiste em um conjunto de práticas materiais e interpretativas que dão visibilidade ao mundo. Essas práticas transformam o mundo em uma série de representações, incluindo as notas de campo, as entrevistas, as conversas, as fotografias, as gravações e os lembretes.
Nesse nível, a pesquisa qualitativa envolve uma abordagem naturalista, interpretativa, para mundo, o que significa que seus pesquisadores estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando entender, ou interpretar, os fenômenos em termos dos significados que as pessoas a eles conferem.
A pesquisa qualitativa envolve o estudo do uso e a coleta de uma variedade de materiais empíricos – estudo de caso; experiência pessoal; introspecção; história de vida; entrevista; artefatos; textos e produções culturais; textos observacionais, históricos, interativos e visuais – que descrevem momentos e significados rotineiros e problemáticos na vida dos indivíduos. Dessa forma, os pesquisadores utilizam uma ampla variedade de práticas interpretativas interligadas, na esperança de sempre conseguirem compreender melhor o assunto que está ao seu alcance. Edita e reúne pedaços da realidade, um processo que gera e traz uma unidade psicológica e emocional pra uma experiência interpretativa (DENZIN e LINCOLN, 2006).
Os dados identificados serão caracterizados pelos aspectos descritivos relacionados com as pessoas ou com os temas enfocados e analisado a partir de elementos valorativos, não
de quantificações. Não haverá, entretanto dicotomia entre as abordagens qualitativa e quantitativa. Pois dados quantitativos não eximem a essência qualitativa do objeto pesquisado. Conforme Demo (2001), o fenômeno qualitativo é naturalmente dotado de faces quantitativas e vice-versa. São, portanto abordagens complementares, podendo haver a prevalência de uma sobre a outra. A parte quantitativa deste trabalho se limitará à idade, números de participantes, dados sócio-demográficos. Enquanto que o qualitativo será a essência da pesquisa: modificação da autoestima.
Em relação aos meios, a pesquisa foi bibliográfica e de campo, pois além de revisão de literatura, foi feito um trabalho prático a fim de encontrar respostas para a investigação proposta.
Este trabalho se inclui na categoria III (Todos os outros que não se enquadram em áreas temáticas especiais) da regulamentação de pesquisa em seres humanos no Brasil, pois envolve dados de entrevista, observação e análise de conteúdo. Foi solicitado a todos os participantes da pesquisa, consentimento por escrito através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo I)
4.2 – Participantes
Participaram desta pesquisa 20 senhoras, com idade acima de 60 anos. Que freqüentam aulas de atividade física orientada no Centro de Convivência do Idoso –“Nina Maria Cruz” no Gama – DF.
O Grupo de participantes foi composto de vinte senhoras idosas, conforme classificação do Estatuto dos Idosos (Abreu, 2004), isto é, com 60 anos ou mais, não- institucionalizadas. Participantes do Programa de atividade física orientada, oferecido a comunidade e desenvolvido no Centro de Convivência do Idoso –“Nina Maria Cruz” na cidade do Gama – DF.
Foram considerados os seguintes critérios: pessoas de qualquer grupo étnico, de qualquer estado civil, praticantes ou não de qualquer religião, do sexo feminino, com idade mínima de 60 anos, participantes e freqüentes no Programa de atividade física há um ano. O critério de exclusão foi unicamente a incapacidade total de locomoção dos participantes.
4.3 - Local da pesquisa
A pesquisa foi realizada no Centro de Convivência do Idoso da Paróquia São Sebastião - “Nina Maria Cruz” no Gama- região administrativa do Distrito Federal, distante de Brasília 44 km e com população de 130.580 habitantes (IBGE 2001) e em 2009, população estimada em 170 mil habitantes.
4.3.1 - Gama – Histórico
A cidade Satélite do Gama teve sua primeira vinculação política administrativa ao um órgão que era, durante época da construção de Brasília e no seu primeiro ano de vida, em 1960. O plano urbanístico de Brasília previa núcleos periféricos ao Plano Piloto – as cidades satélites para atender as necessidades de fixação das populações excedentes do Plano, de acordo com o crescimento natural ou emergencial do Distrito Federal. O Gama estava no contexto deste planejamento. A região administrativa Gama (antes denominada cidade satélite Gama) foi fundada no mesmo ano da inauguração de Brasília, em 1960. Brasília foi inaugurada no mês de abril’ e as obras do Gama tiveram início em outubro. Em 1961, o Governo do Distrito Federal criou administrações regionais nas cidades do DF e institui sete subprefeituras entre elas a da cidade do Gama. A Região Administrativa do Gama só foi oficialmente criada em 10 de Dezembro de 1964, que veio reestruturar a organização administrativa do Distrito Federal. Através dessa Lei o território do Distrito Federal foi dividido em oito regiões Administrativas, entre elas o Gama, correspondendo a cada uma delas um Administrador Regional, de livre nomeação do Governador (GEPLAN - RA II).
O território Gamense é formado pelas terras de quatro antigas fazendas goianas: a fazenda Gama, que lhe deu o nome, e as Fazendas Ipê, Alagado e Ponte Alta, sendo estas duas últimas a base territorial da cidade. O nome Gama é muito antigo nestas terras do Planalto Central goiano, afora o aspecto de ser a terceira letra do alfabeto grego. Tem sua origem no próprio nome de uma das fazendas que deu base ao seu território, a fazenda Gama, uma das mais conhecidas da região. A Região Administrativa do Gama ocupa uma área de 276,34 k e tem como sede a cidade satélite de mesmo nome, com 15,37 km² de área urbana, situada 33 km a Sudoeste de Brasília. Os limites da Região Administrativa do Gama são formados ao sul, Paralelo 16º03`S e limita a Região com os Municípios de Santo Antônio do Descoberto e Luziânia do Estado de Goiás. O Rio Descoberto faz o limite oeste, a leste limita a Região
Administrativa de Santa Maria e ao Norte limitam as Regiões de Recanto das Emas, Riacho Fundo e Núcleo Bandeirante. Os Decretos nº. 11.921/1989, 14.604/1993 e 15.046/1993 fixaram os limites das Regiões Administrativas do Distrito Federal. (GEPLAN - RA II)
4.3.2 - Centro de Convivência do Idoso da Paróquia São Sebastião
O Centro de convivência do Idoso – Clube da Terceira Idade “Nina Maria Cruz”, é existente desde janeiro de 2003. É vinculado a Paróquia São Sebastião do Gama. Sito em quadra 21 lote 111 setor leste Gama. Sob a coordenação de Ana Cleide do Carmo Lima, desde 2005 até data atual.
Atividades que são desenvolvidas no Centro de convivência: Ginástica, Yoga, unibiótica, artesanato, alfabetização, palestras, atividade de turismo.
Os idosos trabalham em grupo ou em pares, visando à integração social. Objetivos específicos são trabalhados nas aulas de ginástica, dança, yoga e unibiótica. Através de jogos dirigidos e dinâmicas de grupo propõe-se o desenvolvimento da atenção e manutenção da memória. Passeio e eventos culturais acontecem com o objetivo que ocorra informação, reflexão e discussão sobre os diversos aspectos da existência humana e sobre a morte; programas de integração com faixa etária superior a quinze anos com o intuito de integrar as gerações; trabalhos manuais e artesanato, para resgatar habilidades, resgatar o desejo por uma atividade, pelo fazer. E mensalmente são comemorados os aniversários dos idosos participantes do centro de convivência.
Composto de um Professor de Educação Física (vinculado a Secretaria de Educação do Distrito Federal), Professor facilitador de Unibiótica, Estudante de Serviço Social, Palestrantes (médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas – todos vinculados a Secretaria de Saúde do Distrito Federal)
Espaço e materiais disponíveis: Salão para ginástica (com colchonetes, bastões, halter de mão) espaço para palestras, aparelho de som, caixa amplificadora, televisão, DVD.
O Centro atende idosos e também abriu participação para pessoas a partir de 45 anos, com o objetivo de haver integração entre as faixas etárias e preparação para a velhice.
4.3.4 - O Programa de atividade física orientada.
A atividade física orientada para idosos é desenvolvida com a comunidade no Centro de convivência do Idoso – “Nina Maria Cruz” no Gama. Com o objetivo pedagógico de reintegração e manutenção físico-motora de caráter postural, energético e motriz pela regularidade da prática corporal. O programa conta com atividades físicas variadas como ginástica localizada, yoga, alongamento, caminhadas orientadas, e dança como o forró. O Programa respeita as peculiaridades das participantes procurando atender suas necessidades e interesses. Ainda favorece o exercício do direito e liberdade de expressão e desenvolvimento de autocrítica e das atitudes de autoconfiança nas tomadas de decisão em relação ao seu “eu” e ao outro. Tem como objetivo principal, melhorar a qualidade de vida da comunidade atendida e aumentar vínculo entre as participantes. O professor, ao desenvolver suas atividades durante as aulas, considera os limites, possibilidades, características e problemas que as participantes apresentam, contribuindo para o preenchimento das múltiplas carências da comunidade, no domínio da Educação Física. As atividades do Programa de atividade física orientada são desenvolvidas de acordo com o Calendário Escolar da Rede Pública de Ensino do Distrito Federal aprovado pelo Conselho de Educação do Distrito Federal.
O acompanhamento, controle e avaliação das atividades do Programa de atividade física orientada são realizados mediante observação, acompanhamento e orientação do aluno.
4.4 – Instrumentos
I - Documento de identificação das participantes - Levantamento de dados pessoais relevantes para caracterização e análise do perfil da população estudada (Apêndice C, p. 107). II - Escala de Autoestima de Rosenberg (ROSENBERG SELF-ESTEEM SCALE) – (Anexo II, p. 112). A Escala de Autoestima de Rosenberg é uma medida unidimensional, constituída por dez questões fechadas em relação à satisfação consigo, com suas qualidades e capacidades, com o próprio valor, orgulho e respeito e atitude positiva em relação a si mesmo, sentimento de inutilidade e sensação de fracasso.
Para avaliar a autoestima foi utilizada foi versão adaptada para o português da Escala e Autoestima de Rosenberg (1965). Este documento é uma escala de auto relato do tipo Likert (4 pontos 1 - 4), composta originalmente por dez itens que investigam aspectos globais da autoestima. A versão adaptada da Escala por Hutz (2000), adicionou mais um item, mantendo a estrutura unidimensional da mesma.
A Escala de Auto Estima tem pontuações simples, apesar de algumas vezes ter situações invertidas e que requerem a inversão da pontuação também. Cada item de resposta, varia de 1 a 4 pontos. Conta com as seguintes opções de resposta. - Discordo totalmente; Discordo; Concordo; Concordo totalmente. (Anexo II, p. 112)
Quadro 1 - Descrição da pontuação para as questões 1,3,4,7,10, segundo as respostas da Escala de Autoestima e auto-conceito de Rosenberg.
Resposta Pontuação
Discordo totalmente 1
Discordo 2
Concordo 3
Concordo totalmente 4
Quadro 2 - Descrição da pontuação para as questões 2,5,6,8,9, segundo as respostas da Escala de Autoestima e auto-conceito de Rosenberg.
Resposta Pontuação
Concordo totalmente 1
Concordo 2
Discordo 3
Discordo totalmente 4
Para pontuação das respostas os cinco itens que expressam os sentimentos positivos
(itens 1, 3, 4, 7 e 10) têm valores invertidos e então, somam-se esses valores aos outros cinco itens referentes aos sentimentos negativos (itens 2,5,6,8 e 9), totalizando um valor único para a Escala, correspondente ao valor das respostas dos dez itens.
O intervalo possível dessa Escala é de 10 (10 itens multiplicados pelo valor 1) a 40 (10 itens multiplicados pelo valor 4). A Escala de Rosenberg segundo Hutz (2002) é o instrumento mais utilizado em pesquisa de autoestima, em função de suas boas propriedades psicométricas e sua fácil aplicabilidade.
São questões da Escala de Autoestima de Rosenberg, adaptada por Cárdenas (2007):
1. Em geral, estou satisfeito comigo mesmo (a);
CI C D DI
2 *.Às vezes eu acho que não sou bom em nada;
3. Eu acho que tenho bastantes qualidades positivas;
CI C D DI
4. Eu sou capaz de fazer coisas tão bem como a maioria das pessoas.
CI C D DI
5. * Eu acho que não tenho muitas coisas das quais possa me orgulhar;
CI C D DI
6. *Às vezes me sinto desnecessário.
CI C D DI
7. Eu sinto que valho alguma coisa, pelo menos tanto quanto outras pessoas.
CI C D DI
8. * Eu gostaria de me respeitar mais
CI C D DI
9. * No fundo tenho a tendência de me sentir um fracasso.
CI C D DI
10. Tenho uma visão positiva em relação a mim mesma.
CI C D DI
Nota: Os itens com asterisco são pontuados no sentido contrário.
III – Entrevista semi-estruturada - De acordo com Boguchwal (1999), a entrevista pode ser livre ou não estruturada, semi-dirigida ou semi-estruturada, e fechada ou estruturada. A entrevista semi-dirigida ou semi-estruturada especifica as áreas que devem ser exploradas, mas não estrutura as perguntas ou a estrutura destas.
A entrevista de pesquisa conforme Minayo (2000) é definida como uma conversa a dois, feita por iniciativa do entrevistador, destinada a fornecer informações pertinentes para um objeto de pesquisa, e entrada (pelo entrevistador) em temas igualmente pertinentes com vistas a este objetivo.
O que transforma a entrevista em um meio extraordinário de coleta de informações é a possibilidade de a fala ser reveladora de condições estruturais, de sistemas de valores, normas e símbolos e simultaneamente, comunicar por meio de um representante, as representações de grupos determinados, em condições históricas, sócio-econonômicas e culturais específicas. (MINAYO, 2000). Foi escolhida para este estudo, devido à comunicação verbal e corporal serem as principais forma de comunicação com este grupo de idosas.
A entrevista semi-estruturada oral, a qual foi aplicada neste estudo, é aquela que se desenvolve a partir de uma estrutura básica, não aplicada de forma rígida, permitindo ao
entrevistador fazer as necessárias adaptações, em cada caso, dependendo do que se busca. (LUDCKE e ANDRÉ, 1986)
O instrumento foi composto por itens que avaliaram: A) Dificuldades encontradas para a prática ou não da atividade física. B) auto-avaliação da autoestima pré e pós a prática da atividade física. C) Nível de satisfação com a prática regular das atividades físicas e sociais desenvolvida no Programa. D) mudanças verificadas antes e após o programa de atividade de física orientada.
4.5 – Procedimentos de coleta
Primeiramente, a presente pesquisa foi submetida e aceita pelo Comitê de Ética da Universidade Católica de Brasília. (Anexo A, p.116)
Na segunda fase, no Centro de Convivência do idoso, foi esclarecido o motivo da pesquisa e feito um convite à participação nesta. Após anuência, foi solicitada a assinatura do Termo de consentimento Livre Esclarecido, conforme orientação da Resolução nº. 196 de 10 de outubro de 1996, com Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 1996) (Apêndice A, p.110). Na terceira fase foi realizado um breve levantamento sócio demográfico. Este levantamento foi realizado através da coleta de dados pessoais e identificação da população estudada. (Apêndice C, p. 113)
Na quarta fase, foi aplicada a Escala de Autoestima de Rosenberg (ROSENBERG SELF-ESTEEM SCALE) – (Anexo B, p. 117). As participantes responderam itens da Escala de autoestima de Rosenberg adaptada por Carmen Jansen de Cárdenas (2007), através do qual foi avaliado o autoconceito e a auto estima destas Senhoras.
Na quinta fase, as idosas participarão de três aulas semanais com duração de sessenta minutos – dividida em 20 minutos de alongamento e aquecimento, acompanhada por músicas relativas à atividade, 30 minutos de atividade aeróbia (dança, ioga, caminhada, jogos lúdicos e outros), com 40 a 80% da freqüência cardíaca máxima, e 10 minutos de alongamento e relaxamento, durante cinco meses. Trabalharão em grupo, pares ou individualmente, conforme a atividade desenvolvida.
Para investigação de campo foram programadas três aulas semanais durante cinco meses, de sessenta minutos cada. Dividida em quinze minutos de aquecimento e alongamento, vinte e cinco minutos de atividade física orientada com objetivos específicos e vinte minutos de alongamento e relaxamento. Respeitando o limite e capacidade da participante. A quantificação das aulas foi baseada no calendário escolar do Distrito Federal, visto que a
professora participa do quadro dos professores de Educação Física desta Secretaria. Os aspectos pesquisados, não dependem necessariamente da quantidade de aulas, mas da qualidade destas. Melhores resultados dependem da participação e freqüência destas Senhoras nas aulas programadas. Apesar do tempo previsto de aula ser de sessenta minutos, esta pode variar conforme a dinâmica da aula, resistência e condicionamento físico, capacidade e limitações das participantes. Sempre respeitando os limites destas. Além dos sessenta minutos, foram previsto mais quinze minutos livres, no final da aula no qual as participantes relatavam experiências pessoais desde que iniciaram no grupo de atividade física orientada; falavam sobre suas dificuldades durante a aula, ou tiravam dúvidas quanto à atividade física desenvolvida ou assuntos pessoais das mesmas. O que permitia conhecê-las melhor, observar as necessidades da turma, corrigir falhas e programar aulas mais atraentes.
Na sexta fase, para verificar a influência da atividade física na autoestima das idosas, foi realizada uma entrevista semi-estruturada. A entrevista semi-estruturada possibilitou conhecer a população quanto ao motivo que as levou a participar de um programa de atividade física orientada, o que mudou em sua vida após o início neste programa; como era antes e depois da participação no programa quanto à saúde, o autoconceito e a autoestima
As entrevistas semi-estruturadas foram realizadas e gravadas por meio eletrônico, posteriormente transcritas para análise, o que permitirão avaliar a influência das atividades físicas e sociais na vida desta população.
4.6 – Procedimentos de Análise dos dados
Em relação ao método de pesquisa foram utilizados princípios da fenomenologia de Husserl, uma vez que os dados visavam estudar “o ser tal como ele se apresenta no próprio fenômeno, sendo fenômeno tudo aquilo de que podemos nos aperceber na consciência de qualquer modo que seja (MOREIRA apud CARVALHO, 2006).
Neste trabalho considerou-se que a abordagem de construtos como auto-conceito, autoestima e autoimagem, em suas formas de expressão pessoal, corresponde a um estudo do fenômeno em seu estado mais original. O fenômeno seria o modo como o construto se apresenta para a participante e a expressão original seria a sua própria fala.
Além disso, levou-se em contar que a metodologia fenomenológica responderia melhor aos objetivos do trabalho, pois de acordo com Moreira (2002) citando Streubert e Carpenter (1995), havia uma necessidade de clareza do fenômeno pesquisado; a experiência
compartilada seria uma fonte de dados muito relevante desse fenômeno e a informação por meio da voz da pessoa que vive o fenômeno, seria o meio mais confiável.
Conforme prevê o método fenomenológico foram adotados dois procedimentos na pesquisa de campo: Primeiro a redução fenomenológica que significa a suspensão das crenças e proposições sobre o fenômeno pesquisado (epoché); Segundo, a redução eidética ou seja, atingir a estrutura essencial do fenômeno, isto é, buscar a essencia das respostas nas questões. (Zitkoski, 1994 apud Carvalho, 2006). Originalmente o método trata apenas de descrever os fenômenos e não de analisá-los e interpretá-los, neste trabalho considerou-se que no transporte para pesquisa empírica, o método sofre alteração. Na pesquisa empírica quem experiencia o fenômeno não é o pesquisador, mas sim o sujeito da pesquisa. Logo interessa ao pesquisador o dado coletado, que mesmo sendo fruto da experiência do outro, deve servir à ciência para alguma finalidade. E a analise seria o meio de demonstrar ou não a validade daquilo que se interessou buscar.
Em uma primeira etapa, os dados sócio-economicos referentes ao perfil da idosas, foram coletados e estatisticamente computados. Na segunda etapa, foi aplicada a Escala de Autoestima de Rosenberg e os dados foram computados. Na terceira etapa, foram trabalhados os dados da entrevista semi-estruturada apartir de critérios indicados por Bardin (1977) em seguida os dados foram analisados.
Em relaçao ao perfil das participantes os dados foram coletados com o objetivo de conhecê-las e detectar significâncias que pudesse eventualmente determinar diferenças no resultado final de cada participante.
Os dados obtidos na entrevista foram submetidos à análise qualitativa, através da análise de conteúdo. A análise de conteúdo constitui uma metodologia de pesquisa usada para descrever e interpretar o conteúdo de toda classe de documentos e textos. Essa análise, conduzindo a descrições sistemáticas, qualitativas ou quantitativas, ajuda a reinterpretar as mensagens e a atingir uma compreensão de seus significados num nível que vai além de uma leitura comum. Essa metodologia de pesquisa faz parte de uma busca teórica e prática, com um significado especial no campo das investigações sociais. Constitui-se em bem mais do que uma simples técnica de análise de dados, representando uma abordagem metodológica com características e possibilidades próprias. Bardin (1977) designa o termo análise de conteúdo