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2.3 Experimental investigations

2.3.4 Chloride ingress

2.3.4.3 Micro X-ray fluorescence analysis

Esses dois aspectos estão intimamente relacionados à atividade do trabalho, como processo humanizador e civilizatório do ser social que, a partir do desenvolvimento da produção mercantil simples para a produção capitalista, faz dessa gênese uma contradição. Se, de um lado, são empreendidas todas as potencialidades e capacidades no trabalho criador, que se expressam na riqueza da humanidade, de outro, observa-se a negação dessa criação pela divisão de classes, exploração do trabalho e coisificação das relações sociais na produção de mercadorias.

Na análise da alienação do trabalho, em 1844, Marx apresenta as várias dimensões da não apropriação do trabalho pelo trabalhador: no processo de trabalho em relação ao produto do trabalho, a si mesmo como trabalhador, aos outros homens e à natureza.

Mészáros afirma que o conceito de alienação em Marx apresenta quatro aspectos principais. [...] o homem está alienado da natureza; b) está alienado de si mesmo (de sua própria atividade); c) de seu “ser genérico” (de seu ser como membro da espécie humana); d) o homem está alienado do homem (dos outros homens) (MÉSZÁROS, 2006, p. 20).

Uma dessas dimensões é dada pela alienação do trabalhador em face da transformação do trabalho em mercadoria, na medida em que necessita vender sua força de trabalho para sobreviver e, por sua vez, o capitalista necessita de tal força de trabalho para a produção e reprodução de mercadorias quando, no processo de produção, é realizada a mais-valia.

13 Conforme Mészáros (2006, p. 20), “[...] em alemão, as palavras

Entäusserung, Entfremdung e Veräusserung são usadas para significar “alienação” ou “estranhamento”. Entäusserung e Entfremdung são usadas com muito mais frequência por Marx do que Veräusserung, que é, como Marx a define, `die Praxis der Entäusserung´ a prática da alienação) [...] Tanto Entäusserung como Entfremdung têm uma tríplice função conceitual: (1) referindo-se a um princípio geral; (2) expressando um determinado estado de coisas; e (3) designando um processo que engendra esse estado. Quando a ênfase recai sobre a `externalização´ ou ´objetivação´, Marx usa o termo Entäusserung (ou termos como vergegenständlichung), ao passo que Entfremdung é usado quando a intenção do autor é ressaltar o fato de que o homem está encontrando oposição por parte de um poder hostil, criado por ele mesmo, de modo que ele frustra seu próprio propósito”.

O caráter social da atividade e do produto, assim como a participação do indivíduo na produção, são aqui estranhos ao indivíduo. As relações que estes fenômenos mantêm constituem, de fato, uma subordinação a relações que existem independentemente deles e que surgem do enfrentamento entre os indivíduos independentemente uns dos outros. O intercâmbio universal de atividades e de produtos que se converteu em condição de vida e em relação mútua de todos os indivíduos particulares se apresenta a eles como uma coisa estranha e independente (MARX apud

BARROCO, 2001, p. 34).

Ao vender a força de trabalho ao capitalista em troca de salário, o trabalhador e o produto de sua atividade tornam-se mercadorias, distanciando-se do controle do processo de trabalho, opondo-se a ele e tornando-se estranho. Assim, o trabalho torna-se o seu contrário no sentido de não mais se colocar como práxis, como atividade criadora, mas como atividade que na sua exteriorização faz de si um objeto “hostil e estranho”, uma relação adversa. “[...] o trabalho alienado inverte a relação uma vez que o homem, enquanto ser consciente, transforma sua actividade vital, o seu ser, em simples meio da sua existência [...]” (MARX, 1994, p. 165).

Conforme Barroco (2008), da mesma forma que o trabalho, os homens reproduzem a vida de forma fragmentada e parcializada divorciados dos processos de humanização e da valorização das capacidades essenciais.

[...] o trabalho é a gênese da sociabilidade, da consciência, da universalidade e da liberdade dos homens. Uma vez desencadeadas pela atividade genérica que as gerou, tais capacidades passam a fazer parte da natureza específica dos homens: uma natureza criada pelos próprios homens através do trabalho como atividade prática positiva. Quando o trabalho não afirma a vida, não libera essas capacidades: elas são negadas, podendo até se realizar, mas sob formas fragmentadas, ou realizar-se para uma parcela minoritária da humanidade (BARROCO, 2008b, p. 34).

O trabalhador torna-se alienado não apenas pela ausência da atividade criadora que o constituía enquanto sujeito de capacidades e possibilidades na ampliação dos sentidos para a sua humanização e sociabilidade, mas também, segundo Barroco (2008b, p. 33-34), a alienação ocorre em todo o processo do trabalho, na criação do valor excedente (a mais-valia) e constitui-se, nesse processo, produzindo algo no qual ele não se reconhece.

[...] dada a contraditoriedade da história, a alienação coexiste com a práxis emancipadora, evidenciando o movimento de afirmação e negação das potencialidades e possibilidades humanas; de criação e perda relativa de valores; de reprodução da singularidade alienada e da genericidade emancipadora. Neste contexto, a coexistência entre o maior desenvolvimento das forças essenciais do ser social e sua negação é a forma de ser contraditória da sociedade capitalista (BARROCO, 2001, p. 36).

Esse é um tema complexo que instiga a refletir em razão das transformações do trabalho ocorridas desde sempre na sociedade de classe e no capitalismo com a divisão do trabalho e o advento da industrialização e, após a década de 1970, com a informatização, a intensificação da especialização, a precarização do trabalho e a formação de trabalhadores sobrantes. Essas mudanças vêm acentuando um tipo de sociabilidade cada vez mais individualista, alienada e dissociada do humano- genérico.

De acordo com Netto (1981), Marx formulou o conceito da alienação, na obra de 1844, em uma teoria “generalizada”, apontando que os indivíduos estão submetidos a mecanismos dos quais não possuem controle, além da alienação do trabalhador do seu produto e do processo que o objetiva. No entanto, em O Capital,

Marx formulou a teoria da alienação diferentemente do que fez na Miséria da Filosofia e nos Manuscritos Econômico-Filosóficos, porque [a alienação] “[...] perderá

qualquer traço de generalidade especulativa [...] quando a crítica da economia política é situada por Marx como operação teórica central e levada a cabo com radicalidade, dá-se a concretização teórica da concepção de alienação” (NETTO,

1981, p. 67).

O enriquecimento das capacidades humanas manifesta-se por meio do trabalho criador, possibilitando o desenvolvimento dos sentidos, da linguagem, da produção material e espiritual, conforme já foi apontado, como expressão de si e do mundo e da universalização da riqueza. Se o gênero humano busca humanizar-se em um processo lento e gradativo, pode-se afirmar sua desumanização na limitação e desapropriação da sua criação, na ausência de sentido para a vida diante do produto de sua atividade e no empobrecimento dos sentidos.

As formas de reprodução social do trabalho inscritas no modo de produção fundado na apropriação privada da riqueza socialmente produzida, isto é, as formas

de trabalho alienado dificultam, impedem e limitam a realização consciente, livre e universalizante dos indivíduos. Nas condições da produção capitalista, segundo Marx, o trabalho expressa sua contradição.

O trabalhador se torna tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador se torna uma mercadoria tão mais barata quanto mais mercadorias cria. Com a valorização do mundo das coisas

(Sachenwelt) aumenta em proporção direta a desvalorização do

mundo dos homens (Menschenwelt). O trabalho não produz somente mercadorias; ele produz a si mesmo e ao trabalhador como uma

mercadoria, e isto na medida em que produz, de fato, mercadorias

em geral (MARX, 2010, p. 80, grifos do autor).

Nessa perspectiva, conforme declara Iasi (2010), os indivíduos relacionam-se diretamente como produtores, relação que assume a forma de coisas e estas de características humanas. “A essência da alienação da sociedade capitalista é que ela trata como mercadoria o que é humano; e, como mercadoria é coisa e não gente, a desumanidade desse tratamento não poderia ser maior” (LESSA; TONET,

2008, p. 100). O trabalho transforma não apenas o produto, mas o trabalhador, como força de trabalho, em mercadoria. A alienação do trabalho implica uma relação de estranhamento entre o trabalhador e o processo de trabalho em sua totalidade.

As condições criadas pela divisão do trabalho e pela propriedade privada introduziram um “estranhamento” entre o trabalhador e o trabalho, uma vez que o produto do trabalho, antes mesmo de o trabalho se realizar, pertence a outra pessoa que não o trabalhador. Por isso, em lugar de se realizar no seu trabalho, o ser humano se aliena nele; em lugar de reconhecer-se em suas próprias criações, o ser humano se sente ameaçado por elas; em lugar de libertar-se, acaba enrolado em novas opressões (KONDER, 2008, p. 30).

Dado que o trabalho transforma-se em mercadoria, torna-se alienada não apenas a atividade do homem, mas também o gênero humano. Na sociedade capitalista, o homem transforma tudo em mercadoria, em propriedade privada, no sentido e necessidade de posse da casa, do trabalho e do carro que o conduzem à servidão material. A mercadoria e a mercantilização da vida, como síntese do capitalismo, não produzem apenas o produto de um desejo ou o desejo dos produtos, mas envolvem escolhas morais, éticas e políticas do viver em sociedade e

reproduzem, conforme Schaff (1967), a relação do indivíduo com o todo resultando em escolhas possíveis.

Na introdução do capítulo III da “Economia Política: introdução crítica” (2007), Netto e Braz demonstraram, de forma precisa, o significado objetivo da mercadoria na sociedade capitalista, porque é pela “abundância de mercadorias (que, com o dinheiro, podemos comprar) [...] que a riqueza se expressará, sendo que o seu contrário, [...] a pobreza se manifesta por sua carência (quando não temos dinheiro para comprá-las)” (NETTO;BRAZ, 2007, p. 78).

Mas o que é mercadoria? Como e de que forma se manifesta o seu poder? A mercadoria é satisfação de uma necessidade. Para se configurar como mercadoria, é necessária a sua reprodução por “mais de uma vez, repetidamente”; é um valor de uso que se produz para a troca, para a venda. Nesse sentido, “[...] é uma unidade que sintetiza o valor de uso e valor de troca” (NETTO;BRAZ, 2007, p. 80).

A mercadoria é, antes de tudo, um objeto, uma coisa, a qual pelas suas propriedades satisfaz necessidades humanas de qualquer espécie. A natureza dessas necessidades, se elas se originam do estômago ou da fantasia, não alteram nada na coisa (MARX, 1983, p.

45).

Para a produção de mercadorias, colocam-se duas condições: a primeira é a divisão do trabalho, já mencionada, mesmo que ainda seja incipiente; a segunda, a da propriedade privada dos meios de produção. “Sem ambas, produzem-se bens, valores de uso, mas não há produção mercantil (produção de mercadorias)” (NETTO;

BRAZ, 2007, p. 80).

Sobre valor de uso, Marx faz uma reflexão elucidativa.

No processo de trabalho a atividade do homem efetua, portanto, mediante o meio de trabalho, uma transformação do objeto de trabalho, pretendida desde o princípio. O processo extingue-se no produto. Seu produto é um valor de uso; uma matéria natural adaptada às necessidades humanas mediante transformação da forma. O trabalho se uniu com seu objetivo. O trabalho está objetivado e o objeto trabalhado [...] ele fiou e o produto é um fio (MARX, 1983, p. 151).

Os valores de uso contêm qualidades reconhecidas pelos indivíduos por sua utilidade e são inerentes à atividade humana, isto é, ao trabalho. Assim, os valores de uso que sintetizam determinada importância do objeto em relação direta aos indivíduos, agora como mercadoria e como valor de troca, fazem dele a sua coisificação.

Sem objetos, e sem um caráter valorativo que marque a presença de um sujeito no mundo dos objetos, a atividade humana é absolutamente impensável. O trabalho humano, como criador de valores de uso (e encarado abstratamente, apenas neste seu caráter), é uma condição da existência do homem como tal, quer dizer, é uma condição da existência do homem como sujeito de uma atividade humana (KONDER,2009, p.139).

Ressalte-se para o fato de que “nem tudo que possui valor de uso resultante do trabalho é mercadoria “[...] certos bens naturais que são indispensáveis à vida humana, como o ar, por exemplo” (NETTO;BRAZ, 2007, p.79). Alguns valores de uso

portanto não são considerados como produtos do trabalho.

Os valores de troca constituem-se por sua utilidade e pela função que podem ter para os indivíduos. O objeto de troca necessita ter certa importância para o sujeito, mas sempre na “[...] relação direta com o objeto em apreço”, porque isso é necessário para o sujeito que possui o objeto com interesse de trocá-lo no mercado; “[...] para ele, o valor de uso se encontra nesse outro objeto que quer adquirir (e não no objeto de que vai se desfazer)” (KONDER, 2009, p.140). A mesma lógica aplica-se

a quem vai adquirir o objeto desfeito.

Nesse processo de troca, há necessidade de um valor que seja equivalente para ambos os objetos. Como objeto de uso e de troca, a mercadoria no capitalismo se configura pelo poder de troca — dinheiro —, que regula as relações sociais para a satisfação das necessidades dos indivíduos.

O que é para mim pelo dinheiro, o que eu posso pagar, isto é, o que

o dinheiro pode comprar, isso sou eu, o possuidor do próprio dinheiro. Tão grande quanto a força do dinheiro é a minha força. As qualidades do dinheiro são minhas [de] seu possuidor

qualidades e forças essenciais. O que eu sou e consigo não é

determinado de modo algum, portanto, pela minha individualidade. Sou feio, mas posso comprar para mim a mais bela mulher. Portanto,

não sou feio, pois o efeito da fealdade, sua força repelente, é

coxo, mas o dinheiro me proporciona vinte e quatro pés; não sou,

portanto, coxo; sou um ser humano mau, sem honra, sem escrúpulos, sem espírito, mas o dinheiro é honrado e, portanto, também o possuidor (MARX, 2010, p. 159, grifos do autor).

Marx (2010) refere-se ao dinheiro como uma força de poder supremo, que transforma todas as limitações daqueles que o possuem, capaz de tudo comprar e de dar ao homem a sua onipotência. Essa é a forma pela qual os homens firmam vínculos. “Se o dinheiro é o vínculo que me liga à vida humana, que liga a sociedade a mim, que me liga à natureza e ao homem, não é o dinheiro o vínculo de todos os vínculos? Não pode ele atar e desatar todos os laços?” (MARX, 2010, p. 159).

Até o surgimento do capital comercial e sua transformação em capital mercantil, o emprego do dinheiro se configurava como meio de troca de mercadorias, assim explicitado por Netto e Braz (2007): mercadoria–dinheiro– mercadoria. Com a entrada dos comerciantes, a ampliação das atividades do mercado e a circulação de mercadorias tornaram-se complexas, alterando o desenho e a função anterior do dinheiro, configurando-se em dinheiro–mercadoria– dinheiro (NETTO;BRAZ, 2007, p. 82).

Konder aborda o dinheiro como mercadoria, que expressa seu valor social no equivalente em relação à outra mercadoria, transformando-se aos poucos em fetiche; “[...] o ouro e a prata, metais usados como dinheiro, aparecem como substâncias naturais dotadas de estranhas propriedades sociais” (KONDER, 2009, p.

141).

As formas históricas da divisão do trabalho, seu caráter de expropriação do tempo de trabalho dos indivíduos e do produto final como valor de uso e de troca mediante seu preço na sociedade mercantil, bem como a fetichização da mercadoria como mecanismo de coisificação das relações e da produção social imprimem particularidades nas formas de consciência e nas relações sociais.

O fetichismo é uma forma específica de alienação no capitalismo maduro, como afirma Netto.

O fetichismo põe, necessariamente, a alienação –- mas fetichismo e alienação não são idênticos. [...] É possível afirmar (estendendo a investigação para além das sugestões marxianas de 1844) que em toda sociedade, independentemente da existência de produção

mercantil, onde vige a apropriação privada do excedente econômico estão dadas as condições para a emergência da alienação. [...] O fetichismo implica a alienação, realiza uma alienação determinada e não opera compulsoriamente a evicção das formas alienadas mais arcaicas. O que ele instaura, entretanto, é uma forma nova e inédita que a alienação adquire na sociedade burguesa constituída, assim entendidas as formações econômico-sociais embasadas no modo de produção capitalista dominante, consolidado e desenvolvido (NETTO,

1981, p. 74-75, grifo do autor).

Para Vázquez (2007), a principal forma da alienação está no ocultamento do produto do trabalho como mercadoria, transformando em coisa as relações sociais, que deveriam se apresentar como relações humanas.

Em que projeta diante dos homens o caráter social do trabalho destes como se fosse um caráter material dos próprios produtos do trabalho, um dom natural social destes objetos e como se, portanto, a relação social entre os produtores e o trabalho coletivo da sociedade fosse uma relação social estabelecida entre os próprios objetos, à margem de seus produtores (VÁZQUEZ, 2007, p. 425).

Na produção de mercadorias pelo processo de trabalho, os produtos dos homens materializam-se como se tivessem vida própria, segundo Barroco (2008, p. 45-46). Aliado ao caráter da criação da mais-valia pela exploração do trabalho, e tendo como resultante a acumulação do capital, Barroco faz referência ao fetichismo e à expropriação do trabalho como “[...] faces de uma mesma relação social historicamente determinada”. Ainda aponta que essa realidade tem um caráter de universalização da coisificação nas relações sociais em todas as esferas que compreendem a totalidade da vida humana, sejam elas nas dimensões subjetivas ou objetivas.

“Nos dias em que vivemos capitalismo e desumanidade são sinônimos, pois não há qualquer humanidade em reduzir o ser humano a mercadoria” (LESSA;TONET,

2008, p. 102). Assim, para compreender as formas de ser e viver em determinado período histórico, deve-se considerar as formas elementares de reprodução social como fatores de formação e transformação para uma consciência coletiva e individual.