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Legemidler og fremmedstoff

PCB 7 (mg) PBDE 7 (mg) Dioksin- Dioksin-ekvivalenter

Pra criança aprender basta que ensina

Essa é a verdade, criança aprende cedo a ter caráter A distinguir sua classe, estude, marque

Seja um Martin, às vezes um Luther King, um Sabotage Sabotage.

Todo o acumulado até aqui, foi essencial para o desenvolvimento deste trabalho. Agora vou apresentar e discutir um pouco do que consegui aprender e apreender nas trocas com as crianças através de nossa roda de diálogo, que tinha como objetivo central, explicar para nosso amigo Insetal, o que era a escola.

Como disse, organizamos nossa roda de diálogo em algumas “fases”. Na primeira, apresentei a proposta da pesquisa, conversei com eles sobre o que é, quem faz, para que serve e o porquê que eu estava fazendo aquilo, explicando que era um pré-requisito para que eu pudesse receber meu diploma de formado no curso de Pedagogia. Também as deixei cientes de que este momento seria gravado em vídeo para que eu pudesse analisar posteriormente. Quando terminamos este momento, pedi para que as crianças se sentassem em um canto da sala, na qual eu e a professora da turma já havíamos arrumado anteriormente. Quando se localizaram e se organizaram, chamei nosso amigo extraterrestre, Insetal, da Insetolândia.

A primeira reação deles, foi a surpresa de descobrir que o famigerado Insetal, na verdade, era um colega que estudava em uma outra turma da escola e estava fantasiado. Num primeiro momento, achei que tinha feito a escolha errada, uma vez que eles logo mataram a charada. Apesar disso, este detalhe rapidamente ficou para trás e como todos já estávamos esperando, começamos logo o nosso diálogo.

Este foi um momento riquíssimo para nossa experiência, através desta conversa, foi possível perceber o quanto a escola está coberta de significados e de muitas dúvidas na cabeça das crianças. Para mim, enquanto pesquisador, foi um momento de concretizações e muita aprendizagem. Vai sempre se firmando a ideia da importância de se escutar atentamente e com olhar crítico o que as crianças vão narrando.

Foi um momento que durou cerca de uma hora, e foi aqui que levantamos boa parte do que vem sendo trabalhado neste texto.

Em seguida apresento as produções artísticas das crianças, por meio dos desenhos, que vai aclarando o significado que as crianças atribuem à escola. Na análise dos desenhos, podemos observar o olhar individual que a criança possui sobre este espaço, todavia, observa-

29 se que este olhar individual faz parte de um todo, que vai se interligando e interagindo em seus sentidos e significados atribuídos à escola por elas.

2.1. – CONVERSAS DE ET.

Aqui, materializei a proposta metodológica da Démarche Clinique Dialogique. Esta metodologia de pesquisa com a criança (GOLDBERG, 2016), foi fundamental para o êxito nesta atividade, uma vez que, coloca a narrativa da criança como peça central da discussão teórico-metodológica e principalmente, possibilita um diálogo horizontal, o que me proporcionou captar a percepção da criança referente à sua escola. Como esta metodologia me deixou livre para criar os caminhos que alcance meus objetivos através da proposta de diálogos, a voz da criança se tornou ativa no processo de construção do conhecimento e foi posta em centralidade. Atitude esta, que como vimos anteriormente, ainda é um movimento que vem se consolidado na pesquisa educacional.

Assim, já iniciando nossa conversa, apresentei nosso amigo convidado (Insetal) e fomos organizando uma metodologia de falas para que ocorresse tudo bem.

*8 Esse é o nosso amigo Insetal, da Insetolândia. Insetal, esses aqui são nossos

colegas do segundo ano da escola Alvorada... Pessoal, a primeira coisa que a gente quer saber... E aí, o que que a gente vai fazer... Vamos fazer o seguinte, quem quiser falar levanta a mão...

- Eu.

* ...quando a gente fizer as perguntas, certo?! - Tio eu posso sentar aqui?

* Calma, aí está ótimo... E ai o Insetal pediu para eu escrever algumas perguntas aqui e eu vou fazer para vocês, certo? Ai, todas as perguntas são sobre a escola, o cotidiano da escola, o que que a gente faz na escola, para que que a escola serve, esse tipo de coisa…

Rapidamente, nota-se o desejo das crianças de participar e sua necessidade latente de falar. Em alguns momentos da nossa roda, tive que intervir, tentando manter uma ordem de fala para que nossa captação ficasse mais audível. Porém, meu objetivo enquanto mediador desta roda não era controlar as falas de modo autoritário, a preocupação era somente quanto a possibilidade de não conseguir captar as vozes e as respostas das crianças, uma vez que, em alguns momentos, muitas falavam ao mesmo tempo. Para as transcrições, isso dificultou um pouco. De todo modo, continuamos com nossas questões.

8

30 Já fomos logo fazendo a pergunta central.

* A nossa primeira pergunta para vocês é, o que é uma Escola? - É um lugar onde aprende.

* É um lugar onde aprende ... - Onde você sabe ler,

- Onde você aprende a ler, a escrever... - A contar!

* A contar... o que mais gente? - A somar.

* A somar... - A escrever.

* A escrever... o que mais que a gente faz na escola? - Ler

- Ler - É ler.

* Só ler, gente? A gente só lê na escola? - Não.

- Faz atividades, tarefas, aprende a estudar, recortar, faz agenda, a gente brinca.

Como estava no papel de intermediar essa explanação para nosso amigo, em algumas vezes pedi sua opinião.

* Mas... Está vendo Insetal? A gente ô, aprende a ler, a escrever, a gente brinca. - Ele num fala não?

* Quer falar comigo Insetal? Ah... gente, ele quer saber, para que mais que a escola serve? A escola só serve pra gente aprender a ler, pra gente aprender a escrever, para gente brincar?

- Pra gente brincar, pra gente fazer a merenda - Tem que ter tarefa,

- Tem que ter reforço, - Pra imaginar, - Pra ir pra capoeira.

Vamos percebendo que a escola, na visão das crianças, é um lugar em que há muitas coisas para serem feitas. Fica nítido, através de suas respostas, a pertinência da escola na perpetuação dos conhecimentos. Para elas, a escola é um lugar de grande importância, uma vez que é lá onde aprendem a ler, a escrever, a contar. E não somente isso, é lugar também de brincar, de “- fazer a merenda”, de jogar capoeira...

Vamos notando a infinidade de oportunidades e situações que existem dentro da escola, ampliando nossa visão de escola a partir o desvelamento de seus muitos significados atribuídos pelas crianças. Importante perceber as respostas das crianças em seus contextos. Estávamos dentro da sala de aula, este fator pode influenciar, por exemplo, nas respostas como, “fazer tarefa, fazer agenda, somar…” atividades comuns no cotidiano escolar e de sala de aula.

31 É salutar observar a significância que as crianças dão à “merenda”. Como disse anteriormente, esta escola recebe uma demanda de crianças que, em alguns casos, são oriundas de famílias bastante carentes. Neste contexto, a alimentação escolar é imprescindível para o andamento das atividades e para a manutenção da criança na escola.

Como este trabalho é o resultado de dois anos de observações e intervenções, compartilho com vocês um fato ocorrido em uma tarde de setembro de 2016. Ao entrar em sala para acompanhar a professora em seu trabalho, logo percebi uma criança bastante triste e com aspecto doentio. Me aproximei dela e perguntei o que estava acontecendo, a mesma me disse que estava com muita fome e que não havia comido nada durante o dia inteiro. De pronto, falei para a criança descer e ir na cantina pedir a merendeira algumas bolachas e suco. Ele foi e em um período de cerca de dez minutos ele voltou reavivado, disposto e pronto para nossas atividades.

Até poderia, porém não vou abrir a discussão sobre a qualidade da alimentação. Para alguns, bolacha com suco não é um alimento apropriado e nutritivo para a criança, até concordo. Todavia, nossas crianças às vezes não têm nem isso em casa. Entretanto, faço a defesa de uma alimentação saudável, nutritiva e de qualidade para estas crianças, uma vez que através de suas narrativas, podemos perceber o quanto este fator é fundamental para seu pleno desenvolvimento.

Continuando com nosso diálogo:

* Gente, então o que é que a gente faz na escola... Assim... Vocês vêm pra escola fazer o que?

- Atividade. - Estudar

- Agenda, estudar

- Fazer brincadeiras na sala.

Como não poderia deixar de ser, a espontaneidade das crianças foi marca central na nossa atividade, sempre uma ou outra se soltava mais durante as falas. Podemos confirmar com esta resposta: “- fazer brincadeiras na sala.” o quanto a ludicidade está presente no desenvolvimento da criança, não só fora, mas dentro da sala de aula.

Outra necessidade que “suleou” (FREIRE, 2011a) este trabalho, era perceber o quanto que as crianças entendiam da realidade em que estavam inseridas. Por isso, o Insetal queria saber, quem construía a escola, não no sentido da construção civil, mas no sentido da construção coletiva. Quem mantém aquele espaço e que faz com que ele possa existir? Por isso, perguntamos às crianças…

32 * Quem são as pessoas que fazem a escola, quem é que está aqui todo dia? ... são só as crianças? - O prefeito, - A professora. - A diretora - A coordenadora, * De vagar... - A tia patrícia - A cozinheira

Queria poder me aprofundar em cada resposta, já que cada uma daria outra pergunta. Entretanto, de modo geral, fica perceptível que as crianças entendem, mesmo que de maneira sucinta, quem são as pessoas responsáveis pela construção e manutenção da escola. Todas as respostas se direcionaram a alguém ou alguma função que eles mantêm contato diário, ou seja, dentro de suas rotinas na escola. Elas percebem estas pessoas como responsáveis pelo andamento daquele espaço.

Só que suas respostas transcendem as quatro paredes da escola, ao perceberem o “- prefeito” como um dos responsáveis pela existência daquele espaço. Quanto a isso, atribuo a experiência que estas crianças possuem quanto aos seus direitos sociais e a quem devemos cobrar, uma vez que, somente durante o tempo que estive presente na escola, no decorrer do PIBID, presenciamos no mínimo duas greves de professores e funcionários da prefeitura. Ou seja, seus cotidianos os levaram ao entendimento de que aquele espaço é um órgão público da prefeitura e por isso o prefeito é responsável por sua manutenção. O que abre outros campos de pesquisa ou aprofundamentos futuro.

Continuei adentrando em outra questão:

* E o que é que a professora faz? - Passa tarefa pra gente,

- Ensina a gente.

* Gente... O Insetal quer saber, para que serve a professora? - Pra ensinar a ler,

- Pra ensinar.

* Pra ensinar... Ensinar o que? - A ler,

- A estudar - A fazer soma

Percebem na figura da professora uma preciosidade, uma vez que ela é a responsável por “- ensina a gente”. Mais uma vez percebemos, também, o quanto é significativo para estas crianças o ensino da leitura, da matemática. Em seguida, buscamos entender o que as crianças faziam na escola.

33 * E vocês gente, vocês fazem o que aqui na escola?

- A gente escreve, a gente pinta.

- A gente fica na sala, a gente faz brincadeira * Faz brincadeira... Ótimo.

Outra questão surge,

* Gente, é obriga... psiu. Pessoal... Vocês são obrigados a vir pra escola? - Não...

- A gente vem porque que a gente quiser * Vocês vêm porque querem...?

- Não... - Sim... - a gente vem.. - Precisa - a gente vem.. - Precisa,

- Porque a gente precisa

* Vocês precisam vir pra escola? - Sim, sim.

- Anham.

* Aqui a Nicole. Ô. - Porque os pais manda - Os pais mandam... - A gente é obrigado!

- Porque nós temos que vir, porque se não, se nós não estudar, nós…

Quando perguntamos se era obrigado vir para escola, ficou um vai e vem de ideias. O debate foi acontecendo, alguns diziam que “-sim” outros que “-não”. Até chegarmos a algumas respostas chave para esta questão, “Porque a gente precisa” e “- os pais mandam…”, logo, alguns chegaram a uma conclusão: “- A gente é obrigado!”.

Ao meu ver, dentro do desenvolvimento infantil, lidar com a obrigação é algo sempre muito difícil e doloroso para as crianças. Pode ser que seja dessas imposições que surjam a indisciplina e o mau comportamento, sendo para elas, uma forma de contraponto e resistência a autoridade. Para mim, enquanto professor em formação, as respostas das crianças deixaram uma reflexão: como garantir o direito à educação destas crianças, sem que a escola se torne um campo obrigatório a ponto de se transformar em algo doloroso? Será que a escola deve, realmente, ser um local de obrigação? Sabe-se que no Brasil, a Educação é uma eterna fonte de disputa política e ideológica, porém, sempre se baseiam as saídas na visão do adulto e pouco ou quase nunca se consulta a criança quando por exemplo, vão ser formuladas as leis que regem suas vidas. No contexto político-social em que vivemos, garantir a obrigatoriedade da escola por lei é possibilitar a oferta de educação para estas crianças, uma vez que, sem esta obrigatoriedade, talvez nem existisse esta escola, muito menos a possibilidade para esta

34 pesquisa.

De toda forma, queríamos saber para que serve a escola, afinal de contas,

* Psiu... Gente, gente, então quer dizer que estudar serve para alguma coisa... é isso? - é...

- Serve pra trabalhar.

* Gente, o Thiago está dizendo que estudar serve pra trabalhar... Serve para o que mais?

- Não...

- Pra, pra, pra ganhar dinheiro, pra eu trabalhar.. - Pra ganhar dinheiro

- Pra alimentar

* Gente, ô, o Thiago está falando aqui... vai Thiago, continua... - Eu, eu, eu...

- égua.... - Silêncio...

- Porque ser... pra entrar na faculdade.

* Pessoal... Ótimo, Thiago, vamos só dar uma paradinha aqui para gente reorganizar.

Aqui, estávamos com a roda bastante agitada, muitas crianças falando ao mesmo tempo o que durante as transcrições dificultou bastante para separar e entender o que cada criança estava falando. Porém, o Thiago levanta questões de extrema importância a respeito do porque é importante estudar. Ele relaciona essa importância com necessidades futuras, segundo ele é, “- Pra, pra, pra ganhar dinheiro, pra eu trabalhar..” e “- Porque ser... pra entrar na faculdade.”. Então por este depoimento, fica claro que a escola, para ele, tem uma finalidade. Além do Thiago, outras crianças falaram…

* Vamos retomar aqui pra gente continuar, certo? Gente, a gente estava discutindo algo muito importante que o Thiago estava falando, que a gente estuda para: arrumar um trabalho, para conseguir dinheiro, o que mais Thiago? ... Vamos escutar gente? - Pra fazer a faculdade.

* Pra fazer a faculdade... O que mais? - Tio, tio, eu posso falar?

- Para fazer o primeiro ano * Gente, o Thiago estava falando... - E eu?

* Vai Raissa, fala.. - Para sustentar... (risos) * Para sustentar o que? - A família,

Todas elas observam na escola e no estudo um plano de desenvolvimento futuro, estão na escola porque no futuro vão precisar destes conhecimentos para “- Pra fazer a faculdade.”, “- pra fazer o primeiro ano”, para arrumar um emprego que sustente suas famílias, ou seja, na escola há um objetivo futuro e por mais que estejam lá obrigadas, entendem que através daquele espaço eles poderão alçar voos futuros.

35 Como estávamos descobrindo o que era escola, um questionamento surgiu...

* E tem que pagar pra vir pra escola? - Não...

- Tem... Só os colégios particulares.

* Ah... Então existem dois tipos de escola? É isso? - É... Particulares e públicas.

* E qual é a diferença do particular e do público? - Porque particular é caro.

- particular é pago e público não.

* Hum... Está vendo Insetal, existem dois tipos de escola, existe a escola particular e a escola pública, a particular a gente paga e a pública... É de graça? É de graça ou alguém paga?

- é..

- paga, paga... professor, professor

- a mãe, a mãe, quando os pai entra na escola, tem que pagar. - paga não

- Paga sim, na hora que for entrar, paga. * Quem é que paga a escola pública gente? - a mãe

- Mamãe,

* A mãe da gente? - É...

* Hum... está certo.

Observamos o debate que aconteceu para saber quem paga a escola. Neste sentido, descobrimos que existem dois tipos de escola, as particulares, que são caras e se paga para estudar, e a outra pública, que de início falaram que não pagava, só que, dentro do diálogo, fomos recebendo respostas divergentes. Então, ao final de contas, percebemos que alguém paga a escola pública e para estas crianças são seus pais que arcam com esta despesa.

Durante nossa conversa, as crianças demonstraram que possuem conhecimento e entendimento da realidade que os cercam, por isso, fomos aprofundando nosso diálogo sobre a divisão da escolar…

* Então vocês estão me dizendo que a escola se divide entre educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, é isso...?

- Sim - Sim

* E depois do ensino médio, tem mais alguma coisa? - Não

- Nada

* Então a escola acaba no ensino médio? - é

- Sim

Aqui nós estávamos discutindo quais os níveis e ensinos que passamos na escola. Aqui também há uma divisão, já que eles percebem esta divisão na própria organização das escolas. Percebemos que mais atrás, uma criança falava que estudávamos para entrar na

36 faculdade e aqui eles não entendem a faculdade como uma continuação da escola, mas sim, como uma outra etapa, já que para eles, a escola acaba no ensino médio.

Já finalizando nosso diálogo, gostaríamos de saber se eles gostavam daquele lugar, se se sentiam bem...

* Agora a gente quer saber uma coisa muito importante de vocês... é bom vir pra escola?

- é... - Sim...

* Vocês gostam de vir pra escola? - Sim...

* Quando a gente fala assim oh: tá na hora da escola, todo mundo já está morto de feliz para ir?

- Sim...

* E quando a gente fala assim: gente, acabou a aula, vocês ficam tristes ou felizes? - Aaa.

- Fico triste - Não * Porque?

- Quero estudar mais... * Vocês querem estudar mais? - Sim

- Não

- Dá para estudar

O melhor e mais interessante de se trabalhar com a Démarche Clinique Dialogique, é exatamente perceber a infinidade de pensamentos. Para alguns, a experiência da escola é maravilhosa, se sentem bem naquele espaço e acham agradável, já para outros, não é uma experiência tão boa e não se sentem tão felizes naquele lugar.

* Agora vamos voltar aqui oh. Gente, agora vamos voltar aqui... o que é que vocês mais gostam de fazer na escola?

- Brincar - A ler - Estudar - Correr

- Estudar, estudar...

A resposta “- brincar” soa quase que de imediato. Mais uma vez, ressalta para nós, professores em formação, o valor deste aspecto para o desenvolvimento integral da criança. Elas demonstram também o gosto pela leitura e o estudo. Podemos inferir então que, as junções destes três aspectos tornam a escola um lugar bastante apreciado pelas crianças.

Para poder melhor caracterizar o desejo da criança em relação à escola, fizemos uma rodada de perguntas a todas as crianças da roda, para saber,

37 * Vamos fazer assim oh, a Raissa vai falar o que ela mais gosta e o que ela menos gosta. Vai Raissa...

- Eu gosto de estudar * E o que que tu não gosta? - As vezes do recreio

* Você, o que é que você gosta na escola? - Fazer tarefa e não gosto de brincar.

* Não gosta de brincar... e você, o que é que você gosta? - De ler

* E o que é que tu não gosta? - De brincar na sala

* Não gosta de brincar na sala... e tu Darlisson, o que é que tu gosta na escola? - Ham, eu?

* O que é que tu gosta na escola?

- Estudar, contar histórias, escrever e fazer aquelas contas * E o que é que tu não gosta, Darlisson?

- Eu não gosto quando tem barulho porque eu fico com dor de cabeça

Um fator importante de se destacar é que, neste momento do diálogo, a professora da turma que até então estava mais afastada e as vezes fora da sala, nos dando uma abertura maior, se aproximou. Fato que, de alguma forma, pode ter interferido mesmo que minimamente, nas respostas. Contudo, estas respostas nos dizem muito do dia-a-dia não só desta turma, mas da escola como um todo. Como estamos questionando sobre o que é a escola, fomos percebendo o quão representativas estas respostas foram para poder entender este ambiente.

* O que é que tu mais gosta na escola? - Gosto de fazer simulado e brincar * E o que é que tu não gosta?

- Quando o Darlisson e o Ruan fazem brincadeira na sala. * Quando tem gritaria na sala...

[...]

* o que é que o Arthur mais gosta? - Da tarefa

* E o que é que tu não gosta? - Brigar

* e tu, o que é que tu gosta?

- De fazer tarefa, ler e de ler histórias * E o que é que você não gosta? - Bagunça na sala

[...]

* E você Nicole? Gente, a Nicole agora, ô... - Da professora,

* A Nicole gosta da professora e o que mais...? - De estudar e de ler

* E o que é que você não gosta?

- Quando o Darlisson e o Davi ficam me batendo

Então, a escola é um lugar barulhento, onde acontecem brigas, intrigas, muitas tramas e dramas. Vamos moldando a escola através da fala das crianças, captando, de maneira

38 mais singela, o quanto aquele espaço de aprendizado, onde se fazem tarefas, leituras e contas, é caótico. Porém, fica marcado aqui o quanto a professora é importante para elas, talvez não só para ensinar a ler, mas também, para dar significado para aquele espaço.

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