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Risiko ved bruk av rensefisk i norsk

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3 – PARA NÃO CONCLUIR A QUESTÃO.

Considero que nesta pesquisa em que, de forma colaborativa, utilizou a narrativa oral e gráfica da criança para produzir informações e conceitos sobre a Escola, pude compreender e afirmar a primazia de uma pesquisa com a criança. Elas percebem o todo que envolve a escola, confirmando todas as defesas de que a criança é capaz de construir conhecimento. Ela se referencia em seu contexto e neste ela observa, reflete, opina e é capaz de modificá-lo. Elas nos confirmam todo o poder da afetividade, da natureza e do conhecimento. Seus desenhos em preto e branco, também denunciam o distanciamento que nós, adultos, estamos tomando destes aspectos do Ser Humano. No fundo, elas nos convidam a andar na contramão de tudo que está posto para a escola e mandam um recado de que a escola precisa de uma grande e profunda transformação.

Em suas narrativas, apresentam a escola como um caminho de valorização futura, capaz de transformar as suas realidades, e também deixam claro o desejo de modificar a realidade da escola. Caracterizam a escola como este lugar capaz de proporcionar momentos agradáveis, de aprendizagem, de brincadeira, de encontro com os amigos, com o caos dos momentos das aulas tradicionais em que precisam fazer cópias, contas, tarefas, agendas, brigam, bagunçam e vivem boa parte de suas infâncias.

Ao inferir na visão da criança, por meio da narrativa e do desenho, vai se aclarando a sua percepção sobre a escola. Por elas, a escola não precisaria de portas e grades, sempre fazendo alusão ao sentimento de liberdade inerente às crianças. Elas também são extremamente críticas e cobram muito! Em seus desenhos, reivindicam espaços inclusivos na escola, capaz de proporcionar amor, amizades e respeito às diferenças. Onde todos possam fazer parte dessa grande árvore da vida construída de forma coletiva. O desenho se confirma como mecanismo de valor imensurável para captar a percepção infantil.

Durante nossa roda de conversa, falamos muito sobre a caracterização da escola, como ela funcionava, o que se fazia naquele espaço, quem eram as pessoas responsáveis por manter aquele lugar, como ela se constituía, como se dividia, etc. Nesta prática, a voz da criança se torna fonte inesgotável de informações ao pesquisador, e a quem tiver a coragem de conversar com elas. Quanto mais você às questionar, mais elas vão mostrar que são capazes de responder. Se torna nítido que a criança possui uma capacidade de absolvição de informação tão grande que, tudo que você a ensinar ela vai aprender, além de tudo que aprendem somente com a observação.

47 Em seus desenhos, reivindicam espaços que contemplem o desenvolvimento integral da criança, entendendo a brincadeira e o contato com o alimento como pontos importantes que influenciam no aprendizado. Exigem que a escola se transforme num ambiente familiar, agradável. Querem um espaço de aconchego e liberdade. Anseiam pelo contato com a natureza e o distanciamento dos prédios pensados apenas para prender as pessoas.

Criticam a autoridade do professor que guia as crianças, com suas frases e respostas prontas, que são programadas. Do mesmo modo que, reconhecem e ressaltam a importância do professor para a perpetuação do conhecimento que lhes serão bastante úteis. Acentuam também a autonomia que possuem de poder escolher o espaço mais agradável e apropriado para elas, entendendo também a brincadeira como um momento de aprendizado.

Sentem falta de árvores, animais e brinquedos, principalmente os escorregadores, destacando sempre os momentos de liberdade proporcionados pela brincadeira, da qual as escolas com suas grades e muros acabam que por emergir um sentimento de aprisionamento, sufocando as crianças e podando suas criatividades. Cobram afeto e denunciam a escola tradicional que está cada vez mais distante do indivíduo que a constitui. Demandam espaços que integrem a escola com a comunidade para que possa ocorrer o seu melhor funcionamento. Para elas, a escola é o lugar destinado a aprender (a ler, a escrever, a contar...) e é para isso que, mesmo sendo obrigadas, elas vão para a escola. Acreditam que tudo que estão aprendendo na escola lhes servirão no futuro para conseguir um emprego e sustentarem suas famílias.

Entendo que, refletir sobre o que é a Escola é substancial para que se possa dimensionar seu papel e sua importância, tanto para as pessoas que trabalham nela, quanto para as que utilizam o serviço que nela é prestado, bem como para a sociedade de modo geral. Questionar as crianças, no caso da educação infantil e ensino fundamental, aos adolescentes no ensino médio, aos jovens e adultos na EJA9, é crucial para se descobrir o que é a escola na ótica de quem está sendo diretamente impactada por ela, uma vez que é para eles que a escola se constitui enquanto o ambiente destinado a educá-los.

Imergir no imaginário da criança, através de uma pesquisa científica, orientado teórico-metodologicamente, é chave para alcançar as definições e projetar as mudanças estruturais e políticas necessárias para construir uma escola significativa e democrática. A criança deve cada vez mais ser tratada como um indivíduo capaz de opinar sobre sua

48 realidade. Além do mais, criar o hábito da consulta faz com que se desenvolva um senso crítico e de participação, fundamentos essenciais para construir uma sociedade justa.

Por meio da Démarche Clinique Dialogique de Lani-Bayle, do projeto Raconter L’ecole e dos desenhos produzidos pelas crianças, fizemos a caracterização da escola na qual eu e a turma estávamos inseridos, que pode servir também, para uma caracterização geral das escolas da cidade de Fortaleza que se encontrarem em condições semelhantes. Os desenhos e sonhos por uma escola na qual as crianças participassem de sua construção, tanto pensando junto com o corpo de trabalhadores e a comunidade os espaços físicos quanto sobre os conteúdos, material didático, ou qualquer outra coisa que envolva a sua vida na escola.

Afirmo que consegui alcançar meus objetivos com esta pesquisa. Criei, por meio das teorias e metodologias estudadas, as possibilidades de diálogo e produções artísticas necessárias para captar a percepção das crianças que participaram do trabalho, bem como venho apresentando durante todo o corpo do texto. Para além deste, minha inserção na escola e o contato com as crianças, me transformaram em um professor pesquisador, encadeamento do qual pretendo prosseguir, caminhando na busca por uma educação emancipadora, dentro da minha prática diária de sala de aula. Entendendo as crianças como capazes de fazer a revolução que ainda estamos projetando e com a certeza que junto com as mãos delas podemos criar um novo mundo.

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