6 Det metrerte referansesystemet
6.10 Metrering av strekninger med adskilte løp
O sistema de ensino e instrução da FPESP foi prejudicado em razão da sublevação de 1924, mas esse conflito não prejudicou somente os serviços da corporação, ele trouxe um novo quadro em relação à disseminação da ideologia do soldado-cidadão e à participação de integrantes da milícia paulista. Exatamente por isso, ele merece uma atenção mais pormenorizada; assim, é necessária uma análise do conflito, suas origens e consequências.
Após a sublevação da guarnição do Forte de Copacabana, da Escola Militar e da Circunscrição Militar do Mato Grosso, em julho de 1922, o governo de Epitácio Pessoa decretou estado de sítio, o qual perdurou até que assumisse o governo o vencedor das eleições presidenciais de março de 1922, o ex-presidente do estado de Minas Gerais, Arthur Bernardes. Logo que assumiu a presidência, Arthur Bernardes renovou o estado de sítio, por meio de sucessivos decretos (CPDOC, 1997).
Alguns revolucionários de 1922 foram presos em diversas guarnições militares do país e outros desertaram, sendo que um ato do presidente Arthur Bernardes determinou que todos os presos fossem recolhidos na mesma cadeia. Assim, ficaram presos na antiga Escola do Estado- Maior do Exército diversos militares envolvidos com os levantes, como os Tenentes Joaquim Távora, Juarez Távora, Henrique Ricardo Holl, João Alberto Lins de Barros, entre outros. Enquanto estiveram presos, o Capitão Joaquim Távora começou a despontar como uma espécie de liderança do movimento (CPDOC, 1997).
Ainda em 1923, o Superior Tribunal Federal emitiu um habeas corpus em favor dos “tenentes” e estes passaram a aguardar o julgamento em liberdade vigiada. Mesmo assim, eles conseguiram agir secretamente e iniciar os preparativos para um novo levante, cooptando outros oficiais, como o Capitão Luís Carlos Prestes, o Tenente Veterinário Aristides Leal, o Tenente Lourenço Moreira Lima, o Tenente Filinto Müller, o Capitão Newton Estillac Leal, entre outros. Cumpre ressaltar que, em São Paulo, na década de 1920, a 10ª Região de Inspeção Militar foi reorganizada e ampliada, dando origem à 2ª Região Militar (MacCann, 2007). Como relatado anteriormente, na década de 1910, a 10ª Região de Inspeção Militar instalou sua sede na Avenida Tiradentes (Correio Paulistano, 1910), ao lado da Escola Politécnica e próxima do Quartel da Luz, onde ficavam o Regimento de Cavalaria, o 1º e 2º Batalhões de Infantaria da FPESP, além de ser próxima ao Corpo Escola, instalado, desde 1922, à Rua Ribeiro de Lima, também nas vizinhanças do Quartel da Luz. Assim, em razão de afinidades profissionais e da aproximação física, houve um estreitamento de relações entre os oficiais da Força Pública e os oficias da 2ª Região Militar, especialmente os do Regimento de Cavalaria, que era frequentado por oficiais da 2ª Região Militar para a prática de equitação144.
A técnica de sublevação utilizada pelos “tenentes” rebeldes era a cooptação de jovens oficiais que se encarregariam da sublevação da unidade em que serviam; portanto, verifica-se que os revolucionários buscavam apoio de diversos oficiais. Nesse contexto, a proximidade com os oficiais da Força Pública facilitou o processo de cooptação por parte dos “tenentes” revolucionários que serviam na 2ª Região Militar, como o Capitão Newton Estillac Leal, sendo um exemplo de oficial que aderiu à conspiração o Major Miguel Costa, fiscal do Regimento de Cavalaria da Força Pública em 1922145. A partir dessa adesão, diversos outros oficiais da Força Pública passaram a aderir ao movimento, especialmente pelo respeito que a figura de Miguel Costa impunha.
144 Conforme Livro de Visitas do Regimento de Cavalaria 9 de Julho, ano de 1924, que se encontra depositado no
Museu do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP).
145 Conforme Livro de Registro Anual do Regimento de Cavalaria 9 de Julho, ano de 1924, que se encontra
MacCann (2007), por meio da análise dos depoimentos de alguns dos oficiais da Força Pública que se envolveram no levante, constata que
[...] um major da Força Pública paulista com o singular nome de índio do Brasil testemunhou depois que, embora nada tivesse contra os líderes do estado ou da força policial, seguiu o major Miguel Costa porque ‘não tinha coragem de negar-lhe qualquer auxílio em qualquer área por conta da amizade e dos favores que recebera’. (p. 346).
A conspiração de 1924, portanto, demonstrou certa maturidade do movimento dos “tenentes”, diferentemente da Revolução de 1922, em que eles agiram de forma isolada e não buscaram o apoio da população, como descreve Forjaz (1976, p. 68):
É o fato marcante do primeiro 5 de julho a inexistência de pronunciamentos e manifestos. A população é pega de surpresa e como afirmou um historiador ‘os heróis falam pouco’. Em suma, espontaneidade, voluntarismo e indefinição ideológica marcam as origens do tenentismo.
Os tenentes conspiram e agem isoladamente e não buscam aliados na oligarquia dissidente e não pretendem o apoio de grupos populares.
De fato, em 1924, a preparação para o movimento deu-se de forma diferente; primeiramente, os “tenentes” optaram por escolher um líder, um oficial superior, um general, se possível. MacCann (2007) analisa essa questão e aponta os motivos para tal postura:
O desejo dos tenentes de ter como líder um oficial superior ia além do respeito pela hierarquia. Havia, como salientou José Drummond, um ‘importante raciocínio realista, prático e operacional’. Um líder respeitado atrairia, ‘seja por subordinação, seja camaradagem, seja pelo mero exemplo’, outros oficiais para a causa. Em um nível mais profundo, os tenentes ansiavam por diminuir, de fato e/ou simbolicamente, seu isolamento ‘no Exército e eventualmente caracterizar sua intervenção como coletiva e institucional’. Seria esse desejo pela ‘cobertura institucional do Exército’ que levaria os tenentes a tentar, em vão, atrair o comandante da 2ª Região Militar, o general Abílio de Noronha, para sua causa [...]. (p. 345).
Os revolucionários cogitaram para a liderança do movimento o General Augusto Ximeno de Villeroy, o Marechal Odílio Bachelar Randolfo de Melo, o General Isidoro Dias Lopes, todos reformados, além dos Majores Bertoldo Klinger e Miguel Costa (CPDOC, 1997). A escolha acabou recaindo sobre o General Isidoro Dias Lopes, pois se tratava de um oficial com certo histórico de participação em rebeliões e alguma influência política junto à Reação Republicana, como se vê a seguir:
Para preservar a hierarquia, deveria ser oficial superior e, como não conseguiram encontrar um homem assim entre os militares da ativa, foram procurar na reserva o coronel Isidoro Dias Lopes, que ao reformar-se fora feito general-de-brigada. Ele era gaúcho, da cidade de Dom Pedrito. Era militar da velha guarda, que ingressara no Exército como praça em 1883. Em janeiro de 1889 concluiu a Escola Militar em Porto Alegre e, como ardoroso propagandista republicano, apoiou a nova República nascida no final daquele ano. Quando eclodiu a Revolta Federalista no Rio Grande do Sul em 1893, deixou o Exército e se tornou chefe do Estado-Maior do caudilho Gumercindo Saraiva, lutando contra o governo estadual de Júlio de Castilhos e contra o governo federal de Floriano Peixoto. Em 1895, quando seu lado foi derrotado, exilou-se na França. Anistiado em 1896, reintegrou-se ao Exército no ano seguinte e se tornou oficial aluno na Escola Militar de Praia Vermelha, no Rio, A partir de 1900, quando se tornou capitão, até 1917, quando chegou a tenente-coronel, ocupou postos em várias escolas e quartéis e, mais importante, comandou unidades em Corumbá, Rio de janeiro, Bagé, Uruguaiana e Cruz Alta. Os tenentes achavam que ele provara seu valor como rebelde em 1893-95 e que compreendia a importância da anistia. Além disso, ele já demonstrara alguma inclinação para conspirar; depois da posse de Artur Bernardes em dezembro de 1922, Isidoro debatera algumas ideias para a rebelião com o ex-presidente Nilo Peçanha. (MacCann, 2007, pp. 344-345).
Outra diferença do movimento de 1924 foi a busca por apoio popular. Após ter certeza de que havia diversas unidades militares de São Paulo, do Paraná e do Rio Grande do Sul envolvidas na conspiração, Isidoro Dias Lopes aceitou o convite para chefiar a revolução (MacCann, 2007) e iniciou seus preparativos. Pessoalmente, buscou o apoio de líderes do movimento operário e dos militantes do Partido Comunista, no início de 1923; para isso, viajou ao Rio de Janeiro. Ele planejava um movimento que deveria contar com uma greve geral em São Paulo, uma no Rio de Janeiro e o levante militar. Contudo, a conspiração com o movimento operário no Rio de Janeiro foi delatada e diversos líderes comunistas e sindicais foram presos (Dules, 1977).
Enquanto Isidoro tentava conseguir apoio para o levante com os movimentos de esquerda, os sublevados de 1922 foram julgados em dezembro de 1923 e condenados pelo art. 107, acusados de "tentativa de mudança da forma de governo por meio da violência", crime que previa pena de prisão e expulsão do Exército. A partir dessa condenação, diversos tenentes desertaram e começaram a participar dos preparativos para a rebelião, operando, em 1924, clandestinamente em São Paulo e planejando o levante com diversos outros oficiais do Exército e da Força Pública (CPDOC, 1997).