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Metodología. CANVAS

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Capítulo 2. Propuesta de valor

2.1. Metodología. CANVAS

A produção de alumínio é feita a partir da extração da bauxita, rocha sedimentada que é processada mediante a adição de hidróxido de sódio, pressão e calor, numa primeira fase chamada de refinamento do alumínio. Na sequência,

ocorre o processo de fusão e faz-se a redução do processo eletrônico. Esses estágios de produção do alumínio acarretam contaminação da água, do solo e do ar.

Encontra-se em Fogliatti; Filippo; Goudard (2004, p. 8) que impacto o ambiental “é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e/ou biológicas do meio ambiente, provocada direta ou indiretamente por atividades humanas podendo afetar a saúde, a segurança e/ou a qualidade de recursos naturais.”

Todo empreendimento minerador afeta as relações físicas, biológicas e sociais do ambiente. Estas transformações constituem os impactos ambientais. Na Figura 2 encontram-se representadas as áreas e os efeitos.

Figura 2- Áreas de influência direta e indireta Fonte: Fogliatti, Filippo e Goudard (2004)

Dentre os impactos ambientais provocados por mineração segundo Fogliatti, Filippo e Goudard (2004), estão:

a) poluição do ar – provocada por elementos como monóxido de carbono, óxido de nitrogênio, fumaça, poeira de alumínio e sódio que produzem diversos danos a saúde;

b) ruído – produzido por motores e trânsito em geral e que provoca desde pequenos desconfortos até perturbações fisiológicas;

c) uso e recuperação do solo – que provoca movimentos migratórios ou de invasão e adensamento populacional, com a consequente alteração no valor monetário da terra;

d) alterações climáticas – decorrentes da destruição da vegetação natural ou da refração do pavimento da via ou pela construção de barreiras, INTERVENÇÕES

AMBIENTAIS

EMPREENDIMENTO ÁREA DE INFLUÊNCIA DIRETA

ALTERAÇÃO AMBIENTAL

IMPACTO AMBIENTAL ÁREA DE INFLUÊNCIA INDIRETA

levando a alterações no ciclo biológico dos seres vivos e a migrações de espécies;

e) efeito sobre águas superficiais e/ou subterrâneas – provocadas por desvios dos cursos d‟água, ou pela impermeabilização da superfície, ou por modificações da drenagem superficial o que compromete a alimentação do habitat subterrâneo;

f) impactos sobre abiota – provocados por restrições a circulação de animais, modificando características alimentares e/ou de reprodução de espécies;

g) segregação de comunidades – provocada pela instalação do empreendimento e/ou construção de rodovias, secionando a população de uma comunidade.

Tem-se, assim, o início dos impactos ambientais provocados pela produção de alumínio. No Brasil, as reservas mais expressivas de bauxita estão localizadas no Pará (76%), seguido por Minas Gerais (16%) e Maranhão (6%) (FEDERAÇÃO..., 2009). A mineração da bauxita provoca a remoção da camada vegetal e, consequentemente, a alteração e descaracterização da paisagem, o que resulta em danos à flora e à fauna. Sabe-se que a mineração, desde os rudimentares garimpos até os mais sofisticados complexos industriais, agride a natureza, rompe o seu equilíbrio e polui o meio ambiente.

Concomitante à instalação do projeto de mineração na Ilha de São Luís ficaram as evidências de danos ambientais gerados pelo projeto: contaminação dos recursos hídricos, do solo e do ar. A indústria de alumínio é classificada como uma das mais poluentes do planeta, razão pela qual foi transferida dos países desenvolvidos (ou centrais), para os subdesenvolvidos (ou periféricos) além de ser uma indústria energívora.

Os impactos sociais desfizeram o espaço humanamente ocupado e socialmente construído pelas famílias de pescadores e lavradores para acolher o projeto da ALCOA MINERAÇÃO S.A. As populações são deslocadas, os desmatamentos acontecem, há perda de habitat de espécies naturais, contaminação da água e do solo e o aumento de problemas sociais. São Luís, em decorrência do vento do quadrante sul e sudeste, passa a ter concentrada dose de poluentes. Uma

das consequências é o número de higroscópicos37 no ar. O ambiente também está

exposto à poeira de alumínio e sódio. Os rios e riachos que cortam a área onde está instalada a ALCOA MINERAÇÃO S.A. sofrem impactos diretos ao receberem águas utilizadas no processo que, dentre outros elementos, contêm sódio e soda cáustica.

Na produção de cada tonelada de alumínio são geradas, aproximadamente, 1,4 toneladas de lodo vermelho tóxico (red mud), resultante da produção de óxido de alumínio, afetando profundamente o solo, a água de igarapés, riachos (cachorros), lençol freático e o próprio mar. Essa lama contém soda cáustica, elemento nocivo ao meio ambiente, “podendo provocar chuvas ácidas, assoreamento de rios, riachos e igarapés e em contato com águas pluviais pode contaminar o lençol freático.” (MOREIRA, 2006, p. 53).

Essa lama também pode provocar danos irreversíveis aos ecossistemas dos mangues e estuários existentes no entorno. Sabe-se que esse ecossistema é frágil e vulnerável e propicia uma grande produtividade biológica. As modificações advindas da contaminação do ecossistema acarretam modificação no Ph, trazendo como conseqüência uma sensível diminuição da salinidade, gerando menor produção ou mesmo desaparecimento de camarões, sururus e de outras espécies que compõem o ecossistema dessa área.

Apesar de a ALCOA MINERAÇÃO S.A. utilizar recursos para mitigar38 os

impactos, sabe-se que a água despejada no estreito de Coqueiro vem provocando a diminuição de peixes e caranguejos, forte odor e coceira nos olhos dos que ainda se servem do estreito de Coqueiro para retirar o sustento da família. O igarapé Andiroba possui, hoje, uma camada de cálcio gerada pela fusão de ácido sulfúrico e de soda cáustica. Tal fusão transformou a água em verdadeira sopa química. Além disso, o desmatamento da área tem provocado erosão, desaparecimento de parte dos manguezais e vem provocando através da fumaça que sai de suas chaminés, doenças respiratórias, além de espalhar partículas ácidas sobre a cidade de São Luís, afetando, em particular, os sobradões e os monumentos históricos que compõem a área tombada da cidade.

37 Materiais capazes de absorver, reter ou eliminar água são chamados de higroscópicos. Utilizados

na construção civil, impedem a evaporação. São responsáveis pelos fenômenos patológicos como eflorescência e criptoeflorescência. Os compostos higroscópicos são: cloruro cálcio (CaCl2); hidróxido de sódio (NaOH); ácido sulfúrico (H2SO4); Sulfato de cobre (CuSo4); Pentóxido de fósforo (P2O5). (GISLER, 1995).

Em visita monitorada ao Complexo da ALCOA MINERAÇÃO S.A. durante a Semana do Meio Ambiente, em maio de 2008, para grupos organizados (professores, alunos, comunidade, associações), a Gerência de Comunicação e Meio Ambiente fez a apresentação de todo o complexo, dando ênfase ao cuidado com o meio ambiente. Após a explanação, foi realizada a visita ao complexo, para conhecimento do trabalho e “manutenção da qualidade do meio ambiente”, referente ao resíduo sólido decorrente da extração da alumina da bauxita disposto em lagos duplamente protegidos com mantos de PVC e argila para “impedir” infiltração e “assegurar a proteção” dos aqüíferos.

A ALCOA MINERAÇÃO S.A. mantém uma Gerência do Meio Ambiente integrada por biólogos, químicos industriais, técnicos de saneamento e agrônomos encarregados pelos programas de preservação e recomposição do solo e da vegetação. A paisagem que se vê ao redor das instalações da ALCOA MINERAÇÃO S.A. parece muito bem preservada e arborizada, o que não se constitui garantia da inexistência dos impactos e poluição ambiental.

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