Para SILVA, MENEZES (2000), as pesquisas podem ser classificadas sob vários pontos de vista.
Ponto de vista da sua natureza
Desse ponto de vista, a pesquisa classifica-se como: pesquisa básica e pesquisa aplicada. A pesquisa básica tem por objetivo gerar novos conhecimentos úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista.
Já a pesquisa aplicada, segundo estes autores, busca gerar conhecimentos para a aplicação prática orientados para a solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais.
Ponto de vista da forma de abordagem do problema
Sob a ótica do tipo de abordagem do problema, a pesquisa pode ser quantitativa ou qualitativa. A pesquisa quantitativa traduz dados (opiniões, informações) em números para classificá-los e analisá-los (SILVA, MENEZES, 2000). Requer o uso de métodos estatísticos.
Por sua vez, a pesquisa qualitativa “considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números” (SILVA, MENEZES, 2000, p.20). GODOY apud MARTINS (1998, p.128) argumenta que, ao contrário da pesquisa quantitativa, a pesquisa qualitativa não procura enumerar e/ou medir os eventos estudados, nem emprega técnicas estatísticas na análise dos dados. O ambiente real é a fonte direta para coletas de dados e o pesquisador o instrumento principal. A análise de dados tende a ser indutiva,20 e o processo e seu significado são os focos principais de abordagem.
De acordo com BRYMAN (1989), as características básicas da pesquisa qualitativa são:
• o ambiente natural é a fonte direta de dados, e o pesquisador o instrumento fundamental;
• múltiplas fontes de dados são utilizadas;
• o significado que as pessoas dão às coisas é a preocupação essencial do investigador;
• os pesquisadores têm proximidade do fenômeno estudado.
Ponto de vista de seus objetivos
Quanto aos objetivos, as pesquisas podem ser: exploratória, descritiva e explicativa. A pesquisa exploratória tem como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descobertas de intuições, definir melhor o problema, proporcionar maior familiaridade com o problema, descrever comportamentos ou definir e classificar fatos e variáveis (GIL, 1988). Já a pesquisa descritiva, segundo este mesmo autor, tem como objetivo a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis.
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Os métodos de pesquisa, dentro de uma classe mais ampla, podem ser: método dedutivo; método indutivo; método hipotético-dedutivo e método dialético. “O método indutivo é aquele no qual a busca da solução parte de constatações particulares e por meio de enunciados sintéticos visa chegar a conclusões genéricas (teorias ou leis)” (MARTINS, 1998, p.124).
Já a pesquisa explicativa tem como objetivo identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Como menciona GIL (1988, p.47):
Este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas. Por isso mesmo é o tipo mais complexo e delicado, já que o risco de cometer erros aumenta consideravelmente.
Geralmente essa pesquisa assume a forma de pesquisa experimental e pesquisa
ex-post-facto (SILVA, MENEZES, 2000).
Ponto de vista dos métodos de procedimento de pesquisa
Segundo BRYMAN (1989), para pesquisas organizacionais, os principais métodos de procedimentos de pesquisa são: experimental, survey, estudo de caso e pesquisa-ação.
A pesquisa experimental ocorre quando se determina um objeto de estudo, selecionam-se as variáveis que poderiam influenciá-lo e definem-se as formas de controle e de observação dos resultados que a variável produz sobre o objeto (GIL, 1988).
A pesquisa de avaliação (survey), geralmente, é associada a questionários e a entrevistas estruturadas (MARTINS, 1998, p.104).
[...] a pesquisa de avaliação requer uma coleta de dados (invariavelmente no campo da pesquisa organizacional por meio de questionários auto-aplicáveis e por entrevistas estruturadas ou possivelmente semi-estruturadas) num número de unidades e usualmente num único instante de tempo, com a coleta sistemática de um conjunto de dados quantificáveis, sobre um número de variáveis as quais então são examinadas para distinguir padrões de associação [...].
MARTINS (1998, p.130) cita que “a coleta de dados geralmente é feita num número de unidades que permita a generalização estatística, tendo assim, uma forte validade externa”. Mesmo assim, este autor afirma que essa generalização é fraca, pelo motivo acima destacado por BRYMAN (1989), ou seja, a coleta de dados acontece num instante único no tempo, quando da aplicação do questionário.
MARTINS (1998) defende que a busca da generalização estatística implica amostras de grande tamanho, o que acaba restringindo o uso desse método em fases exploratórias, quando um tema ainda é emergente. Todavia, vale refletir que,
dependendo da homogeneidade da amostra, a validade estatística poderá não depender do tamanho desta amostra.
YIN (1989) destaca que as estratégias de pesquisa em Ciências Sociais podem ser: experimental; survey (levantamento); histórica; análise de informações de arquivos (documental) e estudo de caso. Conforme este autor, cada uma dessas estratégias pode ser usada para fins exploratórios, descritivos e explanatórios. Ele menciona que:
[...] o estudo de caso é uma inquirição empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, quando a fronteira entre o fenômeno e o contexto não é claramente evidente e onde múltiplas fontes de evidência são utilizadas (YIN, 1989, p.23).
Esse autor reforça que essa definição ajuda na compreensão e distinção entre o método do estudo de caso e outras estratégias de pesquisa, como o método histórico, a entrevista em profundidade, o método experimental e a survey. Ainda, YIN (1989) apresenta, resumidamente, quatro aplicações para a estratégia do estudo de caso:
1. explicar ligações causais nas intervenções da vida real que sejam muito complexas para uma abordagem dos surveys ou dos experimentos; 2. descrever o contexto da vida real no qual a intervenção ocorreu; 3. avaliar, ainda que de forma descritiva, a intervenção realizada;
4. explorar aquelas situações em que as intervenções avaliadas não possuam resultados claros e específicos.
Vale citar que existem algumas críticas sobre a estratégia do estudo de caso. Para as críticas YIN (1989) apresenta argumentos de defesa, dispostos no Quadro 4.1.
QUADRO 4.1 - Críticas e defesas sobre o estudo de caso. Adaptado de YIN (1989).
Críticas Defesa
• a falta de rigor
• a influência do investigador (falsas evidências e visões viesadas)
• há maneiras de evidenciar a validade e a confiabilidade do estudo
• fornece pouca base para generalizações
• o que se procura generalizar são proposições teóricas (modelos) e não proposições sobre populações. Nesse sentido, os Estudos de Casos Múltiplos e/ou as replicações de um Estudo de Caso com outras amostras podem indicar o grau de generalização de proposições.
• são muito extensos e
demandam muito tempo para serem concluídos
• Nem sempre é necessário recorrer a técnicas de coleta de dados que consomem tanto tempo. Além disso, a apresentação do documento não precisa ser uma enfadonha narrativa detalhada.
Por fim, a pesquisa-ação é planejada e implementada associada com uma ação ou com a solução de um problema coletivo (SILVA, MENEZES, 2000). Segundo MARTINS (1998, p.133), para realizar esse tipo de pesquisa:
[...] o investigador precisa envolver-se diretamente com a organização estudada, passando a ser virtualmente um membro dela. Entretanto, ele deve manter um papel de alimentar com informações os membros da equipe, composta por pessoas da organização, e estruturar as relações entre os membros da equipe e da organização.
Na visão deste autor, o que diferencia a pesquisa-ação do método de estudo de caso é o relacionamento desenvolvido entre pesquisador e as pessoas da organização, que participam do projeto de pesquisa, e o tempo dispensado.