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Metodediskusjon

In document Sykepleie ved hjertestans (sider 31-36)

Os dados obtidos através das entrevistas foram analisados de acordo com o método de análise compreensiva de base fenomenológica, proposto por Bernardes (1989, 1991), que define os seguintes passos: montagem dos registros em forma de descrição ingênua, organizados em tópicos; aplicação completa do método proposto por Giorgi (1986, 2001), complementado pelos procedimentos utilizados por Suransky (1977). Os procedimentos propostos por Giorgi pretendem, segundo Bernardes (1989)

descrever o fenômeno em foco na perspectiva da atitude natural e analisá-lo na perspectiva da redução fenomenológica para, então, buscar sua essência ou sentido (redução eidética) através da livre variação da imaginação, tendo como pressuposto a intencionalidade da consciência (p. 19).

O método de Giorgi obedece à quatro etapas distintas:

a) Leitura da descrição ingênua com o objetivo de obter uma compreensão geral do enunciado;

b) Leitura da descrição escrita completa, buscando discriminar unidades de significado na perspectiva psicológica, tendo como foco o fenômeno pesquisado e mantendo integralmente a linguagem com a qual o sujeito se expressou;

c) Transformação das expressões cotidianas do sujeito na linguagem psicológica, com ênfase no fenômeno que está sendo investigado;

d) Síntese das unidades de significado transformadas num enunciado consistente com o fenômeno pesquisado.

Na leitura da descrição ingênua para obtenção de uma compreensão geral do enunciado, é preciso ter claro que o método fenomenológico filosófico exige que a descrição seja precedida pela atitude da redução fenomenológica. Já na pesquisa psicológica, as descrições ingênuas são aceitas na perspectiva da atitude natural para, posteriormente, serem analisadas na perspectiva da atitude de redução. Nesta primeira etapa da análise, segundo Bernardes (1993),

a compreensão geral buscada por meio da leitura da descrição ingênua não necessita ser questionada ou mesmo explicitada, já que sua finalidade reside em colocar o pano de fundo para a etapa de discriminação das unidades de significado (p. 24).

Na segunda etapa, realiza-se a leitura da descrição escrita completa, com o objetivo de eleger unidades de significado, tendo em vista o fenômeno em foco e mantendo a linguagem com a qual o sujeito se expressou. As unidades de significado são delimitadas pela identificação de uma mudança de significado na forma de expressão do sujeito. Elas são vistas como constituintes e não como elementos, pois consistem numa parte impregnada pelo significado do contexto das descrições ingênuas. Dessa forma, “as unidades de significado não são absolutas, mas só existem em função da atitude e da posição do(a) pesquisador(a)” (BERNARDES, 1993, p. 25).

A transformação das expressões cotidianas do sujeito em linguagem psicológica, com ênfase no fenômeno investigado, terceira etapa desse método, demanda que o/a pesquisador/a se coloque frente a cada unidade de significado e se interrogue a respeito de sua relevância, tendo em vista o fenômeno estudado. De acordo com Bernardes (1993), o objetivo dessa transformação é a construção de categorias psicológicas gerais a partir da imersão nas expressões concretas do sujeito, indo além da abstração ou formalização, pois estas acabam por serem seletivas em função dos critérios determinados pelo pesquisador.

Na quarta e última etapa, transforma-se a síntese das unidades de significado em um enunciado consistente com o fenômeno pesquisado. Nesta etapa, realiza-se a reconstituição das compreensões “em sínteses integradoras que se explicitam como novas descrições consistentes da estrutura psicológica do fenômeno” (BERNARDES, 1991, p. 30), as quais contêm, de forma explícita ou não, os significados das unidades transformadas. A autora explica que essa síntese é composta de duas descrições. A primeira, denominada de descrição específica da estrutura, está diretamente associada à situação específica dos sujeitos envolvidos no fenômeno. A outra, conhecida como descrição geral da estrutura, distancia-se das especificidades da situação em busca de um “significado geral do fênomeno” (BERNARDES, 1991).

Para complementar esse método proposto por Giorgi (1978, 2001), Bernardes (1989, 1993) propõe a utilização dos procedimentos adotados por Suransky (1977) que consistem em “buscar temas centrais que emergem da descrição geral da estrutura de significado do fenômeno” (BERNARDES, 1991, p. 35). Desta forma, através do estudo de determinado fenômeno, podem emergir idéias que possibilitam, na concepção de Suransky (1977), “uma análise crítica em relação ao meio intersubjetivo e ao contexto social” (BERNARDES, 1991, p. 35).

Bernardes (1993) justifica essa complementação, explicando que, para Suransky (1977), determinadas aplicações da fenomenologia à Psicologia e à Educação permanecem no âmbito das camadas individuais, interpessoais e múltiplas da realidade, encontrando dificuldades para a realização de uma análise crítica das circunstâncias sociais desta própria realidade num momento histórico específico.

Acredito que, por meio do método da análise compreensiva de base fenomenológica, há condições não só de compreender o fenômeno investigado como também de refletir criticamente sobre suas implicações no contexto social mais amplo.

73 3 DESVELAMENTO DA CONSTITUIÇÃO DAS IDENTIDADES HOMOSSEXUAIS

A constituição das identidades homossexuais dos homens adultos, sujeitos desta pesquisa, se deu a ver por meio dos temas emergentes das estruturas de significado apresentados em quatro seções. O primeiro relaciona-se às vivências em espaços educativos formais e não formais. O segundo focaliza as vivências em espaços educativos informais. O terceiro diz respeito às percepções sobre homossexualidade e o quarto trata das experiências de discriminação e resistência.

Considerando a necessidade de esclarecer minimamente as condições sociais dos sujeitos, sem perder de vista o compromisso com o anonimato dos mesmos, descrevo brevemente algumas características do grupo.

Os oito sujeitos deste estudo têm entre 20 e 43 anos, pertencem às camadas médias urbanas, a maioria é da raça branca e têm ocupações variadas: são estudantes, cabeleireiros, educadores e coordenador de Organizações Não- Governamentais. Em relação à escolaridade, dois deles têm o Ensino Médio incompleto, dois concluíram o Ensino Médio, dois são universitários e dois têm curso superior. Apesar de alguns declararem não professar religião alguma, outros têm formação católica, ou evangélica ou participam de cultos de Matriz Africana.

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