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Metodediskusjon

Jean Hyppolite (1907-1968) é outro hegeliano fundamental, tradutor da

Fenomenologia do Espírito na França e diretor da ENS durante maior parte do período em

que Derrida estudou no local (Derrida ingressa em 1952; Hyppolite assume o cargo em 1954). Hyppolite, como Koyré, não se restringia ao hegelianismo estrito; esteve sempre no intervalo entre hegelianismo e filosofia da ciência146, sendo um grande incentivador dos novos filósofos como Foucault, Deleuze e Derrida (os três homenagearam Hyppolite expressamente em escritos). Alain Badiou, nesse sentido, confirma a impressão (gerada após a leitura dos

143 KOYRÉ, Alexandre. Hegel à Iéna. In: Études d'histoire de la pensée philosophique, p. 177. 144 BAUGH, Bruce. French Hegel, p. 27.

145 BAUGH, Bruce. French Hegel, p. 27. 146

Ver, por exemplo, o texto de Hyppolite em homenagem a Bachelard: HYPPOLITE, Jean. Gaston Bachelard ou le romantisme de l'intelligence. In: Hommage a Bachelard. Org: Suzanne Bachelard. Paris: Presses Universitaires de France, 1957, ou quando afirma que Léon Brunschvicg foi "seu mestre" (idem, Du sens de la géométrie de Descartes dans son ouevre. (F), p. 7). Para François Dagognet, o título "romantismo da inteligência" mereceria ainda mais ser aplicado ao próprio Hyppolite (DAGOGNET, François. Vie et théorie de la vie selon Jean Hyppolite. In: Hommage a Jean Hyppolite, p. 192).

diversos episódios de estímulo de Hyppolite a Derrida narrados por Peeters) - de que se tratava de um filósofo "de bastidores", sendo, ao lado de Georges Canguilhem, quem permitiu o "avanço modernizador" do campo filosófico e universitário francês147. A influência de Hyppolite pode ser testemunhada, por exemplo, nas menções em títulos de trabalhos de Derrida e Foucault da expressão "Gênese e Estrutura", cujo uso Hyppolite fizera tratando da "Fenomenologia do Espírito". A própria publicação da tradução da "Origem da Geometria" com a longa introdução de Derrida se deu em uma coleção dirigida por Hyppolite148.

Hyppolite, seguindo no ponto seu professor Alain149, lia a Fenomenologia como uma "filosofia da ação", concebendo a filosofia do espírito como um "materialismo histórico"150. Alain descrevia a ascensão do espírito absoluto não como uma submissão a um Estado vertical, suspeita de totalitarismo que sempre caiu sobre a filosofia de Hegel, mas como um humanismo, uma concretização efetiva da liberdade151. Com isso, contudo, nota Bruce Baugh, a dialética ficava restrita ao humano, sendo o Ser ou a natureza confinados no estático152. Nos idos dos anos 40, efetivamente Hyppolite ainda segue a linha-mestra desenhada por Alexandre Kojève, traçando uma leitura antropológica da obra hegeliana, ainda que segundo ele próprio "mais modesta" que a arrojada leitura kojèviana153. Assim, em "Situation de l'homme dans la 'Phénoménologie' hégélienne", texto publicado na arqui-conhecida revista

Temps Modernes em 1947, Hyppolite nega que a filosofia de Hegel seja um "panlogismo",

aproximando-a da "existência humana"154. Sabendo-se que a revista era o principal meio de

147 BADIOU, Alain. Pocket Pantheon: Figures of Postwar philosophy, pp. 5-13 e 36-53. Hyppolite, por exemplo, foi o único, com exceção do orientador Gandillac, a ler em seu tempo a dissertação de Derrida, sugerindo a ele a publicação (PEETERS, Benoît. Derrida, p. 102).

148 Numa coleção da qual fazia parte, por exemplo, o trabalho de Suzanne Bachelard em torno de Husserl. Aliás, mais tarde foi Suzanne Bachelard que organizou homenagem a Hyppolite (da qual participam, entre outros, Canguilhem, Foucault - com o seminal texto sobre Nietzsche, Genealogia e História -, Laplanche, Henry e Serres. O ecletismo das áreas dos participantes confirma o trânsito de Hyppolite em diversos lugares). BACHELARD, Suzanne et al. Hommage a Jean Hyppolite. Paris: Presses Universitaires de France, 1971. O próprio Hyppolite dedicou diversos escritos a Husserl: ver, p.ex, L'idée fichtéenne de la doctrine de la science et le projet husserlien. (F), pp. 21-31; idem, L'intersubjectivité chez Husserl. F1, pp. 499-512.

149

Sobre Alain, ver HYPPOLITE, Jean. L'existence, l'imaginaire et la valeur chez Alain. F2, pp. 512-563; idem, Préface aux "Principes de la Philosophie du Droit". F1, pp. 90-91.

150 BAUGH, Bruce. French Hegel, p. 15. 151

BAUGH, Bruce. French Hegel, p. 16; HYPPOLITE, Jean. L'existence, l'imaginaire et la valeur chez Alain, pp. 531-534.

152 BAUGH, Bruce. French Hegel, pp. 16-17; HYPPOLITE, Jean. L'existence, l'imaginaire et la valeur chez Alain, pp. 514-516 e 522-524; idem, Situation de l'homme dans la 'Phénoménologie' hégélienne. F1, p. 113. Se a cisão kantiana continua forte nesse momento, Baugh, no entanto, percebe que o motivo de "auto-divisão", da "duplicação trágica" que separa o conceito nele próprio, elaborado por Wahl, Hyppolite e Koyré, estará mais tarde na crítica de Derrida à metafísica da presença (idem).

153 HYPPOLITE, Jean. La "Phenoménologie" de Hegel et la pensée française contemporaine. F1, p. 239. 154

Mais próximo de Kojève: HYPPOLITE, Jean. Situation de l'homme dans la 'Phénoménologie' hégélienne. In: F1, p. 105; idem, L'existence dans la 'phénoménologie' de Hegel. In: F1, pp. 101-103. Embora seja apenas um extrato do texto, já se percebe Hyppolite mais hesitante em Humanisme et Hégélianisme, de 1952 (In: F1, pp.

divulgação do existencialismo, visível a filiação de Hyppolite à interpretação antropológica.

Mais tarde, porém, esse aspecto será será revisado pelo próprio Hyppolite: a "infelicidade" não é privilégio da consciência, mas estende-se ao ser como tal. A "Carta sobre o Humanismo" de Heidegger é o texto que marca essa cesura na interpretação. Se em "Gênese e Estrutura" (1946) Hyppolite acolhia a associação existencialista de Kojève (e depois Sartre) entre ser e humano (realidade humana) na leitura da "Fenomenologia do Espírito", em "Lógica e Existência" (1952), após a "Carta" de Heidegger (1947), Hyppolite amplia o espectro de indagação para o ser, fazendo preponderar a "Ciência da Lógica". Para Bruce Baugh, portanto, Hyppolite converte o "pantragicismo" de Jean Wahl e Alexandre Koyré no antes temido panlogicismo155, transformando as estruturas antropológicas em estruturas ontológicas156. Em um outro texto de 1952, não por acaso desta vez em torno da "Lógica", Hyppolite sepulta de vez a interpretação antropológica:

A consequência de uma Fenomenologia que se recusa a devir saber absoluto, lógica hegeliana, é um tipo de filosofia da cultura que, apesar de fazer o inventário de toda riqueza da experiência e das formas de expressão dessa experiência, não ultrapassa o humanismo, ou seja, a interpretação do Ser pelo homem157.

Visível que aqui já está presente a radicalização que Derrida iria realizar à sua maneira, antecipada pelo seu professor e orientador. Hyppolite é portanto o "segundo encontro" de Hegel e Heidegger na França, substituindo a antropologia de Sartre e Kojève com as reconfigurações da "Carta sobre o Humanismo"158. Certamente a abertura como

146-149) e em Ruse de la raison et histoire chez Hegel. In: F1, pp. 150-157, inclusive mencionando Heidegger no final. Ver ainda, idem, Hegel et Kierkegaard dans la pensée française contemporaine. F1, pp. 196-208 e, narrando a trajetória do hegelianismo francês, HYPPOLITE, Jean. La "Phenoménologie" de Hegel et la pensée française contemporaine. F1, pp. 231-248.

155

BAUGH, Bruce. French Hegel, pp. 28-29; HYPPOLITE, Jean. Préface aux "Principes de la Philosophie du Droit". F1, p. 83.

156 HYPPOLITE, Jean. Ruse de la raison et histoire chez Hegel. F1, pp. 156-157.

157 "La conséquence d'une Phénoménologie qui se refuse à devenir savoir absolu, logique hégélienne, est une sorte de philosophie de la culture qui certes fait l'inventaire de toute la richesse de l'expérience et des modes d'expression de cette expérience, mais ne dépasse pas l'humanisme, c'est-à-dire l'interprétation de l'Etre par l'homme". HYPPOLITE, Jean. Essai sur la "Logique" de Hegel. F1, p. 164, tradução livre. Deleuze expressa isso também de forma clara, mostrando a tarefa comum da geração dos anos 60 em ir além do existencialismo: "Gênese e estrutura da Fenomenologia do Espírito' conservava tudo de Hegel e o comentava. A intenção deste novo livro é muito diferente. Hyppolite questiona a Lógica, a Fenomenologia e a Enciclopédia a partir de uma idéia precisa e sobre um ponto preciso. A filosofia deve ser ontologia, não pode ser outra coisa; mas não há ontologia da essência, só há ontologia do sentido. Aí está, parece, o tema desse livro essencial, cujo próprio estilo é de uma grande potência. Que a filosofia seja uma ontologia significará, primeiramente, que ela não é antropologia" (DELEUZE, Gilles. Jean Hyppolite, Lógica e Existência, p. 18).

característica da personalidade do filósofo fez com que soubesse incorporar a virada dos anos 60159 representada pelos estruturalistas e pelos "filósofos da diferença" (Hyppolite, entre outras ocasiões especiais em que esteve presente junto à nova geração, coordenava a famosa mesa na Universidade Johns Hopkins de apresentação do estruturalismo nos Estados Unidos que ironicamente se tornou, sobretudo a partir da intervenção de Derrida, na criação do dito "pós-estruturalismo")160.

...

Hegel é lido por Hyppolite como o filósofo que permite ultrapassar o "em si" de Kant em direção ao saber absoluto161, ainda que esse saber absoluto decorra do próprio movimento da coisa, e não de uma inteligilibilidade separada162. Por isso, Hegel não pode ser tomado como platonista163: o discurso do filósofo em torno do ser, manifestado a partir do saber, não é extrínseco (como o discurso matemático), mas movimento do próprio ser que se diz a partir da filosofia, tornando-se a linguagem humana o próprio meio de expressão da dialética inerente ao real164. Hyppolite afirma sobre a Lógica e a filosofia de Hegel em geral:

A filosofia hegeliana é a recusa de toda transcendência, o ensaio de uma filosofia rigorosa que pretende estar na imanência e dela não sair. Não há outro mundo, não há coisa em si, não há transcendência e entretanto o pensamento humano não está condenado a ser prisioneiro da sua própria finitude, ele ultrapassa a si mesmo, e aquilo que ele revela ou manifesta é o Ser mesmo. Não é o homem portanto que diz

159

A leitura consecutiva dos ensaios sobre Hegel, que vão de 1940 a 1967, revela limpidamente como Hyppolite sempre se mostrou aberto a revisões de leitura, passando de Kojève a Heidegger, de Heidegger a Althusser, e de Althusser ao estruturalismo. Em texto provavelmente datado de 1967, Hyppolite abria mão inclusive do bom infinito (não explicitamente), redescrevendo Hegel como pensador da finitude errante em direção a um sentido que, apesar de não inefável, nunca é recuperável por inteiro (HYPPOLITE, Jean. Structure du langage philosophique d’après la préface de la “Phénoménologie de L’esprit” (F1), p. 352). A aproximação com Althusser pode ser vista no texto póstumo de 1968: Le “scientifique” et l’ “idéologique” dans une perspective marxiste (F), pp. 360-371.

160 CUSSET, François. Filosofia Francesa, pp. 35-39. 161

HYPPOLITE, Jean. La critique hégélienne de la réflexion kantienne. F1, pp. 174-195.

162 HYPPOLITE, Jean. Logique et Existence: essai sur la Logique de Hegel. Paris: Presses Universitaires de France, 1953, pp. 3-5; HYPPOLITE, Jean. Essai sur la "Logique" de Hegel. F1, p. 167.

163

HYPPOLITE, Jean. Essai sur la "Logique" de Hegel. F1, pp. 172-173. 164

HYPPOLITE, Jean. Logique et Existence, pp. 5-6; (rejeitando o fim da história), idem, Le mythe et l'origine: a propos d'un texte de Platon. F2, pp. 5-6.

mais ou menos exatamente o que é o Ser, mas o Ser que no homem se dita e se exprime165.

Os dualismos forma/conteúdo, transcendental/empírico, coisa-em-si/fenômeno, essência/aparência e pensamento/real são dialetizados em um mesmo movimento que os imanentiza. O pensamento não é mais formal; é o pensamento da coisa mesma166. O dualismo torna-se um monismo do saber absoluto, do ser exprimindo a si próprio por meio da consciência humana: a imagem do círculo enquanto imanência integral é a expressão da substância tornando-se sujeito167. Hyppolite associa o saber absoluto ao ser pensando a si próprio: isso é o próprio Logos. Ultrapassar a fenomenologia (que é apenas o ponto de partida) significa, em outros termos, transpassar a dimensão humana para permitir um pensamento ontológico: a ontologia jamais pode ser (na contradição apontada por Heidegger contra Sartre) "fenomenológica"168.

Mas, apesar da leitura "panlogista", não é na ortodoxia hegeliana que o pensamento tardio de Hyppolite repousa. Primeiro, pela leitura e interpretação de outros filósofos, afastando-se do sentido estrito de "especialista": Bergson, Husserl, Heidegger, Bachelard, Marx, Merleau-Ponty. Segundo, com as outras ciências: psicanálise169, cibernética170, matemática. Em um texto que homenageia o filósofo, por exemplo, François Dagognet mostra como uma das principais preocupações de Hyppolite era a "constituição matemática e reticular das coisas organizadas", considerando o vivente como o "triunfo da organização171. Para Dagognet, a ponte entre áreas tradicionalmente separadas que geravam idêntico interesse

165

HYPPOLITE, Jean. Essai sur la "Logique" de Hegel. F1, p. 159, tradução livre ("La philosophie hégélienne est le refus de tout transcendance, l'essai d'une philosophie rigoureuse que prétend rester dans l'immanence et n'en pas sortir. Il n'y a pas d'autre monde, il n'y a pas de chose en soi, il n'y a pas de transcendence, et pourtant la pensée humaine finie n'est pas condamné à rester prisonnière de sa finitude, elle se dépasse elle-même, et ce qu'elle révéle ou manifeste c'est l'Etre même. C'est n'est pas alors l'homme qui dit plus ou moins exactement l'Etre, c'est l'Etre qui en l'homme se dit et s'exprime").

166 HYPPOLITE, Jean. Essai sur la "Logique" de Hegel. F1, p. 166. 167

HYPPOLITE, Jean. Essai sur la "Logique" de Hegel. F1, pp. 162-163, 168-169. 168 HYPPOLITE, Jean. Essai sur la "Logique" de Hegel. F1, p. 167.

169 HYPPOLITE, Jean. "Phenoménologie" de Hegel et psychanalyse. F1, pp. 212-230; Psychanalyse et philosophie, F1, pp. 373-384; Comment parlé sur la 'Verneinung' de Freud. F1, pp. 385-396 (comentário a Lacan); L'existence humaine et la psychanalyse. F1, pp. 397-442; Philosophie et psychanalise. F1, pp. 406-442. 170

Ver, HYPPOLITE, Jean. La Machine et la Pensée. F2, pp. 891-919. No universo hegeliano, Koyré já havia dado início a esse diálogo com a "máquina" em 1947: KOYRÉ, Alexandre. Les philosophes et la machine. In:

Études d'histoire de la pensée philosophique, pp. 305-339 (onde anuncia, nas duas últimas páginas, a

necessidade de um novo pensamento da técnica - uma tecnologia). 171

DAGOGNET, François. Vie et théorie de la vie selon Jean Hyppolite. In: Hommage a Jean Hyppolite, pp. 181-182.

em Hyppolite (como a linguagem172, os códigos173, a vida e o problema geral do isomorfismo174) seguiria uma leitura de Hegel que não o liga a uma filosofia romântica da natureza, mas espécie de "Informática" do universo175, ciência geral da decodificação e da tradução176. Assim é possível entender porque a questão da cibernética (que também interessou ao também seu aluno Foucault), percorre os escritos de Derrida no mínimo desde a "Introdução à Origem da Geometria" até "Da Gramatologia", mostrando o diálogo com as ciências da filosofia francesa dos anos 60. Pode-se dizer, contrariando ou complementando boa parte das descrições do período, que é a partir da figura de Jean Hyppolite que se define todo campo de discussão estruturalista e "pós-estruturalista" no âmbito filosófico, em especial incorporando a "virada cibernética" e com ela repensando o materialismo grego, o pensamento de Leibniz, a teoria da informação e as consequências filosóficas da termodinâmica177.

...

Assim, se Kojève representa a porta de entrada para o pensamento existencialista, forjando uma filosofia do concreto pensada a partir da dialética senhor e escravo da "Fenomenologia do Espírito", Hyppolite e Koyré, por outro lado, abrem o diálogo com a filosofia da ciência, sendo dobradiças que ligam o hegelianismo com a epistemologia francesa e mais tarde o estruturalismo. Gradualmente, portanto, o hegelianismo antropológico vai passando a um hegelianismo ontológico, inspirado nas novas categorias científicas,

172

Ver, HYPPOLITE, Jean. Structure du langage philosophique d’après la préface de la “Phénoménologie de L’esprit” (F1), pp. 340-352.

173 HYPPOLITE, Jean. La Machine et la Pensée. F2, p. 904 e 915-917. 174

HYPPOLITE, Jean. La Machine et la Pensée. F2, p. 896. 175

Idem, p. 182.

176 Ver HYPPOLITE, Jean. Langage et être, langage et pensée. F1, pp. 926-927, onde Hyppolite remete a Michel Serres (em 1967) o projeto de uma interpretação da generalidade dos problemas de comunicação e mensagens que constituiria uma "verdadeira metafísica"; projeto, como poder-se-á ver, próximo de Derrida. Por essa razão, como já dito, nossa interpretação converge com a de Christopher Johnson, nítido leitor de Serres (JOHNSON, Christopher. System and writting in the philosophy of Jacques Derrida, pp. 198-199).

177 Na realidade, a proximidade de Hyppolite (nos seus últimos escritos) e Derrida talvez tenha sido a "descoberta" mais surpreendente da pesquisa. A leitura dos textos do Hyppolite deixa claro o nível do debate (que também incluía Canguilhem, Jacob, Foucault e Althusser, além do universo estruturalista) e seu desvirtuamento posterior, com a tacanha confusão entre o sentido estrito e amplo de escritura, assim como a ignorância de todas as premissas de Derrida em "Da Gramatologia". Com a exceção honrosa de Christopher Johnson (que me teria poupado muito trabalho se tivesse o lido antes), em geral não há menções à centralidade dessa transformação e sua repercussão no pensamento de Derrida entre os intérpretes derridianos (ver JOHNSON, Christopher. System and writting in the philosophy of Jacques Derrida, p. 202, nota de fim 12).

desembocando no pensamento "anti-humanista" da década de 60 que teve entre seus expoentes Althusser, Derrida, Foucault e Deleuze. Duas vias distintas do materialismo francês que mais tarde irão convergir: uma ontologia da continuidade entre natureza e cultura (em contraponto ao privilégio do humano) e uma filosofia do concreto (em contraponto aos platonismos abstratos). O lugar de reconsideração do hegelianismo não será o gap entre natureza e cultura tão caro a Sartre e Kojève, mas o papel da própria dialética, repensado a partir de Nietzsche, Freud e Bataille na direção de uma filosofia afirmativa.