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No que se refere a projetos de âmbito local, alguns municípios portugueses têm projetos que promovem a criação de redes com a emigração portuguesa e prestam apoio e acompanham o regresso. Alguns exemplos estão disponíveis no portal do ACM e reproduzimo-los aqui por terem, na sua maioria, uma vertente de apoio ao empreendedorismo. Encontram-se iniciativas em Braga, Lisboa, Sabugal, Santa Maria da Feira, Mealhada e Vila Real. Em Braga, o programa InvestBraga28 tem como objetivo apoiar as empresas na sua instalação, visando o aumento do emprego e a criação de um polo para startups. A InvestBraga pretende colocar a cidade no circuito dos investidores nacionais e internacionais e atrair negócios tradicionais, mas também os inovadores, procuran- do atrair empreendedores portugueses emigrados e apostando no facto de esta ser a única região do país que não está a envelhecer, o que significa que prevalece a mão-de-obra mais jovem e qualificada.

Em Lisboa é de referir a Lisbon Business Connections,29 uma rede de conectores e de parceiros da capital que, através da participação em reuniões e eventos, e beneficiando da interligação a uma plataforma digital, podem contribuir com contactos, ideias e projetos para reforçar a capacidade de atração de Lisboa. A missão é atrair para a cidade missões estrangeiras que estejam a expandir-se internacionalmente através de uma rede de intermediários que podem ser gestores, investigadores ou qualquer outra pessoa que considere ter a possibili- dade de atrair projetos para a capital portuguesa.

Ainda em Lisboa, a Invest Lisboa, a agência de promoção económica e de captação de investimentos de Lisboa. Fundada em 2009, a Invest Lisboa resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, com o objetivo de promover e captar investimentos, empresas e talentos para Lisboa. Conta também com o apoio da AICEP e o patrocínio da Baía do Tejo uma empresa de gestão territorial e de parques empresariais. 

No concelho do Sabugal, existe, em projeto, a Rede Sabugal Primus, promovido pela Câmara Municipal do Sabu- gal junto da emigração portuguesa com ligações familiares, comerciais, culturais, científicas ou de afetividade ao concelho do Sabugal. Estas pessoas devem ser reconhecidas nos meios em que pertencem em termos de mérito profissional, associativo, social, académico, cultural ou de divulgação e valorização do concelho, dos seus produtos e amenidades.

O município de Santa Maria da Feira desenvolveu um espaço virtual de negócios ativo e colaborativo onde em- presas e pessoas estabelecem uma rede de oportunidades com objetivos de estimular a economia local. Esta plataforma “business network” designa-se “Bizfeira”30 e pretende aproximar empresas e cidadãos de todo o mundo que desejem desenvolver contactos e negócios com empresas e cidadãos da Feira.

MODELO PROSPETIVO DE DESENVOLVIMENTO

4. Potencial de regresso dos migrantes

Quando regressam ao país de origem, os migrantes tendem a estabelecer-se nas regiões de onde partiram. Deste modo, e retomando os dados de caracterização geográfica dos emigrantes que responderam ao inquéri- to realizado no âmbito deste projeto Empreender 2020 (ver nota metodológica e documento de diagnóstico), podemos observar que Lisboa, com 40%, e o Porto, com 18,7%, serão os distritos de origem que mais potencial de atração terão para emigrantes que pretendam regressar. Deste modo, e a pretender-se investimentos e de- senvolvimentos noutras regiões, será necessário canalizar atrativos para elas.

Tendo em consideração que a intenção de regresso assertiva é de cerca de 30% e que 34% dos inquiridos não pretendem regressar, ainda há um potencial de regresso importante, pois ainda mais cerca de 1/3 de emigran- tes poderá decidir-se pelo regresso, já que as suas respostas foram ambivalentes. Mesmo entre os que afirmam não pretender regressar, sabemos que pode haver imponderáveis que poderão conduzi-los ao regresso, nomea- damente condições que se alterem na sociedade de acolhimento, pelo que a estratégia de atração deverá ser variada e contemplar todos os aspetos possíveis na avaliação do processo de decisão.

Da análise de intenções de regresso por país de residência vimos que o maior potencial de regresso relativa- mente ao conjunto encontra-se entre emigrantes residentes em Angola, Luxemburgo, Reino Unido, Brasil e Suíça, se considerarmos que aí encontrámos proporções de intenções assertivas iguais ou superiores às encon- tradas para a globalidade dos inquiridos.

Sabendo que os emigrantes apontam como principal fator de influência no regresso o facto de poderem estar próximo de família e amigos (relembramos que foram 70% de referências), e que o contacto com estes será re- gular e permitido pelas redes sociais, e por modos de contacto com voz e imagem, como o Skype ou o Whatsapp, pode ser importante potenciar estes canais de informação que se estabelecem nas redes informais de amizade e parentesco para a divulgação das políticas de vinculação ou estímulo ao regresso existentes. Da mesma for- ma, autores diversos, como Lang e colaboradores, referem que os decisores políticos devem fazer mais esforços para utilizar estas redes (fazendo inquéritos aos emigrantes e mantendo contactos regulares com associações de emigrantes, por exemplo), para avaliar as necessidades e as competências dos emigrantes e considerá-las na elaboração de políticas (Lang et al., 2014). O uso dos dados já disponíveis e a sua análise em tempo real através das tecnologias de análise de big data são também aconselháveis e permitiriam obter informação re- levante e monitorizar as alterações e dinâmicas destes grupos. Os dois observatórios oficiais que trabalham com as migrações em Portugal Observatório da Emigração (OeM) e Observatório das Migrações (OM) devem, em nosso entender, evoluir para uma fase mais proativa na recolha e tratamento das informações agora disponíveis em resultado da digitalização da nossa vida social. No essencial trata-se de seguir a máxima de ‘conhecer para agir’. Não tendo conhecimento atualizado sobre as comunidades emigrantes e, sobretudo, sobre as perspetivas futuras dos emigrantes, será difícil elaborar estratégias que integrem os projetos futuros dos emigrantes. As iniciativas neste âmbito devem, por isso, assentar num trabalho colaborativo e participado com os emigrantes.

4.

MODELO PROSPETIVO DE DESENVOLVIMENTO

5. Necessidades dos migrantes para

regressarem