de atender aos alunos com deficiência intelectual como foco? Você já foi professor de muitos alunos com essas características?
Professor de Geografia (já foi respondido) Professor de História (já foi respondido) Professora de (já foi respondido)
Língua Portuguesa Professora de Artes (já foi respondido) Coordenador Pedagógico (já foi respondido)
7 O que está faltando à instituição, de aspectos estruturais ou não, para promover ou melhorar essa aprendizagem?
Você consegue pensar em alguma sugestão para melhorar o atendimento dos alunos com deficiência intelectual na sala de aula da escola regular? Professor de
Geografia
(já respondeu) Professor de
História
Eu acho que seria mais uma questão estrutural. Primeiro, os cursos superiores se oferecer uma disciplina que trabalhe... ou nos cursos de licenciatura você deveria aprender como trabalhar com alunos, identificar diferenças ...[E na escola vocês não têm tido essa discussão?] Nenhuma. [ Vocês não têm contato com a professora da sala especial, a D?] A gente tem assim, nos momentos em que a gente tem aula vaga conjunto. A D. é uma professora que sempre que a gente procura, ela esclarece, ela ajuda a gente com todo o tipo de coisa, só que às vezes, pela jornada, a gente acaba não se encontrando porque os horários não coincidem. [ Mas é uma pessoa que é acessível? Se você precisar, você tem...] Ela como profissional, eu nunca tive problemas . Pelo contrário, só tenho elogios a ela. Ajudou muito no trabalho com os alunos com deficiência que temos aqui na escola. Mas eu acho que um outro problema é ...[ Não tem um encontro periódico?]Periódico não. [ É informal como você está dizendo.] É sempre informal. É aquele encontro na sala dos professores na hora do intervalo. Você vai lá e conversa, fala que está com dificuldade. Ela apresenta algumas soluções, algumas formas de abordagem e a gente vai experimentando e tentando. Um problema estrutural também que eu vejo numa escola é a falta de um psicólogo pra trabalhar com os alunos. [ Não tem na escola? Algumas têm, né?] Nenhuma escola tem. [Não, acho que é uma psicóloga para várias] Algumas escolas têm parceria com posto de saúde. Esta daqui, por exemplo, tem parceria com o posto da Vila B., aqui do lado. Só que você não tem uma frequência desse trabalho; muitas vezes a gente acaba indicando alguns alunos pra passar num psicólogo, mas eu acho que, na minha opinião, pelo menos, seria muito importante que cada escola tivesse um psicólogo pra fazer um acompanhamento dos alunos. Não só em relação aos que têm deficiência. É claro, os que têm os mais variados problemas em sala de aula. Então um psicólogo, um assistente social , seriam pessoas indicadas para trabalhar numa escola. O psicólogo, principalmente, até pra gente conseguir diagnosticar qual seria o problema e qual seria a forma de abordagem de se trabalhar especificamente com cada tipo de aluno.[Obrigada] Professora de
Língua Portuguesa
Ter mais professor. Nessas salas em que tem aluno que tem essa deficiência ter uma menor quantidade de alunos. Mas acho que isso seria bom não só no caso de um aluno com deficiência. Acho que todos os alunos requerem um atendimento especial, em algum momento. Então, a quantidade de alunos, embora na Prefeitura seja muito menor do que no Estado, ainda é grande. [Qual é o padrão?] No máximo 35 alunos em sala, na Prefeitura. Tem em torno de 30. [ É que eles não vêm todos, né?] É...Não, na 5ª série eles são frequentes sim. Vêm os 30. 30, 29. É bastante aluno. [Qual seria o ideal? O que você acha?] Não sei.(risos). Acho que teria que experimentar. [Você sabe que trinta é muito.] É muito porque todos eles têm alguma dificuldade, pra interpretar...todos. Eles chegam com dificuldades, não conseguem ler um texto mais longo. Então as dificuldades são pra todos, não só para o deficiente intelectual. Pra trabalhar atendendo as dificuldades dos alunos com trinta em sala é uma coisa meio que impossível, muito
difícil. [Obrigada] Professora de Artes (já respondeu) Coordenador Pedagógico
Rede de proteção além de pedagógica. Falta a questão da rede. A UBS. O J., por exemplo, no começo de julho, quando voltou do recesso, ele sumiu, desapareceu. E aí a Denise falou: “Olha, o J. não está vindo para a escola. ”Aí eu mobilizei o pessoal da secretaria e liguei para a mãe dele e a mãe dele tem problema mental. Só que quando eu falei pra mãe dele “ A senhora tem que mandar o J. para a escola., porque faz tempo que ele está fora da escola. Faz uns 15, 20 dias. O segundo passo que eu vou fazer se a senhora não mandar ele pra escola é ter que mandar para o conselho tutelar e vai complicar um pouco pra senhora. Eles vão aconselhar a senhora, vão até a sua casa.” Ela ficou muito preocupada. Eu não sabia também que ela tinha problemas mentais. Aí ela ficou super preocupada, veio aqui um dia de manhã, eu nem estava aqui, apavorada. Aí ele voltou. {Por que ele não vinha?] É que é assim: ela tem uma mania de..., que é próprio da doença dela, de trancar os meninos dentro de casa. Só que a Denise tinha falado pra mim que aconteceu isso no ano passado. Ela foi hospitalizada e os meninos ficaram lá sozinhos. Foi preciso o perueiro descobrir e resolver. [ E dessa vez era ela mesmo que não estava deixando...] É . Eu liguei pra ela...[ Mas isso é uma função importante da escola, né?] Mas a rede é isso aí. E o que eu fiz...com um certo receio dela... Ela veio uma vez, depois ela mandou uma vizinha conversar comigo. Ela falou da situação dela: pobreza, ela sozinha pra cuidar dos dois filhos. Aí eu falei, vou chamar... eu conheço a Patrícia do posto aí, que é terapeuta: “Olha, Patricia, está acontecendo isso, isso, e que precisava ir na casa dessa mãe para orientar, pra ver o que que faz.” Até ela entender que ele tem que tem que vir pra escola e não tem outra saída.[ E ela foi?] Foi. A Patricia foi lá...[ Quem é a Patricia?] É do posto de saúde.[ Da unidade básica?} É. Ela acionou a assistente social, a assistente social foi na casa, conversou com ela e parece que resolveu. Ele está frequentando. Mas aí é assim: toda essa articulação é um pouco da vontade porque não há na Prefeitura ainda essa rede onde eu falo “Esse aluno está faltando”. Eu tenho que ficar ligando para a mãe? Tenho que estar resolvendo? Não. Tem que ter um assistente social que vai lá na casa...[ Mas você pode acioná-la?] Eu fiz, mas não é o papel do CP. [Não é papel da escola?] Sim, comunicar a ...[ Devia funcionar com mais autonomia?] Sim, não tem nada, nenhum lugar que fale que eu tenho que entrar em contato com a terapeuta. [Você foi fazendo porque foi necessário.] Não tem nenhuma orientação que mostre assim: o CP em tal situação pode acionar a UBS...[ Falta integração?] É uma questão de rede, mesmo. O conselho tutelar você manda... Eu mandei vários alunos neste ano e parece que não existe o conselho tutelar. Eles não mandam nenhum retorno. Às vezes, a gente manda pro conselho tutelar e depois de um mês descobre que o aluno tá na Bahia, que aí eles dão baixa no sistema, Pra quê? Deu o maior trabalho de ligar para a família, mandar telegrama, não atender, ligar para o conselho tutelar, sabendo depois que o aluno foi transferido [ O aluno foi morar lá? E não avisou a escola?] às vezes, é assim, ele se transferem e demora um pouquinho para aparecer no sistema. Tinha que ter uma coisa assim que...pra não dar trabalho, pra mandar pro conselho tutelar os casos que realmente precisam . [Então você acha que essa questão da rede melhoraria... Que mais?] Acho que precisaria de um assistente social, uma coisa assim que fizesse a ponte com a família. [ Não tem assistentes na Prefeitura?] Não, não tem. [ e psicólogo?] Não tem. É assim, quando a gente precisa, a gente envia para a UBS. Tem uma terapeuta lá que... É importantíssimo. Semana passada mesmo, uma professora falou “Olha, o Gustavo faz tempo que ele não vem pra escola. Faz um mês.” Nossa, eu falei. Então pedi pra ligar pra família, que o aluno sumiu. Ela ligou e disse que atendeu uma irmã e , logo em seguida, a mãe ligou pra mim. “Ah, estou trabalhando aqui e fiquei sabendo que meu filho não está indo na escola.” É, ele desapareceu da escola, eu disse. Aí era na 3ª, na 5ª, na 6ª ela já bateu aqui na escola . Eu fui lá na sala, ele não tava. [E onde ele tava?] Segundo ele, ele contou pra mãe e depois pra gente que uns alunos estranhos, alunos não... uns meninos que ficam na saída pegaram o boné dele e ameaçaram ele e aí
ele ficou com medo de vir pra escola...[ e ele ficava em casa?] Eu não perguntei se ficava em casa...[ A mãe não sabia onde...] Ela ia trabalhar e achava que ele vinha pra escola. Se tivesse uma pessoa especificamente pra tá olhando esses alunos... faltou uma semana e então essa pessoa tem que fazer alguma coisa, ver pra onde foi o aluno. Que as famílias, a maior parte trabalha e deixa a criança ou sozinha ou com alguém dois ou três anos mais velha, de 15 ou as vezes 14 anos, tomando conta...[ Então sua sugestão seria de pessoal, de ter mais pessoal especializado, de uma rede...] De uma rede de proteção e que a escola não ficasse tão com essa carga de dar conta de tudo. [ Não só do educativo, do pedagógico...] É assistente social, é psicólogo, é terapeuta ao mesmo tempo. [Obrigada]
APÊNDICE C - Roteiros das entrevistas
Roteiro da entrevista com professor
1. Identificação do professor
Qual é sua idade?
Qual é sua formação acadêmica? Além desse(s) curso(s) superior, realizou algum sobre educação inclusiva ou que tenha dado suporte para o trabalho?
Faça um breve histórico da sua vida profissional. Exerceu outas profissões? (Em caso afirmativo, por que optou pela sala de aula?)
Há quanto tempo trabalha como professor ? Para qual faixa etária? Há quanto tempo trabalha nesta instituição e para qual faixa etária?
2. Representações sobre o trabalho desenvolvido no Ensino Fundamental e o
trabalho com as diferenças
Qual é o papel da escola no ciclo II do Ensino Fundamental?
Olhando para sua prática de professor na escola contemporânea, que apresenta tanta diversidade em relação aos alunos, quais conquistas você reconhece na sua atuação profissional?
A disciplina que você ministra favorece o atendimento às diferenças? Quanto a essa atuação, você ainda vê algum desafio?
Você vê nesta escola algum suporte, estrutural ou não, que favoreça o atendimento à diversidade? Fale sobre isso. Desde que você trabalha aqui, esta escola demonstrou alguma preocupação de lidar
com as diferenças de uma maneira mais eficiente, mais diretiva? Algum projeto já foi realizado nesse sentido?
Você se vê dentro de uma equipe de trabalho? Direção, equipe de professores e coordenadores apresentam um bom entrosamento?