como os dos estudos teóricos realizados. O que você já possui de recursos (de patrimônio pedagógico) para promover a aprendizagem desses alunos?
Professor de Geografia
[ Se você pensar nesse menino que pode ou aparentemente tem, ou que tem um laudo mesmo da deficiência intelectual você tem algum recurso pra trabalhar com esses alunos?] olha... [ Do jeito que tá mesmo a situação...na multidão ]Não tenho recurso nenhum. [ Você acha que não?] A questão do ensino público é assim: te dou um canetão, um giz e você salva o Brasil, certo? É bem essa. Male má nós temos aí alguns recursos de mídia, alguns recursos de áudio, mas...[Mas quando eu penso em recursos, eu penso em recurso seu mesmo como professor.] Recurso meu mesmo como professor também não. É pouco. Eu tenho alguns cursos básicos que me ajudam. Eu tenho um curso de formação em alfabetização que me ajuda em algum aspecto. Em algum aspecto nesse caso mas, por exemplo, eu falo por alunos que eu tenho que têm laudo, que têm problemas mesmo. [ No caso do, por exemplo do J, que está aqui...] Então, no caso do J., você viu que eu ainda tento algumas coisas diferentes, mas sinceramente eu não faço ideia, muitas vezes, do que eu tô fazendo ou se ele tá assimilando.[ Mas alguma coisa você faz, né?] alguma coisa eu faço ...[ mesmo que não tenha um manual pra você falar...] Sim, todos os professores pelo o
que nós já discutimos, pelo menos nesta escola, alguma coisa a gente faz e isso quando ele quer também. É o que eu falo, por exemplo, pra atender alunos com deficiência intelectual mesmo, que vêm pra nós, que nós temos aqui, que são realmente perceptíveis, é fundamental que tenha um acompanhamento de algum profissional. A forma de inclusão que existe no município e no estado de São Paulo, nesse sentido, é ... uma falácia assim, é um aluno com problema jogado aqui no meio, onde o professor...sem essa...Não vou dizer que a gente tem que ter a formação específica pra lidar com esse aluno. Poxa, eu tenho a formação especifica pra lidar com todo o resto também, entendeu? Eu acho que tem que ter um profissional específico pra lidar com esse aluno. Ou seja, que... porque ele tem que frequentar a escola e o convívio na verdade... [ aqui tem um profissional , mas ele não entra na sala aqui nesses momentos, mas você acha que talvez um profissional como esse na aula regular faria diferença?] Sim, talvez sim, na aula regular faria diferença sim, ou até mesmo, às vezes até mesmo a própria criação de salas especificas em determinadas escolas, como tinha antes. O problema é que eu lembro que nessa época, eu estudava, mas eu também achava que não funcionava muito em algum aspecto. Só que na época em que eu estudava, tinha uma sala para surdos, eu achava até bacana porque eu aprendi...[Você vê que não tem tantos aqui, porque tem escolas ainda para surdos e mudos...] Agora pra quem tem, por exemplo, quem tem necessidades especiais ou déficit intelectual e vários problemas que nem o J. tem, que eu já ouvi a especialista dele falando, comentando ali... É difícil, por exemplo, de eu saber o que que eu..., por mais que eu faça alguma coisa , é difícil de saber o que que está surtindo efeito e o que que não está. Tem horas que, mesmo uma atividadezinha diferenciada pra ele, parece que não surtiu efeito nenhum. Eu não sei se ele assimilou ou não. Ele não sabe nem o “A”(?) direito. Tipo, “peraí, ” vou tentar ensinar, vou tentar de novo, aí eu acho que tá legal...só que eu não sei o que que ele pode progredir.[Você não consegue avaliar o que ele tá progredindo.] [o sinal toca] [Obrigada.]
Professor de História
Não sei. Eu procuro me atualizar, assim sempre que possível, né? Eu entrei, justamente, no curso de pedagogia esse ano, justamente para conseguir trabalhar com abordagens diferentes com alunos que eu não consigo alcançar com a minha formação inicial. Simplesmente acho que não foi o bastante em certos pontos, apesar de ter feito uma boa faculdade e tudo...Eu acho que só o ensino teórico não te prepara para a prática do dia a dia da sala de aula. Então eu acho que você tem que ir trabalhando essa questão da teoria e da prática conjuntamente como uma forma de você desenvolver melhor essa prática pedagógica. Procurar trazer questões de informações novas e trabalhar com atualidades e procurar na minha disciplina , na parte científica de História, estar sempre atualizado, buscar leituras, participar de congressos , discussão com colegas de trabalho sobre certos temas.
Professora de Língua Portuguesa
(já respondeu, de alguma forma)
Professora de Artes
Hoje sim. Bem melhor do que a uns anos atrás. Mas é porque foram oferecidas umas coisas pra gente, nós lemos muito, discutimos muito. Principalmente a uns quatro anos atrás quando, como eu te disse, que esses alunos realmente começaram a chegar no fundamental II pra gente. Então, foi uma coisa que a gente discutiu muito, lemos muito... [Aqui na escola?] É, nós temos nossos momentos de reunião que é chamado de JEIF, que é o momento, é jornada especial, mas é um momento em que o professor fica aqui na escola. São duas horas-aulas por dia que a gente fica aqui na escola pra isso. Pra estudar... [ junto com os outros? E daí dá pra conversar...] Infelizmente não são todos os professores que optam por essa jornada, que é uma coisa de escolha do professor. [Mas a maioria sim? Ou meio a meio? ]esse ano tá meio a meio; ano passado não era a maioria. [E esses professores que participam dessa jornada eles têm mais condição de formar uma equipe?] Tem, com certeza. [Dá pra conversar sobre esses assuntos...]E é uma coisa que a gente sofre muito na escola ainda porque esses
professores que não participam não é porque eles não querem , porque geralmente eles acumulam em outra escola. Ou eles saem pra dar aula à noite, então eles não podem ficar aqui após o período ou então eles já trabalharam muito e eles estão acabados, não aguentam...[Não tem mais condições?] É, não tem mais condições. Então, nós temos assim...[Agora você como professora, já vinte anos de experiência, quando você vê algum aluno com deficiência intelectual, você acha que você consegue fazer alguma coisa com ele?]Consigo.[Você tem como fazer esse trabalho?] Primeiro a gente tem que ter um trabalho de convencimento, de acolhimento...[que acontece com todos?]Que acontece com todos, todos eles...isso é uma coisa [ E qual a diferenciação com esses que têm a deficiência? ]Tem que ter um acolhimento de pegar no colo. De pegar no colo mesmo, [ É mais intenso?]só falta sentar na cadeira e pegar no colo. Você tem que abraçar, você tem que chegar, você tem que ajoelhar, ficar na altura do olho, conversar olho a olho, mas também tem uma coisa que, ao longo do tempo a gente foi... eu fui aprendendo que também você tem que cobrar deles, porque eles também tem que ser cobrados. E aí que vem o aprendizado. Então a gente teve muita dificuldade na hora disso, porque a gente abraçava, ficava com aquele receio: “mas como que vai cobrar?”. Achando que...[eles não podiam?] Isso. Que eles não podiam. A gente ficava com certo receio de que [ Então foi modificando?] Foi modificando. Com o tempo a gente foi chegando à conclusão de que eles tem que ser cobrados sim, que eles são capazes. É lógico que eles têm as limitações, mas eles são capazes sim. Coordenador
Pedagógico
(já respondeu de alguma forma)
4
Os recursos que você mencionou, referentes ao atendimento à diversidade, não servem também para esses alunos com deficiência intelectual?