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METODE  OG  DESIGN

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A organização analisada neste trabalho foi criada em meados da década de 1990, época marcada pelo crescimento acelerado do número de ONGs no Brasil. A intenção inicial de seu fundador era a de desenvolver um projeto que viabilizasse a troca de informações entre jovens oriundos de diversas camadas sociais. Após algumas tentativas iniciais, no entanto, ficou patente a impossibilidade de contar com a participação dos jovens de baixa renda, público este que, até aquele momento, não tinha acesso à tecnologia da informação.

O idealizador do projeto resolveu, então, reunir um grupo de voluntários que arrecadou alguns computadores usados e deu início a uma pequena escola de informática, com aulas gratuitas, em uma comunidade de baixa renda localizada na cidade do Rio de Janeiro.

A real necessidade de domínio da linguagem da informática, aliada ao fascínio das populações pobres pela tecnologia, geraram uma demanda enorme e imediata pela criação de novas escolas e atraíram a atenção de outros apoiadores. Tal situação implicou o rápido crescimento da organização, que hoje conta com 38 representações regionais no Brasil e no exterior, além de centenas de escolas — criadas em parceria com associações comunitárias, órgãos governamentais e empresas — destinadas ao ensino da informática e ao fomento da cidadania.

Desde o início de sua trajetória, a organização sempre teve a mídia como aliada, tanto no Brasil, quanto em outros países. Pode-se deduzir que o interesse dos veículos de comunicação por tal iniciativa tenha surgido tanto em função de sua relevância, quanto de seu pioneirismo, já que, na ocasião em que a ONG foi criada, a causa que defendia ainda não tinha destaque na maior parte do planeta.

Outro ponto a ser destacado é que a juventude do fundador da organização — exaltado como um exemplo de jovem empreendedor do Terceiro Mundo — colaborava para aumentar o apelo da mensagem veiculada, inicialmente bastante centrada em sua figura. Tal tendência personalista gerou, no entanto, críticas de integrantes da própria organização e de diversas outras ONGs.

Atenta à importância da visibilidade, a organização sempre procurou promover visitas de autoridades às suas escolas e contar com a participação de artistas nos eventos que realizava.

Outras oportunidades surgiam em conseqüência do próprio desdobramento dos projetos realizados, como a exportação de seu modelo de gestão para outros países; a criação de escolas em unidades penitenciárias, instituições para portadores de distúrbios psiquiátricos e necessidades especiais, aldeias indígenas etc. Cada uma destas iniciativas era trabalhada como uma possibilidade de geração de notícia, sendo amplamente divulgada.

Em 2001, a organização realizou uma de suas maiores ações de mobilização, instalando computadores em locais públicos, na cidade do Rio de Janeiro e em outros 18 pontos do país. A proposta era a de disponibilizar, por um dia, acesso gratuito à Internet para os transeuntes, divulgando a causa e ajudando a fortalecer a marca da organização. Desde então, tal iniciativa tornou-se um evento fixo na programação anual da ONG — e presume-se que a iniciativa tenha influenciado a inclusão da data nos calendários oficiais das administrações de várias cidades brasileiras.

O aperfeiçoamento do modelo de gestão da organização — definido como “franquia social”, e baseado na criação de unidades regionais semi-independentes que dão suporte a escolas de informática implantadas por instituições de base comunitária — também gerava grande interesse por parte do meio acadêmico. As empresas, por sua vez, sentiam-se naturalmente atraídas por uma organização não-governamental cuja linguagem se aproximava da utilizada no universo corporativo. Tal fato parecia indicar que a ONG estava pautada em um modelo que fugia à tradicional abordagem assistencialista adotada pelas chamadas “associações de caridade”, o que era percebido como sinal de profissionalismo.

Este modelo de franquia social não-lucrativa estabelece que a unidade central da organização define as principais diretrizes a serem seguidas na sua replicação por grupos regionalmente formados. Ela orienta e acompanha as unidades criadas, capta recursos nacional e internacionalmente, atualiza a metodologia adotada nas escolas, sendo responsável, ainda, por validar e estimular o intercâmbio das práticas mais eficientes entre todos os pontos de sua rede.

As unidades regionais, por sua vez, são responsáveis por aplicar o modelo definido e captar recursos localmente — além da capacitação dos educadores e do acompanhamento do trabalho feito pelas escolas instaladas nas instituições comunitárias. Cabe a estas pequenas organizações — associações de moradores, entidades religiosas, ONGs etc. — disponibilizar o espaço físico e a infra-estrutura necessária para a realização das aulas (luz, água, papel, educadores etc.), cabendo à organização aqui analisada garantir os equipamentos a serem inicialmente utilizados (cinco computadores), o software e a capacitação dos educadores indicados pela própria comunidade (geralmente voluntários ou remunerados com a mensalidade cobrada pelos cursos).

A organização estima que cerca de 60% dos custos relativos ao funcionamento das escolas seja absorvido pelas comunidades, o que estaria de acordo com sua proposta não-assistencialista, que visa estimular o espírito empreendedor e a autonomia.

As escolas, por sua vez, procuram garantir sua sobrevivência por intermédio de alianças locais (com micro e pequenas empresas e com outros atores sociais da região), da cobrança de mensalidades e da ajuda de voluntários. Na prática, o que se pode observar é que nem todas conseguem cumprir este objetivo, obtendo maior êxito quando abrigadas por organizações que contam com recursos próprios ou com um alto grau de mobilização comunitária.

Baseando-se neste modelo, a organização conquistou parcerias com grandes empresas e fundações, além de organismos de fomento como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Os recursos levantados são investidos

majoritariamente na capacitação e no acompanhamento do trabalho dos educadores, viabilizando, ainda, a continuidade da estrutura administrativa da organização.

É possível afirmar que a visibilidade dos projetos colabora para a manutenção das parcerias atuais e para a conquista de outras. Além disso, a organização promove campanhas permanentes de captação de computadores e conta com o apoio de mais de mil voluntários, que se renovam a cada nova aparição na mídia.

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