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O conjunto de análises efetuadas acima sobre as aulas ministradas a partir dos planos de aula elaborados neste trabalho forneceram uma série de conclusões. Esta seção se dedicará a resumi-las e a relacioná-las melhor com características e possíveis aprimoramentos do Produto Educacional.

As apresentações dos alunos sobre os textos de apoio ao tema 1 revelaram indícios de que esses textos contribuíram significativamente para tornar o saber dos alunos mais próximo do saber expresso nesse material. Não se pode desprezar, no entanto, que muitos alunos demonstraram dificuldades para leitura e compreensão dos textos e que, provavelmente, muitos sequer o leram. Mas, quanto a esse problema, não há outra maneira de aprimorar as habilidades de leitura, interpretação e apresentação oral senão pela prática, sendo esta uma qualidade da proposta.

Especificamente sobre o texto 5, que é autoral e foi redigido no contexto do presente trabalho, as falas dos alunos nas apresentações demonstraram indícios de que, somente a leitura do texto, sem intervenção do professor, promoveu a percepção da Física como ciência histórica e coletivamente construída; forneceu, ao menos em parte, elementos para iniciar a discussão sobre o surgimento da Física Moderna e os limites de validade da Mecânica

Newtoniana; abordou, em caráter introdutório, a relação entre massa e energia de maneira suficientemente clara; deu margem a interpretações errôneas sobre a dilatação do tempo e a contração do espaço, o que indica que alguns trechos do texto precisam ser aprimorados.

Esses resultados demonstram grande potencial de uso dos textos 1 a 4 como material paradidático, na eventual situação em que o professor não disponha de tempo suficiente para um trabalho com apresentações de cartazes como o realizado aqui. A exceção é o texto 5. Na forma em que ele se encontra, é necessária uma intervenção do professor junto aos alunos para esclarecer algumas conseqüências da Teoria da Relatividade (especificamente, o que significa “movimentos em altíssima velocidade” e os fenômenos da dilatação do tempo e da contração do espaço). Como perspectiva futura, esse texto poderá ser aprimorado nesses pontos, garantindo-lhe maior pluralidade de uso.

A análise do relato de aplicação do produto educacional (Apêndice F) forneceu indícios de que os planos de aula resultaram, de maneira geral, em aulas interessantes e motivadoras para os alunos. Verificou-se, por exemplo, indícios de que os temas relativísticos e a figura de Albert Einstein trazem, por si só, certa relevância cultural aos temas abordados nos planos de aula, o que pode ser relacionado à atualidade moral sugerida pela Teoria da Transposição Didática.

Outro aspecto avaliado por meio do relato de aplicação é que as discussões realizadas em sala promoveram uma visão da ciência como empreendimento humano histórico e coletivamente construído, ainda em constante evolução.

Outras conclusões surgiram a partir das respostas dos alunos nos dois questionários aplicados. Identificou-se indícios de que:

 as discussões realizadas ao longo do tema 1 contribuíram para que os alunos identificassem fenômenos físicos relativísticos e reconhecessem Einstein como principal envolvido no desenvolvimento da Teoria da Relatividade;

 12 alunos (29,2%) que leram o texto da apostila de apoio ao tema 2 e

 de maneira geral, atribuíram adjetivos semelhantes a “bom/legal”, “interessante” e “bem explicado” a ele;

 11 alunos (97,1%) gostariam de conhecer mais sobre a Teoria da Relatividade de Albert Einstein;

 8 atribuíram adjetivos semelhantes a “difícil/complicado”, o que sugere que o texto precisa ser aprimorado para uma linguagem mais acessível;  1 aluno demonstrou entendimento sobre o 2º postulado da TER, o que

sugere ser realmente necessário uma intervenção do professor após a leitura;

Apesar das deficiências identificadas no texto da apostila de apoio ao tema 2, por meio dos questionários mencionados acima, a discussão desse texto em sala de aula – mesmo que a maioria dos alunos não tenha lido o texto previamente em casa – mostrou-se muito frutífera. Identificou-se indícios de que essa discussão permitiu: reforçar conceitos clássicos sobre a relatividade dos conceitos de repouso, movimento e velocidade (incluindo cálculos); aprofundou o significado do termo “altíssimas velocidades” e promoveu uma compreensão sobre os limites de validade da Mecânica Clássica; apresentou bases experimentais para que os alunos “aceitassem” o 2º postulado da TRE e promoveu uma mudança conceitual sobre este postulado e, por fim, promoveu a visão da ciência como empreendimento humano, histórico e coletivo.

O uso de cenas de um filme de ficção científica, na abordagem do tema 3, se mostrou bastante frutífero no sentido de promover uma elucidação dos conceitos de tempo abosluto, tempo relativo e tempo psicológico, bem como para identificar as causas previstas pela Relatividade Restrita e pela Relatividade Geral para a dilatação do tempo. Também a tradicional analogia entre um lençol e o espaço-tempo mostrou-se muito útil para promover discussões sobre inércia, gravitação universal e deformação do espaço-tempo.

Assim, de maneira geral as abordagens propostas nos planos de aula se mostraram adequadas ao 1º ano do ensino médio. Entretanto, verificou-se que algumas discussões se prolongaram mais do que o esperado, o que demandaria maior tempo para trabalhar certos assuntos ou adaptações de textos ou mesmo dos planos de aula no sentido de sintetizar alguns assuntos e privilegiar outros.

Destacou-se, ainda, a inserção de noções de Relatividade Geral na discussão dos tema 3 e, principalmente, do tema 4. No primeiro caso, foi possível identificar a gravidade como um dos fatores que proporcionam a dilatação do tempo, a partir das cenas de um filme de

ficção científica. No segundo caso, apresentou-se uma relação entre inércia e deformação do espaço-tempo, permitindo ainda contrastar a Mecânica Clássica com a Relativística.

Quanto aos resultados de aprendizagem demonstrados nas provas bimestrais, em suma, observou-se que o desempenho dos alunos nas questões sobre Teoria da Relatividade foi muito similar ao desempenho nas questões sobre Mecânica Clássica, o conteúdo “tradicional” do 1º ano. Assim, pode-se considerar que os resultados nas provas, de maneira geral, são um indício de sucesso do produto educacional e de sua aplicação. Além disso, os resultados evidenciam que não há por que, em termos de aprendizagem, deixar de inserir a Teoria da Relatividade ao 1º ano.

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