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Na pesquisa geral, perguntamos quais os assuntos que os alunos gostariam que fossem mais abordados em sala de aula. Elencamos no Gráfico 14 os assuntos citados e qual a porcentagem das citações que eles tiveram:

Gráfico 14 – Assuntos de maior interesse citados pelo público geral

Como podemos perceber no Gráfico 14, os assuntos de maior interesse geral são (por ordem de citação): música (18,45% das citações), história (17,3%), cinema (15,3%) e arte (13,2%). Se pensados por faixa etária, não há diferenças significativas entre os assuntos mais escolhidos. As variações existentes são: na faixa etária de 40-49 anos, o terceiro lugar fica com a “gramática”. Nas faixas acima de 50 anos, “arte” empata com “história” na segunda posição.

Perguntamos aos monitores, nas entrevistas, quais materiais extra eles mais gostam de levar para a sala de aula. (Tabela 13)

Tabela 13: Materiais extra mais utilizados pelos monitores (E)

Monitor Materiais

1 Músicas, textos literários e história em quadrinhos 2 Músicas e textos da Internet

3 Músicas

4 Artigos de jornal e contos

5 Artigos de jornal on-line, músicas (porque os alunos pedem)

P orcentagem das sugestões 3,4% 0 5 10 15 20 arte

atualidadecinemacostumescotidianoculinária culturaesportesfilosofiageografiagramáticahistórialiteraturamúsicatodos/tudooutros só com 1voto 13,2% 1,0% 15,3% 0,8% 1,0% 5,6% 2,5% 1,7% 2,3% 1,2% 8,3% 17,3% 1,6% 18,4% 6,4%

Três dos cinco monitores entrevistados declararam, espontaneamente, levar música para a sala de aula, justamente o ponto que mais interessa aos alunos segundo o Gráfico 14. Mas os resultados não permitem depreender que a escolha dos textos atenda ao desejo dos alunos de saber mais sobre arte e história, por exemplo. Entretanto, os monitores poderiam utilizar os textos literários, jornalísticos e de internet para trabalhar desde a compreensão escrita e o léxico até questões culturais. M3e e M5e disseram gostar de trabalhar com filmes, mas no IC isso fica limitado por conta da falta de recursos para aulas que exijam equipamento audiovisual e pela indisponibilidade das salas.112

Em seguida, passamos às habilidades da LE com as quais os alunos declaram sentir maiores dificuldades. Ressaltamos que, ao contrário do questionário com os níveis principiantes, o questionário geral foi aplicado ao final do semestre, portanto, os alunos de nível 1 também puderam responder com qual habilidade sentiam dificuldades.

• 54,9% deles disseram ter mais dificuldades com a produção oral; • 21,1% disseram que é a gramática a parte mais difícil do curso; • 20,3% disseram ser a produção escrita a mais difícil.

Portanto, mais da metade dos alunos considera a produção oral o ponto mais difícil da aula de LE. Na divisão por faixas etárias, as três primeiras colocações se mantêm, com alteração entre 2º e 3º lugares a partir dos 50 anos. Temos, portanto, de 15 a 19 anos os seguintes três primeiros lugares (por ordem de colocação): 1) produção escrita; 2) produção oral; 3) gramática. De 20 a 49 anos as três primeiras colocações são: 1) produção oral; 2) produção escrita; 3)

112 As turmas de sábado são as mais prejudicadas, pois nesse dia da semana não há expediente, e as salas multimídias e equipamentos ficam indisponíveis. Se um aluno frequenta todo o curso de língua aos sábados, provavelmente não assistirá a nenhum vídeo, a menos que se combinem atividades extraclasse ou conte-se com a disponibilidade dos alunos em emprestarem equipamentos. Dois casos que presenciei como monitora foram de alunos que levaram para a sala de aula televisão e aparelho de DVD para que pudessem ver um filme com o professor e fazer atividades sobre eles. E um aluno que possuía um projetor e o levava em sala para que o monitor pudesse usá-lo com a mesma finalidade.

lugar (empatando em alguns casos), ficando assim: 1) produção oral; 2) gramática; 3) produção escrita. As diferenças não são significativas, pois o número de respostas dado entre 2º e 3º lugar, em praticamente todas as faixas etárias, é muito próximo. Entretanto, poderíamos refletir, com esses resultados, sobre um dos estereótipos relacionados aos idosos, o de que eles gostam mais da gramática. Podemos supor que os alunos idosos possivelmente demonstrarem em aula maior interesse na gramática – pois não podemos esquecer que geralmente uma característica pessoal é generalizada a todo o grupo idoso –, possa ser derivado da dificuldade que sentem com a gramática e não de interesse (já que não aparece dentre os assuntos que gostariam que fossem mais abordados em sala de aula, como vimos no Gráfico 14).

Quando questionamos os monitores sobre quais habilidades eles mais se sentiam à vontade para trabalhar em sala, as respostas foram (Tabela 14):

Tabela 14: Quais habilidades* você se sente mais à vontade para trabalhar? (Q3:7)

Monitor Habilidade(s) Justificativa

1 Produção oral

“Organizo minhas aulas em modo que tudo ‘desemboque’ na produção oral dos alunos, que acredito ser a maior demanda dos alunos, e, para muitos deles, a maior dificuldade.”

2 Gramática “Porque tenho maior domínio e também porque, das opções acima, é a que mais me agrada.”

3 Produção oral “Tive um excelente professor nos níveis básicos que dava aula fazendo perguntas. Procuro seguir esse modelo reforçando bastante a oralidade.”

4 Produção escritae gramática “Me sinto à vontade para trabalhar gramática e produção escrita, porque a minhaformação é mais sólida nesses âmbitos do que nos outros.”

5 Leitura e gramática

“Acredito que domino melhor e, em relação à produção oral ainda não me ‘policiei’ na hora de corrigir os alunos. Acabo interrompendo-os muito.”

6 Produção escritae leitura

“Porque são formas físicas, em papel, com as quais é mais fácil fazer com que o aluno entenda as formas da língua e não tão subjetivas ou ambíguas como a gramática.”

Como podemos ver na Tabela 14, a maioria dos monitores não declara a produção oral como a habilidade com a qual se sentem mais à vontade para trabalhar, justamente aquela na qual os alunos encontram maiores dificuldades.

Outra questão colocada aos monitores, durante as entrevistas, se referia aos níveis para os quais preferem lecionar. Os cinco participantes declararam preferir os níveis principiantes (níveis 1 e 2, sendo que um dos entrevistados declarou principiantes “até o nível 4”). Indagamos a razão da escolha:

M1: Ah, eu acho que quando eles tão começando a estudar italiano, acho que o encantamento ainda é maior. Então é como eu falei no começo, né? Trabalhar com interesse, com gente que tá a fim, faz toda a diferença, né? Acho que quando vai chegando nos níveis mais intermediário::, talvez ainda... aquele interesse ainda tá acesso. No final, tanto é que a gente vê que a turma se reduz bastante, né? […]

Somente M1e, dos cinco monitores entrevistados, aponta que a razão de preferir dar aula aos grupos principiantes está relacionada ao interesse dos alunos ser maior no começo do curso. Os demais monitores apontam o conteúdo dos níveis ou o fato de os grupos principiantes precisarem das noções básicas como a razão que os leva a preferir esses níveis.

M3: Eu gosto muito do nível dois, porque eu acho que é um nível fundamental... é:: o aluno tem que ter uma boa base nesse nível porque ele tá aprendendo o Passato Prossimo e a estrutura desse tempo se repete mais pra frente em vários outros tempos... é:: o fato de ter um auxiliar, todo o/toda a estrutura do Passato, então, eu gosto bastante do nível dois.

M4: Aí é aquela satisfação pessoal mesmo. […] E é o primeiro contato que eles têm realmente com a língua, então ali é o momento de explicar matematicamente o que que pode e o que não pode. […] Então eu prefiro trabalhar com esses níveis, pra trabalhar com calma, trabalhar direitinho, dar uma base melhor, uma base mais sólida, pra evitar

acho muito mais difícil dar aula pra nível 1 e nível 2 do que pra nível 8, por exemplo. Obviamente os conteúdos são mais elaborados, são mais::... são mais difíceis, mas no nível 1 e no nível 2 é:: é um nulo total, eles não têm noção das coisas, então é um trabalho mais/mais forçado, é um trabalho mais braçal no nível 1. [...]

M5: Porque essa... da introdução dos alunos à língua, eu gosto bastante disso, essas primeiras noções... E também por não me sentir preparado o suficiente pra dar aula pros níveis mais avançados. Esses dois motivos: por gostar mesmo de introduzir os alunos à língua... e por não me sentir ainda suficientemente preparado pros níveis mais avançados.

Podemos notar nestas declarações que os monitores preferem, eles mesmos, lidar com aquelas partes do curso que consideram fundamentais, para depois “deixá-los” aos outros monitores. M3e chega a brincar:

M3: […] Mas eu gosto mais do nível dois, assim. Não porque é um nível baixo, mas devido à importância do aluno ter uma boa base pra... – pelo menos eu tive certeza de como foi passado... – não que eu não confie nos outros ((risos)) mas eu gosto do nível dois.