5. ANALYSE OG DRØFTING
5.1.1. Spørreundersøkelse 1
Realizamos algumas perguntas com a finalidade de levantar o que os participantes do IC pensavam a respeito de sua estrutura curricular, infraestrutura e organização.
Diferenciais do IC
Perguntamos aos monitores, durante as entrevistas, se havia diferenciais entre o IC e os outros lugares nos quais deram aula de língua italiana. Todos os monitores afirmaram que o IC é diferente. As razões alegadas foram as seguintes:
• número de alunos: muito maior do que nas escolas. O IC tem como limite oferecido por turma 25 vagas, nos níveis 1 as turmas costumam ficar cheias, tendo, inclusive, lista de espera em alguns semestres – principalmente para as turmas de sábado. Mais de um monitor declarou estar acostumado a dar aulas para grupos muito pequenos ou particulares;
• acompanhamento pedagógico da coordenação do curso: com espaço para compartilhar materiais e aprofundar assuntos com os colegas e coordenação. M1e faz a seguinte declaração: “Eu acho que a coordenação mesmo do trabalho, perché os outros lugares em que eu dei aula, se eu quisesse ‘brincar’ de ser professora, fingir que tava dando aula, eu podia”;
• nível de escolaridade dos frequentadores: destacamos a declaração de M5e: “A maioria das pessoas que estão aqui, elas têm um nível de escolaridade maior. E isso se reflete na sala de aula:: toda a dinâmica de trabalho.”;
• maturidade dos alunos: segundo M4e, os alunos “já trazem uma carga boa. Ou de outras línguas ou de experiências privadas.”; • metodologia: seguir um material didático e uma estrutura
curricular baseada nele. Segundo M2e, nas escolas isso acaba sendo mais maleável.
Anteriormente, vimos que nenhum dos monitores apontou a presença de alunos idosos ou a heterogeneidade etária como fator que diferencia o público do IC daqueles dos outros para os quais deram aula. Aqui, temos o mesmo resultado em relação à idade dos alunos quando questionamos os monitores sobre os diferenciais do Italiano no Campus. Os monitores apontam características dos alunos, como a maturidade e o nível de escolaridade, mas não apontam a idade. Esse pode ser um dado positivo se indicar que os monitores não consideram a idade como fator relevante nas aulas de língua e, por isso, promovam um ambiente igualitário entre os alunos.
A infraestrutura disponível para as aulas do Italiano no Campus são aquelas da própria FFLCH, considerada precária pelos seus utilizadores. Questionamos os monitores sobre o assunto, para saber se, na opinião deles, a infraestrutura existente é suficiente para dar aula. Todos responderam que não é suficiente, sendo que as faltas vão desde a ausência de recursos tecnológicos audiovisuais até problemas com salas de aula e falta de ventiladores. A falta de recursos para utilizar materiais didáticos que envolvam vídeo é uma das maiores reclamações dos monitores. (cf. 3.4.1.).
Satisfação dos alunos
No questionário geral perguntamos aos estudantes se o curso tem atendido às expectativas deles. A maioria, 74%, respondeu que sim, e 23% declararam que tem atendido “em parte”. Fizemos um gráfico com a divisão por nível e uma por faixa etária para verificar se havia uma tendência quando colocados dessa forma. No primeiro caso, na divisão por nível, os resultados foram muito variados, não apresentando uma tendência. No caso da divisão por faixas etárias, temos o seguinte gráfico (Gráfico 15):
Gráfico 15 – Público geral por faixa etária: grau de satisfação
16-19 anos 20-29 anos 30-39 anos 40-49 anos 50-59 anos 60-69 anos 70-79 anos não declarou idade 66,7% 79,4% 74,1% 76,0% 66,7% 75,0% 70,0% 60,0% 20,6% 25,9% 24,0% 28,6% 18,8% 30,0% 40,0% 2,1% 16,7% 2,4% 16,7% 2,4% 4,2% 20,6% 25,9% 24,0% 28,6% 18,8% 30,0% 40,0% 2,1% 16,7% 2,4% 16,7% 2,4% 4,2% não
sim em parte outras respostas
Nível de satisfação por faixa etária - %
Também aqui, no Gráfico 15, podemos dizer que não há uma tendência relativa a faixas etárias quanto ao grau de satisfação dos alunos (se ele aumenta conforme a idade dos participantes ou decai).
Em seguida, questionamos o que mudariam no curso se pudessem. Os alunos responderam:
• 1º lugar: Mais conversação nas aulas (17,9% das citações);
• 2º lugar: Maior uso de recursos multimídia, como filmes, músicas, internet etc. (8,6% das citações);
• 3º lugar: Empatam: mais atividades diferentes do livro e mais tempo para atividades extra – filmes, músicas (com 5,5% das citações cada).
Como podemos observar, também os alunos gostariam que os recursos multimídia fossem mais utilizados durante as aulas. Mas prevalece a vontade de praticar mais conversação em sala, o que pode ser comprometido pelo número de alunos que alguns grupos possuem. As respostas obtidas tiveram citações baixas demais para que fizéssemos uma divisão por faixa etária. Entretanto, a citação sobre ter “mais conversação” sobressai em todas as faixas etárias, sendo que os outros assuntos, muitas vezes, são citados apenas uma vez dentro de cada faixa etária.
Perguntamos aos monitores se eles achavam que os alunos estavam satisfeitos com o curso (sua estrutura). A maioria respondeu afirmativamente. M5e declara que o fato de os alunos pedirem mais conversação não é novo e que foi com a finalidade de suprir essa demanda que foram criados os grupos específicos de conversação.
Número ideal de alunos
Levantamos o número ideal de alunos por turma na opinião de monitores e alunos. Obtivemos as respostas por meio do questionário dos monitores,
seguintes: 1) o número médio de alunos por turma que os monitores afirmam ter é 20; 2) tanto monitores quanto alunos prefeririam que os grupos tivessem, em média, 15 alunos; 3) o número de alunos tende a diminuir conforme aumenta o nível. Atualmente o Italiano no Campus estipula o número máximo de vagas oferecidas por turma em 25.
Estrutura Curricular e Material Didático
O curso de língua do Italiano no Campus é dividido em 8 níveis/módulos, que possuem seus conteúdos baseados nas unidades do livro didático adotado:
Linea Diretta. Quanto à estruturação do curso, nos questionários dos monitores,
obtivemos as respostas apresentadas na Tabela 15.
Tabela 15: Você acha que a divisão do conteúdo nos módulos (do IC) é adequada? (Q3:6)
Monitor Sim ou Não Justificativa
1 SIM “Sim, embora acredite que alguns níveis fiquem sobrecarregados de conteúdo (níveis 2,4,5).”
2 SIM “O programa está bem dividido nos 8 módulos semestrais. Um aluno que nunca teve contato com a língua, consegue ao final dos módulos falar bem italiano.” 3 SIM “Acredito que o material utilizado apresente os argumentos no momento certo,
com algumas poucas exceções.”
4 NÃO
“Não gosto do modo/da sequência como os conteúdos são apresentados no
Linea Diretta: o “futuro semplice”, por exemplo, só é apresentado no livro 2 e, como no Italiano no Campus temos que seguir o Linea Diretta, certos conteúdos que, a meu ver, devem ser estudados pelos alunos nos últimos níveis.”
5 SIM —
6 SIM “É bem determinado e acompanha o desenvolvimento linguístico do aluno. Exceto entre os níveis 5 e 6, que poderiam ser reformulados.”
Apenas M4q declara não gostar da divisão de conteúdo nos módulos. Já nas entrevistas, as respostas são diferentes das apresentadas no questionário. De um modo geral, os monitores afirmam que o Italiano no Campus é muito
parecido com as escolas de língua. E apontam a coordenação pedagógica presente como o diferencial do IC.
Alguns monitores declaram que gostariam que o material didático fosse trocado, indicando o Nuovo Progetto Italiano113 como alternativa ao Linea Diretta.
Como a divisão por níveis no IC é feita com base no livro didático, eles alegam que discrepâncias decorrentes da estrutura do livro acabam sendo ruins para o curso. As provas, ao final do semestre, são unificadas114, não permitindo aos monitores muita flexibilidade dentro do cronograma. Apesar de possuírem liberdade total sobre os materiais extra que levam para a sala de aula, precisam se ater ao livro para não “prejudicar” os alunos na prova final, pois é a única que estipula oficialmente a média dos alunos. M3e declara que, de certa forma, preparava os alunos para a prova ao longo do semestre. Se isso ocorrer com frequência entre os monitores, a singularidade do grupo não será sentida e não será trabalhada em sua especificidade. Se o objetivo estipulado é o da superação do exame final, as relações sociais em sala de aula, que podem ser ricamente trabalhadas nas aulas de língua, se perderiam.
No questionário geral de monitores, alguns falaram que mudariam a única avaliação proposta no semestre e o enfoque dado ao curso (que, segundo eles, atualmente é gramatical).115
Coordenação e monitoria
Para compreender se os monitores sentiam-se motivados a discutir os problemas com a coordenação, inclusive a questão intergeracional, perguntamos se havia um bom diálogo entre monitoria e coordenação. Quatro dos cinco monitores
113 MARIN, T. MAGNELLI, S. Nuovo Progetto Italiano : corso multimediale di lingua e cultura italiana. Roma: Edilingua. (Livros 1 e 2 reestruturados em julho de 2010). Os livros contam com CD-ROM para os alunos e DVD com atividades para todas as unidades dos livros 1 e 2.
114 Lembramos que a avaliação existente hoje no IC se reduz a uma única prova ao final do semestre (iguais para todos os grupos do mesmo nível), sendo que a parte escrita vale 70% da nota (gramática e redação) e os outros 30% são compostos pela avaliação oral definida pelo monitor.
possível notar em seus depoimentos que existem barreiras na comunicação e na troca de ideias entre monitoria e coordenação.
Com os depoimentos ao longo da entrevista percebemos que assuntos como dificuldades de relação aluno-aluno e aluno-monitor raramente são abordados em reuniões com a coordenação. Supomos, portanto, que se algum monitor tivesse um problema em lidar com a heterogeneidade do curso, isso não seria discutido. Os próprios monitores acabam assumindo uma postura de “tem que aprender na prática”, como afirma M4e, que a sala lhe é atribuída e você tem de lidar com ela, ou como declara M3e, para quem o monitor tem que ter “jogo de cintura”. Lidar com a heterogeneidade, principalmente, no nosso caso, a etária, é algo que deveria ter espaço de discussão e análise nas reuniões pedagógicas.
Objetivos do Italiano no Campus
O Italiano no Campus surgiu com dois objetivos: atender à comunidade USP e servir de laboratório para os estudantes de pós do Programa de Língua e Literatura Italiana da FFLCH-USP. Perguntamos aos monitores se esses objetivos ainda permaneciam e se cumpriam.
Os monitores entrevistados declararam que, atualmente, a maioria dos alunos é comunidade externa. Uma coordenadora disse que não se esperava que a procura pelo curso por parte do público externo fosse tão grande e que, com esse dado, deveria ter ocorrido uma adaptação, já que o curso foi pensado para a Comunidade USP.
Se pensarmos nas declarações de M1e e M5e, os quais afirmam que o currículo atual do Italiano no Campus é parecido com os das outras escolas de língua, pode-se supor que o currículo atende às necessidades da comunidade externa. Mas não podemos esquecer também que os monitores declararam que os alunos do IC são diferentes dos alunos de outros cursos em que deram aula, o que
demandaria um currículo também diferenciado, de acordo com as especificidades do público que o frequenta.
Quanto ao fato de servir como laboratório para os alunos de pós, a maioria dos monitores afirma que o IC serve de espaço para experimentarem técnicas e materiais novos, além de colocar em prática suas pesquisas, mas que há limitações tanto devido ao cronograma que deve ser seguido como quanto a equipamentos que precisariam utilizar. Alguns dos cursos de Língua & Cultura oferecidos pelo IC são baseados em pesquisas dos monitores que querem testar suas teorias em aplicações específicas (somente produção oral, somente produção escrita, abordando apenas um aspecto cultural italiano – culinária, por exemplo –, com base em materiais diferenciados etc.).