3,69 1,83 2,84 3,06 2,73 2,72 2,88 1,70 2,71 Fonte: IBGE (2002)
Como o estado do Mato Grosso possui 40% de seu território sob o gerenciamento do poder público e está inserido dentro da área de reserva da “Amazônia Legal”, esse processo de expansão agrícola nas regiões mato-grossenses tem sido desenvolvido de maneira bem controlada para não causar impactos ambientais, como observado por As Bases (2001).
2.6.3 O armazenamento mato-grossense de grãos e fibras
De acordo com o recadastramento realizado pela CONAB6 em 2003, o estado do Mato Grosso apresenta uma capacidade estática para armazenar 14,5 milhões de toneladas, que estão distribuídas nos 1.354 armazéns presentes no estado. Desta capacidade total, 98,6% são
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Cadastro parcial dos armazéns do estado do Mato Grosso. Enviado por e-mail por Denise Deckers em maio de 2003.
gerenciados por empresas privadas. Neste grupo estão incluídas as cooperativas, os produtores rurais, as agroindústrias processadoras e as empresas prestadoras de serviços de armazenagem. Os armazéns públicos, no total de 22, apresentam uma capacidade estática aproximada de apenas 200 mil toneladas.
Cerca de 50% do número total de armazéns mato-grossenses têm capacidade estática de até 5 mil toneladas, sendo que a maioria dessas unidades são estruturas convencionais. No entanto, como se pode verificar na Tabela 11, a capacidade estática das unidades dentre 10 mil 100 mil toneladas correspondem a mais de 70% da capacidade de armazenamento total do estado do Mato Grosso, sendo a capacidade média dessas unidades de aproximadamente 27 mil toneladas.
Tabela 11 – Número e capacidade estática dos armazéns mato-grossenses, segundo as classes de capacidade estática, em toneladas – 2003
Armazéns convencionais Armazéns graneleiros Classe de capacidade estática
Nº Capacidade estática Nº Capacidade estática Até 1.000 1.001 a 5.000 5.001 a 10.000 10.001 a 50.000 50.001 a 100.000 Superior a 200.001 37 371 121 53 2 1 24.263 883.307 868.385 930.295 130.635 248.400 16 256 175 271 50 1 11.586 772.116 1.261.243 6.113.895 3.088.405 169.297 Total 585 3.085.285 769 11.416.542 Fonte: CONAB (2003)
As mesorregiões do Norte e do Sudeste do estado detêm 85,3% da capacidade estática de estocagem, sendo que nestas duas regiões também predomina o cultivo de grãos. Embora os armazéns convencionais estejam distribuídos por todas as mesorregiões mato-grossenses, são os armazéns graneleiros que agregaram 80% capacidade total de estocagem do estado. Essas estruturas predominam nas mesorregiões do Norte, Sudeste e Nordeste, enquanto nas demais mesorregiões, os armazéns convencionais agregam a maior parte da capacidade estática de estocagem (vide Figura 7).
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Norte Mato- grossense Sudeste Mato- grossense Centro-Sul Mato- grossense Nordeste Mato- grossense Sudoeste Mato- grossense Convencional Granel
Figura 7 – Participação relativa das modalidades dos armazéns nas mesorregiões mato- grossenses
Fonte: CONAB (2003)
A rede de armazéns no Mato Grosso envolve 574 empresas, sendo que 4% , ou seja, 23 detêm 46% de toda capacidade de armazenamento. As quatro maiores empresas do estado são responsáveis por 17,6% da capacidade instalada de armazenamento, como mostra a razão de concentração7 CR(4) na Tabela 12, revelando que o mercado de armazenamento no Mato Grosso não é concentrado.
Tabela 12 – Razão de concentração e capacidade estática de armazenamento (em mil toneladas) das 4 maiores empresas do Mato Grosso – 2003
Empresa armazenadora Capacidade estática de
armazenamento Participação (%) Maggi Armazéns Gerais Ltda
Cargill Agrícola SA
Goiazem Arms. Gerais Ltda Bunge Alimentos SA 1.015 645 472 422 7,0 4,4 3,3 2,9 CR (4) 17,6
Fonte: elaborado a partir dos dados CONAB (2003)
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Para o cálculo do índice de concentração, se delimitou o mercado relevante como sendo as mesorregiões mato- grossenses. Essa pressuposição implica que todas as unidades armazenadoras mato-grossenses podem estocar e ou beneficiar somente os grãos produzidos dentro dos limites geográficos do estado; isso é válido também cada para mesorregião.
Entretanto, quando a análise é focada nos mercados das mesorregiões específicas, verifica-se algumas concentrações relevantes8. No Sudoeste, as quatro maiores empresas detêm 65,4% da capacidade, enquanto que no Centro-Sul a participação chega a 67,6%. Já nas demais regiões, o CR(4) não é expressivo, não existindo portanto, uma preocupação com o comportamento dominante de determinadas empresas (vide Figura 8).
No Centro-Sul do estado, os 48 armazéns existentes pertencem a 19 empresas armazenadoras, sendo que a empresa prestadora de serviços de estocagem Goiazem, localizada em Cuiabá, é detentora de 32,1% da capacidade de armazenamento disponível nessa região. Situação semelhante ocorre no Sudoeste mato-grossense, onde as 17 empresas estabelecidas na região possuem juntas 30 unidades de armazenagem, sendo que a empresa Cargill detém sozinha quase 30% da capacidade estática total desta região. Cumpre destacar que embora esta empresa possua armazéns em quase todo o estado do Mato Grosso, com exceção apenas da região de Centro-Sul, nas demais regiões ela está sempre entre as 4 maiores empresas detentoras da capacidade estática de armazenamento.
No Norte do estado, o índice de concentração calculado é considerado baixo, sendo que esta região dispõe de 711 armazéns que estão sob a gerência de 276 empresas. O destaque nesta região fica com a empresa Maggi, com 8,7% da capacidade de armazenamento. No Sudeste mato-grossense o mercado é composto por 171 empresas que administram 444 armazéns, sendo que os armazéns da empresa Carolina compreendem 8,4% do total da capacidade de estocagem dessa região. No Nordeste estão localizados 121 armazéns e as empresas Cargill e Argesil têm a mesma concentração da capacidade de estocagem (aproximadamente 11% cada uma).
8 De acordo com a teoria da estrutura-conduta-desempenho, a presença de estruturas concentradas propicia a prática de condutas anti-competitivas. No entanto, não se pode afirmar tal fato neste caso, pois para isso seria necessário obter dados referentes a conduta e desempenho praticados pelos armazéns destas localidades e averiguar se de fato, eles diferem das demais regiões. Além disso, o mercado relevante considerado para o cálculo da razão de concentração não considerou a possibilidade de estocar a produção de uma determinada região em outra, o que na prática pode ocorrer.
20,2 25,7 37,7 65,4 67,6 17,6 0 10 20 30 40 50 60 70 % Norte Mato- grossense Sudeste Mato- grossense Nordeste Mato- grossense Sudoeste Mato- grossense Centro-Sul Mato- grossense Estado do Mato Grosso
Figura 8 – Razão de concentração (CR4) relativo à capacidade estática de armazenamento no Mato Grosso e nas suas mesorregiões
Fonte: elaborada a partir dos dados da CONAB (2003)
A rapidez com que o fluxo de produto é beneficiado e/ou estocado dentro de um armazém está relacionada não somente à modalidade das instalações (graneleiro ou convencional) mas também ao desempenho dos equipamentos instalados internamente para movimentar o produto. No Quadro 3 são apresentadas as capacidades agregadas médias dos sistemas de recepção, de limpeza, de secagem e de recepção dos armazéns mato-grossenses, por mesorregião.
Secagem Recepção Expedição
(t/h) (t/h) (t/h)
Centro-Sul Mato-grossense 31 Convencional 16 78 79 17
Granel 132 110 112
Sub-total 48 57 90 91
Nordeste Mato-grossense 55 Convencional 48 29 34 66
Granel 51 75 67
Sub-total 121 50 54 52
Norte Mato-grossense 316 Convencional 64 76 49 395
Granel 93 224 110
Sub-total 711 80 158 83
Sudeste Mato-grossense 164 Convencional 44 72 68 280
Granel 68 117 106
Sub-total 444 59 101 92
Sudoeste Mato-grossense 19 Convencional 34 110 32 11
Granel 80 339 94
Sub-total 30 50 194 54 Total Mato Grosso 1.354 69 128 83
Capacidade média Unidade Armazenadora
Espécie Meso Região
Nº
Quadro 3 – Estrutura operacional média dos armazéns mato-grossenses, por mesorregião, em 2003
Fonte: CONAB (2003)
Nota-se no Quadro 3 que a região Norte apresenta o melhor desempenho para secagem dos produtos, que em média, está em torno de 80 t/h. Entretanto, com relação ao sistema de recepção, os armazéns do Sudoeste obtêm o melhor indicador, pois têm potencial para receber 194 t/h de grãos. Já a capacidade de expedição dos armazéns do Centro-Sul e Sudeste são as mais rápidas, conseguindo expedir, em média, mais de 90 t/h.
Entretanto, algo que fica evidente é que assim como no Brasil como um todo, a capacidade estática de armazenamento do estado não evoluiu no mesmo ritmo da produção de grãos e fibras do estado: enquanto a produção apresentou uma taxa de crescimento acumulada, entre os anos de 1990 a 2002, de 151,4%, a capacidade de estocagem cresceu 101,8% no mesmo período.
Segundo a CONAB (2004b), as deficiências no sistema de armazenamento no estado do Mato Grosso são pontuais, principalmente para a cultura arrozeira, pois algumas regiões produtoras não possuem armazéns e outras necessitam de ampliação e modernização das unidades já existentes. Os armazéns que estocam milho também necessitam de investimentos na melhoria de suas instalações para poder conservar a qualidade dos produtos.
-2.500 -2.000 -1.500 -1.000 -500 0 500 1.000
Norte Nordeste S udoeste Centro- S ul S udeste Mato Grosso Mi l t - 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0
Norte Nordeste S udoeste Centro- S ul S udeste Mato Grosso C ap a rm az / P rod
Dentre as regiões deficitárias no estado, é no Norte que se encontra a maior dificuldade de estocagem, pois cerca de mais de 2 milhões de toneladas de algodão, arroz, feijão, milho e soja precisam ser deslocadas dessa região logo após a colheita, principalmente no caso da soja, para processamento no próprio estado, que atualmente conta com uma capacidade de esmagamento de 14,5 mil t/dia9, ou então, esse excedente precisa ser direcionado aos portos exportadores ou para processamento em outras estados brasileiros. As mesorregiões do Nordeste e do Sudeste do Mato Grosso mostram também uma defasagem, só que ligeiramente menor. Já as regiões do Sudoeste e do Centro-Sul têm espaço para armazenar 1,5 vez e 4,5 vezes a produção dessas mesmas regiões, respectivamente (vide Figura 9).
Figura 9 – Relação entre capacidade estática de armazenagem e a produção por mesorregião mato-grossense
Fontes: CONAB (2003) e IBGE (2002)
No entanto, vale ressaltar que a capacidade estática de armazenamento não é necessariamente um bom indicativo da suficiência da rede de armazenamento, pois segundo Nogueira-Junior et al. (1989), se for considerado o padrão universal de rotação de estoques (giro de 1,5 vez10), a capacidade de estocagem dos armazéns no Mato Grosso seria superior à produção verificada para as culturas consideradas em 2002, o que reduziria, a priori, a insuficiência de armazenamento no estado.
9 Segundo Associação Brasileira da Indústria de Óleo Vegetal – ABIOVE (2004). 10
De acordo com Alvim (1990), giro de 1,5 vez indica a produtividade operacional dos armazéns, ou seja, é a quantidade de grãos movimentada em um armazém durante o período de um ano em relação à sua capacidade estática de armazenamento. Por exemplo, se um armazém de capacidade estática de estocagem de 150 mil toneladas movimentou um fluxo de 250 mil toneladas de grãos no período de um ano, então a sua produtividade operacional será de 1,7, ou seja, o fluxo de grãos movimentado pelo armazém foi 1,7 vez a sua capacidade estática de estocagem.
No entanto, se as estimativas previstas pela CONAB de aumento na área plantada para as culturas da soja, milho e arroz se confirmarem nos próximos anos, o estado do Mato Grosso terá que ampliar sua rede armazenadora para viabilizar com rapidez o preparo do produto para posterior comercialização.