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Com o objectivo de avaliar a dimensão da cognição social apropriada à idade recorreu-se às subescalas aceitação social, comportamento e auto-estima global do "Perfil de Auto-Percepção para Crianças".

De um modo sucinto, recordemos que a cognição social se refere à competência do indivíduo para compreender e interpretar os acontecimentos sociais, bem como o seu próprio comportamento e o dos outros. A cognição social requer uma compreensão dos processos cognitivos individuais, tornando-se numa área difícil de avaliar directamente. Contudo a utilização de medidas de auto-avaliação, como o auto-conceito e auto-estima, abordam alguns aspectos da cognição social (Vaughn & Haager, 1994), pois o indivíduo necessita reflectir relativamente aos acontecimentos e/ou interpretações dos acontecimentos da sua experiência de vida.

A escala "Perfil de Auto-Percepção para Crianças" (Castro, Monteiro, Sá & Rebelo, 1992) é uma adaptação da escala original "The Self-Perception Profile for

Children" de Susan Harter (1985), na sua versão para crianças do 3o ao 8o anos de escolaridade. A opção por esta escala prendeu-se com as suas características conceptuais e metodológicas, que nos parecem ultrapassar algumas das dificuldades levantadas por outros instrumentos. Em termos conceptuais trata-se de um instrumento auto-referenciado, que pretende avaliar as percepções de competência pessoal em diversos domínios e de valor próprio, cuja construção se alicerçou em dois pressupostos básicos (Harter, 1982). Primeiro, a criança não se sente igualmente competente em todos os domínios da sua vida, como sejam o académico, o social, o físico, o atlético e o comportamental, estabelecendo distinções entre estes, podendo-se, assim, obter um perfil multidimensional. O segundo pressuposto, acentua que para além da auto-avaliação de competências específicas existe um juízo acerca da competência geral da criança; uma auto-percepção de competência acerca do seu valor global como pessoa não podendo ser inferida através de um valor médio das suas competências específicas, mas não à regionalização! mediante uma avaliação independente através de um

Objectivos e metodologia do estudo empírico:

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conjunto de itens que constituem a subescala de auto-estima global. Em termos metodológicos, esta escala possui um formato de resposta que procura evitar a desejabilidade social, sendo cada item apresentado de forma contrabalanceada; a criança decide entre duas formulações, na medida em que cada item veicula a mensagem de que há crianças diferentes, mas todas elas com características aceitáveis. Assim, a criança escolhe a formulação que melhor a descreve, e após esta opção, selecciona se: "Sou mesmo assim" ou "Sou mais ou menos assim".

No nosso estudo seleccionaram-se três subescalas a utilizar: aceitação social, comportamento ou conduta própria e auto-estima global. O critério da nossa selecção prendeu-se com o facto destas três subescalas se centrarem, mais directamente, no nosso foco de estudo que é a competência social do aluno.

A subescala aceitação social avalia o grau em que a criança se sente aceite pelos pares, se se sente popular, se tem muitos amigos e, ainda, o sentimento de ser "fácil" ou não gostar dela. Esta subescala é constituída por quatro itens. São exemplos: "Algumas

crianças acham difícil fazer amigos MAS Outras crianças acham bastante fácil fazer amigos"; "Algumas crianças têm muitos amigos MAS Outras crianças não têm muitos amigos". A subescala comportamento avalia o grau em que a criança gosta do modo de

como se comporta, se sente o seu comportamento como adequado. É também composta por quatro itens, de que são exemplos: "Algumas crianças quase sempre fazem aquilo

que devem MAS Outras crianças quase nunca fazem o que devem"; "Algumas crianças arranjam muitas vezes problemas por causa das coisas que fazem MAS Outras crianças não fazem coisas que lhes arranjem problemas". A subescala

auto-estima global reflecte o sentimento geral que a criança possui acerca de si e da

sua experiência de vida. Integra seis itens, de que são exemplos: "Algumas crianças não

gostam da forma como a vida lhes corre MAS Outras crianças gostam da forma como a vida lhes corre"; "Algumas crianças são muito felizes sendo como são MAS Outras crianças gostavam de ser diferentes".

Objectivos e metodologia do estudo empírico:

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A cotação de cada item vai de 1 a 4 pontos. Um valor elevado reflecte uma percepção de competência pessoal elevada. O valor de cada subescala corresponde à média dos itens que a constituem.

Como referimos anteriormente, o "Perfil de Auto-Percepção para Crianças" é uma adaptação de cinco subescalas (excepto a subescala da auto-estima global) da escala original de Susan Harter (1985). Esta adaptação realizou-se com 481 sujeitos, de diferentes escolas de Lisboa e da área Metropolitana de Lisboa, tendo em consideração as variáveis sexo, idade e ano de escolaridade. Os autores desta adaptação efectuaram uma análise factorial dos componentes principais com o objectivo de averiguar se a sua amostra replicava os factores propostos pela versão original.

Relativamente ao estudo das características psicométricas deste instrumento, especificamente nas subescalas aceitação social e comportamento, os autores deste trabalho concluem: "Foi possível replicar com a nossa amostra a estrutura factorial

proposta por Harter (1985) para o Perfil de Auto-Percepção para Crianças (...) as subescalas da versão do instrumento têm, porém, apenas quatro itens por subescala".

De modo a avaliar a auto-estima global dos alunos, recorreu-se a uma adaptação desta subescala efectuada por Sá (1997). A autora realizou esta adaptação com 526 alunos de diversas escolas da área Metropolitana de Lisboa, tendo em consideração as variáveis sexo, idade e ano de escolaridade. Os valores da análise factorial e da validade de constructo revelaram-se satisfatórios; esta subescala integra seis itens como na versão original.

Objectivos e metodologia do estudo empírico:

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