Percepções de Competência
Os dados apresentados no Quadro 8 revelam um nível positivo em cada uma das três escalas de habilidades sociais, bem como no seu conjunto. A cooperação apresenta o valor médio mais elevado, seguido das subescalas do auto-controlo e da
assertividade com valores muito semelhantes entre si. Salienta-se o facto de haver o
valor mínimo, nomeadamente na subescala assertividade e de em todas as subescalas o valor máximo ter sido atribuído.
Quadro 8
Média, Desvio-Padrão, Mínimo e Máximo para as Habilidades Sociais
SubEscalas M DP Min. Máx. Cooperação 72.72 21.20 16.67 100.00 Assertividade 65.15 23.30 0.00 100.00 Auto-Controlo 65.83 18.56 5.00 100.00 Total Hab. Sociais 67.73 16.75 32.76 98.28
Diante dos dados expostos no Quadro 9 verifica-se que o tipo de problema de comportamento mais referenciado pelos professores é a hiperactividade; seguem-se, relativamente próximos, os problemas de comportamento internalizados e os
externalizados. É de realçar que nas três subescalas os valores mínimos são registados
e, em duas destas, o valor máximo também é assinalado. Destaca-se, ainda, que os professores consideram que mais de um terço dos seus alunos apresenta problemas de comportamento.
Apresentação dos resultados 145
Quadro 9
Média, Desvio-Padrão, Mínimo e Máximo para os Problemas de Comportamento
SubEscalas M DP Min. Máx.
Probs. de Comp. Externalizados 31.66 25.33 0.00 100.00 Probs. de Comp. Internalizados 32.84 21.78 0.00 91.67 Hiperactividade 45.62 27.68 0.00 100.00 Total Probs. de Comportamento 35.93 19.13 2.78 88.89
Obtiveram-se, também, as medidas descritivas relativamente ao número de nomeações positivas e negativas, expostas no Quadro 10. Os valores médios de
nomeações positivas e negativas recebidas pelos pares são semelhantes e situam-se em
cerca de três. É de salientar que os valores do desvio-padrão estão próximos dos valores médios revelando uma grande variabilidade nos resultados. O valor mínimo para o número de nomeações positivas e negativas é zero. No entanto existem diferenças quanto ao valor máximo, sendo mais elevado para as nomeações negativas.
Quadro 10
Média, Desvio-Padrão, Mínimo e Máximo para o Número de Nomeações
Número de Nomeações M DP Min. Máx.
N° de Nomeações Positivas N° de Nomeações Negativas 2.97 2.98 2.49 2.99 0 0 10 16
Com o objectivo de determinar o estatuto social dos sujeitos da nossa amostra recorreu-se ao procedimento descrito inicialmente por Coie, Dodge e Coppotelli (1982). Aquando da recolha de dados obteve-se o número de nomeações positivas (NP) e o número de nomeações negativas (NN) de cada aluno recebidas pelos pares da sua sala
Apresentação dos resultados 146
de aula. Estas nomeações foram estandardizadas e convertidas em notas Z, tendo sempre em consideração a variável turma. Seguidamente, calculou-se o valor das duas dimensões sociométricas: a preferência social (n° de nomeações positivas estandardizadas - n° de nomeações negativas estandardizadas) e o impacto social (n° de nomeações positivas estandardizadas + n° de nomeações negativas estandardizadas). Estas duas dimensões foram novamente estandardizadas e com base nesses valores, definiram-se os cinco estatutos sociais: popular, rejeitado, negligenciado, controverso e médio. Para a determinação do estatuto social de cada aluno utilizaram-se os seguintes critérios:
Popular: NP>0 ; NN<0 e Preferência Social > 1 Rejeitado: NP<0 ; NN>0 e Preferência Social < -1 Negligenciado: NP<0 ; NN<0 e Impacto Social < -1 Controverso: NP>0 ; NN>0 e Impacto Social > 1
Médio: todos os sujeitos cujos resultados não lhes permite a inclusão em nenhum dos quatro grupos anteriores.
No Quadro 11 encontra-se a distribuição dos alunos do 3o ano de escolaridade em cada um dos estatutos sociais. O estatuto social médio é o mais frequente e o estatuto controverso o menos frequente.
Quadro 11
Distribuição dos Alunos em cada um dos Estatutos Sociais
Estatuto Social Freq. %
Popular 24 14.20 Rejeitado 26 15.38 Negligenciado 26 15.38 Controverso 4 2.37 Médio 89 52.67
Apresentação dos resultados 147
De modo a averiguar a independência entre as variáveis estatuto social e sexo, recorreu-se ao teste do Qui-Quadrado tendo sido encontrado o seguinte resultado para o 3o ano de escolaridade: %2(4) = 1.35, ns. Assim, conclui-se que na nossa amostra não há associação entre as variáveis estatuto social e sexo.
Face à análise dos dados relativos ao número de nomeações recebidas pelos pares, concluiu-se que trabalhar com o número de nomeações positivas e negativas era mais rico e informativo quanto ao nível de aceitação social do que trabalhar com os cinco estatutos sociais. Deste modo, optou-se por utilizar o número de nomeações positivas e negativas nas análises posteriores; estas últimas revelaram um elevado poder informativo face aos estatutos sociais.
Relativamente às auto-percepções de competência pessoal do aluno verifica-se que é na auto-estima global que se regista o valor médio mais elevado e que os valores de desvio-padrão e mínimo são os mais baixos (Quadro 12). O segundo valor médio mais elevado aparece na subescala aceitação social seguindo-se a percepção do
comportamento próprio. Salienta-se, ainda, a existência do valor máximo nas três
subescalas.
Quadro 12
Média, Desvio-Padrão, Mínimo e Máximo para as Auto-Percepções do Aluno
Dimensões de Auto-Percepção M DP Min. Máx.
Aceitação Social Comportamento Auto-Estima Global 71.84 65.28 76.97 20.19 21.38 18.49 8.33 8.33 5.33 100.00 100.00 100.00
O Quadro 13 apresenta uma síntese dos valores médios nas dimensões da competência social para o 3o ano de escolaridade.
Apresentação dos resultados 148
Quadro 13
Síntese dos Valores Médios nas Dimensões da Competência Social no 3o Ano de Escolaridade
Dimensões da Competência Social M
Cooperação 72.72
Assertividade 65.15
Auto-Controlo 65.83
Total das Habilidades Sociais 67.73 Problemas de Comportamento Externalizados 31.66 Problemas de Comportamento Internalizados 32.84
Hiperactividade 45.62
Total dos Problemas de Comportamento 35.93 Número de Nomeações Positivas 2.97 Número de Nomeações Negativas 2.98 Auto-Percepção de Aceitação Social 71.84 Auto-Percepção de Comportamento 65.28 Auto-Estima Global 76.97
Em resumo, os dados revelaram que para o 3o ano de escolaridade os professores consideram que os seus alunos evidenciam boas habilidades sociais; os valores médios, nas três subescalas e para o total destas, são claramente positivos. Contudo estes professores assinalam também a presença de problemas de comportamento em mais de um terço dos seus alunos. Especificamente, os valores médios mostram que cerca de um terço destes alunos apresenta problemas de comportamento externalizados e internalizados; destacando-se, ainda, um valor médio superior para a hiperactividade. Os valores médios referentes ao número de nomeações positivas e negativas são muito semelhantes e equilibrados; no entanto, reconhece-se a elevada variabilidade destes resultados (Quadro 10). Os alunos deste ano de escolaridade revelam auto-percepções de aceitação social, de comportamento e de auto-estima global claramente positivas, fundamentalmente, no que se refere à auto-estima global.
Apresentação dos resultados 149