A primeira unidade de qualificação para o trabalho do SENAI no Pará foi o Centro de Formação Profissional Getúlio Vargas, inaugurado em Belém, em 1º de maio de 1953.
Figura 1 - Centro de Formação Profissional Getúlio Vargas. Fonte: Foto da pesquisadora tirada em fevereiro de 2007.
Naquele período, se vivenciava nesta região um processo de expansão da energia elétrica, das rodovias, das políticas de desenvolvimento regional para a Amazônia e da diversificação da base produtiva e da pauta exportadora, conseqüência da implementação de um macro programa apresentado pelo governo federal que impulsionou no Pará a valorização das classes produtoras, por meio de recursos do Plano de Valorização Econômica para Amazônia, surgido na década de 40.
A partir de então, vários projetos surgiram com o objetivo de desenvolver a região amazônica, dentre eles, destaca-se a idéia de se trazer para o Pará uma entidade com a função de formar mão-de-obra qualificada para atender demandas das indústrias locais. Assim, empresários da indústria, sob a liderança de Gabriel Hermes Filho, então presidente do Sistema FIEPA, passaram a reivindicar a instalação do Senai no Estado do Pará, o que ocorreu tendo à sua frente, como primeiro Diretor Regional, José Stênio Lopes, que dirigiu a
entidade até 1995. A partir de então, a direção do SENAI no Pará foi assumida por Gerson dos Santos Peres, que permanece até hoje à sua frente.
Com o processo de desenvolvimento industrial do Estado do Pará sendo fortemente impulsionado a partir de 1970, com base em alguns fatos importantes, como a abertura da Rodovia Belém-Brasília, por exemplo, gerou-se uma competição entre os produtos vindos do Sul/Sudeste pela via rodoviária com os produtos da indústria local, concorrendo para o reconhecimento da importância do aprimoramento industrial local.
Aliado a esse fator, a estratégia de criação da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM, com o objetivo de promover o desenvolvimento e a ocupação da Amazônia com o emblema "Integrar para não entregar", desencadeou uma série de ações de cunho desenvolvimentistas no Estado, como a construção da Hidrelétrica de Tucuruí, da rodovia Transamazônica e Perimetral Norte, a exploração dos minérios da Serra de Carajás e a instalação dos distritos de Barcarena, Icoaraci (Região Metropolitana de Belém) e Marabá que, integrados à instituição da lei dos incentivos fiscais e a demarcação política da Amazônia Legal, levaram empresários a perceber o grande potencial industrial na região.
Figura 2 - O Estado do Pará destacado do mapa do Brasil. Fonte: Internet (www.google.com.br)
De acordo com Lopes (1982), entre os anos 60 e 80 houve aumento de cerca de 390% no número de instalações industriais no Pará. Isso desencadeou uma crescente demanda por mão-de-obra qualificada para atuar no promissor setor industrial no Pará. Foi nesse período,
especificamente no ano de 1970, que o SENAI inaugurou sua segunda Unidade em Belém: o Centro Diesel da Amazônia (CEDAM).
A partir daí, iniciou sua expansão e difusão também pelo interior do Pará, contando, atualmente, com nove Centros de Formação Profissional, sendo dois em Belém, três Unidades Móveis, dois Centros de Treinamento e o Departamento Regional. No interior do Estado, o SENAI está presente nos municípios de Santarém, Altamira, Marabá, Cametá, Bragança, Castanhal e Barcarena.
Segundo dados da FIEPA34, o SENAI no Pará atende a 28 segmentos industriais, num total de 207 cursos de treinamento, três cursos de aprendizagem, dois cursos de qualificação e dois cursos técnicos de nível médio, tendo atendido ao longo de mais de 50 anos de existência, um contingente de mais de 238.000 profissionais para a indústria paraense.
Não obstante o desempenho logrado em sua trajetória no Pará, entretanto, a partir do documento institucional intitulado Focalizações Regionais, o qual complementa o Plano Estratégico do SENAI 2000-2010, são discutidas algumas ações estratégicas regionais para a Região Norte, com a finalidade de que “nos possibilite responder com agilidade e qualidade às demandas locais específicas ou mesmo antecipar-se a elas”. Os 11 objetivos estabelecidos para se chegar a essa meta são:
1 - Aumentar a participação do SENAI no mercado de educação para o trabalho, suprindo as necessidades tanto dos segmentos tradicionais quanto dos segmentos tecnologicamente mais avançados;
2 - Aumentar a participação do SENAI no mercado de informação e tecnologia, no que tange à adequação, geração e difusão, com produtos competitivos e inovadores;
3 - Atender pró-ativamente clientes de base nacional, oferecendo serviços personalizados de forma articulada e homogênea;
4 - Atender às demandas das cadeias produtivas de forma sistêmica e integrada;
5 - Ampliar a interação do SENAI com o mercado internacional, sob a articulação do Departamento Nacional;
6 - Intensificar a atuação do SENAI entre as micro e pequenas empresas; 7 - Fortalecer a posição do SENAI no mercado;
8 - Ampliar a contribuição do SENAI ao exercício da cidadania e da responsabilidade social e à melhoria da qualidade de vida;
9 - Ampliar progressivamente o índice de sustentabilidade do SENAI;
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10 - Obter excelência no desempenho institucional de acordo com critérios e práticas reconhecidas no âmbito da gestão da qualidade;
11 - Promover a valorização e o reconhecimento das competências internas.
No sentido de estabelecer um alinhamento para com as diretrizes de atuação em nível nacional, a partir dos últimos anos, o SENAI no Pará, tem atuado crescentemente orientado para a busca da auto-sustentação e competitividade. Isso pode ser constatado, especialmente, pela busca de recursos financeiros no mercado e pela venda de cursos, a partir da cobrança de taxas e mensalidades para os usuários dos serviços prestados pela Instituição, a exemplo do Curso Técnico em Manutenção de Mecânica Automotiva, objeto de estudo deste trabalho.
2.3 O curso Técnico em Manutenção de Mecânica Automotiva do SENAI, no contexto