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Metode  og  forsøksplaner

Segundo Ackoff (1975), há três filosofias dominantes do planejamento: (a) satisfação, (b) otimização e (c) adaptação. Para ele, os planejadores adotam preponderantemente uma das filosofias a qual mais se inclina, mas acredita que todo planejamento utiliza-se das três atitudes em alguma medida.

A filosofia da satisfação é baseada na concepção de tomada de decisão proposta por Herbert A. Simon13. Assim, para compreender os pressupostos de um planejamento orientado pela satisfação de acordo com Simon, é preciso considerar, como já abordado, que a concepção de racionalidade associada à tomada de decisões baseada na teoria econômica tradicional pressupõe a maximização dos retornos esperados por meio da racionalização e o modelo do homem econômico, o qual seria motivado tão somente por recompensas financeiras (concepção taylorista de que o homem é um ser motivado por recompensas extrínsecas, sobretudo, recompensa econômica). Contudo, Simon avançou ao reconhecer a racionalidade limitada do homem ante a complexidade do mundo e ao propor o modelo de

13 Dedicou-se ao estudo das funções dos gerentes e deu grande importância ao processo de tomada de decisão, a

ponto de afirmar que administrar é tomar decisões. Seus principais estudos sobre o tema foram publicados na década de 1960 (MAXIMIANO, 2005).

homem administrativo, que toma decisões satisfatórias e não “as melhores” quanto seria

possível. Estes pressupostos são coerentes com as características do planejamento orientado pela filosofia da satisfação que (a) enfatiza o aspecto financeiro do negócio em detrimento aos recursos humanos, instalações, equipamentos, serviços, etc.; (b) vale-se da “arte do possível” para não realizar grandes mudanças organizacionais, pois prefere apenas a detecção de falhas na estrutura e/ou política vigente e o investimento mínimo de recursos adicionais; (c) tenta prever o futuro da organização com base no passado e, como está muito voltado para a manutenção do status quo, não aproveita assim, em muitos casos, novas oportunidades do ambiente; (d) tem foco na “sobrevivência” e não no desenvolvimento e crescimento; e (e) exige poucos requisitos como tempo, recursos, pesquisas e capacitação técnica dos planejadores, o que torna mais fácil e, portanto, atrativo sua adoção.

Entretanto, no planejamento norteado pela filosofia da otimização, busca-se os melhores resultados possíveis. Ackoff (1975) explica que tais resultados são perseguidos a partir de simulações da realidade realizadas por meio de modelos ou representações simplificadas (físicas, gráficas ou simbólicas) dos sistemas reais. Este enfoque vale-se, muitas vezes, de modelos matemáticos que utilizam um conjunto de medidas (variáveis) que descrevem a realidade. Desse modo, os modelos, mesmo de forma simplificada, descrevem a relação entre variáveis controláveis (que o tomador de decisão pode manipular, tais como montante financeiro a investir, tecnologias de gestão a empregar, parâmetros que deverão caracterizar a qualidade dos produtos e serviços esperados, etc.), não-controláveis (o que o tomador de decisão não pode manipular, tais como ações do meio ambiente, variáveis legais, políticas, econômicas, além do comportamento de atores com objetivos rivais, etc.) e as restrições do sistema (que limitam a ação do tomador de decisão como restrições orçamentárias, legais, éticas, geográficas, políticas, etc.). Todavia, Ackoff (1975) adverte que, uma vez elaborado o modelo de decisão capaz de otimizar os resultados do sistema em

análise, o pesquisador/planejador pode enfrentar dificuldades para obter os valores das variáveis requeridas pelo modelo. Ou seja, em muitos casos, há o desafio de “medir” adequadamente a realidade, inclusive, o de avaliar resultados qualitativos com certa precisão em um conjunto de indicadores quantitativos ou em medida única (geralmente financeira, quando se trata de empresas). Adicionalmente, o autor adverte sobre as distorções advindas do fato de que muitos administradores ignoram objetivos que não podem ser quantificados e são igualmente importantes para avaliar o desempenho e que não foram considerados. No setor educacional, por exemplo, as distorções ocorrem em sistemas que adotam apenas os resultados dos testes de larga escala como medidas únicas de desempenho do trabalho da escola.

Em suma, as principais características do planejamento orientado pela otimização são: (a) Valer-se de modelos matemáticos para encontrar as melhores políticas, ações, projetos e procedimentos e, por isso, dependem da elaboração de um bom modelo conceitual. É importante dizer que é preciso ter bom senso para reconhecer que nem todas as partes de um sistema real são apreendidas por representações racionais simplificadas; (b) Buscar a máxima eficiência no uso dos recursos disponíveis ou a relação mais vantajosa entre custos e benefícios; (c) Adequar-se ao planejamento de recursos físicos ou financeiros e apresentar limitações para o planejamento de pessoal; (d) Abordar explicitamente a questão da estrutura organizacional (divisão de tarefas, relações hierárquicas ou de poder e relação entre os departamentos) por considerar que as medidas de desempenho devem ser atribuídas às partes para otimizar o desempenho do todo; (e) Conseguir adotar controles apenas para identificar quando o previsto não foi alcançado, mas não conseguir identificar oportunidades não previstas e, portanto, não aproveitadas (o que também deveria ser caracterizado como desempenho inadequado). Por fim, Ackoff (1975) adverte que os planejadores otimizadores devem considerar o fator humano no processo, uma vez que a motivação humana para

colaborar com a execução das ações previstas é essencial e que seria grave erro considerar organizações como máquinas programadas. Igualmente, o autor acredita que melhores resultados podem ser obtidos empregando a otimização quantitativa, onde for possível, e, onde não for, técnicas qualitativas orientadas pela filosofia da satisfação, ao invés de apenas uma ou outra técnica.

A filosofia de adaptação é um tipo que decorre da expectativa de que a adaptatividade e flexibilidade sejam características valorizadas pelas organizações como forma de responder às mudanças: internas ou externas; previstas, incertas ou inesperadas; de curta ou longa duração. Esta filosofia atribui mais valor ao aprendizado gerado pelo processo de planejamento do que ao plano ou relatório obtido ao final; dá ênfase ao planejamento

prospectivo (voltado a criar o futuro desejado) e não ao planejamento retrospectivo (voltado

para a correção das falhas decorrentes da falta de administração e controles eficazes provenientes de decisões anteriores); e utiliza os tipos de planejamento de acordo com o conhecimento que se tem do futuro. Quais sejam: (a) Planejamento compromisso – quando a ocorrência de determinados eventos é quase certa (crescimento populacional já previsto pelos estudos demográficos, por exemplo); (b) Planejamento contingência – quando o futuro é incerto, mas há possibilidades de ocorrer determinados eventos (comum nos meios militares, por exemplo); e (c) Planejamento adaptação – quando o futuro é desconhecido e não se pode antecipar (mas acredita-se que a organização deva ter capacidade para adaptar-se à nova situação e dar respostas eficazes ante o inesperado como, por exemplo, catástrofes naturais, descobertas tecnológicas, etc.).

Em suas considerações finais sobre as três filosofias de planejamento, Ackoff (1975) alude que o planejamento satisfatório é o mais comum e o adaptativo o menos comum. Também assevera que há uma necessária sofisticação metodológica (uso de mais métodos, técnicas e ferramentas científicas) quando se avança do primeiro para o último tipo. Além

disso, afirma que a otimização e a adaptação requerem o uso de tecnologias computacionais e conceitos da ciência administrativa mais intensamente, embora nenhum dos tipos de planejamento prescinda, em alguma medida, do emprego do bom senso, julgamento subjetivo, métodos científicos e tecnologia conjuntamente. Por fim, o autor recorda que o planejamento, embora dispendioso, seja uma das atividades mais rentáveis para uma organização e talvez a que pode redundar em maiores perdas quando não é realizada.