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METODE FOR VERDIVURDERING AV NORWEGIAN

mesmo que seus limites estejam sendo constantemente repostos pelos progressos na área de engenharia de softwares – constitui a melhor garantia de que sempre haverá uma incongruência entre o fenômeno e o modelo formal, ou entre o mundo percebido e a sua representação sob forma de imagem digital. (Machado, 1996:p.112)

No caso da prática à mão-livre, obedecendo a um pressuposto operacional da memória de trabalho – a rapidez – o pensamento se distancia facilmente do registro gráfico. É uma disputa desigual. Nessa corrida veloz por um certo emparelhamento, as marcas gráficas precisam revelar-se ágeis, o que, muitas vezes, naturalmente, implica perdas qualitativas na representação.14 É de se perguntar sobre a relevância dessas perdas, como se, com elas, também se evadissem ideias talvez pertinentes. Pode-se arriscar um diagnóstico: o rafe não é, em si, um procedimento narcísico ou território de um virtuosismo que, muitas, vezes, a despeito disso, tem o poder de alijar os menos hábeis graficamente, como se constituísse um operante darwinismo gráfico inibidor, capaz de gerar frustrações e bloqueios à criatividade. Ao contrário, ao se permitir expressar ideias graficamente, ainda que a seu

modo (Fig. 13), qualquer que o seja, o fazedor de rafes autoriza a si

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Observamos vários fatores que se apresentam como responsáveis por perdas qualitativas na representação através de rafes. Tais fatores, para os sujeitos envolvidos e que foi por nós verificado com clareza, são os que devem ser atribuídos à eventual falta de uma habilidade mínima; pelo constrangimento auto-imposto pelo sujeito quando percebe ele mesmo que seus esboços revelam déficits na representação; pelo constrangimento gerado pela observação de colegas e do professor, ainda que não o queiram. Em algumas ocasiões se estabelece uma circularidade inibitória que acaba, até mesmo, por sufocar o surgimento natural de novas ideias. Observamos que os poucos sujeitos mais dispostos à prática gráfica mais descontraída ou fluente, ou que com ela têm uma relação natural, não são vítimas dessas dificuldades. Tal percepção que tivemos foi compartilhada pelos sujeitos pesquisados, pois inevitável em um ambiente como a sala de aula.

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próprio o momento da auto-comunicação, alimentada por suas memórias todas, na praça de guerra da memória de trabalho.

Figura 13.: Rafes de Taís Wegner, aluna da FAUPUCRS. Projeto de logomarca. Trabalho acadêmico,2003

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Machado (1996), De Lapuerta (1997), Cezar (2003), Brandão Machado (2003) concluem suas avaliações sobre a computação gráfica, como ferramenta de concepção com assertivas semelhantes: ainda é insatisfatório o diagnóstico da valoração criativa dos novos meios, já que processos gráficos de concepção, em qualquer área, continuam, nesse estágio da tecnologia, muito híbridos. Convivem, para uma mesma concepção, métodos e ferramentas tradicionais e os informatizados. Para alguns, a assertiva soa como uma concessão, um

deixar para mais tarde, como se fosse apenas questão de tempo o

surgimento daquele momento em que não mais se faria necessário valer-se de técnicas imaginais corpóreas, como a do rafe.

Vozes mais cautelosas como a de Gabriela Goldschmidt (2000), da Universidade de Haifa, dão conta de que “Designers cultivate

this ability and exploit it because it benefits their idea-generation processes. At present it is not clear whether mediated sketching such as is possible using computacional tools can produce similar effects: this is a question that can and should receive high priority on our rechearch agendas.” Algo como: “Designers valem-se do rafe como bom auxiliar

para a ideação. Como não é claro que o mesmo ocorra com o uso de computadores, deveríamos nos preocupar seriamente em investigar isso em nossas pesquisas futuras.”

Em síntese, como se percebe, também passamos a escutar, pela voz dos que se ocupam em prever o futuro da criação nesses âmbitos, alguns prenúncios de definitiva capitulação aos encantos

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da computação gráfica, ao lado de posturas mais comedidas. Para os primeiros, parece estar escrito que a obsolescência do corpo será uma realidade, não percebendo que, com ele – o corpo – possivelmente se torne obsoleto, também, aquilo em que mais o ser se distingue – o pensamento. O corpo passa a se constituir numa prótese da tecnologia. Para Heidegger, como se viu, esse quadro já se mostrava emoldurado há vários séculos, estamos agora na fase do acabamento.

Além disso, afinal, como sugere Stein (2007),

Está na hora de nos perguntarmos se um corpo bípede, com uma visão binocular, que respira e tem um cérebro de 1400cm3 é realmente adequado ao que está acontecendo hoje. (p.21)

É hora de se discutir o que poderíamos chamar de uma

crise. No nosso caso específico, no âmbito deste estudo, uma crise já

previsível entre dois aparentes desafetos: o pensamento criativo e o pensamento tecnológico.

Os dois Capítulos que a seguir são apresentados procuram descrever essas duas circunstâncias: num primeiro momento, o Capítulo II, apresenta-se a análise e descrição da atualidade das práticas gráficas de concepção na área do design, da publicidade, da arquitetura, utilizando o apoio da escuta efetivada junto aos sujeitos de pesquisa, bem como um possível diagnóstico relativo às expectativas desses mesmos sujeitos quanto ao que poderá vir a ocorrer nesse âmbito no futuro; num segundo momento, o Capítulo III, refletimos

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acerca do papel do ser como o conhecemos - corpóreo, instável, frágil - no cenário futuro da criatividade, em um mundo dito pós-humano, no qual esse mesmo ser já é anunciado como um despreparado e inconveniente estranho.

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