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Nos itens anteriores, foram discutidos aspectos relacionados à inovação em empresas e inovação em empresas de serviços. Neste item, será discutida,

especificamente, a inovação combinada das micro e pequenas empresas no setor de serviços, sendo assim mais pontuais e aproximando-se mais do segmento das lavanderias domésticas, foco do presente estudo.

Estudos sobre inovação em pequenas empresas industriais são mais comuns que as pequenas empresas de serviços, já que as primeiras estão mais ligadas às áreas tecnológicas, e as empresas de serviços são consideradas empresas não tecnológicas ou menos intensivas em pesquisa e desenvolvimento (OCDE, 2005).

Em sua análise sobre os fatores de inovação para a sobrevivência das MPEs brasileiras, Pereira et al. (2009, p.50) citam que os empresários brasileiros “estão inovando no processo de gestão, estando mais atentos para questões como planejamento, análise financeira e qualidade das equipes internas”. Por outro lado, o processo decisório aparece, como uma das áreas de conhecimento menos importantes (8% das respostas).

Observou-se uma tendência de maior profissionalização do negócio, mas ainda existe a deficiência tecnológica (ex.: baixo número de patentes das MPEs em relação ao número total de empresas), a presença de membros da família sem capacitação gerencial e certa descontinuidade com a saída do proprietário, comprometendo os resultados e a sobrevivência das empresas. Ao comparar a inovação em empresas de pequeno, médio e grande portes, Elche-Hotelano (2011) pesquisou empresas espanholas e constatou que as empresas de pequeno e grande portes são menos inovadoras, ao passo que as de médio porte mostram alta propensão a inovar (quase 60%).

Tidd; Bessant e Pavitt (2008) abordaram o posicionamento das pequenas quanto à inovação, ressaltando que as oportunidades para a inovação nas pequenas empresas são fortemente influenciadas pelo sistema de inovação em que se acham inseridas. Os autores indicam que as pequenas empresas utilizam mais pesquisa e desenvolvimento interno do que fontes externas de conhecimento, são altamente influenciadas pelo perfil inovador de seus fornecedores e clientes e fortemente condicionadas ao contexto geográfico e nacional onde estão inseridas. Conforme referem Tamura et al. (2005), existem diferenças significativas no desempenho

inovador entre os diferentes tamanhos de empresas no setor de serviços. Empresas de maior porte (mais de 250 funcionários), aparentemente, são mais inovadoras que as pequenas (menos que 50 funcionários) e as médias empresas (50-249 funcionários). Os autores constataram também que mais de 80% das empresas de serviços são pequenas empresas, contra 75% do setor de manufatura.

A relação entre a atividade inovadora e o porte das empresas foi estudada por Acs e Audretsch (1987), e testada a hipótese de que a relativa vantagem inovadora entre grandes e pequenas empresas é determinada pela concentração de mercado, a extensão das barreiras de entrada, a composição do tamanho da empresa na indústria e a importância geral da atividade de inovação.

Os autores supracitados concluíram que as grandes empresas tendem a ter relativa vantagem inovadora em indústrias intensivas em capital, concentradas e que produzem bens diferenciados. Por outro lado, as pequenas empresas tendem a ter relativa vantagem inovadora em indústrias que têm alto componente de trabalho especializado. A força de trabalho especializada nas MPEs, aparentemente, facilita a entrada em mercados específicos que demandem grau mais elevado de conhecimento técnico e mercadológico.

Os mesmos autores apresentam um modelo sugerindo que os resultados da inovação sejam influenciados por pesquisa e desenvolvimento e características de mercado em grandes e pequenas empresas (ACS; AUDRETSCH, 1988), reforçando a relação entre o número de inovações, o grau de especialização e a força de pesquisa e desenvolvimento, como fatores com efeitos nas grandes e pequenas empresas.

Mc Dermott e Prajogo (2012, p.219) estudaram a inovação em serviços e o desempenho das pequenas e médias empresas de serviços. Discutem a relação entre exploração, definida como "aquela mais frequentemente associada com serviços e produtos novos e globais, criando novos mercados e pela identificação das necessidades de consumidores e mercados emergentes", e explotação, definida como aquela "associada com extensões de linhas de serviços e produtos existentes" na inovação e desempenho do negócio. Os efeitos dessas duas orientações de

inovação no desempenho do negócio em pequenas e médias empresas é mostrado nos dados da Figura 25.

Os autores supracitados concluíram que a sinergia entre as duas orientações (exploração e explotação) é associada positivamente ao desempenho dos negócios. O trabalho mostra ainda que as inovações em extensões de linha de produtos podem ser potencializadas se combinadas sinergicamente com produtos oriundos da inovação radical das linhas existentes, mais do que se forem aplicadas individualmente. Com relação à comparação entre empresas de produtos e serviços, Mc Dermott e Prajogo (2012) afirmam que o impacto da inovação em serviços é diretamente observável (mais fácil de ser copiada e replicada) e mais rápida de implementar, ao passo que a inovação de produto leva mais tempo para impactar no desempenho do negócio. Os autores citados analisaram também a inovação e o porte das empresas e concluem que as empresas menores são menos propensas à inovação radical por falta de capital e outros recursos, e as empresas maiores beneficiam-se mais da exploração que da explotação. Também observaram que as empresas com menos de 20 funcionários são mais focadas na operação, ao passo que as maiores (200-250 funcionários) são mais direcionadas à estratégia.

Figura 25: Relação entre exploração, explotação e desempenho do negócio

Hine e Ryan (1999) examinaram o aspecto inovador das pequenas empresas de serviços e questionaram as razões de determinados grupos de empresas serem mais inovadores que outros, analisando o impacto da inovação na criação de valor das empresas em seus segmentos. Afirmam que as inovações de processo e inovações não tecnológicas (estas últimas definidas como as que ocorrem dentro das empresas e não estão ligadas a produtos/serviços ou métodos de produção) são mais frequentes e aparentes.

Desse modo, os autores supracitados sugerem que as pequenas empresas de serviços precisam interagir com o ambiente externo (pois são afetadas por ele de alguma forma) por meio do desenvolvimento de uma verdadeira estratégia de inovação. Os resultados do estudo mostram que as empresas, a partir de 20 funcionários, são mais inovadoras (maior índice para empresas entre 50 e 99 funcionários), e empresas de serviços pessoais (onde se incluem as lavanderias) têm seu maior índice para inovações do tipo não tecnológicas, seguidos de inovações tecnológicas (possivelmente pela aquisição de equipamentos com tecnologia mais avançada para a produção de seus serviços).