Os dados selecionados para análise foram, principalmente, os obtidos por meio do QIP, da EMEP e do registro das sessões de grupo operativo. Considerando a importância da análise quantitativa, assim como da análise qualitativa das informações, este estudo foi delineado na perspectiva de integrar as duas estratégias de obtenção e de análise dos dados: a quantitativa e a qualitativa.
“A realidade concreta da investigação social nos informa uma e outra vez da insuficiência abstrata de ambos os enfoques tomados por separado” (DELGADO; GUTIÉRREZ, 1995, p.88). A utilização dos métodos qualitativos e quantitativos de modo combinado passou a ser chamado de triangulação de métodos e ser considerado como uma nova maneira de compreender o mundo dentro das complexidades e desafios da modernidade (MINAYO, 2005).
Para Minayo, as fundamentações da triangulação podem ser encontradas nas idéias de Kant, “a experiência se constrói na unidade sintética dos fenômenos, em uma síntese de conceitos sem o qual a ação não chegaria a se transformar em conhecimento” (MINAYO, 2005, p.30). Segundo a autora, a postura dialética leva a compreender que dados subjetivos e dados objetivos são inseparáveis e interdependentes, razão de as dicotomias serem diluídas.
Uma das maiores preocupações em se utilizar as duas abordagens, qualitativa e quantitativa, diz respeito a serem de paradigmas distintos e ao mesmo tempo complementares. As possibilidades são muitas, assim como os cuidados a serem considerados, entretanto não há dúvida de que os resultados podem ser surpreendentes.
CASBEER; VERHOEF (1997) citam as vantagens e os desafios em se combinarem os dois tipos de pesquisa. As vantagens são de uma abordagem poder ser usada para dar informações à outra, com o aumento da validade sendo os resultados confirmados mediante diferentes fontes de informação, a complementaridade e a criação de novas linhas de pensamento e de pesquisa em função do surgimento de novas perspectivas ou contradições. Os desafios nesta combinação são de ir além dos métodos e dos estudos em separado, fazer a colocação correta da pergunta: “o quanto”, “como” e “por que”, desenvolver estratégias para comparar e avaliar diferentes resultados e para harmonizar as contradições e ampliar o aprendizado por meio de um programa que combine métodos diferentes de pesquisa. Para estes autores os principais desafios ao se combinarem os dois métodos são: diferenças filosóficas, custo elevado, treinamento inadequado do pesquisador e viés de publicação. Na
escolha de um método, o pesquisador deve estar em sintonia técnica bem como filosófica com o estudo e estes alinhados com os objetivos da pesquisa. Assim sendo, a opção pelo uso de estratégias quantitativas e qualitativas, neste estudo, visa superar alguns problemas metodológicos muitas vezes possíveis de ocorrer quando o pesquisador opta por apenas uma modalidade de análise.
Os dados obtidos por meio do Questionário de Informação Profissional (QIP), foram analisados quantitativamente (perguntas fechadas) com base na estatística descritiva e qualitativamente (comentários e perguntas abertas), com base na análise de conteúdo segundo Bardin (1988). A análise de conteúdo, neste estudo, foi organizada em torno de três pólos cronológicos: a pré-análise; a exploração do material; o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação. Na pré-análise, a primeira atividade consiste em realizar uma leitura flutuante para se estabelecer um contato com os documentos, depois da escolha dos documentos que segue algumas regras como: exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência. E ainda, a formulação das hipóteses e dos objetivos, mesmo que provisórios, que se pretende verificar e a referenciação dos índices e a elaboração de indicadores, para então alcançar a exploração do material, que é a fase de análise propriamente dita e o tratamento dos resultados obtidos e interpretação.
Para melhor analisar a questão 5 do QIP (“Considerando suas preferências gostaríamos de saber qual (is) profissão (ões) desperta (m) mais o seu interesse”) as profissões informadas foram distribuídas em três grandes áreas: Humanidades, Biológicas e Exatas. Para tal, utilizou-se o Guia das Profissões da Universidade de São Paulo (A Universidade e as profissões, 2006), o Guia dos Estudantes (2006) comercializado pela Editora Abril e o Guia de Profissões da Universidade Estadual Paulista (UNESP, 2005). As profissões consideradas na área Humanidades foram: Administração, Arquitetura, Artes Cênicas, Artes Plástica, Audiovisual (cinema/ vídeo), Arquivologia, Biblioteconomia, Ciências Contábeis, Ciências Sociais, Dança, Design gráfico, Direito, Economia, Economia Agroindustrial, Editoração, Filosofia, Geografia, Gestão Ambiental, História, Jornalismo, Letras, Lingüística, Moda, Museologia, Musicoterapia, Música, Pedagogia, Publicidade e Propaganda, Produção Editorial, Relações Internacionais, Relações públicas, Secretariado Executivo, Serviço Social e Turismo. As profissões da área Biológicas incluídas foram: Ciências Biológicas, Ciências dos alimentos, Ecologia, Educação Física, Enfermagem, Engenharia Agronômica, Engenharia dos alimentos, Engenharia Florestal, Esporte, Farmácia – Bioquímica, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Oceanografia, Odontologia, Psicologia, Terapia Ocupacional, Zootecnia. E as carreiras da área Exatas englobam: Ciências
da computação e informática, Ciências exatas, Engenharia, E. aeronáutica, Física, Física médica, Geofísica, Geologia, Matemática, Meteorologia, Oceanografia, Química, Astronomia, Desenho industrial, Estatística.
A intenção de controlar a variável maturidade para fins da intervenção e da avaliação, como apontado anteriormente, foi mantida até a composição dos grupos e início do tratamento dos dados. Porém, para efeito de análise final dos dados essa distinção não foi feita, por duas razões: (1) o número de participantes ao final da intervenção (n=28) ficou abaixo do esperado e (2) a dimensão psicológica maturidade para a escolha de carreira, por estar em níveis muito próximos (inferior e médio) nesses sujeitos, não foi considerada como critério adequado para a análise em dois grupos. Assim sendo, os dados dos grupos A e B foram reunidos e analisados na totalidade (n=28).
Foram realizadas comparações entre o início e o término da intervenção em grupo de Orientação Profissional. Como se trata da mesma unidade amostral (pré X pós) utilizou-se o Teste não-paramétrico de Wilcoxon para comparações com números e o Teste do X² de McNemar, nas comparações em porcentagens. Uma outra comparação realizada foi entre o sexo feminino e o masculino. Como as amostras são independentes, foram utilizados: o Teste Exato de Fisher nas comparações em porcentagem e o Teste não-paramétrico de Mann- Whitney nas comparações com números.
Os dados obtidos por meio da Escala de Maturidade para Escolha Profissional (EMEP) de Neiva (1999) foram analisados quantitativamente, sendo os resultados brutos por tratamento estatístico não paramétrico (Teste de Wilcoxon para amostras pareadas, p = < 0,05), para comparação dos índices obtidos antes e depois da intervenção em Orientação Profissional de ambos os grupos (A e B, n=28). E o Teste de Mann-Whitney na comparação realizada entre o sexo feminino e o masculino.
A análise qualitativa sobre o processo de Orientação Profissional dos grupos foi feita a partir da síntese dos registros dos grupos operativos, realizadas após cada encontro pela observadora e pela coordenadora. Os registros das falas tanto dos integrantes quanto da coordenadora foram analisados objetivando proceder à síntese do processo grupal. A análise do processo grupal focalizou o centramento do grupo na tarefa – de informação profissional e questões pertinentes à tomada de decisão - com base nas falas dos integrantes e da coordenação. A análise das transcrições das sessões focalizou predominantemente os vetores de avaliação do Cone Invertido: comunicação e aprendizagem, conforme ECRO (PICHON- RIVIÈRE, 1994, 1995; QUIROGA, 1994). Os dados obtidos por meio dos instrumentos de avaliação psicológica foram integrados para avaliar o nível de informação profissional e o
nível de maturidade profissional antes e depois da intervenção; e a comunicação e a aprendizagem no processo grupal de Orientação Profissional, como indicadores de possíveis mudanças expressas nos grupos.
A partir dos registros do acontecer grupal, foram construídas hipóteses acerca das relações causais, com o objetivo de decodificar o sentido do observado, explícito, denominado emergente por Pichon (1994,1995). Os conteúdos observados remetem ao significante e a significados implícitos, ao acontecer subjacente do processo interacional. O entendimento desses significados pode proporcionar aos adolescentes elementos que promovam a comunicação e aprendizagem de atitudes e aquisição de conhecimentos - informações - para a escolha da carreira.