cios que correspondem às premên- cias da vida moderna.
Precisamos saber despertar as apti- dões profissionais, tornando a nossa mocidade mais apta a tirar proveito do grandioso patrimônio com que nos doou a natureza. Impõe-se, por con- seguinte, uma orientação do ensino nessa diretriz. Poderá parecer pre- matura, diante do estado social das nossas populações, quando todos pro- clamam, de preferência, a difusão do ensino popular, a urgência dessa con- quista a que se convencionou dar o nome de "desalfabetização", venha- mos enaltecer a necessidade de um ensino mais objetivo e a urgência da criação, em mais larga escala, dos institutos profissionais que satisfa- çam os requisitos do ensino moderno.
As transformações técnicas acom- panham as transformações econômi- cas e precisamos caminhar para atin- gir esse ambicionado ideal, que ha- vemos de alcançar um dia — o de
formar, cm número suficiente, ho- mens capazes de sa dedicarem, corn proveito, às diferentes profissões. — ARTHUR TORRES .FILHO — (O Jornal, Rio) .
O V I S C O N D E DE S. L E O P O L D O E A U N I V E R S I D A D E Jose Feliciano Fernandes Pinheiro, em 1823, constituiu-se advogado dos brasileiros que freqüentavam a Uni- versidade de Coimbra. Proclamada a
Independência, no ano anterior, não deveria ser muito lisonjeira a posi- ção dos brasileiros na pátria que fora .vítima de tão forte desmembramento.
Pretendiam os moços que se insti- tuísse uma organização universitária
no Brasil. O ouro extraído do nosso solo, diziam, deveria ser suficiente para fundação do almejado centro de estudos. Atendendo ao alvitre, Fer- nandes Pinheiro redigiu e apresentou um projeto de lei em 14 de junho daquele ano. Referiu-se à "amarga conjuntura" de uma ifalha tão grave. Justificou o seu plano do modo se- guinte: "proponho que no Império do Brasil se crie quanto antes uma universidade, pelo menos, para assen- to da qual deve ser preferida a cidade de São Paulo pelas vantagens natu- rais e razões de conveniência geral".
O documento assinado no Paço da Assembléia tem a data de 12 de junho de 1823. O inolvidável deputado, na discussão do assunto declarou: "o Tietê vale bem o Mondego do qutro hemisfério". Para êle São Paulo me- recia a escolha "pela salubridade e amenidade do clima, feliz posição, abundância e barateza de todas as provisões e cômodos da vida". O pro- jeto rolou um mês na Câmara. Ein 19 de agosto apareceu relatado por Mar:im Francisco. O Andrada e seus companheiros de comissão opinaram pelo estabelecimento .de duas univer- sidades, uma em São Paulo e a outra em Olinda. Em ambas deveriam ser ensinadas todas as ciências e belas letras. Pediam, porém, que desde logo se criasse um curso jurídico na ci- dade de São Paulo. O governo deve- ria convocar mestres idôneos. Como estatutos seriam adotados os da Uni- versidade de Coimbra. Um vice-reitor seria escolhido para a direção da fa- culdade proposta.
Nos debates foi acesa a luta regio- nalista. Uns opinavam pela escolha de Pernambuco onde o dialeto, acres- centavam, era mais apurado do que
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em São Paulo. Punham na balança a cana de açúcar. Dava soca e res- seca, sem replantação. Olinda era o jardim do Éden. E, realmente na- quela época, Olinda possuía sociedade
florescente, homens de fortuna tra- javam vestes de damasco e seda e se- nhoras ostentavam grande luxo e grandeza.
Os representantes do Estado do Rio apregoavam a riqueza da flora e a quantidade de granito. Alguns dese- javam a localização da universidade na Corte. Montezuma bateu-se pela Bahia. Na Corte, afirmava, haveria arbítrio nocivo do governo. O futuro Visconde de São Leopoldo acudiu em ddfesa de São Paulo. Sua escolha fora determinada por motivos muito ponderáveis. Não estava "alucinado" pela circunstância de ter nascido na terra bandeirante. Montezuma retru- cou : "não sei por que aqui se anda sempre com São Paulo para cá e São Paulo para lá; em nada aqui se fala que não venlha São P a u l o " . Se preferia a Bahia nâo era por ser baiano. Não tinha a intenção de "puxar a braza para sua sardinha". Mas foi puxando; José da Silva Lis- boa bateu-se também contra São Paulo. Reconheceu o futuro Visconde de Cairú a urgência da criação de. uma universidade brasileira. Queria, porém, uma só e situada na Corte. Achava que em São Paulo o dialeto era muito acentuado. A seu ver a mocidade brasileira, em São Paulo. iria adquirir pronúncia muito desa- gradável! Depois tornou-se concilia- dor. Votava por uma universidade na Corte à custa do Tesouro. Teria a denominação de Universidade das Ciências, Belas Letras e Artes. Po- deriam, entretanto, existir outras, nas
capitais das províncias. Deveriam scr requeridas pelos povos e governos lo- cais. Na sessão de 27 de agosto, afir- mou : " continuam bárbaros os países que não instituiram universidades e por elas ensinaram". Carneiro da Cunha opinava pela Paraíba. E r a prenhe de viveres e escassa de di- versões. Não havia teatro, nem "dis- sipação de qualidade alguma". O povo era simples, de costumes singe- los. Antônio Carlos atalhou logo, dizendo que a cidade era deserta.
Várias Câmaras municipais aplau- diram a idéia da criação da univer- sidade. Ofereceram seus municípios: Queluz. São João del Rei, Barbacena, São José, Caieté, Baependí, Pitan- guí e Sabará. Aliás, São João del Rei já fora indicada como sede da uni- versidade nos planos da Inconfidên- cia Mineira.
Apareceu depois a proposta de três universidades: uma central para Mi- nas e Goiás; outra, no sul, para São Paulo, Rio Grande e Cisplatina; a terceira no norte, compreendendo Bahia, Pernambuco e Maranhão.
Pereira da Cunha queria duas uni- versidades ; uma no Maranhão e ou- tra na Bahia, Olinda teria uma fa- culdade de leis; São Paulo e Mariana, uma de ciências naturais.
Encerrou-se a primeira discussão depois de falarem 18 oradores! Na segunda, tomou vulto a questão eco- nômica.
Finalmente, foi vencedora a idéia de duas universidades. Uma em São Paulo e outra em Olinda. Votaram 7 deputados a favor desse projeto: Luiz José de Carvalho e Meio, Fran- cisco Muniz Tavares, José Ar.mchs Toledo Rondon, Pedro de Araújo Lima, Venâncio Henrique Rezende,
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